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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O alicerce da felicidade é ternura do amor

O nosso mundo não se concerta sem que as atitudes de cada pessoa no desempenho do seu papel e missão no viver quotidiano sem a ternura do amor. Não ter medo de falar disso, testemunhar isso com sinceridade e verdade. Faço minhas as palavras do padre Rui Santiago, que escreveu um texto sobre este tema a partir de uma jovem da Guiné-Bissau que se converteu ao Cristianismo ao ler algumas frases do Cântico dos Cânticos. Tomem nota da última parte do texto e se quiserem ler na íntegra podem abrir por AQUI
«Faz-nos falta esta ternura, o encanto de quem ama, a evidência de sermos gente fascinada e acarinhada! Fazemos vezes demais da Vida Consagrada um lugar de vidas desgraçadas. Tornamo-nos pesados e sisudos, perdemos a graça e a beleza. É tão feio ser feio!
Há umas semanas, nas minhas andanças missionárias, pus-me a ler, num encontro de formação para catequistas, o Cântico dos Cânticos. Entre os risinhos e os comentários para o lado, algumas caras torcidas e um ou outro que se levantou, lembro-me melhor daquele que se foi embora desabafando: “Não vim aqui p’ra ouvir poesia!”
Somos uns toscos. Fazemos da Fé uma doutrina ou uma moral, um culto insípido ou um ritual de devoções, e depois vê-se na nossa cara que damos ares de gente mal amada. Há mulheres consagradas que explicam a sua vocação dizendo que se “casaram com nosso senhor”, mas quem as vê deve desconfiar muito desse marido, porque elas têm cara de gente que sofre de violência doméstica! Há homens consagrados que explicam a sua vocação como uma “doação total a deus e aos outros”, mas depois não conseguem não se comportar como solteirões embrutecidos, atabalhoados nas emoções e mais afectados que afectuosos.
Era tão bom se nos vissem como gente especializado em ternura! Gente d’amores e d’esperanças: essa é a nossa vocação. Consagrar-se é atrelar-se a um grande amor, dar-lhe trela e ir atrás. Preferia que fôssemos trapalhões no cerimonial litúrgico, mas fôssemos mestres nas coreografias do cuidado e da atenção aos outros. Preferia que nos enganássemos nas páginas e nas fitinhas todas dos breviários, mas conversássemos com Jesus com a naturalidade e o carinho com que se fala com quem se partilha vida, mesa e cama. Às vezes parece que ainda nos estorva o amor! Queremos mais ser sérios do que amáveis, e essa seriedade torna-se uma inimiga do Testemunho do Reino e da Alegria do Evangelho.
Deus sabe de Amor. A maior prova é Jesus. Amor que ganha corpo e voz e toque e pele e hálito e movimento de gente! Podemos levar a vida toda a perceber que não nos convertemos a Jesus por dever ou por repetição. A gente só se converte por fascínio! Mudamos quando nos mudamos para a vida de outro. Consagrar a Vida é “juntar os trapinhos”.
“Um Deus que fala de amor assim, tem de ser O verdadeiro!”
Para quê escrever tanto? Está tudo aqui».
Padre Rui Santiago, in Fraternitas Movimento

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