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terça-feira, 24 de maio de 2016

O Islão Hoje

Decorreu esta manhã na Escola Goncalves Zarco, uma conferência com o Sheikh David Munir - Imã da Mesquita Central de Lisboa, com este título: «O Islão Hoje». A organização coube aos professores do grupo de História da Escola Gonçalves Zarco, no âmbito da Semana da História que ali decorre. Muito benvinda esta iniciativa. Quanto mais esclarecimento no que diz respeito à dimensão religiosa da humanidade melhor para todos nós.
A conferência revelou-se pouco incisiva e clara quanto às diferenças que assistem o Islão propriamente dito como religião que serve a muitos milhões de muçulmanos pelo mundo e a prática destorcida do Islão levada a efeito pelos grupos radicais, particularmente, o mais famoso hoje, o denominado Estado Islâmico ou Daesh.
O Sheiks começou por definir o que era o Islão, as condições ou pilares para ser islâmico e a liberdade que assiste quem pratica esta expressão religiosa, que até pode abandonar quando muito bem entender. Adiantou ainda que o Islão não é propriamente uma religião, mas «um código de conduta de vida». Aliás, é este o ponto essencial da conferência, a meu ver, porque, esta nuance levanta uma série de confusões. Algumas vezes é religião, outras vezes conduta de vida. O Ocidente, na generalidade, nunca entende o Islão como «conduta de vida» apenas, mas como grande religião.
Mais ainda considero que será precisamente aqui que vai radicar a maior questão com que se debate hoje a humanidade relativamente ao que diz respeito ao Islão e aos muçulmanos. Esta confusão não é benéfica. Daí que esteja de acordo com os especialistas que consideram que o problema islâmico está principalmente dentro do Islão e não fora dele como tantas vezes consideramos. Deve ser por isso, que os grupos radicais entendem que pode ser conduta de vida lançar bombas, cortar cabeças e imolar-se para matar inocentes, com a ideia absurda que esse «martírio» os levará ao paraíso.
Muito errado e redutor a meu ver que a o Islão seja apenas «uma conduta de vida» e não se aceite em todos os seus quadrantes como uma grande religião abraâmica. Esta foi para mim a grande novidade da vinda do sheiks à Madeira e que me faz compreender melhor afinal o porquê do fundamentalismo, do radicalismo e do terrorismo.
Por fim, agradeço quem trabalhou para levar esta ideia a efeito e achei interessante esta iniciativa ousada, porque proporcionou curiosidade, interesse e veio propor reflexão à comunidade escolar e, particularmente, os jovens e nós também, clero...

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