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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Mais um Natal ensanguentado?

1. Infelizmente, esta pergunta não me sai da cabeça. Os natais, são sempre a festa da vida, da tolerância, da universalidade, do apelo ao amor para todos e entre todos. Porém, não é isso que se vê e que se sente. As matanças continuam, porque a desvalorização da vida humana é uma sombra que sempre acompanhou e não parece que vá deixar de fazer parte da humanidade. Mata-se um ser humano como se mata um mosquito que poisou sobre a parece onde dormimos e ameaça vir contra nós com uma ligeira picadela.
2. Os avanços tecnológicos que nos assistem são surpreendentes, a investigação e criatividade científica são maravilhosas, a beleza de tanto altruísmo é desconcertante por todo o lado, a riqueza humana é incalculável… Mas, persiste o pior da humanidade, que se define pelo seu contrário, a sua desumanidade, que a faz matar, desalojar e esfomear com uma descontração que nos deixa boquiabertos. A frieza com que se mata não encaixa nos meus parâmetros humanos.

3. Mais terrorismo, mais feridos, mais mortos inocentes todos os dias… Tantos semelhantes nossos a quem lhes é roubada a dignidade e a vida, que deve fazer pensarmos e rezarmos com muita confiança no Mistério da vida. Porque, até deve ser isso mesmo a razão principal desta desvalorização da do ser pessoa em mim e nos outros. A perda da transcendência e o horizonte divino do ser gente conduz a humanidade para esta tragédia, que faz dobrar os sinos da morte quotidianamente.

4. Os nossos olhos já estão ficando cansados. O nosso coração sabe o que é essa a dor dos outros e faz-nos infelizes por não podermos fazer nada, por não estarmos lá para limpar as feridas, para amparar quem não queria morrer e chorar com tantos que nesta hora choram porque o ódio, a insensibilidade perante o valor da vida, rasgou-lhe a carne e cortou-lhes cerce os sonhos. Não podemos continuar a fazer festa enquanto esta tragédia da desumanidade continuar. Não terão todo o sabor e a magia as iguarias do Natal enquanto outros com o mesmo direito do que nós, não tiverem tudo aquilo que nós temos. É justo que assim seja. 

5. Se reivindicamos a beleza do mundo e tudo o que a humanidade tem de bom, é importante que saibamos que tudo o que há de mau também nos diz respeito. A criança ferida ou morta, é também por «minha» causa, diz respeito a todos nós. Não posso ser feliz se sei disso, se vejo isso. Se um membro do nosso corpo sofre, todo o corpo sofre, por isso, enquanto uma parte da humanidade, por mais pequena que seja, for esmagada pelo ódio, pelo terrorismo ou pelo fanatismo, toda a humanidade sofre e em termos de responsabilidade, toda a humanidade é responsável por toda a humanidade. Nada de transcendente, é certo, mas relembro isso mesmo, o que nos devia fazer mover como seres humanos que somos tudo em todos e por conseguinte, responsáveis uns pelos outros.

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