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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Corpo e alma reencontrados

O Blogue Banquete da Palavra fecha aqui por alguns dias para férias. Fiquem bem e se for o caso tenham umas férias felizes. Se voltam ao trabalho ou se continuam nele, fiquem bem e acolham sempre toda a actividade com amor e façam tudo pelo amor, porque «sem o amor o homem é apenas um cadáver em férias» (Erich Remarque).  
Chegou o momento em que se para no meio caminho
serve para sentir intensivamente a brisa que passa
refrescar o pensamento folha a folha
e deter-me sossegado sem pressas
em cada ideia conjugada na história da amizade.
Não sei nem quero saber de mais nada
das quezílias quotidianas antigas e presentes.
Só olho para a paisagem presente neste olhar
e de que serviria olhar para outro la do
se basta a hora e o momento retemperado
na meia encosta do sonho e na margem do mar.
Saboreemos esta dádiva que se chama férias
a paragem que os ritmos mudam e retemperam
o corpo abatido da correria temporal do ano
mais ainda o espírito misterioso que nos move.
Então tiro férias de mim que me fatigo
férias das dúvidas que me derrubam
da atenção crítica que me dá gozo
das ilusões que me fazem sorrir e enlouquecer
com os pés assentes na terra pois isso é breve.
E tudo isto sem fixação é apenas um pouco
na imensidão do universo e da existência
pois sendo tantas vezes ao ano repetidamente
também me custa e cansa.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O cartoon de uma santa e de um pecador

O cartoon é de José Alves, com o Presidente do Governo Miguel Albuquerque, crucificado, sendo ele o pecador imolado no alto da cruz após o calvário infernal do incêndio da semana passada. A secretária Regional da Inclusão, Rubina Leal, replica Santa Teresa do Menino Jesus segurando a cruz com o «pecador» crucificado. Justifica o Funchal Notícias que «por essa performance, e com a devida vénia ao Cristianismo, fazemos aqui esta alusão: o pecador é o crucificado Albuquerque e o “santo” é a santa Leal». Por fim, convida os seus leitores a tiraram as suas ilações fazendo referência a Fernando Pessoa: «Sentir? Sinta quem lê!».
Nos tempos de crise precisamos de humor e sentido crítico apurado. Mas convém não sair muito do razoável, se tivermos em conta que há crises que requerem urgentemente uma união de todos os cidadãos, de todas as entidades e instituições. Até porque há muita cinza no chão e cheiro a queimado por todo lado.
Não me choca o cartoon e fez-me rir porque achei graça. Mas, depois de pensar um pouco em Santa Teresa do Menino Jesus, na grandeza da sua pessoa e da densidade da sua mensagem, pareceu-me, que se excedia um pouco e que há críticas que não ajudam muito ou nada na união que muitos cidadãos responsáveis insistentemente têm apelado.
Mas, adiante e que nada nos perturbe o coração e a alma, para fazermos o que deve ser feito em prol do bem comum e da salvação da nossa casa comum, que entre nós se chama Madeira.
Aliás da pagela de onde se inspirou o cartoon, que reproduzimos aqui, há uma grande figura que nos convida a seguir determinados. Foi o que nos mandou o dizer de outra Santa Teresa, a de Ávila: «Nada te turbe, / .../ Sólo Dios basta». Para nós hoje, podemos ler à luz deste ditame, que nos desinibe e nos responsabiliza, de que «O proveito da alma não está em pensar muito, mas sim em amar muito». De resto, «a humildade é o cimento de todo este edifício». Assim, vamos sempre seguros que todos os bens da natureza são a outra parte da humanidade e, porque assim é, requer a união de todos à volta desta causa com todo o respeito uns pelos outros.

A nossa casa comum chama-se Madeira

A Madeira, a nossa Madeira, «a nossa Casa Comum», como belissimamente tem dito o professor João Batista, que a meu ver é uma das pessoas que se pode escutar com atenção em matéria de assuntos relacionados com as calamidades que têm assolado a nossa terra. Sabe do que fala, diz com paixão tudo o que sabe sobre a Madeira e aponta preocupado a urgência de mudança de comportamentos em relação à forma como lidamos com a natureza, a paisagem e o território que é a «nossa casa comum» (a Madeira). Caso não se faça essa urgente mudança de comportamentos «estamos na Madeira a prazo».
Face a isto e a tudo o que se tem passado nos últimos dias, onde vemos tanta falta de humildade, tanta desunião e alguma descoordenação e tanta gente a se promover à custa da catástrofe e a desgraça dos outros, digo e redigo e não me cansarei de dizer, a Madeira é demasiado importante para estar só e apenas na mão dos políticos ou de alguns grupos instalados na montanha da burocracia e dos privilégios. Cabe a todos os cidadãos deitar mãos à obra e construirmos uma Madeira onde a preocupação com o equilíbrio ambiental, a beleza da paisagem, o respeito pelas regras e o ordenamento do território, fazem parte dos comportamentos e opções de todos os cidadãos.
Tudo é demasiado sério e importante para estar só e apenas na mão de alguns. Ainda mais se considerarmos que muitos desses tais vivem especialmente cumprindo mandatos muito fixados nos seus interesses e da família partidária a que fazem parte.  
Não esqueçamos, a Madeira é demasiado importante para nos demitirmos da responsabilidade que compete a todos. Não deixemos por mãos alheias aquilo o que é de todos nós. 

A poesia está na rua

Isto é, passamos seguros pelo passo da vida e por entre sorrisos, saudações e apertos de mão, alguém remata com esta densidade e beleza. Obrigado poeta que encontrei na rua da Boa Viagem, ainda mais e precisamente numa das ruas da nossa cidade com este lindo nome…
«A vida tem prazer e tem dor
Ambos são dois mundos
A dor conta-se em segundos
O prazer conta-se em horas».

Infelizmente, fixei a quadra e não fixei o nome do poeta. Obrigado por esta dádiva logo pela manhã.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A insustentável leveza do ser humanidade

Quando somos barro mole nas mãos das forças da natureza.
Quando o coração os argumentos humanos calam ou quando geram confusão e descrédito.
Quando o excesso de fogo e água destroem a vida e os bens.
Quando não se crê na totalidade humana, porque emergem as máscaras, as vaidades, o ego diminuído ou excedido ao máximo.
Quando os legalismos e as tradições são o mais importante contra a morte, o dever da solidariedade, do luto e da amizade.
Quando há idolatria disseminada como erva daninha nas matas do coração que devia estar sempre moralmente cuidado e tratado com o remédio do amor.  
Quando Deus não é considerado como Senhor Criador da existência, marginalizado ou expulso para fora dos parâmetros da totalidade e da salvação.
Quando se elegem pessoas, instituições e bens como reis e senhores do sentido último da vida.
Quando o perdão não está presente. Porque confessar ou pedir perdão é visto como uma derrota, uma mágoa inesquecível e o rancor guia os passos quotidianos, porque se torna difícil lançá-lo para longe.
Quando as incapacidades e impotências não são reconhecidas e assumidas, porque se rejeita Deus, bastando o poder do prazer rápido e curto.
Quando a paz não acontece, a alegria está difícil, a santidade não é possível, a liberdade é libertinagem ou ação irresponsável, a solidão um drama sem sentido que conduz ao desespero…
Quando a vontade Deus não é reconhecida como necessária, basta hoje e amanhã, logo se verá.
Quando a maturidade não se realiza com simplicidade e humildade.
Quando o homem passar a reconhecer-se limitado e porque isso, se unir uns com os outros, profundamente crente que vencerá junto com os demais, desse modo aberto ao transcendente, verá que vencerá toda a sua fragilidade e encontrará mais felicidade hoje e amanhã.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O que terá de especial o Imperador Carlos de Áustria?

Estou fulo com o que tem provocado na nossa o Imperador Carlos de Áustria, beatificado há alguns anos em altas parangonas por alguns responsáveis da nossa terra. Ele que residiu numa Quinta no Monte, agora reduzida também a cinzas, e que jaz luxuosamente na Igreja de Nossa Senhora do Monte. A abundante geração de filhos, netos e outros juntamente com mais alguns loucos religiosos e políticos da Madeira Nova, promoveram a beatificação do privilegiado Imperador Carlos de Áustria que os ventos da sorte e dos privilégios mundanos fizeram desembarcar na Madeira a 19 de Novembro de 1921.
O beato em causa fez render uma pipa de massa para que o Vaticano o reconhecesse como beato, que a única coisa que fez pela Madeira foi ter-se exilado luxuosamente neste lugar. As grandes qualidades do homem passam pela fertilidade, tinha uma família numerosa, que os vilões do monte se encarregaram de limpar e dar de comer. Participava diariamente na missa paroquial e no período de convalescença comungava devotamente e morreu como um anjo rodeado de mordomias numa quinta esplendorosa no Monte.
Apenas com isto fez-se um beato, quando exemplos destes havia e há paletes pela Madeira inteira. Só que este era imperador, os outros são vilões anónimos que só Deus se importava com eles e que a sua oração os altos dignatários não reconhecem como válida.
Nunca vi romarias, peregrinações ou uma movimentação da Madeira inteira e de fora dela à volta do Imperador Carlos de Áustria. Pensei que após a sua beatificação a Madeira e a Igreja da Madeira dessem uma volta de cento e oitenta graus, fazendo deste lugar um exemplo de verdadeira devoção, solidariedade e ajuda aos pobres. O que se viu foi um calendário cumprido, voltou ao descanso eterno as cinzas do Imperador debaixo do olhar admirado de Nossa Senhora do Monte, aquela mulher de Nazaré que cantou o seguinte no Magnificat: «Derrubou os poderosos de seus tronos * E exaltaram os humildes. Aos famintos encheu de bens * E aos ricos despediu de mãos vazias». Será que o este imperador foi um desses poderosos, despachado pelo sonho de Deus?
Mas agora volta o Imperador em força. Ouvi na televisão o Presidente do Governo que a Quinta do Imperador seria recuperada e que vamos ter na Madeira o Museu do Romantismo. A quinta em causa ardeu misteriosamente, mas a prioridade agora, dada a ansiedade dos madeirenses por um Museu do Romantismo, vai ser recuperada e lá vamos ter o que mais ansiamos neste momento.
Não pode ser a prioridade um museu, quando ainda á pessoas jogadas de um lado para outro, voltaram em força as histórias dramáticas de situações vividas pelos idosos e outros nos nossos hospitais que os incêndios agravaram. Há famílias que perderam tudo. Ainda se chora os mortos e se trata os feridos. Há uma anarquia quanto às ajudas. As autoridades não se entendem. A paisagem está negra como breu. A desordem é geral. As campanhas e disputas da politiquice rasca continuam por todo o lado, a ver quem chega primeiro e quem dá mais. Uma série de coisas que agravam a crise hoje e que nos colocam em sobressalto quanto ao futuro.
Por isso, sr. Presidente do Governo da Madeira deixe-se de romantismos e vamos ao que é prioritário, os habitantes da Madeira e todos os meios necessários para terem qualidade vida com a dignidade que têm direito.
Mais um museu do romantismo ou outra coisa qualquer que aí venha fora do âmbito das prioridades, é um péssimo sinal e revela o quanto anda a viver esta terra de romantismo que encegueira e esconde a verdadeira realidade de pobreza e miséria em que estamos mergulhados.  

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Senhora do Monte, estamos órfãos

É uma orfandade que vem não da tua proteção misteriosa no céu, mas das lacunas que a terra reduzida a cinzas oferece desolação, negritude e tristeza.
Os que deviam inspirar-nos confiança no futuro, semeando sobre a cinza, adubo que ajudasse a fertilidade, continuam debitando o vazio, o silêncio ensurdecedor e as ideias loucas, porque desnecessárias perante o estado de coisas que se vive neste momento. O presente é negro, mas o futuro também não parece vir a encontrar outra tonalidade.
Temos tanto povo triste. Outro tanto indiferente. E outro tanto mal educado que recusa qualquer mudança no que diz respeito aos comportamentos. Mas pior que isso é nos vermos entregues a autoridades que não dizem o que devem dizer e se o dizem, tragicamente, não dizem coisa com coisa. Esta orfandade dói o corpo e a alma.
Mas que raio de sorte foi esta que nos coube, que não apareça nem sequer um simples rasgo de pensamento, uma palavra que se diga certeira, uma opção que nos inspire confiança, que nos faça acreditar também nas coisas e nas pessoas deste mundo… Fico deveras inerte perante as cinzas, mas mais pasmado me vejo perante a tão confrangedora escassez de massa cinzenta nas autoridades que nos coube a má sorte de nos dar nestes tempos diferentes (porque preocupantes) que vivemos.
Bastava, para nos tranquilizar um pouco, que alguém dissesse seguramente, alto e bom som, tempos diferentes requerem comportamentos diferentes, para que tenhamos as consequências adequadas a esses comportamentos. Mas olha que nada aparece de novo, de diferente e audaz convicção que nos reanimasse na esperança com os pés bem seguros sobre o chão, mesmo que ele ainda se nos depare pintado de negro pela cinza.
Por isso, olho para o alto do pedestal da Senhora do Monte, a Nossa Nobre Padroeira, e rezo confiante, apesar do estado de alma meio zonzo e tomado de indiscritível desamparo, mas sabendo que Tu, Senhora do Monte estás aqui neste «círculo imenso», que digo como o diz o grande Padre António Vieira: «O círculo criado, que cerca o mundo, é o Céu; o círculo incriado e imenso, que cerca o Céu, é Deus; e o círculo imensíssimo que cercou a esse Deus imenso, é Maria». (Sermão de Nossa Senhora do Ó (1640), Pe. António Vieira).
Ou seja, O amparo nesta terra de orfandade, especialmente, vejo-o em Maria que cercou Deus, que é o círculo que cerca o mundo, e por isso o seu ventre é tão e ainda mais imenso. Além disso, como Deus não era circunferência, não podia ser cercado, mas a imensidão do ventre de Maria é tão grande que conseguiu cercar Deus e com Ele também nos cercou. Então sempre bastará que encontre forças para viver seguinte: «Comparai-me o mar com o dilúvio. O mar tem praias, porque tem limite; o dilúvio, porque era mar sem limite, não tinha praias: (...) Assim a imensidade de Deus — quanto a comparação o sofre. — Está a imensidade de Deus no mundo e fora do mundo; está em todo lugar e onde não há lugar; está dentro, sem se encerrar, e está fora, sem sair, porque sempre está em si mesmo» (Sermão de Nossa Senhora do Ó (1640), Pe. António Vieira).
Ó Senhora do Monte, rogai por nós… És o que nos resta de seguro.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Esclarecimento sobre o texto "carta aberta a um incendiário"

Algumas mentes após a leitura da "carta aberta a um incendiário", dizem que sou padre e que como tal estou a "semear o ódio" e que devia ter pena dele porque é um "perturbado". Digam-me o que devo sentir perante as centenas ou milhares de desalojados, as três pessoas que morreram, a paisagem negra onde antes era verde deslumbrante, o caos que semeou o medo, o terror e a insegurança durante vários dias... Sim, o que devo sentir perante a destruição que implica agora muitos milhões, que não temos, para recontruir e trazer à normalidade milhares de pessoas? Digam-me lá... 
Deve ser então que um "perturbado", pelo facto de o ser, pode fazer tudo o que entender e depois deve ter toda a minha consideração e admiração, porque sou padre... Se assim é, repito com toda frontalidade o que já disse, seja entregue à misericórdia de Deus e à justiça humana para responder pelo seu crime hediondo, este e todos os terroristas que há no mundo. 
Mas ainda, aconselho a que se leia com olhos de ver o texto escrito ao incendiário (ao da Madeira e aos outros) e hão-de reparar que nenhuma palavra incita ao ódio e à vingança. Pelo contrário, coloca onde devem ser colocados todos os perturbados deste mundo quando recusam, só porque sim, aprender a viver em comunidade. 

A união faz a força

Para hoje só me inspira que diga isto... É a minha homenagem a todos os que se envolvem na luta desigual contra as chamas: autoridades, bombeiros e população em geral... 
Povo nobre seguro no passo
solidário na calamidade
que se abate em chamas grossas
velozes e abraçadas pelo vento.

Não é melodia. É terror infernal
sobre a noite e o dia do mundo.

É o caos que te move
pela vida e a sorte sobre o chão negro
da cinza amassada com as lágrimas
que se fazem testemunho incandescente
de uma amizade anónima
encadeada no cordão humano
onde se viu as mãos que entregam
a qualquer um o balde milagroso
carregado com a água.

Há um tudo indescritível e misterioso
que é dom sublime do desejo de apagar
o sinal da morte e da devastação.
- É isto ser obstinadamente humano.
José Luís Rodrigues 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Em modo de apelo à sociedade em geral

Sugiro às autoridades regionais que nomeiem uma comissão com pessoas ligadas ao Governo Regional, da Câmara Municipal, de todos os partidos e outras instituições da sociedade para fazerem o acompanhamento das ajudas, para não acontecer como no 20 de fevereiro. 
Foi tudo ao molhe e fé em Deus, todas as instituições receberam dinheiro para ajudar as famílias desalojadas, hoje (2016), há famílias que ainda não foram ajudadas e consta que ainda há dinheiro nos bancos que não foi utilizado. Uma vergonha. 
Precisamos de uma comissão independente ou o mais variada possível, com pessoas idóneas de todos os quadrantes para serem concentradas as ajudas, fazerem o acompanhamento devido e dizerem à sociedade periodicamente o que está a ser feito, isto é, que funcione com a maior transparência, coisa que não existiu em relação à tragédia do 20 de fevereiro de 2010. Todos receberam e quase nenhuma instituição se viu na obrigação de prestar contas. Espero que não se façam as mesmas asneiras. Não faltarão os aproveitadores, os abutres e toda a outra miséria que estas coisas sempre suscitam. Como já temos experiência funcionemos com a luz que ela nos revela. 
Mais importante ainda. Deixemo-nos desta partidarite que toda a gente percebeu existir enquanto as labaredas consumiam os bens e as nossas almas. As calamidades não devem ser objeto disso. Por favor, temos que salvar a Madeira, temos que salvar o povo da Madeira antes de tudo e não o interesse pessoal e do grupo. Tudo é de todos e a todos diz respeito.
Por fim, faço também um apelo aos cidadãos, estejamos alerta, unidos agora e sempre, limpemos à volta das nossas casas, pressionemos para que os outros também o façam. Andemos vigilantes perante os governantes, pressionemo-los e façamos com que cumpram as suas responsabilidades e que se deixem de andarem com jogos de interesses partidários ou outros.
Há muito para fazer e não podemos deixar a Madeira e o nosso povo exclusivamente na mão dos políticos. O nosso presente e o futuro das gerações vindouras não podem estar só e apenas nas mãos dos partidos e dos políticos. Somos todos necessários neste trabalho.  

Carta aberta a um incendiário

Não te saúdo. Porque, humanamente, estou revoltado e cheio de raiva contra ti…
Não é só o teu gesto irrefletido, maldoso e irresponsável que te leva a acender um isqueiro (ou outra coisa qualquer, porque, parece, que as formas para atear fogo estão a revelar-se bem criativas) e fazê-lo propositadamente pegar fogo na mata numa ocasião de calor tórrido e ventos fortes, aliás, fortíssimos, mas resulta a minha revolta depois de ver casas reduzidas a cinza, o pulmão verde que nos rodeia, que nós precisamos tanto para respirar saudavelmente, todo preto, famílias jogadas para fora do seu lar só com a roupa que tinham no corpo, crianças em pânico, velhinhos a tremer de medo e com dificuldades em respirar, o pior de tudo pessoas que já não estão no convívio da vida neste mundo, morrem queimadas cercadas pelo lume bravo. É disto que falo, porque é tudo isto que vi e senti passar diante dos meus olhos, que por várias vezes já não podia abrir, ardiam e estavam vermelhos como pimentas.
Não me vou alongar com muitos considerandos nem te vou fazer citações do Papa Francisco nem muito menos da Bíblia, porque será inútil fazer isso, porque os energúmenos como tu, não sabem ler o que olhos te revelam, a natureza, por exemplo, muito menos deves saber ler a grandeza das letras devidamente harmonizadas formando palavras e frases.
Por isso, quero apenas e só dizer-te que não gostamos de ti. As crianças não gostam de ti. Os velhinhos estão tristes contigo. A população em geral está revoltada contigo. Não imploramos caridade para ti, mas justiça e uma pequena réstia de bom senso para te entregares à justiça humana, para que te aplique uma pena na proporção do teu crime dentro do espírito das leis que nós temos em vigor. É essa a caridade que reservamos para ti.
O teu gesto é mau de mais. Não tens consciência. Não tens um pingo de respeito pela vida alheia. Não sabes o que é a dádiva da natureza. Não pensas. Se o fazes é só para fazer maldades como esta. Não sabes viver em sociedade. Por isso, sempre que começa o Verão deves ser engavetado, tirado do convívio social. 
Nesta hora de dor e tristeza, imploramos força e coragem para o rol das imensas vítimas que criastes com o teu gesto maldoso e ainda assim, para ti, rezamos para que Deus providencie o que for da Sua vontade. Quanto a nós, humanamente falando, já que o mal está feito, desejamos que algum dia os remorsos de consumam eternamente. Adeus. Não perco mais tempo contigo…

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Céu, Terra, Eternidade

Estes dias de calor tórrido trazem à memória deste presente isto...
Céu, terra, eternidade das paisagens,

Indiferentes ante o rumor leve,
Que nós sempre lhe somos. Vento breve,
Heróis e deuses, trágicas passagens,
Cuja tragédia mesma nada inscreve
Na perfeição completa das imagens.

Todo o nosso tumulto é menos forte
Do que o eterno perfil de uma montanha.
Cala-se a terra ao nosso amor estranha
– Talvez um dia embale a nossa morte.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 6 de agosto de 2016

Na tua face

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Nos momentos em que se esconde o teu rosto
As pontas do canto da vida tocam-se
Na hora que dizem de ti as saudades sem te ver.
Mas nessa ausência de vislumbre da tua face
Os sentimentos harmonizam-se na maior certeza
Que sei estar anelada na mais firme convicção da palavra.
Foi esta certeza que abracei no encanto da visão
Quando os dias me dizem dos teus passos densos
Sobre o carinho que guardo no calor desta mão.
E aqui fecho os olhos para ver a luminosidade do amor
Que na presença e na ausência acaricio
Na tua face...
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

«A corrupção fede!» disse o Papa Francisco

«A corrupção fede, o mal rouba a esperança», disse o Papa Francisco quando visitou a cidade de Nápoles, a 21 de março de 2015.
Por estes dias entre nós a corrupção fede que nos incomoda seriamente. Quer ao nível político quer ao nível religioso. A todos os níveis, quando existe a corrupção, estamos perante desvios éticos que não deviam acontecer e «pecados mortais», como se aprendia antigamente na catequese.
A corrupção existiu desde sempre. Santo Agostinho ensinou que nascemos marcados pelo «pecado original», a partir daquele momento quando Adão seduzido pela serpente, trocou o paraíso pelos prazeres mundanos da carne. Este seria o primeiro desvio ético. A sedução das tentações sempre corromperam a humanidade levando-a a agir imoralmente. Assim, se deduz que todo o mal resulta de uma escolha: «O pecado, ou o mal moral, resulta de uma escolha» (Santo Agostinho). São Tomás de Aquino e Santo Agostinho pensaram muito sobre o livre arbítrio e como todo o ser humano é livre para decidir seguir ou não o caminho do bem ou do mal.
Face a todo o mal relacionado com a corrupção que acontece em todos os domínios da vida humana, só me faz confusão, embrulhar-se tudo e todos na mesma miséria. Faz-nos carregar a tez do rosto de tristeza que, fiquem manchadas todas as pessoas e instituições inteiras, porque dois ou três, tipo gângsteres se instalam nos lugares certos e a partir daí se sintam autorizados a pôr e dispor como lhes interessa, manchando assim todos os demais e a instituição que deviam respeitar e servir com dignidade. Acontece na política, nos partidos políticos, nas Igrejas, nos bancos, nas Câmaras Municipais e em todos os lugares onde há instituições que implicam sempre muitas pessoas.
O Papa Francisco tem sido incansável na denúncia da corrupção. Porém, este mundo tenebroso da corrupção está de tal ordem tão bem instalado que quase ninguém lhe dá ouvidos, a não ser quem verdadeiramente se inquieta com estas questões. Diz Francisco: «Quanta corrupção há no mundo! É uma palavra feia. Porque uma coisa corrupta é uma coisa suja! Se nós encontramos um animal morto que está em decomposição, que está ‘corroído’ é mau e fede. A corrupção fede! A sociedade corrupta fede! Um cristão que deixa entrar em si a corrupção não é cristão, fede!»
Depois o Papa convida a «seguir adiante na limpeza da própria alma, na limpeza da cidade, na limpeza da sociedade para que não haja aquele fedor da corrupção». A ambição corrupta não tem limites e o desejo do poder quanto maior for melhor para subjugar os outros. São estes os alicerces da corrupção.
Estes males são transversais a toda a sociedade, mas nas instituições cristãs não deviam existir, quando existem o pecado é muito maior, porque viola princípios básicos ensinados pelo Mestre Jesus Cristo: «a quem muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá» (Lc 12, 48).
O corrupto é um doente, mas não se julga doente. A sua atitude é de total desprezo sobre os outros, porque precisa de saciar a sua perversa ambição. Os corruptos só pensam em si mesmos. São uma praga social. São os principais responsáveis pela pobreza, pela miséria, pela desigualdade social e pela criminalidade. Mentes corrompidas desviam os objetivos e não se importam com isso, porque o seu poder e a sua desmedida ambição não pode morrer de fome. Com isso prejudicam o mundo inteiro e futuro de várias gerações.
Será necessário chamar os bois pelos nomes. É preciso identificar claramente quem comete tais desvios, para que não se caia tão frequentemente na injustiça de colocar todos nos mesmo saco e manchar irremediavelmente a boa fama e bom nome das instituições. Não pode meia dúzia de agentes que se acham donos disto tudo, tomarem para si o que é de todos, agindo a seu belo prazer contra todos, hipotecando o futuro de realidades que não são suas, mas da comunidade em geral.
Não duvido que será necessário aprender a preocupar-se consigo e com as outras pessoas, pois servir os outros é a maneira mais inteligente de servir-se. A corrupção em todos os domínios, viola os Direitos Humanos e todo o ensinamento que a mensagem cristã nos apresenta quanto à justiça, à igualdade e ao bem comum.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Estar vigilante em relação ao futuro

Comentário à missa deste fim de semana. Domingo XIX tempo comum.
A mensagem deste domingo ameniza um pouco a do domingo passado, que era dura e radical em relação aos bens deste mundo. Tendo em conta que muitas vezes não nos lembramos de que a nossa vida é frágil, inconstante e que passamos pelo crivo da morte, permitimos que a insensatez na acumulação de muitos bens nos domine a vida e os dias neste mundo.
Na mensagem deste domingo, fica o alerta de que melhor será concentrarmo-nos na verdadeira riqueza e estar vigilante, porque esse momento da morte é a maior certeza que temos. Não devemos andar sempre a pensar nisso, mas que nunca o devíamos esquecer, seria melhor para nós para que vivêssemos melhor e quem sabe se não estaríamos mais concentrados no que é mesmo importante para ser feliz e ajudar os outros também a serem felizes. Estou convencido que o mundo seria outro se tomássemos a sério a consciência que neste mundo não somos eternos, mas finitos. Penso, que tomados por este assombro do mistério que envolve o morrer, a humanidade inteira seria mais feliz e teria outra consciência perante todos os valores que devem nortear todas acções em favor do bem comum, da liberdade, da amizade e da fraternidade.
Devemos estar vigilantes, porque muito mais felizes seremos se a qualquer momento formos chamados a entrar na outra «dimensão da vida» pela realidade morte. Se assim for nada temeremos, porque sempre fomos tomados pela liberdade face aos bens deste mundo. Nada nos ensoberbeceu e vivemos pela lógica da partilha e da luta pela justiça. A Carta aos Hebreus  é clara quanto a esta esperança de viver pela fé como condimento desta temporada em que andamos por este mundo: «A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se veem» (Heb 11, 1).
Nada nos encegueirou ou dominou, porque vivemos de acordo com a mensagem da salvação que Jesus nos oferece e que nos fez sempre estar preparados, em alerta constante. Se nos regem estes sentimentos somos os mais felizes dos homens e das mulheres.
O sentido da nossa existência seria uma miragem e já estaríamos mortos muito antes da morte física se não encontramos sentido para o dia a dia. A pior caminhada é aquela que nunca encontrou sentido e todas as pessoas que nunca descobriram a resposta para a sua origem, para o agora da vida e para o destino futuro, nunca serão verdadeiramente felizes e não enfrentam com coragem essa ocasião derradeira que chamamos de morte. O desencanto, a depressão e o desespero podem tornar-se o pão nosso de cada dia e não haverá bens nenhuns deste mundo, por mais interessantes e aliciantes que sejam, poderão libertar desse estado de alma degradante. Parece estranho, mas quem sabe se cada um de nós não seria melhor pessoa se estivesse atento/vigilante em relação à ocasião da morte? 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A guerra de hoje e a liberdade de expressão

Uma excelente análise do Jornalista Francisco Sena Santos. Estou totalmente de acordo. A liberdade de expressão é um valor incontornável e deve prevalecer sempre. Todos nós democratas estamos de acordo com isso, vivemos com isso e lutamos por isso. Porém, quando a informação trata de assuntos que visam a violência e a "barbárie medieval", como refere o autor do texto, os meios de comunicação devem fazer a triagem com todo o cuidado obedecendo a critérios devidamente ponderados. Obviamente, que não é um assunto pacífico, mas face aos propósitos de publicidade tão evidentes e propagandeados pelos terroristas, não podem os meios de comunicação social democráticos ao serviços dos cidadãos de bem, serem instrumentos do mal contra os cidadãos e os seus valores democráticos. O texto que se segue é bem esclarecedor e devemos nós todos meditar seriamente sobre este assunto tão urgente e que implica tão seriamente o presente e o futuro das nossas sociedades democráticas. O texto pode ser aberto AQUI...

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O condimento da vida é a dúvida

A vida sem dúvidas está morta. É o que têm dito tantos sobre tantas coisas da vida. Por exemplo, São Tiago diz que a fé sem obras é morta. Miguel de Unamuno, grande escritor espanhol, disse que a fé sem dúvidas é morta e que a fé é uma dúvida. Se alguém disse que a vida sem dúvidas está morta, eu não sei, nunca ouvi nem muito menos vi escrito. Nesse caso digo eu, a vida é uma dúvida constante e não ter dúvidas nenhumas é muito mau sinal. Nada é mais prejudicial para si mesmo e para os outros do que viver com as certezas todas, aliás, considero que este estado de vida é impossível de acontecer. Só os anormais é que não duvidam nunca.
Assim sendo, sempre que tivermos dúvidas ou se por várias vezes nos apercebermos que o nosso eu pesa demais ou incomoda a felicidade, é preciso lembrarmo-nos do pior rosto que tenhamos encontrado alguma vez. Pode ser o mais pobre dos pobres, o pior maltrapilho que se tenha encontrado jogado no olho da rua. E neste tempo, eles são tantos, que vemos jogados no chão, sem pão, sem teto, sem lugar e sem vez!
Por isso, quando se fizer essa lembrança da imagem do pior homem, pobre e desamparado, devemos perguntar se o passo que vamos dar lhe serviria de alguma coisa. Se teria para ele alguma utilidade. Não podemos ser inúteis, é proibido ser inútil.
Com isto podemos desde já ser assaltados com várias dúvidas, para que se faça jus ao mote deste texto, a vida sem dúvidas está morta. Aqui vamos nós: será que ganharemos alguma coisa com isso? Vou mudar o mundo pensando dessa forma? Vou, por ventura, acabar com os milhões que neste mundo morrem de fome? Essa espiritualidade liberta do sofrimento quem se vê logo à partida que já não é possível a salvar-se? O que vai alterar na dignidade e no saciar a fome e a sede nesse sem sorte da vida? – Só para vermos num pequeno momento como funciona a vida com dúvidas…
Portanto, veremos imediatamente, que todas as dúvidas e a preocupação obcecada com a satisfação do ego se desvanecem por completo. É este o caminho para a descoberta do sentido da vida. Não tenhamos medo de ter dúvidas, fujamos isso sim das nossas certezas e das dos outros ainda mais.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A banalização do mal

Um texto muito importante e que todos os educadores não devem perder... Para ler na íntegra AQUI
Destaque: "Não se trata de moralismo, não… porque se há coisa de que não gosto é de fundamentalismos e visões simplistas de fenómenos complexos. Trata-se, na minha opinião, da defesa de uma civilização e de um modelo educativo que se baseie na paz e na resolução pacífica dos conflitos. Não basta dizer “Je suis quelque chose” ou contar histrionicamente a história dos portugueses que escaparam à matança de Nice, comover-se com a porteira de Paris ou dizer que “há anos até estive na estação de metro de Maelbeek, imagina do que eu escapei!”, ou “até estive perto do centro comercial Olympia quando fui ver o estádio do Bayern”, e depois deixar que os nossos filhos se habituem - no mundo virtual/real em que já vivem grande parte da vida - a manipular o mal e, pior, a “ganharem pontos” com isso".