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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Valorizar tudo o que temos agora

O que é mais dramático nesta vida é precisamente, nos agarrarmos tanto a ela como se fossemos eternos neste mundo. Não há garantia nenhuma quanto a isso. Mas disfarçamos, para que essa verdade nunca nos convença. Por isso, sofremos muito, choramos muito quando acontecem as perdas. E porque as perdemos, fazemos com que elas tenham sido e sejam o mais importante do mundo para nós, eram indispensáveis e sempre são boas depois de já não as termos. É uma certa hipocrisia compensatória que vai preenchendo o vazio e a saudade que tais perdas sempre vão deixando. O que se diz dos mortos é bem revelador. O espírito dos mortos deve rir a bandeiras despregadas. É pena que não possamos ter essa visão, que nos poria em sentido, face à figura triste que tantas vezes fazemos.
São Paulo é bem claro quanto ao que devia orientar o pensamento e a conduta de cada um de nós enquanto nos é permitido andarmos por aqui, para que fossemos capazes de dar mais valor o que temos agora e com quem estamos agora. Diz assim, o maior autor de epístolas bíblico: «Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas» (2 Cor 4, 18). Um pensamento brilhante e que nos deveria convencer de que a realidade daqui é sempre a prazo, com dores e prazeres, com esperança e desesperança, com amor e desamor, com mentira e verdade, com paz e guerra, com ganhos e perdas… Aliás, com tudo o que faz parte deste mundo, que sempre faz manifestar mais o que miserável em detrimento do que é mais belo e glorioso.
Neste sentido, falta-nos compreender que esta vida, precisa que paremos e que passemos a usar mais cabeça conjugada com a riqueza do coração para que cada dia que passa, sejamos gente ao lado de gente, pessoas com alma... Não precisamos de ser sempre materialistas nem muito menos sempre espiritualistas ou espirituais. O mundo não se faz com materialistas e espiritualistas, esse dualismo não serve o mundo nem faz bem à vida. Faz-se a vida, a nossa vida entre uma coisa e outra, que se liga por um fosso, para o qual não temos explicação. Estamos aí nesse fosse misterioso, sem explicação, o que nos vai ajudar a gostarmos muito deste mundo, convencidos que estamos a prazo nesta estadia por aqui.
Assim sendo, estou seguro que podemos começar a valorizar mais as coisas e as pessoas agora e não apenas depois quando as perdemos.  

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