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quarta-feira, 6 de julho de 2016

A crueza das palavras denunciam a violência

"As primeiras são trapos, as segundas são guardanapos". - Frase proferida por uma extraordinária mulher, mãe e esposa. 
Saiu assim em contexto de violência doméstica. Para designar que muitos homens normalmente tratam assim as mulheres, a primeira é um trapo a segunda um guardanapo. Nunca tinha ouvido semelhante coisa, sempre pensei que as pessoas não se consideram assim de forma tão redutora e ainda mais longe de mim o pensamento que a loucura do amor num casal não esteja pautada pelo enamoramento constante, pela admiração quotidiana e pela busca diária do bem do outro. Melhor será sempre escutar: "não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti". Na vida matrimonial e na família este ditado popular encaixa que nem uma luva e deve ser sempre lembrado no diálogo do casal e na educação dos filhos.
Mas vamos ainda aos trapos e aos guardanapos. As situações de sofrimento fazem com que muitas mulheres nunca experimentem a felicidade, o prazer na comunhão dos corpos convenientemente e tudo o que faz parte da vida em casal. O matrimónio para muitas mulheres foi e é um verdadeiro calvário. Foram predestinadas, educadas, formatadas - como se diz hoje- para serem trapos à mão de quem não percebe que o valor da própria existência completa-se na promoção e respeito pela vida do outro, ainda mais se for esposa ou esposo. 
Felizmente, os nossos dias vão revelando uma maior consciência de que ninguém deve ser trapo ou guardanapo na mão de ninguém. As pessoas libertam-se, procuram outros caminhos e outras pessoas, porque acreditam serem melhores para edificarem a sua felicidade. Merecem e estão no seu direito inalienável. Por isso, quem sabe, talvez, uns depois de perceberem o quanto é a amarga a perda e o grande tesouro que não souberam valorizar, reencontram outra relação, que tratam melhor ou são forçados a tratarem melhor do que a anterior. Daqui veio o contexto para que fosse proferida esta expressão: "as primeiras são trapos, as segundas são guardanapos".
Porém, não deixo de considerar que a meu ver, tanto o trapo como o guardanapo, são violentos e rebaixam as pessoas. Em nenhuma situação da vida ninguém é mais do que ninguém e todos são pessoas que merecem tratamento igual e respeito igual quando à assunção dos seus deveres e direitos. Por isso, nem trapos nem guardanapos quando falamos de pessoas, ainda mais se estamos perante um ambiente de vida em casal ou familiar. 

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