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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Um David e um Golias dos nossos tempos

Após um período longo em que as nossas atenções estavam todas concentradas na crise, na austeridade, nos impostos, em falências, ajudas aos bancos, a troika, as sanções, o desemprego e a pobreza, veio uma festa grande, uma grande vitória da nossa seleção de futebol sobre a poderosa França. O músculo foi vencido. Mais uma vez se prova que não é a dureza prepotente e convencida que vence. Mas a tenacidade, a persistência, a coragem, a humildade e, acima de tudo, o silêncio face às provocações e à maledicência. Mais uma vez nos tempos modernos, um David venceu um Golias. Portugal venceu o Euro 2016 enfrentando a mais que convencida França na final.
Obviamente que vibrei, emocionei-me com a alegria da vitória e com as lágrimas de raiva do Ronaldo. Mas emocionei-me ainda mais com o entusiasmo e a festa que fizeram lá longe os nossos irmãos de Timor Leste. É bom que nos sensibilizemos com este facto tão curioso e tão interessante. 
Está feita a festa e agraciados os jogadores campeões, com o grau de comendadores pelo Presidente da República. Pois merecem e mau seria se o país não lhes concedesse esse gesto tão importante para eles e para nós como povo ou nação. 
Necessitávamos muito de um acontecimento que nos reencontrasse como nação, como povo. Veio pelo desporto, pelo futebol. Não tem nada de mal, é o que move os povos dos tempos de hoje, antes isso que a guerra ou os conflitos que conduzem ainda a mais pobreza, sofrimento e morte. 
Porém, depois de tudo isto, é preciso também que a pátria se concentre em outras causas. E como são tantas a solicitar a união de todos, a começando pelas instituições políticas, religiosas e civis! Todos somos convocados a acreditar lutando militantemente contra o desemprego, a pobreza, as desigualdades e tudo o que nos faz perder a dignidade vivendo subjugados aos interesses obscuros dos poderosos que comandam este mundo. As causas são tantas e nãos podemos esquecê-las.
Chegou a hora de considerar que juntos só não vencemos as batalhas se não quisermos. Chegou a hora de quebrar os desprezíveis sentimentos da inveja e daquela terrível intriga que se alimenta quotidianamente uns contra os outros, que empurra o país para traz. Chegou a hora de não termos vergonha do nosso passado e dos valores humanos, cristãos-católicos que fazem a nossa história como demonstrou destemidamente o treinador Fernando Santos. Chegou a hora de dizermos basta às irresponsabilidade políticas que sem ética têm conduzido o nosso país para a pobreza e a desigualdade. Chegou a hora de sermos um povo simples, humilde, mas unido na luta por uma nação onde o seu povo é feliz porque não deixa ninguém jogado na berma do caminho...
Assim terá de ser, para que o desporto não seja também mais uma alienação, como em tantos momentos foi a religião. Se alguém adormeceu para já, é bom que desperte, porque a festa está passando, mas, os problemas e as dificuldades, logo tocarão estridentes na crueza do quotidiano. 

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