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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Decálogo da caridade nas palavras de quem é carenciado

1. Tem compaixão de mim! Sofre comigo. Sofre por mim. Compadece-te. Move-te e comove-te. Antes de abrires a mão, abre o teu coração!
2. Depois, começa por inclinar o teu ouvido ao grito da minha miséria. Escuta-me atentamente. Conhece-me pelo meu nome, aprende de cor a minha história.
3. Se tens olhos e vês, olha para mim; e não dês esmola, de esguelha, para não veres mais e fugires de mim.
4. Conversa comigo. Tenta saber o que realmente me faz falta! Quem sabe se eu precisarei somente de quem me encoraje.
5. Não me dês nada de mão beijada. Isso é coisa dos ricos. Compromete-me a mim, na solução do meu problema, mesmo que eu próprio tenha de dar o meu quase nada, que é afinal tudo o que tenho.
6. Compromete também os outros, pois também te sentirás pobre e incapaz de resolver, sozinho, todo o meu problema.
7. E não julgues que estou curado, só por estar resolvido, de imediato, o meu problema. Abre-me também os olhos, ensina-me a viver, a trabalhar e a comer, a ser limpo e a poupar.
8. Mas sobretudo encaminha-me para lugares certos. Porque o número de cegos que me querem guiar, levar-me-ão a cair de novo com eles e então será “de caixão à cova”. 
9. Quero viver na Luz. Se és cristão, mostra-me a tua fé, conduz-me a Jesus e ao seu Amor. Talvez não saibas, mas “a falta de Deus é a raiz mais profunda de todo o meu sofrimento” (cf. Bento XVI, Deus é Amor, n.º 31).
10. O programa do cristão — o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus — é «um coração que vê ». Este coração vê onde há necessidade de amor, e actua em consequência (cf. Bento XVI, Deus é Amor, n.º 31).
P.e Amaro Gonçalo, em www.abcdacatequese.com

Nada melhor para ilustrar este decálogo e a tira da Mafalda do que o poema do Manuel da Fonseca: Dona Abastança.
Dona Abastança
«A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.

Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»

Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.

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