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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Papa Francisco afirma estar para pouco tempo

1. Está a fazer grande furor novamente na comunicação social a seguinte afirmação do Papa Francisco: «Tenho a sensação de que o meu pontificado será breve, quatro, cinco anos. É como uma sensação, algo vaga», refere, numa das entrevistas citadas no documentário ‘Papa Francesco: come Dio comanda’ (Papa Francisco: como Deus lidera), que foi transmitido ontem na ‘Sky Atlantic’.
Nada de novo debaixo do sol. Várias vezes o Papa desde o início do seu pontificado afirmou isso. Não por nenhuma razão especial, mas pelas evidências da natureza. Primeiro, no próximo dia 17 de dezembro completa 80 anos. Segundo, porque sempre acusou uma certa debilidade de saúde, embora nos surpreenda o seu imparável movimento e a sua agenda todos os dias está completa.

2. No entanto, não podemos descartar a certeza que a missão do papado deve ser uma tarefa muito envolvente e que deve provocar um desgaste extraordinário, ainda mais quando se trata sempre de pessoas de idade avançadas. Por isso, não me admira nada que o Papa frequentemente faça afirmações deste teor se para tal lhe for solicitado. Ainda mais se considerarmos ser um homem que não faz rodeios para dizer as palavras nem muito menos olha de esguelha para ver se pode falar assim ou assado, como fazem tantos outros eclesiásticos que se limitam a dizer generalidades por causa do medo da comunicação social e dos poderes políticos onde exercem o seu múnus apostólico.

3. Um outro dado que não devemos descurar para a análise desta frase, relaciona-se com a sua ação reformista, a preocupação ecuménica, as críticas certeiras quase quotidianamente aos cardeais, aos bispos e aos padres. Obviamente, que não se deve meter tudo no mesmo saco. Há de uns e outros. Todos sabemos de uns desleixados, regídos apegados à letra da lei, desumanos, distantes da realidade, insensíveis aos cansaços e problemas das pessoas concretas, comodistas e pecadores como toda a gente. Mas, há outros dedicados e que carregam a cruz da pastoral todos os dias de forma irrepreensível e que merecem uma palavra de apreço por essa causa do amor ao trabalho de Cristo. Porém, certo é que o Papa não tem medido as palavras para denunciar a rigidez, a vaidade, os luxos e a sede de poder que tantas vezes comanda o clero em todo o mundo. Antes que me acusem do que quer que seja, deixo já aqui a confissão do meu pecado, devo ter um pouco dessas coisas todas e às vezes devo estar num campo ou noutro. Não sou perfeito, mas esforço-me para vencer muitas tentações e sempre que possível tomar o partido do bem das pessoas. Sempre com muitas falhas.

4. Seguro é que tudo isto deve provocar anti corpos e reações terríveis que devem cair como chuva em cima da mesa de trabalho do Papa Francisco. Daí que não me admira que acuse cansaço e até desencanto ou que tenha a sensação que está nesta missão para poucos anos. Nós que não estamos envolvidos diretamente no ver e sentir do Papa, sentimos esse desalento quando vemos que a rigidez continua e que uma porção do clero pouco ou nada liga àquilo que diz o Papa. Que me perdoem quem não merece que se diga o seguinte, mas parece que não leem, não ouvem notícias e se sabem do que proclama o Papa Francisco fazem ouvidos de mercador ou encolhem os ombros, como que dizendo «ele está longe não sabe que eu existo». É caso para dizer-se, podem pensar assim em relação ao Papa, mas com Deus não.

5. Apesar deste ambiente esquisito que envolve a Igreja Católica, deve ser salientado que devemos acreditar que muitas das reformas começadas pelo Papa Francisco são imparáveis e não haverá nenhuma força integrista que faça parar este tsunami que varre a Igreja, que de certeza a conduzirá pelos caminhos de Deus, do amor pela vida e pelo mundo. Esta riqueza chamada Francisco, ninguém deste mundo vai conseguir sonegar nem muito menos os que sentem saudades da imagem poderosa e imperialista da Igreja Católica.

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