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terça-feira, 10 de maio de 2016

A corrução resulta da pobreza intelectual e espiritual

Autor do livro Avareza
Mais um livro que põe a nu a corrupção que domina os meandros do Vaticano, «Avareza» de Emiliano Fittipaldi, o jornalista que passou um ano a investigar a gestão das finanças das instituições que gerem os bens da Igreja Católica. A investigação resultou no livro Avareza, e a fuga de informação que relata já mereceu o nome de Vatileaks.
Nada disto é novo. Nada disto surpreende. Mas escandaliza. Seguramente vai fazendo mossa e ainda será pior se as autoridades da Igreja continuarem a se mostrarem ofendidas com estas denúncias e procurarem condenar o mensageiro deixando incólumes quem anda dentro da Igreja a servir-se da sua posição eclesial para fazer negociatas ilícitas, corruptas…
Pessoalmente, nada disto me surpreende nem deve surpreender ninguém. Onde há dinheiro grosso, há sempre corrupção da grossa. A humanidade em todo o lado é igual. Essa chapa enforma até os mais santos deste mundo, por nenhum homem e nenhuma mulher são anjos. Mais ainda creio que todos estes pagarão até ao último cêntimo, tudo o que roubaram destinado aos pobres. O Evangelho confirma-o veemente: «Mas, qualquer um que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar» (Mt 18, 6).  
Debrucei-me a ler duas entrevistas interessantes ao autor do livro Avareza e já fiz a minha leitura, que não afeta a minha fé em Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo e na Igreja. A Igreja do Evangelho não é nada disto, porque não é avarenta, não é invejosa, não é corrupta: «Todos os que acreditavam estavam unidos e tinham tudo em comum… e davam a todos segundo as necessidades de cada um» (At 2, 44s). Esses que se guiaram pela corrupção serão julgados por Deus na hora devida, já que o brilho do poder deste mundo os protege da justiça humana. Importa-me saber como ando e como vivo. Tudo o resto é mundano e o que é puramente mundano não me serve e rezo para que Deus me livre disso.
Porém, não basta continuarmos a dizer que onde há dinheiro e humanidade há corrupção. É certo, mas não é suficiente e temos o dever de ser honestos indo mais longe nos considerandos. Deve ser também necessário reconhecer que muitos corruptos que se abrigam sobre as vestes purpuradas e outras são gente fraca intelectualmente e espiritualmente. São amigos promovidos por amigos, carreiristas que se põem a jeito para subir na hierarquia para chegar a lugares de topo e fazer das suas porque não sabem o que é vocação nem muito menos amor aos outros nem permitiram aprender que há o bem comum e o bem comum é de todos, não se toca. Assim, faltando espiritualidade verdadeira, sentido ético, respeito pelos bens destinados a todos e temor de Deus, não se inibem de lamber os dedos se fossam no mel.
Esta é para já a minha ressonância das duas entrevistas que li do autor de Avareza de Emiliano Fittipaldi. Se tiverem tempo, vontade e desejarem fazer a vossa leitura tirando as vossas conclusões podem fazê-lo por aqui:
Boas leituras.

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