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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Protestos salutares

Blogue Fénix do Atlântico de Luís Calisto
Nada me satisfaz mais do que ver protestos nas nossas ruas, precisei de mais de trinta ou quarenta anos para saber o que era um protesto a sério. Sim, isso mesmo, um protesto a sério, repito. Tudo funcionava baixinho, mesmo que as razões para protestar fossem muitas, porque havia empregos para salvaguardar ou algum filho ou neto para encaixar na máquina. Por isso, protestos com cartazes e gritos estridentes eram só na televisão feitos no Continente ou em algum país do mundo.  
Agora não, já existem protestos à semelhança dos de lá de fora com cartazes, faixas com dizeres e gritos contra os responsáveis que devem responder pelas necessidades reclamadas. Nada mais justo e salutar em democracia, desde que o respeito por uns e por outros não saia beliscado.
Vamos então ao barulho. Começo a reparar que na nossa terra reclama-se muito só por determinados barulhos. Os ruídos relacionados com a religião e agora os ruídos dos bares na Zona Velha do Funchal. Obviamente, que se compreende o incómodo. Ninguém gosta de ver o seu descanso perturbado altas horas da noite. Mas que o faça também com as situações e não apenas naquelas que diz respeito ao seu terreiro e ao aconchego do seu egoísmo.
Parece que há protestos cuidadosamente preparados por gente que procura saciar a sua vingança e lançar a desordem só porque sim. Se assim não fosse teria que haver protestos por tanta situação nesta cidade muito mais ruidosa e prejudicial para um número muito maior de cidadãos do que aqueles que eventualmente se sentem lesados com o ruído da Zona Velha.
Alguns exemplos, a desgraça das ribeiras e as lacunas nos hospitais, nas escolas de onde veio a última sobre o descalabro da colocação de professores.
Mas, vamos ao barulho com os protestos dos moradores da Zona Velha. Quem se lembra da zona velha não de há muito tempo, sabe que aquilo estava numa grande tristeza, com edifícios degradados, lixo e misérias de toda a ordem antes das várias requalificações levadas a efeito naquela zona da cidade. Agora tem movimento, tem restaurantes, bares, tascas que levam lá pessoas de todas as idades e melhor ainda não faltam por lá os turistas, que são a joia da cora. É óbvio, que tem ruído e quiçá outros males também igualmente degradantes e perturbadores. Mas qual é o progresso que não trás consigo coisas boas e coisas más? – Por isso, lembro algo que não é novidade nenhuma, as entidades que devem dar resposta às queixas dos habitantes daquela zona e de todas as zonas da cidade, devem ser absolutamente exigentes no cumprimento da lei, especialmente, a lei do ruído. Nada de facilitismos nem muito menos deixar andar os abusos.
Aos que andam a alimentar estes protestos cirúrgicos, carregados de interesses e de simbolismo, é melhor começarem a ver também outras situações muito mais graves para futuro noutras pontas da vida dos cidadãos e façam vir daí protestos e manifestações contra todas as entidades sejam elas de que cor for. Nada é mais salutar e importante para a maturidade democrática que tanto almejamos.