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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Guterres, a ONU e a Alemanha

Uma das melhores reflexões que li sobre a eleição de António Guterres para Secretário Geral das Nações Unidas, que a alguns perece ter provocado uma azia de caixão à cova, sobretudo, para quem vive dominado por interesses egoístas, nomeadamente, aqueles que estão sempre com o pensamento dentro da carteira ou na conta bancária... Vamos lá, outros valores se alevantam para o mundo e nós estamos contentes por isso, não fosse hoje, segundo dizem, o dia do sorriso. E para já fica esta ideia que cabo de ler algures: "um homem possuído pela paz está sempre a sorrir" (Milan Kundera).

A eleição da Merklina búlgara para a ONU representava entrada da Alemanha para o grupo dos grandes atores internacionais e a rutura da Europa em dois blocos, um pró-russo a Leste e outro pró-americano a Oeste. Representava a rutura com o equilíbrio de forças atual, um triangulo cuja base ainda são os EUA. Os 3 grandes decidiram manter o status quo e resolver bilateralmente os seus conflitos no Médio Oriente e no Mar da China, como têm feito. Ba...teram a porta na cara da Alemanha. A Europa sairia sempre mal deste jogo em que a Alemanha a meteu. Junker, o pianista do cabaré alemão em que Barroso deixou a Comissão Europeia transformar-se deve estar de ressaca, um estado que lhe passa sem deixar marcas de vergonha. Guterres não é um secretário geral sponsored pela União Europeia, é apenas o clister que a Alemanha teve de tomar. Guterres chega a secretário geral contra a Alemanha, por mérito próprio e por ser cidadão de um estado simpático e de ph neutro. Tem a vantagem de valer por si e esse é estatuto valioso perante os poderes e as opiniões públicas para exercer o seu magistério de influência – o que vai bem com o odor de santidade que gosta de transmitir desde jovem católico. A Merklina búlgara seria sempre vista como a mulher a dias da patroa Merkel e da Alemanha. Portugal – entendido como uma entidade dotada de valores – sai bem desta pugna. Guterres resgata o país da imagem de Barroso, um videirinho que se fez lobista do mais que suspeito Golman Sachs para meter uns bons cobres na conta bancária.
Guterres desinfecta Portugal dos Barrosos e da sua trupe de pequenos rufias. Não é assim tão pouco. Quanto à ONU, os cães grandes continuarão a rosnar uns aos outros longe dali.

Carlos Matos Gomes, in facebook, 05/10/2016

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