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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Ainda vamos a tempo de reverter a decadência

Será que já chegou este tempo... Eles há sinais preocupantes que nos fazem vislumbrar este retrato, porém, penso, que ainda vamos a tempo de arrepiar nas andanças e encetar caminhos novos que valorizem a existência com dignidade para todos e a inversão dos valores não pode sair vencida.
“Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfónico no oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um desportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo, – então, justamente então — reviverão como fantasma as perguntas: para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… Decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo…
O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de se ter tornado ridículas”.
Martin Heidegger (1889-1976), em Introdução à Metafísica.

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