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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Maria Madalena a Apóstola dos apóstolos

Mais um processo aberto pelo Papa Francisco para acompanharmos com atenção...
Tela de Alexander Andrejewitsch Iwanow
A Aparição de Cristo para Maria Madalena (imagem Google)
O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, emitiu um decreto no qual, seguindo a vontade do Papa Francisco, estabelece que a memória litúrgica de Santa Maria Madalena, celebrada a 22 de julho, se eleve à categoria de festa.
Na Missa e no ofício divino que se celebrarão a partir de agora neste dia, serão utilizados os textos habituais do Missal Romano e a Liturgia das Horas, mas a celebração da Missa contará com um prefácio próprio intitulado «apostolorum apostola» (Apóstola dos apóstolos).
A decisão de elevar a festa a celebração de Santa Maria Madalena servirá para refletir de maneira «mais profunda sobre a dignidade da mulher, sobre a nova evangelização e sobre a grandeza do mistério da misericórdia divina», explica Dom Artur Roche, Secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Muitos apertam os dentes e fazem-nos ranger de raiva. Mas muitos outros na Igreja exultam de alegria com mais este passo de gigante.
O título por si «Apóstola dos Apóstolos» é já bem revelador da grande viragem e para quem preferir «revolução». Eis uma mulher que a partir de agora passa a ser Apostola entre o grupo dos Apóstolos. Coisa impensável numa instituição milenar, onde em quase todos os séculos que preenchem estes dois milénios, predominou a vertente masculina da humanidade. O Frei Bento Domingues definiu-a assim: «a Igreja Católica prega o serviço para as mulheres, mas o poder, alto e pára o baile, está reservado aos homens».
Muito se escreveu, pintou e filmou acerca desta figura. Um manancial bom e mau. Foram muitos os que tiveram contato com as mais diversas notícias sobre Maria Madalena. Não raras vezes se ouvia falar da esposa de Jesus, a mãe de um ou mais filhos de ambos, a prostituta do Evangelho… Entre tantas outras coisas. Trago aqui à liça de exemplo, o filme de Martin Scorsese, «A última tentação de Cristo» e o «Código Da Vinci», que impressionaram em termos de vendas. Ambos baseados no presumível segredo do casamento entre ela e Jesus.
(Imagem google)
Mas agora importa salientar que após a longa e difícil caminhada veio ao de cima a verdade, uma profunda verdade escondida por muitos se fazerem de cegos e surdos. É a verdade de que para Jesus as mulheres são iguais aos homens sem diferença alguma, têm o mesmo valor e as mesmas capacidades. E foi tanto o tempo para libertar as escamas da cegueira e limpar a surdez que conduziu à não admissão de que Maria Madalena é uma apostola, a primeira a quem Jesus Ressuscitado apareceu em primeiro lugar, precedendo os outros apóstolos. É, neste magnífico título, a Apóstola dos Apóstolos.
Assim, fica restabelecido o papel preponderante de Maria Madalena em todo o processo de Jesus e com este gesto o Papa Francisco desbrava outro caminho, que pode ser também ainda muito longo, mas finalmente fica aberta essa via para o reconhecimento do papel das mulheres na Igreja Católica. Um obrigado ao Papa Francisco que compreendeu a urgência desta necessidade e que desta forma acende uma luz que ninguém mais conseguirá a apagar.

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