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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A pior crise que nos podia chegar

Não sei se devemos dizer "a pior crise que nos podia chegar" ou se "o pior da crise chegou". Deixo isso à consideração dos comentadores sociólogos dos meandros trilhados pela humanidade nos vários contextos históricos.
No meu singelo ver, deduzo que atravessamos uma grave crise de humanidade, transversal a todos os quadrantes que a compõem. Acabou o dinheiro (emprestado, lembremos...), estamos falidos de valores a todos os níveis. Por isso, impera o desnorte, o populismo, a mentira e todo o género de campanhas que induzem a enganos terríveis que comprometem o futuro de toda a humanidade, dos povos e do mundo inteiro. 
É terrível o descrédito em que vão caindo todas as mediações governativas pelo mundo fora, à cabeça com o que se estava a passar com a eleição do próximo Secretário Geral das Nações Unidas (ONU), que conta com um excelente candidato, o nosso compatriota Engenheiro António Guterres, mas que parece que vinha a ser preterido a favor de uma candidata de última hora, fruto de um "arranjinho" político patrocinado pela Alemanha, que faz parte da meia dúzia de países com direito a veto - outra coisa meia impensável numa organização que se deveria supor ter membros iguais entre si, tendo em vista o fim tão nobre a que se propõe, manter a paz no mundo. É mais que absurdo, a ONU ter alguns que são mais do que os outros, a maioria. 
Sem a intenção de menosprezar as qualidades de ninguém, parece que vai imperar o bom senso e vai vencer o respeito pela instituição, pela humanidade inteira em nome da paz. Não quis crer logo que a ONU estivesse manietada ou sequestrada pelos poderosos. Ainda bem. A Alemanha e alguns euroburocratas levam uma lição valente.
Apesar de algumas nuvens sombrias, a esperança renasce mesmo que timidamente. À sexta votação o Engenheiro António Guterres vence por unanimidade no Conselho de Segurança e seguramente será eleito por aclamação Secretário Geral das Nações Unidas hoje. Vence um humanista para uma liderança mundial a par com o Papa Francisco no Vaticano que fez acreditar de novo no futuro da humanidade contra a mediocridade da maioria das lideranças que hoje governam os países. A esperança renasce apesar de tudo.
Porém, vamos a mais alguns sinais da crise da humanidade. Em outras partes do mundo houve no primeiro domingo de outubro dois referendos. Um na Hungria, que levou a sufrágio a pergunta se o povo concordava com a entrada de refugiados no seu território, mas a propaganda do medo, a desinformação e a confusão entre refugiados e terroristas, foram de tal ordem que quase por unanimidade o povo votou não, valeu que o referendo é nulo dado que os eleitores numa larga maioria não compareceram para exercer o seu direito de voto. Não houve quorum.
Mas, é bem revelador o seguinte, só não venceu a manipulação e a mentira mais uma vez, porque o povo se demitiu, o que demonstra que consentiu. Só uma humanidade perdida, falida, indiferente e insensível aos dramas dos seus semelhantes é que pode proceder assim.
Noutro lado do mundo, na Colômbia, outro referendo ditou a não aceitação do acordo entre o governo e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). É estranho que mais de 50 anos de assassinatos, terror e todo o género de violência, não cheguem para algum povo e assim revele que prefere que a luta armada continue. Não é isso de todo a meu ver. É antes a campanha do medo e da mentira que fez vencer o que o mundo inteiro esperava que saísse derrotado. É pena que assim seja.
Por outras bandas, nas Filipinas, outro povo elegeu um líder político há três meses que se autodenomina de Hitler e que insulta meio mundo todos os dias. Nos três meses de liderança já foram assassinadas quase 4000 mil pessoas, sob a ideia do combate ao narcotráfico e em nome de uma sociedade limpa de criminosos ou outros extraterrestres que por ali vegetem no meio da população que ele sonha tornar pura. Eis um louco que sob a égide do populismo o povo vergado pelo medo colocou à frente dos seus destinos.
Entre nós os gritos de desespero de tantas pessoas mal atendidas, para não dizer maltratadas nos nossos hospitais, estão a tornar-se ensurdecedores e crescem em flecha as situações inconcebíveis, criminosas contra as pessoas. No entanto, da boca de alguns saem interessantes elogios à forma como são tratados no hospital. Há um rol de contrastes que nos levam a considerar que ir ao hospital já não é um assunto de direitos humanos nem muito menos gozar do direito universal à saúde, proclamado pela nossa Constituição da República, mas torna-se uma questão de sorte ou um jogo de beleza ou fealdade de acordo com a cor dos olhos do cidadão. Ou será que terá também a ver com a disposição azeda ou doce de quem atende naquela hora as pessoas necessitadas de cuidados de saúde? - Conclusão, tudo mau demais...
Estes são apenas alguns exemplos que nos deixam inquietos e de sobreaviso quanto ao caminhar trágico da humanidade neste tempo que é o nosso. Eis, provavelmente, a pior crise que nos podia chegar, revelando uma humanidade perdida, sem rumo, coisa que não é de somenos e bem reveladora de que o futuro da humanidade mergulhou numa grande incerteza. 

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