Convite a quem nos visita

terça-feira, 31 de maio de 2016

Que escola queremos?

Realmente, é preciso serenar e começar a pensar no essencial relativamente à escola. O que devia estar em debate não devia ser tanto o dinheiro que vai para a escola pública ou privada.
Por um lado, é bom que se defina que a escola pública deve ser sustentada pelo Estado, isto é, os impostos de todos os cidadãos, até mesmo os daqueles que não têm filhos. Ponto.
Por outro, a escola privada seja paga por quem exerce a tão badalada «liberdade de escolha», como eu faço quando exerço a liberdade de escolha em tantas coisas da vida, na saúde, no carro, nas viagens, na casa, no restaurante onde vou almoçar ou jantar e até na tasca onde vou tomar um copo com os amigos…
Por isso, vamos ler o seguinte texto que faz centrar o debate naquilo que é deveras importante relativamente às escolas. Este texto permite vermos que a Igreja Católica não alinha toda pela mesma bitola e demonstra que uma enorme porção da Igreja Católica preocupa-se verdadeiramente com a escola e tem ideias claras quanto e como devem ser a escolas, a começar, obviamente, dentro do clero.
Vamos ao texto do Padre Hélder Lopes:
 Que escola queremos?
Há muito tempo que a sociedade não era confrontada de forma séria com esta pergunta. Agora que é levantada a questão, temo que não haja tempo para ouvir as respostas da sociedade! Que escola queremos?
Mais importante que uma discussão sobre se deve ser pública ou privada; mais necessário que óptimas condições físicas e estruturais; queremos uma escola estável, com um bom corpo docente. Queremos alunos motivados e professores que cuidem deles como pais. Queremos uma escola de excelência, aberta, capaz de incluir, que seja capaz de perceber o contexto em que se insere e aproveitar as potencialidades de todos.
Que escola queremos? Não queremos uma escola meramente académica ou científica, que afaste o conhecimento da realidade. Queremos uma escola que eduque cidadãos, e - se não for pedir muito - que eduque cristãos. Queremos uma escola que esteja atenta à formação humana integral, aos valores académicos, cívicos, culturais, religiosos, políticos e sociais. Queremos uma escola que ensine valores e virtudes humanas. Queremos uma escola que ensine os valores humanos, a liberdade, a igualdade, a fraternidade; queremos uma escola que ensine as virtudes cardeais, a sapiência/prudência, a justiça, a força e a temperança. Queremos uma escola que seja casa de comunhão, que ensine a importância do respeito, da tolerância e da união. 
Que escola queremos? Queremos uma escola que ensine a importância da família, a importância da fé, e a importância da integridade.
Que escola queremos? Queremos uma escola que seja uma segunda casa para todos. Queremos uma escola de portas abertas à sociedade, onde as nossas crianças e jovens se possam tornar o nosso futuro.
Padre Hélder Lopes
Excerto da homilia de 28 de maio de 2016| Igreja Paroquial do Sabugal

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O que falta fazer mais para que se entenda de uma vez

Especialmente para o senhores bispos de Portugal, que parece andarem um pouco distraídos com o que se passa com as escolas católicas, que hoje são escolas, perfeitamente iguais às outras sem tirar nem pôr:
Mais claro é impossível... (Tugaleaks)
O Papa também já clareou: «Há corrupção educativa de entidades privadas como um dos muitos perigos da educação» e precisou que «um dos perigos que tem a educação é que se é inclusiva para poucos é exclusiva para muitos, quando tal acontece, é um negócio» (Alertou Francisco no Congresso Mundial da Fundação Pontíficia Scholas Ocurrentes, realizado na Casa Pio IV, no Vaticano, realizado em fevereiro de 2016).    
E acabou referindo onde anda também a «corrupção educativa», que se aplica como uma luva entre nós: «As escolas, incluindo as de freiras, as que vão os ricos e que têm muitos subsídios», por isso, manifestou-se a favor de «subsídios às escolas de bairros carenciados».
«O que é preciso fazer é baixar a percentagem de subsídios às escolas que dizem 'nós cobramos mensalidades pequenas' num recibo, mas no outro diz o seguinte: 'ajuda cultural para a comunidade tal' e te cobram barbaridades. Assim, roubam o Estado: é um perigo a educação, a corrupção educativa». Mais palavras para quê?

sábado, 28 de maio de 2016

Encontro

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Quando me saúdas já me encontro,
não estou desprezado,
sinto que há um mundo
que não me vê com desdém,
acordo dizendo sim, fico do teu lado.
Toda a pessoa quando vê e fala
não é estorvo, é sorriso, é um bem.
À medida que vou conhecendo
cada vez mais os meus próprios erros,
dou-te conta da minha história,
há ocultas e descobertas falhas,
onde fui doente tantas vezes,
mas se parecia estar perdido,
tantos viram sempre a tua glória.
Tanto que nessas quedas aprendi,
ser um ofício que do alto recebi,
para dar ao máximo todo o benefício.
Desse encontro sobressaiu,
um acordo intenso de futuro,
porque em ti descanso e retorno,
és o meu outro que tudo suporto.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Uma fé inesperada

Comentário à missa domingo IX Tempo Comum, pode servir para quem vai habitualmente à Igreja no fim de semana, mas não só...
Para este domingo reserva-nos a Palavra de Deus um ensinamento importante sobre a fé e a misericórdia.
A fé no poder salvador de Deus acontece em todos os lugares, até de onde menos se espera. Por isso, o Evangelho dá-nos conta de uma situação rara nos tempos de Jesus, um Centurião Romano, demonstrar estima por um dos servos que jaz em cada doente, os romanos eram muito severos com os seus servos e pouco ou nada se importavam com a sua saúde ou com a sua morte. No entanto, deste Centurião em particular, corria entre os judeus boa fama de ser um homem bondoso e de não ser a primeira vez que manifesta sinais evidentes de compaixão.
Em todo o caso, importa salientar este episódio surpreendente, um Centurião teve compaixão por um dos seus servos e acreditando pede ajuda a Jesus. Um gesto profundamente humano e cristão. Devemos sempre compadecer-nos daqueles que nos rodeiam e sempre que precisam de apoio de qualquer ordem devemos recorrer a tudo para os ajudar e salvar.
Mais ainda nos desconcerta que Jesus corresponde ao pedido do Centurião e misericordiosamente permite que se realize o que lhe é pedido. O servo ficou curado, sem que Jesus tenha tido qualquer contacto com ele, o Centurião tinha prevenido: «não mereço que entres em minha casa, nem me julguei digno de ir ter contigo». O próprio Jesus também se admira e se surpreende com a fé do oficial romano, «Digo-vos que nem mesmo em Israel encontrei tão grande fé», diz Jesus.
Há tanta gente quebrada, sofrida, enxovalhada e jogada ao canto do caminho, mas que quando se dirigem cheios de fé ao encontro de Deus, logo aparecem mãos de anjos, pés de bondade e corações plenos de amizade a realizarem o milagre da cura pelo cuidado, pela palavra solidária e pelo gesto cheio de carinho. Deus não falha e sempre providência os melhores caminhos para curar e salvar.
Há ainda tanta gente adoecia em todas as vertentes da existência. Há tanta gente com a alma quebrada, sofrida, rejeitada. É na vida conjugal, no relacionamento com os filhos, no trabalho, na escola ou na igreja. Não importa onde for, com que distância estiver, basta uma palavra de Jesus. É o Centurião que nos ensina como fazer e dizer: «Basta uma palavra Tua e o meu servo será curado». E assim disse o poeta: «Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar» (Fernando Pessoa). Só em Jesus vemos esta verdade tão forte e tão límpida.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O altar da esperança

Dia do Corpo de Deus... Sejamos corpo todo entregue ao bem do mundo e da vida. Em cada dia sejamos dádiva partilhada em amor que fecunda o mundo à nossa volta para felicidade para todos e com todos. Se a nossa vida não se parte para a partilha, é uma vida inútil. A melhor Eucaristia para Deus é sempre aquela que se celebra na comunhão do corpo e do espírito que cada homem e mulher possui, que deve partilhar todos os dias na beleza do encontro com a vida que se oferece no rosto e no sorrido do outro. Serve o Dia do Corpo de Deus para pensar nisso. Bom feriado para todos.  
Um banquete,
que do corpo vem pão
sobre todas as mesas do mundo,
mata a solidão gera a confiança
foi moído em pedra dura,
oleada pelo suor da esperança.

É pão que se faz corpo
no encontro partilhado, 
assim ditou a fé que é revolução
na liturgia sentida pela fé,
se for partido fecunda a comunhão.

É vida divina de onde é oriundo,
está derramada e cheia
no chão do tempo e do mundo.

É o que vemos imortalidade,
perdão e encontro faz a luz
se reconstruímos cada dia
o sonho da fraternidade.

Se for sempre memorial do amor
e compromisso com o pobre
faz-se o ofertório que se desprende
no altar mesa angular da amizade
porque ficou dito e redito para sempre:
- eis a memória segura e firme
que o amor tudo vence.
José Luís Rodrigues 

As bulas de criação da Diocese do Funchal foram traduzidas

Em boa hora visitei um dia a Feira do Livro do Funchal 2016. Uma oportunidade para me deixar surpreender. E que surpresa a minha ao me ver perante o livro: «As Bulas de Criação da Diocese do Funchal». A minha alma ficou parva. Um livro desta envergadura e não se lê o nome «Diocese do Funchal» como referência actual. Logo na capa está em destaque: «Região Autónoma da Madeira». Uma nota episcopal, nicles. Nem muito menos um soberano nihil obstat que tenha vindo do antiste. Dá a ideia que este livro/documento foi publicado à socapa, à reveria. Se for gostei da irreverência e de ler um livro apócrifo dos tempos modernos.
Não desistimos, procuramos em todas as páginas a ver se há algo diocesano. Nada. A contra capa anuncia «Por ocasião dos  500 anos da Diocese do Funchal (1514-2014). No canto esquerdo em baixo os emblemas da  Região Autónoma da Madeira; Secreataria Regional da Economia, Turismo e Cultura (SRETC) e Direção Regional de Cultura (DRC). Diocese do Funchal está como Braga que seguramente da Madeira não se avista pelo canudo. Visto que nada se vislumbra das entidades que comandam a Diocese do Funchal hoje, perguntamos: como pode ser possível sair uma obra destas, a tradução das bulas que erigiram tão distinta instituição há 502 anos e nada se disse, não se apoiou, não se fez um lançamento condigno e muito menos fez parte do chavascal de tanta coisa inútil que foi preenchendo os diversos eventos da celebração dos 500 anos em 2014… Aqui há gato.
Depois de andar um bocado nestas divagações, foi a minha pessoa ler com a paciência de Job aquelas ilustres Bulas traduzidas magistralmente pelo Rev. Pe Orlando Moisés de Freitas Morna. Nada de especial quanto ao conteúdo. Porém, é um documento histórico valioso e carrega o peso de 500 anos, cuja publicação, diga-se de passagem em livro encadernado de forma excelente e com fotos do Papa Leão X e de todos os bispos que passaram pela Diocese do Funchal até ao actual D. António Cavaco Carrilho. Não é de somenos esta iniciativa. Se naõ nos escapa a sensibilidade, provoca-nos um certo arrepio à medida que fazemos a leitura se pensarmos que lemos um texto com esta antiguidade e que por causa dele podemos nós hoje contemplar toda a riqueza patrimonial pertencente à nossa Diocese e fazer parte de uma realidade que foi pensada e lavrada pelo crivo da palavra há 500 anos.
A meu ver este é o elemento mais interessante da celebração dos 500 anos da Diocese do Funchal. Por razões que só as altas instâncias da Diocese e o Espírito Santo saberão (obviamente, que o Padre Morna, o tradutor, também saberá), não consta nada de oficial, nem o imprimatur nem o nihil obstat nem uma referência nem uma nota nem, nem, nem… O que se passou?

terça-feira, 24 de maio de 2016

O Islão Hoje

Decorreu esta manhã na Escola Goncalves Zarco, uma conferência com o Sheikh David Munir - Imã da Mesquita Central de Lisboa, com este título: «O Islão Hoje». A organização coube aos professores do grupo de História da Escola Gonçalves Zarco, no âmbito da Semana da História que ali decorre. Muito benvinda esta iniciativa. Quanto mais esclarecimento no que diz respeito à dimensão religiosa da humanidade melhor para todos nós.
A conferência revelou-se pouco incisiva e clara quanto às diferenças que assistem o Islão propriamente dito como religião que serve a muitos milhões de muçulmanos pelo mundo e a prática destorcida do Islão levada a efeito pelos grupos radicais, particularmente, o mais famoso hoje, o denominado Estado Islâmico ou Daesh.
O Sheiks começou por definir o que era o Islão, as condições ou pilares para ser islâmico e a liberdade que assiste quem pratica esta expressão religiosa, que até pode abandonar quando muito bem entender. Adiantou ainda que o Islão não é propriamente uma religião, mas «um código de conduta de vida». Aliás, é este o ponto essencial da conferência, a meu ver, porque, esta nuance levanta uma série de confusões. Algumas vezes é religião, outras vezes conduta de vida. O Ocidente, na generalidade, nunca entende o Islão como «conduta de vida» apenas, mas como grande religião.
Mais ainda considero que será precisamente aqui que vai radicar a maior questão com que se debate hoje a humanidade relativamente ao que diz respeito ao Islão e aos muçulmanos. Esta confusão não é benéfica. Daí que esteja de acordo com os especialistas que consideram que o problema islâmico está principalmente dentro do Islão e não fora dele como tantas vezes consideramos. Deve ser por isso, que os grupos radicais entendem que pode ser conduta de vida lançar bombas, cortar cabeças e imolar-se para matar inocentes, com a ideia absurda que esse «martírio» os levará ao paraíso.
Muito errado e redutor a meu ver que a o Islão seja apenas «uma conduta de vida» e não se aceite em todos os seus quadrantes como uma grande religião abraâmica. Esta foi para mim a grande novidade da vinda do sheiks à Madeira e que me faz compreender melhor afinal o porquê do fundamentalismo, do radicalismo e do terrorismo.
Por fim, agradeço quem trabalhou para levar esta ideia a efeito e achei interessante esta iniciativa ousada, porque proporcionou curiosidade, interesse e veio propor reflexão à comunidade escolar e, particularmente, os jovens e nós também, clero...

Se não se desenvolvem as pessoas o pior faz negócio

A cidade está pejada ainda disto que a foto ilustra. Se existe, é porque, provavelmente, a clientela é abundante. Oxalá, segundo informações veiculadas na comunicação social, que a fasquia abundante de livros vendidos na feira do livro do Funchal 2016, vá esclarecendo os madeirenses para que não se deixem levar por este tipo de conversa.
A propósito disto lembrei-me de outras práticas que consistiam na utilização de galinhas pretas, gatos pretos, enxofre, alho e alecrim entre outros elementos que variam de pessoa para pessoa, de bruxa para bruxa, de lugar para lugar. Também eram variados os métodos que seriam distintos de lugar para lugar ou de circunstância para circunstância. As tesouras e as vassouras também têm uma carga supersticiosa muito grande. O dia 13 e se juntarmos a sexta feira 13 mais carga misteriosa ganha no imaginário das pessoas. Muitos dos azares quotidianos em cada um de nós sempre fazem recorrer a elementos misteriosos ou esotéricos. Cuidem-se.
Nada disto é original. Tal como os pagãos dos tempos antigos que, por medo, lançavam os seus primogénitos para o fogo aos pés da estátua de Baal, também ainda há quem acredite que nos devemos sacrificar para ser agradáveis a um deus. Nada mais errada e contra a dignidade. 
A falta de instrução ou o analfabetismo, a falta da luz elétrica espalhada pelos caminhos, a catequese e a Liturgia da Igreja Católica que toda ela era baseada no medo do fogo do inferno, a perseguição do demónio, o desconhecimento face aos fenómenos da natureza e a pobreza reúnem as condições necessárias para que a imaginação das pessoas inventem todo este ambiente terrível. Hoje nada disto existe e nada se justifica que as pessoas percam dinheiro e tempo com superstições, bruxarias e cantos de sereias absurdos. É tempo de crescer e deixar-se conduzir pela inteligência e pelos avanços civilizacionais que vamos tendo.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Duas afirmações curiosas

1. «De forma alguma está aqui em questão a importância do património religioso porque este também faz parte da nossa cultura muito embora não seja de todos nós, pois pertence ao património do Vaticano».
2. «Compreendo que este investimento tenha sido uma estratégia política de angariação de simpatias em especial daqueles que dominam o povo cuja a falta de sabedoria, em especial na gestão irracional do medo, é uma estratégia há muito implementada no culto religioso». 
No Dnotícias do Funchal hoje 23 de maio 2016, está este escrito da Patrícia Sumares: «Ufa! Afinal há mais cultura para além das capelinhas» (podem ler AQUI na íntegra). Chamou-me a atenção estas duas afirmações tão categóricas, que a meu ver carecem de fundamento. Não havendo fundamento, são infundadas e não correspondem à realidade. 
Sobre a primeira afirmação, é mais que óbvio que todo o património da Madeira pertence ao povo madeirense e particularmente às comunidades onde esse património está ao serviço. Se for dito que muito património está mal gerido e subaproveitado, corroboro com essa ideia e defendo que poderia ser mais bem gerido se tivéssemos católicos mais militantes, preocupados e interessados em avançar para diante e colocar a render (em termos de serviço ao bem comum) o que pertence à Igreja da Madeira. Também não se diga apenas que os católicos no geral são apenas os culpados dessa situação, há outros, especialmente, quem tem em cada momento histórico a responsabilidade de gerir esse património. O Vaticano não é dono de nenhum património na Madeira nem em nenhuma diocese do mundo. O património da Igreja em geral pertence à humanidade, particularmente, aquela humanidade que contribui para o manter e que dele de alguma forma pode servir-se.
A segunda afirmação defendida pela autora, também é infundada e é injusta face ao trabalho enorme que muita expressão religiosa vai fazendo para que as pessoas se libertem do medo e de todas as amarras deste mundo que aprisionam tanta gente à indignidade e pobreza. 
Tem razão se situar esta pastoral e catequese nalguns momentos da história da Igreja Católica, hoje não existe nenhuma pastoral e catequese que se baseie nesta ideia. Os medos hoje das populações são de outra ordem, mas a existir no domínio religioso, resulta da imensa ignorância e da falta de vontade em crescer e esclarecer-se, que muita gente hoje apresenta face à vida religiosa. Agora garanto-lhe que não existe na Igreja Católica nenhuma pastoral que se baseie no medo nem sequer do inferno que foi chão que já deu uvas.

sábado, 21 de maio de 2016

Do silêncio que nos fez

Par ao nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém...
Quase como no livro da Sabedoria que diz:
"o silêncio envolvia todas as coisas
e a noite estava no meio do seu curso",
veio a voz criadora da carne e fez-se o verbo ser
- foi tudo quando o silêncio fecundou a luz
e os nossos olhos estavam dentro de uma sombra.

Veio a penumbra de uma mão cheia
do infinito do céu onde cintila um ponto
para nos conduzir na vertigem da noite
e no silêncio da fértil criação
nesse momento em que todo inteiro,
seguramente era eu crente e seguro
como um ofertório vivo no altar de uma mãe.
- porque, "o milagre é um gesto sagrado" (Wittgenstein).

Nisto vi que tudo se escreve letra à letra
no mistério azulado do céu
entre o insondável da terra
que me fez infinito e livre
para olhar destemido a curva da estrada
além o futuro florescido no amor eterno.
Deixem-me beber o silêncio.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Quando o amor liberta não há medo

O Victor Cunha Rego dizia com a sua clarividência extraordinária que as dores, os medos, as espontaneidades, os amores, os ódios são demasiado tímidos. Pretendo com isto reflectir um pouco sobre os medos que nos invadem quotidianamente e que, por vezes, podem coarctar as nossas acções para o bem e para o mal.
O medo é um sentimento terrível. E são tantos os medos que nós podemos alimentar todos os momentos da vida, mesmo que à partida confessemos que não temos medo de nada.
Os pais têm medo de perder os seus filhos, para a droga, para álcool e para a prostituição. Os filhos podem ter medo de perder o apoio dos pais. Os trabalhadores têm medo de perder o emprego e faltar-lhes o dinheiro suficiente para gastar no fim de cada mês. Os cidadãos têm medo de sair à rua porque a insegurança social é muito grande. Ninguém quer ser roubado, espoliado ou espancado. Quase todos têm medo de serem presos, mas por isso não deixam de infringir a lei. Há também o medo de se ver nas malhas da justiça, porque implica ter que lidar com gente pouco honesta.
A doença e a morte também são aspectos da condição humana que todos querem exorcizar e o medo que provocam é incalculável, o estado da medicina também não anima nada e o que se houve dizer dos lugares da saúde, provoca-nos, para além do medo natural da doença, um terror insuportável.
Outros, talvez não muito poucos, ainda terão medo de Deus. E quantos não terão medo do diabo e das bruxas? - Resumindo, todos têm medo de alguma coisa, a vida é assim mesmo. Para tudo há um remédio, o amor e se esse amor liberta, não haverá medos. Um exemplo prende-se com o medo de Deus. Para o vencer, basta que deixemos Jesus nos convencer que Deus é amor e tudo virá por acréscimo. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O mistério da grandeza de Deus em nós

Domingo da Trindade. Singelo comentário que pode servir a quem habitualmente vai à missa (e não só) no fim de semana...
Santo Tomás, no final do seu tratado sobre a Santíssima Trindade, fala-nos das missões divinas e da habitação das três Pessoas Divinas em toda alma justa. Ele dá-nos uma certa inteligência deste mistério recordando-nos que Deus está sempre presente em todas as coisas, especificando de que maneira especial está realmente nos justos e quais são os efeitos da Sua acção neles.
Conta-se que Santo Agostinho andava certo dia a passear na praia a meditar sobre este mistério da Santíssima Trindade: um Deus em três pessoas distintas... Enquanto caminhava, observou um menino que carregava um pequeníssimo balde com água. A criança ia até o mar, trazia a água e deitava-a dentro de um pequeno buraco que tinha feito. Após ver repetidas vezes o menino fazer a mesma coisa, resolveu interrogá-lo sobre o que pretendia. O menino, olhando-o, respondeu com simplicidade:
- quero colocar a água do mar neste buraco. Santo Agostinho sorriu e respondeu-lhe:
- mas tu não percebes que isso é impossível mesmo que trabalhes toda a vida? O mar é infinitamente grande. Jamais o irás conseguir colocar aí todo dentro desse pequeno buraco...
Então, novamente olhando para Santo Agostinho, o menino respondeu-lhe: - ora, é mais fácil a água do mar caber neste pequeno buraco do que o mistério da Santíssima Trindade ser entendido por um homem! É mais fácil colocar toda a água do mar aqui dentro deste buraco que o homem conseguir entender o mistério da Santíssima Trindade. O homem é infinitamente pequeno e Deus é infinitamente grande!
A Trindade ou Santíssima Trindade é a doutrina acolhida pela maioria das igrejas cristãs que professam a Deus único preconizado em três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para os seus defensores, é um dos dogmas centrais da fé cristã, e considerado um mistério.
É nesse mistério que acreditamos e é desse mistério que devemos dar testemunho. Este é um mistério mais para ser contemplado do que para ser dito ou mostrado. É um mistério inefável, próximo e distante ao mesmo tempo. E reconhecer isso não é fraqueza, mas abertura ao dom enorme que Deus é e que pode fazer da nossa vida uma realidade de bem, que se vivido em plenitude fará do mundo um lugar de paz e de felicidade para todos. Dêmos mais vida ao que somos e temos com a presença de Deus em nós!

Ignorar o pobre é desprezar a Deus

Os pobres no centro das preocupações da pastoral...
Na audiência-geral desta manhã (18/05/2016) na Praça de S. Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco refletiu sobre pobreza e misericórdia a partir da parábola do rico avarento e do pobre Lázaro.
Na sua catequese Francisco afirmou que "A misericórdia de Deus está ligada à nossa misericórdia para com o próximo e quando não temos misericórdia para com os outros, a misericórdia de Deus não encontra espaço no nosso coração fechado".
Tomando a parábola do rico avarento e do pobre Lázaro o Papa lembrou como "o portão da casa do rico estava sempre fechado ao pobre, que ali jazia esfomeado e coberto de chagas. Ignorando Lázaro e negando-lhe até mesmo as sobras da sua mesa, o rico desprezou a Deus, segundo as conhecidas palavras de Jesus: 'Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer'".
Deste modo - sustentou o Papa -  podemos afirmar que "ignorar o pobre é desprezar Deus" e chamou a atenção para o pormenor do nome:
"[Na Parábola] Há um pormenor  interessante: enquanto o nome do rico não é mencionado, o nome do pobre, Lázaro, que, em hebraico, significa 'Deus ajuda', repete-se cinco vezes. Assim Lázaro à porta é um apelo vivo feito ao rico para que se recorde de Deus, mas o rico não acolhe este apelo. Será condenado, não pelas suas riquezas, mas por não ter tido compaixão de Lázaro socorrendo-o", afirmou o Papa
A moral da história de Jesus vem de seguida por Jesus: "A segunda parte da parábola apresenta invertida a situação de ambos no além-túmulo: o pobre Lázaro aparece feliz no seio de Abraão, ao passo que o rico é atormentado. Agora o rico reconhece Lázaro e pede-lhe ajuda, enquanto que em vida fazia de conta que não o via. Antes negava-lhe as sobras da mesa, agora pede para lhe dar de beber um pouco de água. Mas, como explica Abraão, aquele portão de casa que, na terra, separava o rico do pobre, transformou-se num 'grande abismo', que é intransponível", concluiu o Papa Francisco.
No final pediu aos crentes para "contemplarem os pobres do Mundo" tornando-se sinais de misericórdia na sua vida porque "nesta parábola Jesus une a pobreza à misericórdia" e revela-nos "o mistério da salvação".
"Possamos nós, escutando este evangelho, em conjunto com todos os pobres do Mundo, cantar com Maria: 'Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens, e aos ricos despediu de mãos vazias'".
In Educris com CTV

Viver na rivalidade

Quanto melhor seria o mundo se nas artérias da vida escorresse também o sangue do respeito uns pelos outros...
Muita gente não sabe viver na rivalidade: com os rivais do seu grupo desportivo, com os atletas competidores, com colegas que trabalham na mesma empresa, com estudantes da mesma escola, etc. É gente que não sabe perder: que não tem a humildade de aceitar a derrota e reconhecer o valor dos outros, e que recorre a atitudes agressivas por palavras ou actos, como nos tem mostrado a televisão tantas vezes.
O exemplo que vou apresentar é uma lição extraordinária de humildade e de convivência na rivalidade. Muita gente conhece – talvez mesmo sem os ter ouvido – os dois magníficos tenores espanhóis Plácido Domingo e José Carreras. Plácido é madrileno e Carreras é catalão. Por razões políticas, tornaram-se inimigos. Contratados para cantarem em todo o mundo, exigiam sempre que o seu adversário não fosse contratado para a mesma actuação.
Em 1987, Carreras foi atingido por um inimigo terrível: uma leucemia. Foi horrível a luta que o obrigou a diversos tratamentos e a um transplante de medula. Teve de ir aos Estados Unidos da América mensalmente. A sua fortuna, embora elevada, esbateu-se rapidamente. Nesta fase de dificuldades financeiras, soube que havia sido criada em Madrid uma Fundação para amparar os doentes com leucemia. Com a ajuda dessa Fundação, Carreras venceu e voltou a cantar. Com o produto que começou a ganhar fez-se sócio da referida Fundação. Ao ler os estatutos, descobriu que o fundador e presidente dessa Fundação era Plácido Domingo. Soube também que o seu adversário criara a Fundação para ajudá-lo. Plácido manteve-se no anonimato para não humilhar o cantor rival.
Foi profundamente comovente o encontro dos dois. Carreras surpreendeu Plácido Domingo num concerto em Madrid e interrompeu a actuação. Subiu ao palco, ajoelhou-se a seus pés, pediu-lhe desculpas e agradeceu-lhe publicamente. Plácido ajudou-o a levantar-se e, num forte abraço, selaram o início de uma grande amizade, que permitiu que cantassem no mesmo concerto juntamente.
Mais tarde, uma jornalista perguntou a Plácido a razão por que criara aquela Fundação para um adversário. Plácido respondeu: “Porque uma voz como aquela não podia perder-se”.
Bela história de nobreza exemplar para todos aqueles que não reconhecem o valor dos adversários e não procuram a reconciliação.
Mário Salgueirinho  

terça-feira, 17 de maio de 2016

A mística e a espiritualidade

A palavra «mística», embora a sua primeira aparição aconteça no escrito de Dionísio Areopagita, que data do final do século V, início do século VI da era cristã, é algo cujo conteúdo sempre esteve presente na história do Cristianismo.
Se quisermos ser rápidos correndo o risco de cairmos num certo facilitismo perigoso, dizemos que mística é uma «experiência do mistério». É toda a procura do «mistério de Deus». É uma experiência do mistério do totalmente Outro, um conhecimento desse Outro por experimentação. Uma experiência, portanto, do Deus que é mistério divino (santo) mas que, permanecendo escondido, se deixa experimentar e conhecer.
A espiritualidade consiste na tendência que o ser humano sempre põe em confronto a sua particular experiência com a totalidade e se abre à dimensão espiritual. Deste modo, toda a experiência verdadeiramente humana está aberta ao transcendente e, portanto, ao espiritual. Diria até de outra forma, que tudo o que é verdadeiramente humano, quando é um bem para a humanidade, é, por conseguinte, verdadeiramente espiritual.
Hoje precisamos de uma espiritualidade e de um misticismo que nos levem a entrar nas profundezas da realidade, no mistério que envolve toda a nossa vida, no Deus que habita em tudo e em todos. Não vale confundir isto com panteísmo (doutrina que define que Deus é tudo o que existe no mundo e no universo inteiro). Não é disso que se trata, estamos bem conscientes do que são as duas coisas.  
Precisamos de uma mística que liberte o nosso espírito e nos leve a viver sem medos ou amarras, indo sempre mais além dos intimismos individualistas. Uma mística e espiritualidade intimamente ligada simultaneamente ao amor, a sabedoria que rompe fronteiras e supera os esquemas que desumanizam e que é luz para saber ver a realidade e comprometer-se na sua transformação.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

"Guernica do Egeu"

Então, e os refugiados?
- Para não esquecermos... Dado que muita coisa se constrói neste mundo com o intuito de fazer de nós uns alienados, quiçá até uns imbecis. O sofrimento é grande e não podemos, não devemos fazer de conta nem muito menos esquecer. É proibido esquecer... 
"Guernica do Egeu": em 1937 Pablo Picasso expressou o desgosto brutal face ao fascismo e ao regime de Franco pintando "Guernica". Recentemente, Jovro Savov representou, na sua obra "Guernica do Egeu", a tragédia dos migrantes afogados às portas da Europa.

sábado, 14 de maio de 2016

Despojado veio o dia

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém...
O momento frio cortante pela manhã
faz lembrar o sereno branco sobre a mão
é geada sofrida que recolhe a relva vã
quando os dias são suaves para amar
na crista do silêncio do baloiçar do mar.
são os simples que imploram piedade
quando deambula despojado o seu olhar.

Então angustiado sou eu naquele rosto
meio tosco de gente menor desprezada.
é demais o que me espanta a indiferença cega
deste mundo desmedidamente desigual e rasca
muitos são o vento que passa com olhar disfarçado
fala baixo meio envergonhado é o que temos.
para sempre ditarão os deuses esta verdade
nunca choraremos o suficiente o que não vemos.

O que ousar lutar será destruído
por dizeres subtis por insidias venenosas.
tomara outras maneiras trazer o vento
porque vale tanto um gesto suave pela mão
não engana está solto nunca põe condição.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O segredo para saber viver cada dia

Apaixone-se...
Apaixone-se pela manhã, pelo nascer do sol, que ilumina sua vida ou com a chuva que te levanta com as gotas da vida.
Apaixone-se pelas canções, que mesmo quando todos se calam, elas ainda sussurram o refrão em seus ouvidos.
Apaixone-se pelo hoje, que te faz respirar, enxergar, sentir, viver...
Apaixone-se por você, pois não existirá ninguém melhor para se amar do que a si mesmo, pois só descobrimos o que é amor, quando nos apaixonamos primeiramente por nós mesmos, pois assim passamos a praticar o Altruísmo.
Apaixone-se pela vida, ela é o único presente que você diz que não pediu, mas que jamais deseja perder, e que é infinita em suas possibilidades e renovações.
Apaixone-se mil vezes pela mesma coisa, se esse sentimento te faz crescer, apaixone-se cada dia mais e mais, se possível ame um pouco mais as pessoas a cada dia.
Apaixone-se pelos dias, eles passam depressa e quando você menos esperar eles já não existem mais, então não perca tempo com coisas, ações ou pessoas que fazem do seu dia algo ruim.
Apaixone-se por cada conversa, pois ela pode ser definitiva dependendo da circunstância, e podes mostrar a diferença entre calar e abrir o coração.
Apaixone-se pela dança, principalmente se for a dois, pois ela te faz sentir vivo, capaz.
Apaixone-se por quem te faz sorrir, pois essa pessoa merece muito mais do que você imagina.
Apaixone-se! A vida te presenteia quando você se entrega e acredita no amor, e passa a viver cada novo minuto, de amor.
Apaixone-se pela vontade de amar, pois existirá um momento em que sozinho não dará mais para ficar, afinal, não somos nada nem ninguém solitário, a nossa capacidade de sorrir de alegrar de fazer a diferença tem que ser usada na vida daqueles que cruzam nossa estrada.
Algumas pessoas sentem medo de se apaixonar, e no entanto não se dão a oportunidade para apaixonar-se por um sonho, por uma tentativa, por uma oportunidade da vida, as vezes, se fazem cegos aquilo que foi mandado para lhe fazer feliz.
A vida é curta e na entrega ao medo perdemos um tempo precioso, o medo é igual a dor, salva, é um sinal que algo precisa ser feito, então tente, só assim saberá o que podia ter ganhado com aquilo, perder tenho certeza que nunca perderá nada arriscando, tudo na vida é um aprendizado, uma nova experiência, então tente!
Apaixone-se por um sonho, acredite que tudo dará certo, pois somente a sua fé trará o seu sonho pra perto de si, e comece a provar a força das palavras e dos pensamentos positivos.
Você poderá se perder em meio a uma multidão, mas alguém predestinado irá te encontrar, na hora no dia e no lugar certos, mas claro que só vai ocorrer se você fizer sua parte, ficar em casa esperando a pessoa certa aparecer ou do nada te ligar, não vai acontecer, o máximo que pode fazer ficando em casa é pedir uma pizza.
Você poderá sentir solidão, querer e não ter alguém para compartilhar um desejo, uma risada, um sonho, uma história mas acredite, e as vezes essa solidão vai-te fazer esquecer alguns critérios de escolha, vai fazer você querer alguém qualquer, ai nasce a ilusão, as lágrimas o sofrer doido, neste momento você vai achar que será sempre assim, que a pessoa que procura não existe e que todos vão te fazer sofrer, vão te iludir, ai você se fecha para o amor, não faça assim, tenha paciência, e aprenda e sentir os sinais do amor verdadeiro. 
Olhos nos olhos, coração palpita quando vê a pessoa, o primeiro e o último pensamento do dia é essa pessoa, os flashs da memória são as imagens dessa pessoa, estar longe faz doer o coração mas quando se falam seja por sms ou por telefone parece que estão juntos, o ar passa a ter perfume e claro o perfume dessa pessoa, o beijo tem sabor, o abraço é acolhedor... sim! Esse é o amor, e quando isto acontecer, se entregue, seja o melhor de você mesmo para esta pessoa e viva intensamente. Não beije por beijar, não abrace por abraçar, não chore por chorar e não viva por viver, perceba os sinais e de valor a eles, ame!
Apaixone-se, pois uma vida repleta de canções aromas e sabores te espera.
E o amor simplesmente virá trazendo consigo uma alma apaixonada de sorriso fácil e amor nos olhos.
Apaixone-se, pois no final poderá contemplar a magia de tudo aquilo que teve fé que acreditou e que hoje faz parte do seu viver.
Tudo tem hora e lugar para acontecer, basta você confiar, confiar que tudo que aconteceu é merecimento por seus sinceros desejos e que irá colher aquilo que plantar e será o primeiro a provar os frutos.
O tempo vai passar, e com ele você irá envelhecer...
E nessa rotina da vida, nunca se esqueça...
Apaixone-se mil vezes por Deus, pela sua família, amigos, trabalho por você pela vida, seja em qual época ou lugar for...
Simplesmente APAIXONE-SE!
Rogério Stankewski

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Um Espírito misterioso que faz mover a vida

Domingo de Pentecostes
Pentecostes (em grego antigo, pentekoste [hemera], "o quinquagésimo [dia]") é uma das celebrações mais importantes do calendário cristão, e comemora a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos de Jesus Cristo. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois do Domingo de Páscoa. 
A vida não teria sabor se não fosse a dinâmica do Espírito Santo. A Igreja seria uma simples organização de homens e mulheres com interesses mundanos. As celebrações litúrgicas seriam manifestações de diversão ou para entreter os tempos livres. Os diversos grupos que formam a Igreja seriam estruturas sem alma que promoviam a rivalidade e a concorrência. Os membros da Igreja, seriam apenas hierarcas que buscavam o poder pelo poder. A sede de protagonismo ou a fama do mundo seriam as únicas motivações pelas quais todos corriam de forma desmedida e sem escrúpulos. As palavras da Igreja seriam iguais a todas as palavras pronunciadas pelas outras organizações do mundo. A caridade seria solidariedade sem alma e sem a abnegação desinteressada que só o Espírito Santo informa. O diálogo Igreja-mundo seria pura diplomacia interesseira com vista a ser pura propaganda. 
Uma infinidade de coisas que a Igreja é e faz que sem o dinamismo do Espírito Santo seriam puro activismo concorrencial mais interessado na promoção de alguns e pouco aberta ao bem-comum, isto é, sem interesse nenhum pela salvação de todos os homens. Quando tiramos o condicional das afirmações apresentadas no parágrafo anterior, descobrimos o que acontece quando a Igreja volta as costas ao Espírito Santo.
Assim, descobrimos no dia de Pentecostes, a entrega deste dom aos discípulos de Jesus, para que sejam eles os que irão continuar a obra da salvação iniciada com Jesus Cristo. São eles os principais anunciadores da Boa Nova do Evangelho, que consiste na pregação do arrependimento e do perdão dos pecados. Mediante a recepção do Espírito Santo, o Reino de Deus continua presente na história da humanidade.
Assim sendo, no dia de Pentecostes, descobre-se a universalidade do projecto de Deus e o desejo de que a humanidade se encontre numa verdadeira fraternidade universal (o relato dos Actos dos Apóstolos confirma-o de forma bastante óbvia, o famoso milagre das línguas, é uma prova bem evidente do desejo de Deus). Impossível até agora, mas o sonho continua…
O Pentecostes, é o acontecimento que quebrou as correntes da divisão, o ódio das grades da incompreensão, a violência das palavras e das atitudes de alguns, os rancores dos momentos que ninguém se livra de viver, os amuos que provocam tristeza e inimizade, a falta de abertura para o perdão, a teimosia do não arrependimento, a intolerância e o racismo entre as religiões e as comunidades humanas.

terça-feira, 10 de maio de 2016

A corrução resulta da pobreza intelectual e espiritual

Autor do livro Avareza
Mais um livro que põe a nu a corrupção que domina os meandros do Vaticano, «Avareza» de Emiliano Fittipaldi, o jornalista que passou um ano a investigar a gestão das finanças das instituições que gerem os bens da Igreja Católica. A investigação resultou no livro Avareza, e a fuga de informação que relata já mereceu o nome de Vatileaks.
Nada disto é novo. Nada disto surpreende. Mas escandaliza. Seguramente vai fazendo mossa e ainda será pior se as autoridades da Igreja continuarem a se mostrarem ofendidas com estas denúncias e procurarem condenar o mensageiro deixando incólumes quem anda dentro da Igreja a servir-se da sua posição eclesial para fazer negociatas ilícitas, corruptas…
Pessoalmente, nada disto me surpreende nem deve surpreender ninguém. Onde há dinheiro grosso, há sempre corrupção da grossa. A humanidade em todo o lado é igual. Essa chapa enforma até os mais santos deste mundo, por nenhum homem e nenhuma mulher são anjos. Mais ainda creio que todos estes pagarão até ao último cêntimo, tudo o que roubaram destinado aos pobres. O Evangelho confirma-o veemente: «Mas, qualquer um que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar» (Mt 18, 6).  
Debrucei-me a ler duas entrevistas interessantes ao autor do livro Avareza e já fiz a minha leitura, que não afeta a minha fé em Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo e na Igreja. A Igreja do Evangelho não é nada disto, porque não é avarenta, não é invejosa, não é corrupta: «Todos os que acreditavam estavam unidos e tinham tudo em comum… e davam a todos segundo as necessidades de cada um» (At 2, 44s). Esses que se guiaram pela corrupção serão julgados por Deus na hora devida, já que o brilho do poder deste mundo os protege da justiça humana. Importa-me saber como ando e como vivo. Tudo o resto é mundano e o que é puramente mundano não me serve e rezo para que Deus me livre disso.
Porém, não basta continuarmos a dizer que onde há dinheiro e humanidade há corrupção. É certo, mas não é suficiente e temos o dever de ser honestos indo mais longe nos considerandos. Deve ser também necessário reconhecer que muitos corruptos que se abrigam sobre as vestes purpuradas e outras são gente fraca intelectualmente e espiritualmente. São amigos promovidos por amigos, carreiristas que se põem a jeito para subir na hierarquia para chegar a lugares de topo e fazer das suas porque não sabem o que é vocação nem muito menos amor aos outros nem permitiram aprender que há o bem comum e o bem comum é de todos, não se toca. Assim, faltando espiritualidade verdadeira, sentido ético, respeito pelos bens destinados a todos e temor de Deus, não se inibem de lamber os dedos se fossam no mel.
Esta é para já a minha ressonância das duas entrevistas que li do autor de Avareza de Emiliano Fittipaldi. Se tiverem tempo, vontade e desejarem fazer a vossa leitura tirando as vossas conclusões podem fazê-lo por aqui:
Boas leituras.

Não ter medo de ousar quebrar o gelo

À luz de muita doutrina que vai produzindo o Papa Francisco, sempre cada vez mais à luz do Evangelho de Jesus de Nazaré e menos centrada no rol doutrinário da Igreja Católica cimentado pelo passar dos séculos, descobre-se que Jesus foi um libertário, um pé no chão, uma humanista, um transgressor de leis que oprimiam as pessoas, especialmente, os pobres e os simples.
É este Jesus prático, livre de qualquer amarra que não somos capazes de ver actualmente... Porque ainda persiste uma poderosíssima instituição como tão material como outra qualquer, agarrada a regras ancestrais em nome do poder e da conservação de riquezas. A avareza na Igreja é muito forte. A denúncia está posta a nu no livro «Avareza» de Emiliano Fittipaldi, o jornalista que passou um ano a investigar a gestão das finanças das instituições que gerem os bens da Igreja Católica. A investigação resultou no livro Avareza, e a fuga de informação que relata já mereceu o nome de Vatileaks. Vai entrar no rol das próximas leituras e vai ficar a fazer com par com os «Corvos do Vaticano», denunciado tão prontamente pelo Papa Bento XVI e quiçá a razão mais forte para a sua renúncia.
A conversão a outra forma de ser Igreja tem sido insistente por parte do Papa Francisco. É preciso não ter medo e inspirar-se no destemido Jesus de Nazaré, quebrar o iceberg das seculares amarras criadas para preservar as riquezas da Igreja e o poder de alguns eleitos por amigos ou por reles carreiristas, depois avançar com uma Igreja que seja luz para os tempos concretos em que vivemos. Basta que seja menos rubricista, mais humana e aberta a todas as realidades da vida dos homens e mulheres de cada tempo. O amor e a misericórdia de Deus serão as suas mãos para abraçar e não para condenar.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Sonho uma Europa...

Brilhante... Esperemos que faça pensar as sumidades medíocres que desgovernam esta Europa, que mergulhou na desumanidade e na insensibilidade em relação aos seus povos e, particularmente, aos povos que a ela acorrem à procura de pão, trabalho e abrigo. Um obrigado ao Papa Francisco, que aproveitou a receção do prémio Carlos Magno para anunciar a Boa Nova e reclamar à luz do Evangelho a justiça e a humanidade perdidas na Europa, que se deseja que volte a ser o continente da dignidade excelente para os povos. 
"Sonho uma Europa jovem,
capaz de ainda ser mãe: uma mãe que tenha vida, porque respeita a vida e dá esperanças de vida.

Sonho uma Europa
que cuida da criança, que socorre como um irmão o pobre e quem chega à procura de acolhimento porque já não tem nada e pede abrigo.

Sonho uma Europa
que escuta e valoriza as pessoas doentes e idosas, para que não sejam reduzidas a objetos de descarte porque improdutivas.

Sonho uma Europa,
onde ser migrante não seja delito, mas apelo a um maior compromisso com a dignidade de todos os seres humanos.

Sonho uma Europa
onde os jovens respirem o ar puro da honestidade, amem a beleza da cultura e duma vida simples, não poluída pelas solicitações sem fim do consumismo; onde casar e ter filhos sejam uma responsabilidade e uma alegria grande, não um problema criado pela falta de trabalho suficientemente estável.

Sonho uma Europa
das famílias, com políticas realmente eficazes, centradas mais nos rostos do que nos números, mais no nascimento dos filhos do que no aumento dos bens.

Sonho uma Europa
que promova e tutele os direitos de cada um, sem esquecer os deveres para com todos.

Sonho uma Europa
da qual não se possa dizer que o seu compromisso em prol dos direitos humanos constituiu a sua última utopia.
Obrigado."
Discurso integral do Papa Francisco na entrega do prémio Carlos Magno.

sábado, 7 de maio de 2016

É de sempre a identidade

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Cheguei à lua e a claridade era vertical
fiz um poema de cimento,
com ferro e com pedra.
E sem rimas era eu
na perplexidade do sofrimento.

Para todo o mundo, o meu desejo acolhe
cada ente que se contorce ferido.
Se vejo faltar o chão ao pobre
não me calo por nada deste mundo
e determinado faço o que posso
esta luta tem sentido e é nobre.

Nisto revejo cada letra escrita sobre a pedra
que viera nas costas dos milénios,
olho o passar das horas com emoção
choro tudo o que não posso fazer
e gasto tempo a reconciliar o coração.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A alegria do amor

Como já sabem este é o título, aliás, muito bonito, da Exortação Apostólica do Papa Francisco, que resulta do Sínodo sobre a família. As reações são o mais variado possível. Há posições totalmente a favor da mensagem do Papa, vindas de todos os quadrantes da Igreja Católica. Outras moderadas, nas quais me incluo, porque considero que a Exortação abre caminhos e portas para que a Igreja seja sempre de inclusão e não de exclusão, mas no seu todo é um texto monótono e fastidioso de se ler. Não sei como é que as famílias irão pegar nele…
Adiante. Há posições totalmente contra, uma grande parte da hierarquia, os ditos da ala conservadora, é intransigente na defesa de uma doutrina fechada sobre a família, mesmo que parada no tempo e inadaptadas às problemáticas da família hoje, que sofre mudanças todos os dias e que se apresentam tão distintos nos mais diversos contextos da vida deste mundo.
Mas, têm surgidos posições muito críticas que me parecem interessantes. Ainda não tinha tido contacto com nenhuma posição de nenhuma mulher sobre este texto.
Aqui está uma entrevista curiosa e interessante (imperdível) de uma teóloga, Ivone Gebara, onde traça uma visão crítica sobre as várias nuances da Exortação do Papa Francisco sobre a família. Muito interessante a sua visão e coloca em ordem vários assuntos sobre a família, salientando que a grande novidade de facto radica precisamente nas portas que o documento parece entreabrir com a ideia de que é preciso agir «com misericórdia e caridade» com todas as situações que a família apresenta.
Temo que esta Exortação Apostólica seja mais um documento papal com o mesmo destino de tantos outros que vieram, venderam, geraram boas receitas, deram que falar, mas passado o efeito, estão nas prateleiras a colher pó.  
Destaco umas frases que achei interessantes e desafiadoras de Ivone Gebara:
1. Questões como a pobreza, a falta de emprego, de condições de moradia e saúde, a violência familiar, a emigração massiva que tornam difícil a vida familiar são abordadas muitas vezes em meio a um aparato bíblico, teológico e citações de documentos eclesiásticos. Tal procedimento, longe de esclarecer, obscurece a problemática e não lhe dá o devido valor no contexto atual de nossa história. O texto cheio de citações que justificam posturas tradicionais da hierarquia católica não permite que os leitores tenham uma visão mais integral das questões e até de possíveis novidades abordadas no Sínodo.
2. Por isso é preciso que cada comunidade cristã escreva seus textos, suas diretivas, seus objetivos presentes... É preciso deslocar o magistério para o povo e permitir que escrevam suas cartas sobre e como suas vidas estão sendo vividas. O conhecimento universal ou universalizante apesar de sua importância nem sempre ajuda os pequenos grupos a crescerem por dentro e por fora. É certo que num mundo globalizado necessitamos de algumas análises globais, mas necessitamos, sobretudo, aprender desde o local, a fazer análises a partir de nossas próprias vivências, a criar a tradição de pensar nossa vida valorizando nossa história e nosso saber.

3. Essa plasticidade de imagens e símbolos reflete bem a efervescência e mistura da vida, essa mobilidade intensa da diversidade e da diferença que nos constitui. Por isso, somos convidados a amar o próximo, o caído na estrada, o malcheiroso, o diferente, e não só aquele ou aquela que pensa igual ou gosta das mesmas coisas. Talvez devêssemos tentar ser mais artistas, inventores de nós mesmos, poetas capazes de brincar com as palavras, de dividir pães, peixes e frutos na renovada dança de cada dia. Sair da rigidez do mesmo, das estruturas prefixadas dos documentos, das palavras de ordem e das teses magistrais... Sair dos conselhos em vista da perfeição desconhecida ou imaginada... Perceber que há mais bondade do que imaginamos e muita, muita beleza que não pode ser contida nos odres velhos de nossas teologias.
Quem desejar ler na íntegra pode abrir AQUI.