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quinta-feira, 7 de julho de 2016

O fogo estalou nas mãos do mais fraco

Diz o povo que "a corda quando rebenta, é sempre para o lado mais fraco". Os brasileiros dizem que "pão de pobre quando cai, cai sempre com a manteiga virada para baixo". Aqui onde se escreve "corda" ou "manteiga", neste caso, seja escrito "fogo".
Há imensos anos que o procedimento quanto aos foguetes para os arraiais era este. Nunca nenhuma autoridade se incomodou que assim fosse. Devia ter agido há muito, se considerarmos as graves razões que justificaram este aparato todo. Também não deixo de reconhecer que era um risco e um perigo sério guardar fogo na sacristia. Porém, se fosse por isso as autoridades há muito tempo que deviam ter posto cobro à situação. Acho grave que nunca o tivesse feito.
Mas foi preciso que as "chatices" surgissem entre a paróquia do Arco da Calheta e a empresa que beneficiou com o negócio e que em vários anos procedeu da mesma forma como se procedeu este ano. Mas este ano é outro a fazer o negócio, toca denunciar, em nome da segurança e do crivo da legalidade. É bonito e comovente o serviço que se a presta ao bem comum. Mais uma vez se prova que as formalidades legais são boas quando se referem aos outros se a sua violação nos beneficia, bico calado. Típico do manhoso que habita este "cantinho do céu". Sempre pronto a sacrificar o pastor quando se tresmalha do rebanho.
Assim, não sendo esse tal a beneficiar do negócio, toca a denunciar, por vingança, sublinho por vingança e não por qualquer desejo de que sejam cumpridas as normas legais e os princípios elementares da segurança. 
Neste âmbito, é bonito que lá viessem as zelosas autoridades actuar, inquirir, ouvir e constituir como arguidos os "perigosos" criminosos, entre eles um padre, que por esse facto é um bom rastilho para fazer rebentar a girândola e as autoridades competentes fazerem o seu número. Não admira por isso o estardalhaço e o empolamento na comunicação social, porque, mais uma vez, há um "criminoso" à solta que é um padre. Admiro-me muito com as políticas seguidas pelas autoridades que fiscalizam o fogo. 
É preciso não esquecer a enorme quantidade de foguetes ilegais guardados nas casas de família desta terra e que ninguém se importa que rebentem por qualquer um quando ganham as equipas maiores do futebol nacional. As leis são para todos e que nenhuma autoridade a aplique com dois pesos e duas medidas nem muito menos para fazer números em benefício deste ou daquele. 

2 comentários:

Gaudêncio Figueira disse...

Isto faz-me lembrar aquilo que há dias publiquei sobre a Feira do Gado em que mencionava o Padre César Miguel Teixeira da Fonte imolado nas mesquinhices das guerras dos poderosos

Jose Leite disse...

As leis são iguais para todos, mas para alguns são "mais iguais"...Enfim, diz um provérbio brasileiro: «aos amigos tudo!, aos outros... a léi!"

jose manuel sá