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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os ideais religiosos ou não e a vida concreta

As expressões religiosas são complexas por natureza. Os seus seguidores são incentivados a levantar voos, sem que se tenha em conta que a vida quotidiana está amarrada aos pés. Escusado será dizer que a maioria não possui as asas dos iluminados ou dos predestinados a altos voos. Ninguém consegue ser ave ágil nas alturas, quando diariamente tem que lutar e labutar pelo «pão nosso de cada dia», por isso, tantas vezes são condenados à partida por quem tem o «poder» de guardar a moral, as regras e os bons costumes. Não é justo que assim seja. Mas, lá terá de haver linhas orientadoras que nos permitam iluminar os trilhos da vida, mas que ninguém se tome por guardião de ninguém nem se assuma como «o dono disto tudo», porque defeitos e virtudes há-os em todos os lugares e na humanidade inteira.  
O sofrimento que advém quando alguém é considerado desprezível porque não chegou ao alcance dos ditames dos guardiões do moralismo, é incalculável, porque, foram votados à condição de «condenados» por causa das suas fraquezas e misérias. Assim, arrastam-se pelo chão como vermes desgraçados.
Obviamente, que não esquecemos o quanto há de esforço para superar as limitações e as misérias deste mundo levado a efeito por tanta gente, porém, a distância entre o ideal e a realidade é insuperável para a maioria daqueles que seguem os cultos e as expressões religiosas. Pior é que se faça vingar por causa disso, o veneno da hipocrisia. Por isso, é que tantas vezes seja ressuscitada a ideia de que aqueles que praticam a religião são piores do que os outros. Não será bem assim. Praticantes ou não praticantes, com ideais ou sem eles, haverá de tudo em todos os domínios.
Então o que se pretende? E quais as devidas diferenças? – Pretende-se que em nenhuma instância se instale o fanatismo a favor dos bons contra os maus, pelos de dentro contra os de fora, para que não se cai no perigo do desprezo, da indiferença e radicalmente na guerra de uns contra os outros.
Mas então e as diferenças? - Não existem no essencial, porque tanto em uns como nos outros, religiosos ou não, deve haver uma luta quotidiana pela paz, pela justiça e com a consciência da honestidade que edifica o bem comum. Só isso e apenas isso, seria suficiente para que o mundo fosse melhor e todas as pessoas pudessem sorrir todos os dias porque estavam verdadeiramente felizes. É isto o conta para o bem estar de todos nós.

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