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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Para que a pobreza deixe de ser paisagem

A pobreza é um flagelo para quem cai nessa desgraça e uma vergonha para a outra parte da sociedade. E à luz da frase chave do Padre Francês Joseph Wresinski é uma clara «violação dos direitos humanos».
Ontem teve lugar no Funchal o lançamento de uma delegação do Movimento Erradicar a Pobreza na Madeira. Nesta ocasião foi lido o manifesto deste movimento onde se propõe agir para «ajudar a combater as causas deste flagelo, reconhecida violação dos direitos humanos, consagrada nos seus princípios, estabelecidos no manifesto que esteve na sua origem, que o combate pela erradicação da pobreza passa por uma política para o país que tenha como prioridades o pão e os direitos de quem trabalha, a produção e a justa distribuição da riqueza, o direito ao trabalho, ao salário, à educação, à saúde e à segurança social publicas, universais e solidárias». Não mais justo, para que as desigualdades não sejam tão acentuadas.
Propõe-se «levar a efeito, um conjunto de iniciativas a nível nacional (e regional), visando que a pobreza deixe de ser aceite como uma fatalidade».
Muitos acham que quem se inquieta com estas questões pretende fazer os ricos pobres e os pobres ricos, como se estivéssemos na granja do George Orwell no Triunfo dos Porcos. Nunca ouvi de ninguém a sentença de morte aos ricos ou empobrecimento para estes, para verem o que é bom. Este género de argumento mina o debate e conduz-nos a um beco sem saída ou à conclusão fatal que tranca a porta de vez, ficas na minha e eu fico na tua.
Como está dito no manifesto, trata-se de acabar unicamente com o flagelo da pobreza ou dar seguimento ao slogan que ficou famoso numa manifestação: «não faças da pobreza uma paisagem». Neste sentido, consideramos que o Movimento Erradicar a Pobreza deve ser uma ação entre tantas outras formas de organização dos cidadãos, para que sejam o toque da consciência e façam pressão nos partidos políticos para que implementem medidas governativas que combatam a exclusão e a desigualdade. Obviamente, que a pobreza é uma questão eminentemente política e devem ser os políticos os primeiros a lutarem contra ela.
Não vi neste encontro quem deveria estar presente, a plêiade de movimentos de caridade que pululam nesta cidade. Pois, provavelmente não desejam o fim da pobreza, porque se tornaram «empresas» nos pobres está a sua matéria prima.

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