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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Momento do envio dos discípulos

Comentário à missa deste domingo XIV Tempo Comum. Pode servir para quem vai à missa no fim de semana e não só... Espero que seja útil para além.
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O tema deste domingo é "o envio". Jesus envia os seus discípulos para o meio do mundo. Todos nós cristãos, fomos chamados e somos enviados para anunciar a Boa Nova de Jesus entre todos os povos. Este ensinamento pode ser feito através da palavra e principalmente através da vida, do testemunho. É na alegria de viver o nosso ser cristão que mostraremos o sentido que tem Cristo para as nossas vidas. O cristão é chamado a viver uma relação de amor que qualifica a sua vida, pois, "na verdade, é Deus que produz em nós tanto o querer como o fazer, conforme a Sua vontade" (Fl 2,13).
A vida divina age incessantemente na nossa pessoa. Exige dela um modo de vida coerente com os ensinamentos de Jesus Cristo pois, estes tornam-se vida interior: "Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim (...) "ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus" (Gl 2,20; Gl 6, 17). Porque, o grande desafio é ser enviado para o meio de lobos.
Jesus envia para o meio do mundo, onde haverá gente muito boa, mas também gente muito má. Ambos precisam do amor de Jesus. Muitos homens maus e mulheres más são bons e amigáveis com as pessoas de quem gostam. Mas o nosso verdadeiro carácter revela-se quando temos que nos doar aos agressivos, aos traidores e arrogantes, quando somos colocados à prova e temos que amar as pessoas de quem não gostamos tanto ou têm atitudes más.
Assim, o ser discípulo de Jesus está ligado ao carácter, à paciência, à bondade, à humildade, à abnegação, ao respeito, à generosidade, à honestidade e compromisso... Mais ainda se pensarmos que devemos ser tomados de uma consciência muito forte sobre a justiça e o bem comum. Para que o mundo em que nós vivemos se torne mais feliz para todos nós.

Nunca mais acaba o terrorismo

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É com muita mágoa, que de quando em vez, somos confrontados com palavras que nos assustam. Elas são terrorismo, vítimas, atentados, bombas que rebentam, fazem destroços e espalham mortos e feridos, balas que retinem e rasgam a carne, e, não esqueço, os bombistas suicidas… Um rol interminável de palavras duras que nos fazem estremecer. É o quotidiano do mundo em que vivemos.
Mas ao lado disso, vai crescendo como o silvado que toma conta de tudo nos campos, a xenofobia, o racismo, a intolerância face aos emigrantes, o desrespeito face à vida e dignidade do outro. Uma vida humana hoje parece valer quase nada e a consciência acerca do inocente é nula.
É preciso uma vida que começa pela educação que esteja distante da prática do terror e o discurso sobre o terror só deve ser permitido para o repudiar ou travar. Estas ações são muito importantes para que se garanta que as sociedades não procuram mais resolver os seus problemas políticos, sociais, religiosos e outros pela violência de qualquer teor, que espalha o medo e terror.
Nenhum discurso político e ideológico que defenda o terrorismo devia ser tolerado, venha de onde vier e esteja onde estiver. Não pode haver direito à «liberdade de expressão» para espalhar o terrorismo, o racismo e a xenofobia. Também não pode ser compreensível, existirem tantas pessoas que estejam disponíveis para matarem e morrerem por determinadas causas, sejam elas políticas, religiosas, económicas e culturais.  
É urgente a sociedade mundial compreender as ideologias que movem as práticas do terrorismo. Porque, cada ano que passa, a humanidade inteira sente-se, cada vez mais desconfiada entre si, acossada, receosa e com medo de ataques com armas que destroem bens e matam tantos inocentes.
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Este mundo precisa de concerto. Mas, enquanto os Estados ditos civilizados, continuarem a vender armas a Estados e grupos terroristas, a violência continuará a semear dor, lágrimas e morte por esse mundo fora. Em nome do lucro não pode valer tudo.
O terrorismo tem causas e tem duas faces. Não podemos de forma nenhum esquecer todas as componentes que conduzem a esta barbárie em que está mergulhada a humanidade. Uma análise séria requer uma atenção muito importante em todas as vertentes. Porque os verdadeiros culpados deste ambiente de violência e terror em que vivemos estão em todo o lado, de tal forma que até os «pobres» suicidas são também vítimas, manipulados às mãos de quem há muito perdeu o respeito pela vida humana e seguramente viverá cego por interesses puramente materialistas e mundanos.
Posto isto, receio que esta escalada de terrorismo nunca mais nos deixe tranquilos e o mundo cada vez mais vai se convertendo numa enorme fortaleza armada até aos dentes e os cidadãos desconfiados uns dos outros deambulam como que loucos de um lado para outro, porque em qualquer esquina pode rebentar uma bomba ou serem disparadas balas assassinas sobre qualquer cidadão eleito alvo abater pelos loucos que se alimentam de carnificina.      

terça-feira, 28 de junho de 2016

Pedido de desculpas da Igreja aos gays

Vejamos o contexto dos títulos sensacionalistas que correram mundo sobre o «pedido de desculpas aos homossexuais» que o Papa Francisco defendeu.
A resposta à pergunta sobre os gays, feita ao Papa Francisco no avião que o trazia de regresso ao Vaticano vindo da Arménia, pelo jornalista Cindy Wooden, do Catholic News Service (CNS), agência católica dos Estados Unidos, tem levantado alguma celeuma. Nada de especial e nada que esteja fora daquilo que diz o Catecismo da Igreja Católica, aliás, fonte que o Papa faz referência.
Tendo em conta a importância da resposta que o Papa dá, fica aqui na íntegra a resposta tão interessante, para que não se fique unicamente pelo sensacionalismo dos títulos dos órgãos de informação, que por este dias têm feito ecoar, por exemplo, apenas e só sem qualquer contexto o seguinte: «Papa diz que a Igreja deve pedir perdão aos homossexuais» ou ainda: «Papa defende que a Igreja deve pedir perdão aos gays» e «Papa defende que a Igreja deve pedir desculpas aos homossexuais»… Reparemos na frase na íntegra do Papa Francisco que reproduzo em baixo na resposta à pergunta: «Eu creio que a Igreja não só deve pedir desculpas – como disse aquele cardeal "marxista" ... [risos] – a essa pessoa que é gay, que ofendeu, mas também deve pedir desculpas aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas no trabalho; deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas. A Igreja deve pedir desculpas por não ter-se comportado tantas e tantas vezes – e quando digo "Igreja" entendo os cristãos; a Igreja é santa, os pecadores somos nós! – os cristãos devem pedir desculpas por ter acompanhado tantas escolhas, tantas famílias».
Só há uma coisa que me faz alguma confusão. Penso que não haverá instituição nenhuma que respeite mais os homossexuais que a Igreja Católica. Desde sempre a religião tornou-se um refúgio para os efeminados. As famílias nobres tinham essa alternativa bem determinada quando alguns dos seus membros manifestavam sinais nesse sentido. Os seminários e os conventos foram opções seguras para que o escândalo não rebentasse.
Mas a emancipação da sociedade, o domínio da informação, a perda de influência da Igreja Católica sobre a vida social e a mudança de mentalidades permitiram que todas as misérias de seminários, conventos e colégios viessem a lume. Hoje, tudo está mais esbatido. Mas ainda assim a Igreja Católica continua a ser lugar que abriga muitos homossexuais. Não sou contra. Sou pela tolerância e o que se exige aos heterossexuais, seja também exigido aos homossexuais, porque bastas vezes se nota que há maior tolerância para os gays e menor ou nenhuma tolerância para os heterossexuais. Exemplos neste sentido não nos faltam. 
Por fim, recordo um saudoso Director Espiritual, que convictamente ensinava, «quem não serve para o matrimónio não serve para o sacerdócio». A mensagem do Papa Francisco tem sido clara quanto a este especto e tem vindo sempre neste sentido.
A pergunta e a resposta sobre os homossexuais:
Obrigada Santidade. Nos últimos dias, o Cardeal alemão Marx, falando durante uma grande conferência muito importante em Dublin, sobre a Igreja no mundo moderno, disse que a Igreja Católica deve pedir desculpas à comunidade gay por ter marginalizado essas pessoas. Nos dias seguintes ao massacre de Orlando, muitos disseram que a Comunidade cristã tem algo a ver com este ódio contra essas pessoas: o que o senhor acha disso?
Papa Francisco: Vou repetir o mesmo que eu disse na primeira viagem e repito também o que diz o Catecismo da Igreja Católica: que não devem ser discriminados, que devem ser respeitados, acompanhados pastoralmente. Se podem condenar, não por razões ideológicas, mas por motivos – digamos – de comportamento político, certas manifestações um pouco muito ofensivas para os outros. Mas essas coisas não têm nada a ver com o problema: se o problema for uma pessoa que tem essa condição, que tem boa vontade e que busca Deus, quem somos nós para julgá-la?
Devemos acompanhar bem, de acordo com o que diz o Catecismo. O Catecismo é claro! Depois, há tradições em alguns países, em algumas culturas que têm uma mentalidade diferente sobre este problema. Eu creio que a Igreja não só deve pedir desculpas – como disse aquele cardeal "marxista" ... [risos] – a essa pessoa que é gay, que ofendeu, mas também deve pedir desculpas aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas no trabalho; deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas.
A Igreja deve pedir desculpas por não ter-se comportado tantas e tantas vezes – e quando digo "Igreja" entendo os cristãos; a Igreja é santa, os pecadores somos nós! – os cristãos devem pedir desculpas por ter acompanhado tantas escolhas, tantas famílias.
Lembro-me quando era criança da cultura de Buenos Aires, a cultura católica fechada: Eu venho de lá... em uma família divorciada não se podia entrar na casa: eu estou falando cerca de 80 anos atrás. A cultura mudou e graças a Deus, como cristãos, devemos pedir tantas desculpas, não só sobre isso: o perdão e não apenas desculpas! “Perdão Senhor”!, é uma palavra que nos esquecemos. Agora eu sou um pastor e faço o sermão... Não, isso é verdade! Muitas vezes o "padre patrão" e não o "padre pai": o padre que bate e não o padre que abraça, perdoa, consola. Mas há muitos, muitos capelães de hospitais, capelães de prisioneiros: tantos santos, hein! Mas esses não são vistos, porque a santidade é "pudorosa" [tem pudor], está escondida.
Em vez disso, é um pouco sem vergonha a falta de pudor: é flagrante e se faz ver. Muitas organizações com pessoas boas e não tão boas: ou pessoas às quais você dá uma "bolsa" um pouco grande e olha para o outro lado, como as potências internacionais com os três genocídios.
Também nós, cristãos – sacerdotes, bispos – fizemos isso: mas nós cristãos temos também uma Teresa de Calcutá e muitas Teresas de Calcutá; temos muitas irmãs na África, muitos leigos, muitos matrimónio santos. O trigo e o joio; o trigo e o joio... não devemos nos escandalizar de sermos assim. Devemos rezar para que o Senhor possa fazer que esse joio acabe e que haja mais trigo. Mas esta é a vida da Igreja. Não se pode colocar um limite. Todos nós somos santos, porque todos nós temos o Espírito Santo dentro, mas somos – todos nós – pecadores. Eu por primeiro. De acordo? Obrigado. Eu não sei se respondi... Não só desculpa, mas perdão!

20 Maneiras simples de espalhar bondade pelo mundo

Não é tudo. Mas é um pouco que pode fazer muito pela vida e pelo mundo à volta de cada um de nós...
1. Agradece
2. Não julgues
3. Cumpre os teus deveres
4. Pára de esperar coisas em troca
5. Trata-te bem também
6. Pensa nos outros
7. Encoraja em vez de criticar
8. Está presente
9. Faz pequenas coisas
10. Encoraja uma visão positiva nas outras pessoas
11. Não divulgues a tua ajuda
12. Trata bem todas as pessoas
13. Lida de forma diferente com as pessoas que te deixam “mal”
14. Sê gentil com os animais e as plantas
15. Faz caridade
16. Reza
17. Lembra-te dos teus progenitores e antepassados
18. Cria o teu local secreto
19. Mantém a tua casa bonita para acolher
20. Faz coisas novas, inesperadas

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A ditadura dos comentários anónimos

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O anonimato por si é algo de muito feio. Os comentários anónimos são uma coisa reles e segundo um excelente trabalho sobre esta temática que o Diário de Notícias de hoje (27-06-2016) apresenta é uma coisa reles e parece que, típica das terras pequenas, das ilhas. As cabeças quando são minúsculos ilhéus, resultam em curto pensamento e coragem é coisa que não abunda nesse pequeno mundo.
O sociólogo Ricardo Fabrício considera o seguinte na reportagem do Francisco José Cardoso: «Se fizéssemos uma análise de conteúdo aos comentários que são feitos nas caixas de notícias ao abrigo do anonimato, veríamos que, seguramente, têm qualquer coisa a ver como uma espécie de mecanismo de catarse». Neste âmbito considero que tantos aproveitam esse tal espaço do comentário, não para ensinar e acrescentar algo ao que a notícia ou opinião reflecte, mas para vomitar veneno sobre terceiros e sobre quem emprestou o seu nome e fotografia para expressar o que pensa. As armas não são iguais e com este estado de coisas não posso de forma nenhuma pactuar. Devemos todos pensar sobre o assunto e não permitir que a sujidade manche o que foi dito com seriedade e responsabilidade, porque resulta normalmente como expressão de muita preocupação, estudo e reflexão séria. Quem escreve regulamente sabe bem o que isso representa. Por isso, não podemos ser carne em canhão de covardes que se escondem na esquina da vida à procura dos outros para os fazer de tiro ao alvo covardemente disparando sobre eles o esterco do seu vazio.
O sociólogo acrescenta ainda o seguinte: «Encontramos, às vezes, posturas, abordagens, comentários que dificilmente as teriam se tivessem lá colocado os seus nomes e se identificado. Esses mecanismos terão também válvulas de escape que nem sempre é bonita de se ver, sobretudo quando comparado com o mesmo género de participação em jornais estrangeiros, os britânicos, que muitas vezes aprende-se mais nos comentários do que na própria notícia». Interessante este pensamento que vem de encontro ao que penso. Um comentário deve acrescentar ou relevar o que foi dito. Ofender, caluniar e destratar não devem ser verbos que se apresente na forma de comentários, ainda mais se são as armas dos inquisidores anónimos que hoje se manifestam por todo o lado.
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O sociólogo embora reconheça que há uma mudança para melhor, alerta que o processo é muito lento e que levará muito tempo para que se atinja um patamar equilibrado quanto à coragem que deve assistir quem se prontifica a opinar ou a dar o seu contributo para uma reflexão mais esclarecida sobre qualquer assunto através dos meios de comunicação social.
Não podia da minha parte deixar de fazer eco aqui no Banquete da Palavra, sobre um assunto que tanto me tem inquietado nos últimos tempos. Aliás, têm sido inúmeras as vezes em que tenho sido vítima da artilharia dos anónimos que campeiam a ilha da Madeira. Esta ditadura dos comentários anónimos requer um combate sem tréguas e devemos todos começar por repudiar tudo o que seja contra a verdade sem rosto e sem nome.

sábado, 25 de junho de 2016

Mergulho

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
As ribeiras no Verão
revelavam pedras quentes
aqui e acolá
que os nossos pés
ousavam saltitar frenéticos
sobre a rocha dura
sem parar.

Às vezes tomávamos banho
nos caldeirões mais refrescantes
que a bravura desmedida
das águas revoltas e abundantes
dos Invernos secretamente rasgavam
com o seu tilintar imparável
no maciço rochoso do meu pensamento.

Naquela hora desafiando as alturas
soltávamos o corpo em voo vertical
para que os amigos divertidos dissessem
- é mais um mergulho.

E riam sempre
porque esses riam de tudo e de nada.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O Brexit de dois cortes

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O referendo inglês foi essencialmente para chamuscar a União Europeia. Está feito e o efeito contágio poderá surgir agora a galope e com ele, consequências terríveis para toda a Europa, que não sabe conviver desagregada. Não esqueçamos as guerras intermináveis que assolaram a Europa desde sempre. O maior período de paz na Europa foram os anos da União Europeia. A Europa desagregada é um campo de batalhas.
Também não devemos descorar que os ingleses nunca engoliram aquele famigerado eixo franco alemão. Tipo dois eternos namoradinhos, privilegiados da casa das tias. É grande o ciúme em todos os países da Europa em relação aos namoradinhos, que se cozinham entre si e para si. Os ingleses, os mais fortes da Europa a seguir à Alemanha, quase sufocavam de orgulho e de ciúme em relação a estes dois. Tudo isto deve ter contribuído e muito para o resultado do referendo. O grande derrotado, o Primeiro Ministro David Cameron, que o diga.
Mas, não esperem os ingleses que a vida entre eles vai decorrer às mil maravilhas. Provavelmente esqueceram que são também um Reino Unido. Agora veremos mais uma vez que quem a ferro mata, a ferro morre. E o que desejam para Europa, pode também vir em velocidade de foguetão para dentro da sua casa. O Brexit inglês é uma faca de dois cortes.
Os patéticos líderes europeus, tipo Merkel e Hollande, mais a cambada de eurocratas, que comanda a União Europeia não perceberam o essencial e vão continuar, espero que me engane, enrolados nas suas malhas burocráticas e fidelíssimos aos conceitos neoliberais que desgraçam os povos e alimentam os poderosos. Não auguro nada de bom para o futuro de todos nós. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Para ser discípulo de Jesus de Nazaré

Comentário para este domingo XIII Tempo Comum. Pode servir a quem vai à missa, mas não só...
Para haver discípulos terá que haver um mestre. Pois bem, do Mestre Jesus falou-se no domingo passado, mediante a pergunta, «Quem dizem que Eu sou?». Neste domingo salta à vista nos textos da Missa a figura do discípulo. Até podemos adiantar: «Quem é o discípulo de Jesus?».
Há uma história japonesa que conta assim, um dos discípulos de Yu estava conversando com um discípulo de Rinzai: - O meu mestre é um homem capaz de fazer milagres, e por causa disso é respeitado por todos os seus alunos. Eu já o vi fazer coisas que estão muito além da nossa capacidade. E o seu mestre? Que grandes milagres, é capaz de realizar? - O maior milagre do meu mestre é não precisar mostrar nenhum prodígio para convencer os seus alunos que é um sábio - foi a resposta.
Jesus é este mestre que convoca os seus discípulos para a missão, sem que lhes garanta fortunas ou qualquer regalia futura. Mas, como seguir este mestre que oferece sofrimento e fidelidade incondicional? - Não sei a resposta, está centrada no interior do coração de cada um, que aí descobre o fascínio por uma pessoa Jesus Cristo, um sábio que não precisa de fazer-nos milagres para se crer Nele e fazer da nossa vida uma alegre missão em Seu nome. Até podemos acrescentar, que faz da nossa vida o maior milagre da de toda a história, basta que saibamos ser mestre na prática do discipulado. A compreensão disto não é óbvia, mas que importa isso face à felicidade de ser discípulo deste Mestre que nos chama a ser livres e pela liberdade fazer tudo para o bem de todos. O ser discípulo de Jesus, é ser voz do reino novo do amor com toda a coragem, sem que nada deste mundo faça voltar atrás. Com Jesus o medo não tem lugar.
Então o discípulo faz-se voz dos sem voz, proclama a justiça contra toda a corrupção e contra a ganância que ainda persiste contra o bem comum. O discípulo sincero e verdadeiro de Jesus de Nazaré, comunga uma causa de salvação e a anuncia com toda a coragem até ao derramamento do seu sangue se assim for necessário. Porque, neste caso o discípulo vive no mundo «no meio de lobos», mas não se importando com isso, vai para frente porque sabe que nada lhe faltará, porque se fez instrumento do milagre da vida em abundância para todos. Nisto consiste o ser discípulo do Mestre de Nazaré que nos convida para a missão concreta da transformação da vida e do mundo. Sejamos então merecedores deste convite que Jesus, o maior Mestre da história nos faz em cada momento da nossa existência.      

É urgente a des-escolarização da catequese

Por aqui estamos a trabalhar seriamente neste sentido. Vários passos já foram dados e pela experiência conseguida, os testemunhos dos adolescentes e jovens têm sido maravilhosos. É urgente caminharmos neste sentido da «des-escolarização» da catequese. Um grande contributo podia ser dado pelos colégios católicos, que não deviam organizar a «catequese» no seu interior, como se fosse mais uma aula a preencher o horário escolar. Deviam remeter para as respetivas paróquias os seus alunos, para que não andássemos para aí a «encher» religião sem ligação e participação nenhuma na vida comunitária e litúrgica. O texto seguinte é bem elucidativo de que não se fazem bons cristãos com aulas e mais aulas de catequese, mas com experiências concretas que levem a um encontro com Jesus Cristo. É este o caminho e não há outro.
Destaco seguinte passagem do texto de Solange Maria que veio no site da Paulus Editora a 06/06/2016, com este título  bem sugestivo: «Des-escolarização da catequese». Quem desejar ler o texto todo pode abrir AQUI:
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«Precisam de silêncio, meditação, símbolos, caminhos orantes que os ajudem a sair da simples recitação das orações dos cristãos, aquelas decoradas e prontas na ponta da língua, mas quase sempre longe do coração. Os catequistas – que deverão celebrar e cantar com os catequizandos – precisam de espaço para celebrar a vida e cantar alegremente, experimentando eles mesmos a força do símbolo, o poder da linguagem simbólica. Os catequistas – que deverão brincar com os catequizandos – precisam eles mesmos de desenvoltura e leveza para cultivar o belo e o lúdico, arrancando da religião cristã aquele ar pesado e sisudo que lhe foi imposto ao longo dos anos.
Certamente, cantar, brincar, rezar e celebrar não dispersa o ato de estudar e investigar, buscando as razões da fé. Mas que as razões da fé sejam buscadas de modo mistagógico, depois de ter experimentado a maravilha de estar na presença do Deus vivo! E, para isso, brincar, cantar, celebrar, rezar, ouvir a Palavra são atitudes fundamentais!»

terça-feira, 21 de junho de 2016

As vítimas do sectarismo

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O dicionário, «o farta burros», como alguém uma vez me disse e eu achei imensa graça, diz que o sectarismo é «Intolerância; comportamento de quem é intolerante, sectário; estado de quem expressa intransigência: o sectarismo de algumas doutrinas religiosas. Próprio de uma seita, religião e doutrina; estado ou atributo do que é sectário». Porém, dentro deste tema, há outro que merece ser tratado com bastante acutilância, o sectarismo quando resvala para o radicalismo ou fundamentalismo, quer de cariz religioso quer de cariz político. É deste sectarismo radical que resulta toda a insegurança, terrorismo, o medo, o ódio e, essencialmente, vítimas inocentes...
Em todos os domínios quando impera esta forma de vida, mal sabem que os que a praticam fazem vítimas de ambos os lados. São vítimas, os que estão no lado que suscita a intolerância e são ainda mais vítimas os autores desse tal sectarismo. Por isso, não vou perder tempo a escrever sobre as características de quem é vítima do sectarismo, porque não são muitas. É suficiente o seguinte.
Pouco ou nada deve importar que não toleram a nossa maneira de ser, o nosso pensamento, a nossa coragem em assumir o que se diz emprestando o nome verdadeiro e a fotografia… Não ligar ou não se importar mesmo nada com o sectarismo que provocamos, só porque somos o que somos na medida daquilo que podemos, deve ser a atitude para todos os dias. Neste âmbito, podemos dizer que só é vítima quem quer.
Mas as piores vítimas estão precisamente do lado de quem pratica o sectarismo, só porque sim. Porque entende sem conhecer o todo, que pode simplesmente erradicar intolerantemente esses que alinhou no seu consciente que não prestam, não servem para nada ou simplesmente tudo o que são e dizem é sempre do pior. Nada se aproveita deles.
Estão reunidas todas as condições para que o sectarismo faça as piores vítimas precisamente em quem o pratica. Vítimas do seu próprio veneno, vítimas das suas ações fechadas sobre um pensamento único, vítimas da tristeza de pensarem que a sabedoria só está naquele grupo ou naquelas pessoas que hoje consideram eleitas, vítimas de uma rede pequena de relações de amizade ou de amor, vítimas de uma visão curta sobre o mundo, as pessoas e a vida toda, vítimas de um egoísmo que as conduzirá à depressão e ao sofrimento quando se desiludirem amanhã com aqueles que fecharam dentro do círculo, vítimas de um ego pequeno mas que consideram ser do tamanho do universo, vítimas de um inferno que alimentam dentro de si mesmos… Tudo isto e muito mais, o que a sectarismo provoca a quem o pratica. Basta estar atento.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

É pecado ser cremado?

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É uma pergunta que tem andado de boca em boca de alguns cristãos católicos. Tenho sido frequentemente confrontado com esta pergunta e com mais outras duas, a Igreja Católica aceita a cremação? E que diz a Igreja sobre a cremação? Para a primeira pergunta convém que se diga logo, não é pecado a cremação ou incineração dos corpos.
Mas, por que carga de água seria pecado? – Não teria lógica nenhuma se fosse… É próprio da humanidade, que depois de ser confrontada com a morte dos outros, os vivos empreendam um destino que dê fim aos cadáveres. Obviamente, que esse destino deve ser com dignidade, honestidade e respeito. Para essa prática ensina a Igreja Católica desde sempre que é uma obra de misericórdia e há textos bíblicos que falam desta prática. Assim, se a cremação é um destino que põe fim a um corpo físico já morto, que tenha manifestado vontade em vida para que lhe dessem aquele destino e os familiares mais próximos agora não se opõem a tal, deve ser realizada a cremação.
Para as outras perguntas relacionadas com a Igreja, bastaria que se dissesse que o ritual das exéquias prevê leituras e orações para a realização da cerimónia da cremação. Só por aqui se prova que a Igreja Católica hoje não se opõe a esta prática, pelo contrário, já a prevê nos livros exequiais.
Houve um tempo em que a Igreja Católica proibia a cremação dos corpos. Daí andarem estas perguntas a inquietar algumas pessoas. Esta proibição aconteceu logo após a Revolução Francesa quando as pessoas, que se confessavam descrentes da vida eterna e da ressurreição dos mortos, cremavam os cadáveres para «atestar» que não haveria maneira de Deus ressuscitar ninguém. Uma ideia descabida.
Contudo com o passar dos tempos o clima anti religioso amainou, a cremação deixou de ser uma forma de protesto, por isso, cessou a proibição. O Papa Paulo VI, em 1963, publicou a Instrução «Piam et constantem», sobre o assunto. Neste documento ficou dito entre uma série de coisas sobre o destino final dos corpos: «Não se trata, pois, de algo intrinsecamente mau ou contrário em si à religião cristã; foi o que a Igreja sempre pensou, pois de fato, em certas circunstâncias - estando seguro que a cremação dos corpos é feita com a intenção honesta e por motivos sérios, especialmente de ordem pública - ela não se opôs, como não se opõe, à incineração».
Imagem Tribuna da Madeira
Quanto à legislação, ela também existe na Igreja Católica no Código de Direito Canónico, está no cânon 1176, que diz:
Cân. 1176 § 1. Devem-se conceder exéquias eclesiásticas aos fiéis defuntos, de acordo com o direito.
§ 2. As exéquias eclesiásticas, com as quais a Igreja suplica para os defuntos o auxílio espiritual, honra seus corpos e, ao mesmo tempo, dá aos vivos o consolo da esperança, sejam celebradas de acordo com as leis litúrgicas.
§ 3. A igreja recomenda insistentemente que se conserve o costume de sepultar os corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido escolhida por motivos contrários à doutrina cristã.
Posto isto, descansemos a alma e o espírito. Sem fugir às leis em vigor e a tradição cultural do lugar onde se vive, basta que qualquer destino final do nosso corpo após a morte seja digno e que se realize esse momento derradeiro com honestidade e respeito. É isso que exigem os defuntos e os vivos. Porém, pensemos sempre mais na vida e muito menos na morte. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Um nada que se expande no bem e no mal

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Somos nada
que se vangloria
do poder todo do mundo

É miséria incontida
que mata toda a espécie
de bichos que resistem
à língua e aos dentes
cerrados depois de mastigarem
a carne rompida pela bala
e cerce pela faca do sangue
do corpo inerte e frágil
sobre o caixão do universo
de um coração morto sobre as tábuas
da minha perplexidade

Se fôssemos sérios
humanados à saciedade
ninguém morria por ódio
e todos pela palma da mão
liam a paixão do amor
contando os dedos todos
no olhar paciente
pela amizade inteira
sem mentiras
e sem fingimento
José Luís Rodrigues 

O fim de algumas congregações religiosas

Desde 2015 para cá encerraram em Espanha 341 casas religiosas, em média fecham uma por dia. Destas 341 casas fechadas 270 são conventos de religiosas (freiras), 71 são de sacerdotes ou frades.
Quando tomei conta pela primeira vez desta sangria, pensei que pudessem estar incluídos, grupos e movimentos religiosos. Mas não, trata-se de casas de congregações religiosas, algumas delas centenárias. Fecham por causa da escassez de vocações e por causa da elevada idade dos consagrados.
É preciso não esquecer que muitas das congregações religiosas desvirtuaram o seu espírito inicial e não podiam continuar com os mesmos métodos de há 200 ou 300 anos. A humanidade muda, algumas coisas da Igreja Católica, às vezes não percebe isso.
É este o presente e futuro da Igreja Católica na Europa. Nada de dramas, considero. Para já são as congregações religiosas e outras realidades religiosas se seguirão. A população tradicionalmente católica envelhece e não parece haver predisposição para a regeneração. Por isso, o que se espera senão que muitas dinâmicas religiosas sem vocações, envelhecidas e sem gente à suas volta, não venham a ter o seu fim anunciado?
A vida deste mundo é assim. Nada é eterno. Obviamente, que devemos olhar este fim como um desafio e se tantas coisas deixam de serem úteis para as populações, porque carga de água as casas religiosas, realidades também deste mundo, que se mormente se enclausuraram no passado, para não dizer pararam no passado, iriam subsistir eternamente?
As casas religiosas acabam e outras coisas se seguirão, porque a vida do mundo não está parada, a humanidade não é estática e outras coisas aparecerão para dar resposta à inquietação religiosa das populações. Não é dramático que assim seja, mesmo que à partida nos levante algum espanto.
O desejo de salvação de Deus continua bem vivo e de pé, a criatividade do Espírito Santo providenciará seguramente, outras formas que conduzam as pessoas ao encontro com o bem, com a verdade plena, com a salvação, com ajustiça e com a paz. Os valores eternos não morrem e o coração humano não acaba e muito menos fechará as suas portas.

A cegueira do ódio

É o ódio não tem medida. É um veneno corrosivo. É o motor da violência e da morte. Por isso, excelentemente escreveu o marido de Jo Cox, a deputada assassinada friamente ao sair da biblioteca de Birstal, em Leeds:
«Perdemos uma mulher maravilhosa, perdemos uma deputada maravilhosa, mas a nossa democracia continuará. O seu trabalho perdurará. Enquanto estamos de luto, trabalharemos em nome da sua memória para chegarmos ao mundo melhor para o qual ela passou a vida a trabalhar».
Jo Cox estava a menos de uma semana de fazer 42 anos. Tinha dois filhos, ambos do seu marido, Brendan, que, em nome dela, pediu que o mundo não cedesse ao ódio. Acrescentando o seguinte: «Ela quereria duas coisas acima de tudo. A primeira, que os nossos preciosos filhos sejam banhados em amor. E, em segundo lugar, que nos unamos na luta contra o ódio que a matou. O ódio não tem credo, raça ou religião. É venenoso». Deve ser este o trabalho de todos nós, porque o ódio está por todo o lado. É o mal maior do mundo. Lutemos contra ele.
E não esqueçamos: «Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra» (William Shakespeare).

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A pergunta: Quem é Jesus?

Comentário à missa deste fim de semana. Pode servir aos que vão habitualmente, mas não só...
Jesus, é um mistério, com mais de 2000 anos na história do nosso mundo. Diante deste nome continuam vivas as perplexidades, os enigmas, os silêncios, os debates, os pensamentos e muitas, muitas palavras sem fim.
Já dissemos que a pessoa de Jesus, se reveste de uma imensidão que escapa a todo o simplismo da vida e de todas as vidas. Não se confina aos dogmatismos, às teorias, aos comodismos e aos fundamentalismos, que as várias confissões religiosas geram, mediante a necessidade de configurarem um nome só, um modelo único e uma verdade absoluta acerca de Jesus. Melhor ainda estarmos certos que a nossa inteligência fica sempre aquém de tudo o que a Pessoa de Jesus representa. 
Porém, como que num consolo para já, é o Jesus da Ressurreição, da vida infinita e plena, que negará e evitará o perigo do sectarismo, que explora exaustivamente as emoções humanas. Também é o Jesus da Ressurreição que evita o perigo da falta de sentido para a vida humana, porque responde de forma plena às inquietações do coração humano e surge como possibilidade de salvação para todos os crentes.
Se não fosse Jesus, tudo na nossa sociedade seria mais escuro e a multidão dos desesperados seria incontável. Estas tentativas para banir Jesus do coração da humanidade, reduz-se a pura teimosia e a uma cegueira soberba que mais não é senão vontade de protagonismo, fundamentalismo agnóstico e irresponsabilidade total face aos valores que nos guiaram durante séculos. É errado considerarmos que todas as conquistas da humanidade se deram por causa do acreditar em Jesus, como é errado considerar que tudo o que se conquistou foi contra a matriz cristã do Ocidente ou até contra a fé em Jesus.
Importa descobrir caminhos novos que conduzam à vida para todos. E na memória da Terra Prometida – a Igreja comunidade da experiência da fé – somos chamados à procura da felicidade que se encontra no Cristo vivo da História e da Ressurreição.
Melhor será sempre aceitar que à pergunta: «Quem é Jesus?», nada nem ninguém, pode gabar-se de possuir uma resposta segura e absoluta, porque melhor será que cada um saboreie a resposta no caminho do encontro pessoal com Ele, para que daí possa viver e partilhar com obras tudo o que a «grandeza» de Jesus lhe oferece.

terça-feira, 14 de junho de 2016

O jogo das escolhas da existência

O mundo que nos rodeia está cheio de coisas boas. Umas que nós escolhemos com prazer outras escolhem-nos, mas ambas, as escolhidas por nós e as outras que nos escolheram, formam a existência. Uma existência que deve ser sentida ao máximo. Quem sabe se nesse jogo sentido da existência tenha razão, Jean-Paul Sartre, que em «O Ser e o Nada» diz que «para a realidade humana, ser é escolher-se»... 
É o que raramente fazemos. A maior porção de tempo é dedicada a escolher o que está fora. Pouco ou nenhum tempo gastamos com a escolha de nós mesmos. Ninguém imagina o quanto perde por não começar por si mesmo as suas escolhas.
Há escolhas dramáticas quando se referem a pessoas, mais ainda quando se referem a coisas. Elas resultam sempre num tremendo pesadelo se foram feitas pelo que ostentavam na rama e nunca pelo que de riqueza interior manifestavam. 
Somos por demais solícitos a escolher o que está fora como se fosse o mais importante da vida. Quando assim acontece estamos perante um vento que passa, uma volatilidade incontrolável, porque essa é a regra absoluta da vida. Daí que a revolta seja tão grande tantas vezes, porque nos frustramos sempre, pois não conseguimos agarrar o que escolhemos, porque o que escolhemos não nos pertence. Esse drama é um dos maiores males do mundo, deste mundo dos humanos.
Neste âmbito o mais importante não é o que escolhemos, mas aquilo que nos escolhe, porque essa escolha está sempre desprovida de regras egocêntricas ou feitas à pequena maneira de pensar e de ser de cada um. É mais feliz quem for capaz de se deixar escolher e acolher tudo o que se impõe escolhido como uma dádiva. Isso que nos escolhe traz sempre uma elevada dose de amor que se valorizamos conduz à riqueza da alegria. Obviamente, que falamos do bem e não do mal, embora não se possa fugir dele.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Maria Madalena a Apóstola dos apóstolos

Mais um processo aberto pelo Papa Francisco para acompanharmos com atenção...
Tela de Alexander Andrejewitsch Iwanow
A Aparição de Cristo para Maria Madalena (imagem Google)
O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, emitiu um decreto no qual, seguindo a vontade do Papa Francisco, estabelece que a memória litúrgica de Santa Maria Madalena, celebrada a 22 de julho, se eleve à categoria de festa.
Na Missa e no ofício divino que se celebrarão a partir de agora neste dia, serão utilizados os textos habituais do Missal Romano e a Liturgia das Horas, mas a celebração da Missa contará com um prefácio próprio intitulado «apostolorum apostola» (Apóstola dos apóstolos).
A decisão de elevar a festa a celebração de Santa Maria Madalena servirá para refletir de maneira «mais profunda sobre a dignidade da mulher, sobre a nova evangelização e sobre a grandeza do mistério da misericórdia divina», explica Dom Artur Roche, Secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Muitos apertam os dentes e fazem-nos ranger de raiva. Mas muitos outros na Igreja exultam de alegria com mais este passo de gigante.
O título por si «Apóstola dos Apóstolos» é já bem revelador da grande viragem e para quem preferir «revolução». Eis uma mulher que a partir de agora passa a ser Apostola entre o grupo dos Apóstolos. Coisa impensável numa instituição milenar, onde em quase todos os séculos que preenchem estes dois milénios, predominou a vertente masculina da humanidade. O Frei Bento Domingues definiu-a assim: «a Igreja Católica prega o serviço para as mulheres, mas o poder, alto e pára o baile, está reservado aos homens».
Muito se escreveu, pintou e filmou acerca desta figura. Um manancial bom e mau. Foram muitos os que tiveram contato com as mais diversas notícias sobre Maria Madalena. Não raras vezes se ouvia falar da esposa de Jesus, a mãe de um ou mais filhos de ambos, a prostituta do Evangelho… Entre tantas outras coisas. Trago aqui à liça de exemplo, o filme de Martin Scorsese, «A última tentação de Cristo» e o «Código Da Vinci», que impressionaram em termos de vendas. Ambos baseados no presumível segredo do casamento entre ela e Jesus.
(Imagem google)
Mas agora importa salientar que após a longa e difícil caminhada veio ao de cima a verdade, uma profunda verdade escondida por muitos se fazerem de cegos e surdos. É a verdade de que para Jesus as mulheres são iguais aos homens sem diferença alguma, têm o mesmo valor e as mesmas capacidades. E foi tanto o tempo para libertar as escamas da cegueira e limpar a surdez que conduziu à não admissão de que Maria Madalena é uma apostola, a primeira a quem Jesus Ressuscitado apareceu em primeiro lugar, precedendo os outros apóstolos. É, neste magnífico título, a Apóstola dos Apóstolos.
Assim, fica restabelecido o papel preponderante de Maria Madalena em todo o processo de Jesus e com este gesto o Papa Francisco desbrava outro caminho, que pode ser também ainda muito longo, mas finalmente fica aberta essa via para o reconhecimento do papel das mulheres na Igreja Católica. Um obrigado ao Papa Francisco que compreendeu a urgência desta necessidade e que desta forma acende uma luz que ninguém mais conseguirá a apagar.

domingo, 12 de junho de 2016

Lourenço Salvador

É este o nome para a criança «milagre» da ciência, que no meu singelo pensar, prefiro crer se tratar de um milagre do amor, que quando se faz presente faz quebrar até as cadeias da morte, e a vida rebenta pujante cheia de frutos.
O Lourenço é a criança que uma mãe, Sandra Pedro de 37 anos ligada às máquinas com morte cerebral, guardou no ventre durante 4 meses, para que com a ajuda da ciência, a dedicação de uma equipa médica e de enfermagem excelentes no Hospital de São José em Lisboa, no tempo necessário pudesse ver a luz. Assim foi, nasceu o Lourenço, o nome que a mãe desejava e que logo depois o pai acrescentou o nome Salvador. Lourenço Salvador, será o seu nome.
Vamos então rebuscar alguns ingredientes para rechear este banquete sobre o nome do Lourenço Salvador.
O nome Lourenço faz lembrar um santo diácono do século III da era cristã ao tempo do Papa Sisto II. Ambos foram executados por ordem do imperador romana Valeriano. Ambos serão martirizados no contexto da perseguição contra os cristãos, movida por Valeriano, por volta do ano 258. O Papa foi decapitado e Lourenço foi grelhado.
Segundo as tradições, quando o Papa São Sisto se dirigia ao local da execução, São Lourenço ia junto dele e chorava. «aonde vai sem o seu diácono, meu pai?», perguntava-lhe. O Pontífice respondeu: «Não pense que te abandono, meu filho, pois dentro de três dias me seguirás».
Após a execução do Papa, o imperador obrigou a Igreja a entregar as riquezas no prazo de 3 dias. Passados três dias, São Lourenço levou as pessoas que foram auxiliadas pela Igreja e muitos cristãos foram levados adiante do imperador. Depois, exclamou a seguinte frase que lhe valeu a morte: «Estes são o património (riquezas) da Igreja». O imperador, furioso e indignado, mandou prendê-lo e ser queimado vivo sobre um braseiro incandescente, por cima de uma grelha. A tradição católica diz que o santo conservou o seu bom humor mesmo até quanto era executado, dizendo aos que o queimavam: «podem-me virar agora, pois este lado já está bem assado». Desejo que o Lourenço do ano 2016 seja assim um valente homem.
Vamos uma palavra sobre o nome Salvador. Quando me toma de assombro a notícia do extraordinário do nascimento do Lourenço, amouxei o entusiasmo quando vejo a circular a notícia que a criança ficaria aos cuidados dos avós, porque o pai a recusava por não reunir as condições necessárias para a tratar convenientemente. Porém, passado pouco tempo a notícia veio em sentido contrário, o pai aceita a criança e diz até «que foi a melhor coisa que lhe aconteceu e qua deseja acrescer ao nome de Lourenço mais outro nome tão significativo, Salvador. Não preciso dizer-vos que me emocionei e que fiquei radiante. O «milagre» do amor agora está completo.
Salvador é o nome maior da nossa tradição cristã. É o nome de Jesus Cristo. É Ele o Salvador. É do Salvador que se aprende que o único milagre que existe é o da vida, que se recebe o condimento do amor em todas as circunstâncias, ela desabrocha solene e feliz.
Por isso, no Lourenço Salvador, vemos em toda a sua plenitude a razão de ser da frase essencial do Salvador: «se o grão de trigo lançado à terra não morrer, ficará só. Mas se morrer, dará muito fruto» (Jo 12,24).
Agora deve ser permitido crer que o grão de trigo neste caso chama-se Sandra Pedro, a mãe que a vida neste mundo não permitiu existir além do necessário, mas que será sempre mãe de outra forma e noutra dimensão. O fruto novo desse grão que morreu, tomou o nome de Lourenço Salvador, que seja um valoroso homem e que a sua vida seja duplamente fértil para que salve muitos por onde passar. Bastará que a este menino não lhe faltem braços que o aconcheguem para o tratar com todo o cuidado, amor e carinho. São estes os raios do milagre da vida.

sábado, 11 de junho de 2016

A fé

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Sou eu também inerte
perante o silêncio de Deus
tantas vezes fiel outras não.
Mas seguimos tateando
juntos pelo caminho da fé
onde permito desbravar
os segredos dolorosos
da minha aridez interior,
que algumas vezes
me desviou do trilho do amor.
Porém, no fim estávamos nós
abraçados na sustentável
leveza de um sorriso.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Uma Frase que não pertence ao Papa Francisco circula na internet

A frase, ou seja, a omelete de frases atribuídas erroneamente ao Papa Francisco, é esta:
«Não é necessário acreditar em Deus para ser uma boa pessoa. De certa forma, a ideia tradicional de Deus não é actualizada. Uma pessoa pode ser espiritual, mas não religioso. Não há necessidade de ir a igreja e dar dinheiro. Para muitos, a natureza pode ser uma igreja. Algumas das melhores pessoas da história não acreditava em Deus, enquanto muitos dos piores actos foram feitos em seu nome». 
É um conjunto de frases que se apresenta inteiramente desconexo e por sinal também dizem o contrário daquilo que o autor desta omelete pretendeu afirmar. Como conjunto não tem sentido nenhum, porque são frases que não se ligam entre si e não fazem parte de ninguém parágrafo de nenhum discurso, pregação ou catequese do Papa Francisco. Foi escrita por alguém que se serviu de algumas comunicações do Papa para elaborar a frase da forma com se apresenta.
Quando a encontrei, sem que lhe tenha dado muita atenção, partilhei-a no facebook, embora ainda tenha ficado parado um pouco a pensar que não podia concordar com tudo o que ali estava, mas algumas frases faziam sentido e que só por isso devia partilhar, para suscitar a reflexão e o debate. Porém, um comentário nesta mesma publicação fez soar a campainha na minha cabeça. Dizia mais ou menos isto: «Gostava de ler o texto na íntegra onde está esta frase». De facto não existe texto nenhum, a frase circula solta, sem contexto e erroneamente atribuída ao Papa Francisco. Por isso, lá fui investigar um pouco e descobri vários textos que desmontam a frase e colocam as coisas no seu devido lugar. Baseando-me num texto em particular de Raúl Llusá, num blogue que se chama «Analítica hoy», procuro escalpelizar aqui no banquete um merecido esclarecimento acerca deste conjunto de frases.
Vamos então a frase por frase:

«Não é necessário acreditar em Deus para ser uma boa pessoa»
Esta frase não existe em nenhum lado. A única coisa mais parecida com isto está num parágrafo da carta que Francisco escreveu a Eugenio Scalfari, fundador e diretor do jornal italiano La Repubblica, um intelectual de esquerda e ateu, um descrente com quem o papa estabeleceu um diálogo honesto e rico, que poderia enfim permitir esta conclusão, embora o Papa vá muito mais longe. O Papa diz a Scalfari: «Antes de mais nada, pergunta-me se o Deus dos cristãos perdoa a quem não acredita nem procura acreditar. Admitido como dado fundamental que a misericórdia de Deus não tem limites quando alguém se Lhe dirige com coração sincero e contrito, para quem não crê em Deus a questão está em obedecer à própria consciência: acontece o pecado, mesmo para aqueles que não têm fé, quando se vai contra a consciência. De facto, ouvir e obedecer a esta significa decidir-se diante do que é percebido como bem ou como mal; e é sobre esta decisão que se joga a bondade ou a maldade das nossas acções».

A frase «Não é necessário acreditar em Deus para ser uma boa pessoa» é uma frase que reflete uma realidade, já implicitamente reconhecida pelo Concílio Vaticano II, no n.º 16 da Constituição Apostólica Lumen Gentium, que diz a respeito dos incrédulos: «Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna. Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida recta».
Acreditar em Deus não é necessário, certamente, para ser uma boa pessoa, porque a experiência nos mostra diariamente que existem bons e maus crentes como existem bons e maus descrentes. A fé só por si não faz uma boa pessoa, se não for aperfeiçoada pela prática do amor. A fé isolada pode ser (e na verdade muitas vezes é) uma maneira individualista da salvação, sem qualquer réstia de conexão com os outros.
Face à frase papal parece que é um convite para não acreditar em Deus ou parece que o Papa torna redutor a importância de acreditar em Deus, o que entra claramente em confronto com a catequese permanente do Papa.

«De certa forma, a ideia tradicional de Deus não é actualizada»
Antes é preciso termos como luz à partida esta ideia do Evangelho: «Ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aqueles a quem o Filho o quiser revelar» (Mateus 11:27).
Deus é o mistério, o inominável. «Uma janela sempre aberta», se quisermos utilizar uma expressão muito feliz de Tomás Halik. Mas várias vezes Jesus foi mostrando com a sua prática de que «Deus é amor», que se expressa pleno de misericórdia em cada contexto e em cada pessoa. Segundo esta frase parece que o Papa renega toda a tradição da Igreja que considerou Deus imutável, inominável e absoluto. Precisamente, a partir daí os seus gestos, e a sua catequese vão demonstrando que Deus é tudo isso, mas que o Seu Mistério de amor está presente na vida concreta e convoca-nos a todos para a prática do amor que recebe contornos e nuances sempre novos e próprias de cada tempo histórico da humanidade.


«Uma pessoa pode ser espiritual, mas não religioso»
Há muita religião que não tem nada de espiritual e muita espiritualidade sem nada de religião. Basta ver o que surge por este mundo fora. Os grupos travestidos de religiosos ou de espiritualidade são como cogumelos. Todos com bons propósitos, mas com uma prática completamente desvirtuada e que se regem por fins que nada são benéficos para o bem comum. Muita religião é pura manipulação de consciências e meios satânicos de extorsão da dignidade das pessoas e do seu dinheiro.
Porém, esta afirmação descreve uma realidade muito comum nos nossos dias. Há pessoas muito ricas espiritualmente, mas que dizem não acredito num Deus transcendente, na vida eterna e muito menos em qualquer religião em particular.  
Mas, acredito que o Papa ensina continuamente a bondade da religião, se assim não fosse, não seria campeão no diálogo inter religioso… Quer dizer então que o autor deste composto de frases se aproveitou da autoridade do Papa para fundamentar a sua forma de viver, o seu pensar e o seu não acreditar. Das catequeses do Papa Francisco descobrimos que ama todos, crentes ou não, religiosos ou não. O seu ensinamento é claro, Cristo, o Deus-homem, é um exemplo do homem religioso, e a Igreja convida todos os homens a imitar e a seguir a Cristo.

«Não há necessidade de ir a igreja e dar dinheiro»
Esta é a que discordei logo na primeira vez que li a omelete. Dá a ideia de que não é preciso ir à Igreja (templo) e dar dinheiro para ser boa gente. É preciso ter em conta que as atitudes falam mais alto e vão mais longe do que os considerandos ou as razões. Por isso, «a fé sem obras é morta» (Tg 2, 26), já ensina a Epístola de São Tiago. O que se dá com amor é mais forte do que qualquer discurso. Dar aos pobres, ajudar quem precisa tem muita força e se emane da força do acreditar mais ainda dá consistência à fé que se professa, engrandece a religião e a Igreja onde se está inseridos.
Por isso, esta frase serve para justificar a demissão face ao bem comum e face aos mais necessitados. Por isso, a catequese papal é precisamente ao contrário: a caridade, a partilha é a base do ensino papal, e é também um ensinamento de Cristo e da Igreja. Obviamente, que está errado se vamos à Igreja deitar esmolas para «comprar» a salvação ou um cantinho do céu. Neste sentido a frase está perfeitamente correcta.
O dinheiro dado à Igreja, particularmente, o que é depositado nas paróquias, serve para várias coisas que ficam sempre à vista de todos: as obras de caridade comunitárias, a manutenção paroquial do templo (água, luz, restauro de portas, paredes e as obras de arte e tudo o que é necessário para que uma Igreja paroquial funcionar para o bem espiritual daqueles que ela se achegam para viver a sua vida espiritual), não se esqueça que as igrejas também pagam impostos, senão for directos paga o indirecto como qualquer entidade e cidadão, e as paróquias se têm serviços, implicam despesas, daí que tais serviços impliquem movimentação de bens materiais, particularmente, o dinheiro.

«Para muitos, a natureza pode ser uma igreja»
Não parece ser uma frase assim dita com esta clareza pelo Papa Francisco. Mas a frase manifesta uma realidade para todos nós e que podemos encontrar na mensagem do Papa Francisco. A natureza reflete, em muitos casos, o esplendor e majestade de Deus e o seu amor pelas suas criaturas. Podemos facilmente fazer oração no ambiente natural. Mas é sempre perigoso endeusar qualquer realidade. Têm sido insistentes os apelos do Papa Francisco em relação aos atentados contra a natureza, que precisa de cuidados urgentes, para que seja travada a sua exploração desmedida. Nada disto nos deve fazer considerar que o Papa defende que a natureza se torne uma igreja ou uma religião ou um deus. É importante que se faça nossa preocupação do Papa para que salvemos aquele ambiente, «a nossa casa comum», onde vivemos todos, para deixarmos às gerações vindouras um ambiente respirável e equilibrado para que a vida seja possível ser vivida com dignidade e felicidade.

«Algumas das melhores pessoas da história não acreditava em Deus, enquanto muitos dos piores atos foram feitos em seu nome»
É verdade. Mas também é verdade que, em nome do ateísmo e do desprezo da religião vieram os piores genocídios como o Holocausto nazi contra o povo judeu, com 6 milhões de mortes; os massacres estalinistas de camponeses (10 milhões de mortos), os genocídios do Khmer Vermelho no Camboja de Pol Pot e todo os outros, que a história da humanidade tem sido pródiga em fazer surgir, infelizmente, com crenças ou sem elas.
O mais certo sim é constatarmos, que muitos dos actos monstruosos cometidos «em nome de Deus» foram realmente cometidos por outros interesses, más crenças escondem o nome e o verdadeiro conteúdo de Deus para cometer atrocidades. Esta é que a verdade, que é preciso ter em conta.
Mas, sim é verdade que muitas das melhores pessoas da história não se diziam crentes, mas muitos outros igualmente excelentes pessoas foram crentes convictos.
Por fim, porque surge esta omelete de frases? – Porque pretende minimizar, sob a autoridade do Papa, que não é necessária nenhuma religião, nada de fé, muito menos templos e menos ainda cultos.
Mas, toda a humanidade tem o direito de acreditar ou não. Não existe é o direito de alguém atribuir a alguém ditos, fazeres ou coisas sem ter dito, feito ou reclamado propriedade sobre tais coisas. A distorção não é legítima e se levada à prática com segundas intenções é profundamente injusta, ainda mais se reparamos que a prática quotidiana da entidade que está a ser vítima nada tem que ver com a realidade distorcida.
Peço perdão por ter feito ecoar ainda mais longe este composto de frases e agradeço a quem me fez suscitar uma procura e reflexão mais aturadas sobre o assunto.