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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A seleção dos candidatos ao sacerdócio

O assunto é de uma importância relevante e achei curiosa a forma tão corajosa como o Papa Francisco o abordou. Nunca tinha visto a problemática das vocações ao sacerdócio ser assim tratado com tanta clareza nas palavras. Sim, porque este assunto quando é puxado nas reuniões do clero é só para falar-se de coisas boas, nunca de aspectos concretos, porque sempre se considera que de vocações estamos bem. Porém, às escondidas, uns com os outros, é só lamentos atrás de lamentos. O Papa Francisco põe os pontos nos is e considera que o assunto deve ser debatido com clareza e com espírito aberto à mudança que é necessário fazer-se em toda a linha.
Vamos às ideias do Papa Francisco: «Uma vez, recém-nomeado mestre de noviços, ano 72, fui levar pela primeira vez à psiquiatra os resultados do teste de personalidade que se fazia como um dos requisitos do discernimento. Ela era uma boa mulher e uma boa cristã, mas em alguns casos era inflexível: ‘Esse não pode’. ‘Mas, doutora, é um jovem tão bom!’. ‘Mas saiba, padre – explicava a psiquiatra ao futuro Papa – existem jovens que sabem inconscientemente que são psicologicamente enfermos e procuram para as suas vidas estruturas fortes para defende-los e assim poderem seguir em frente. E estão bem até o momento em que se sentem bem estáveis, depois, ali começam os problemas…». Melhor é impossível, para explicar tantas debilidades vocacionais que andam pelos nossos lados.
A falta de vocações sacerdotais criou um problema grave de escassez e os bispos ficam em pânico no momento do ano em que têm que fazer mudanças de párocos e serviços pastorais nas suas dioceses. Deve ser um drama indescritível. Os seminários estão vazios, mas multiplicam-se os serviços pastorais e as paróquias são sempre as mesmas e o povo que as compõem quase que exigem um padre a tempo inteiro só para si. Ainda bem que algumas coisas neste sentido já estão a mudar. Pena é que a adesão as serviços religiosos sem um padre a presidir ainda não tenham o mesmo respeito perante o povo em geral.
Dado o mote pelo Papa Francisco para esta reflexão, o que mais interessa salientar é o que se passa com a selecção dos futuros padres. A escassez fez baixar a fasquia e os critérios quase não existem. Daí que estejam a ser ordenados jovens profundamente retrógrados e alguns, não escondendo a sua exuberância, fazendo muito por isso, passam uma imagem de efeminados e com problemas do for sexual mal resolvidos. Tantas vezes tenho afirmado que um jovem que repudia as mulheres, cospe na possibilidade de se casar, não serve para o sacerdócio…
Pior ainda têm sido as sombras muito negativas que se abateram sobre alguns seminários, com padres a serem investigados pela Política Judiciária ao abrigo de suspeitas de pedofilia, sem que os principais responsáveis das Dioceses façam o que devem fazer nestes casos para que a imagem do Seminário fosse limpa. Se tantas vezes se considera o seminário berço tão importante para o futuro da Igreja, porque se mantém tão passiva a Igreja perante as situações graves que nos últimos tempos ensombraram a normalidade dos seminários? - Por aqui se percebe que quando se fala a um jovem sobre a possibilidade de entrar para o seminário somos confrontados com o pior que paira no ar e a recusa  para andar nesse caminho não se faz esperar.
Na intervenção do Papa no Congresso organizado pela Congregação para o Clero, em Roma, na parte final do discurso acrescenta, aludindo ainda à psiquiatra nos idos anos 70: «“Você não pensou no porquê de existirem tantos policiais torturadores?”, Perguntava a mulher, “entram jovens, parecem sadios, mas quando se sentem seguros a doença começa a sair”. Polícia, exército, clero, são, de fato, “as instituições fortes que estes doentes inconscientes procuram”, observa o Papa Francisco, “e depois, muitas doenças que todos nós conhecemos”. “É interessante – acrescenta - quando um jovem é muito rígido, muito fundamentalista, eu não confio. Detrás daquilo existe algo que ele mesmo não sabe». Portanto, uma clara advertência: «Cuidado com as admissões para os seminários, olhos abertos». E agora, o que irão dizer os que andam com palavrinhas tão doces nas campanhas vocacionais e no fim aceitam tudo o que mexe?

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