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terça-feira, 4 de outubro de 2016

A perfeita alegria segundo São Francisco

Muito difícil de alcançar, quando fomos educados para responder forte e dura contra as injúrias e segundo a lógica deste mundo que sempre relembra "quem dá também leva"... Alguma vez podia ser diferente se dominássemos desde logo com alegria os instintos primários que sempre nos acompanham. Fica o ensinamento e a promessa de que vou tentar. 
As várias mensagens que me foram enviadas por ocasião da passagem do meu aniversário pelos diversos meios de comunicação, permitiram, não sei se uma alegria perfeita, mas muita alegre. Serve para sentirmos que não estamos sós, mas que há muitos que fazem caminho connosco. Dada a impossibilidade de responder a todos um por um, deixo aqui a minha gratidão e o meu obrigado a todos. Bem hajam. 

Vindo São Francisco certa vez de Perusa para Santa Maria dos Anjos com frei Leão, em tempo do inverno e atormentado pelo fortíssimo frio, frei Leão pediu-lhe:
Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria.
E São Francisco assim lhe respondeu:
Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro chegar irritado e disser:
‒ Quem são vocês?
E nós dissermos:
‒ Somos dois dos vossos irmãos, e ele disser:
‒ Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui!
E não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva, com frio e fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele (…) escreve que nisso está a perfeita alegria.
E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser:
‒ Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem.
E sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó:
Se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos tsuportar por seu amor:
Ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão.
Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, está o de vencer-se a si mesmo, e, voluntariamente, pelo amor, suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos.

Excerto dos “Fioretti de São Francisco”, via Contos e Lendas Medievais

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