Convite a quem nos visita

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A festa do jogador quando soube que vai ser pai

Vejam o vídeo arrepiante do Thiaguinho, falecido na tragédia da Chapecoense, quando descobriu há uma semana que será pai, comemora com alegria entusiasmo. Sem muitas palavras com isto prestamos a nossa homenagem as todas as vítimas desta desgraça. Os que morreram, os familiares, o clube de futebol e todas as pessoas que sentem com profundo sofrimento a partida destes jovens.  
A vida é dura. Este vídeo é duro. E é duro pensar como vai reagir a criança que está para nascer quando estiver em idade de perceber como é a vida, a festa que fez o seu pai quando soube da notícia da gravidez da sua mãe.
Porém, resta-me serenar e perceber que se a vida foi transformada para um tragicamente para outro a vida emerge como rebento de uma festa grande que é viver, mesmo que envolto tantas vezes na tragédia e na desgraça. Meditemos neste mistério… Que nos revela um Deus morto tragicamente no jogador Thiaguinho, mas também um Deus vivo no «Thiaguinho» filho, que está no útero de sua mãe.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

As religiões no debate público

O padre Anselmo Borges, docente universitário de Coimbra, encontra-se na Madeira para apresentar o seu último livro: «Deus, Religiões (In)felicidade». Estará hoje na Universidade da madeira às 18h30, e ontem às 17h30 esteve no solar de Machico, onde tive a alegria e o prazer de o escutar.
O tema da religião deve estar sempre presente no debate público, embora na Europa estejamos a assistir a investidas graves para retirar desse debate o tema das religiões. Mas, é um facto bem evidente que as consequências que daí advêm são deveras preocupantes e graves para as sociedades em geral. O padre Anselmo não deixou de refletir que este é um sinal dos tempos, que devemos ter em contra nesta reflexão sobre as religiões no âmbito da felicidade e infelicidade. É precisamente no contexto desse paradoxo da religião que essa investida aparece, exatamente, como trata no seu livro «Deus, Religiões (In)felicidade».
As religiões devem conduzir à descoberta do mistério, que se designa por Deus, que se revela no amor e pelo amor. Quando as ações humanas se servem desse mistério para fazerem valer os interesses pessoais, políticos ou outros, deixam de estar nesse âmbito da felicidade. Assim as desgraças acontecem com prejuízo para a humanidade inteira e com graves atentados contra a natureza, a nossa casa comum.
As religiões devem guiar no caminho da felicidade, quando distorcidas da sua verdadeira natureza, que é o serviço aos outros, para se tornarem poder idêntico aos poderes do mundo, conduzem à infelicidade, à violência e à morte. Daí que faça todo o sentido, no campo da religião falar-se na promoção da justiça, na igualdade, nos Direitos Humanos, o sentido da igualdade, a distribuição da riqueza que há no mundo, o sentido do bem comum, o cuidado com a natureza e todos os valores que contribuem para o bem estar feliz de cada ser humano.
No entanto, ainda há guerras em curso por causa da religião, crucifica-se pessoas, fazem-se mutilações e violações em nome de uma interpretação literalista dos textos religiosos e, ainda mais grave, em nome de um deus sanguinário e «dominado» por cabeças humanas. Ainda hoje há quem invoque um deus para a desgraça e a infelicidade dos outros.
Assim, sendo conclui-se que já é tempo de fazer da religião um meio para felicidade e não para a desgraça. A nós todos que entendemos a religião como um caminho de libertação e não de opressão, vamos dar sempre que possível o nosso contributo para que as religiões ajudem as pessoas a serem mais humanas e fiéis ao espírito que liberta de tudo o que é negativo nesta vida para que muitos ou todos tenham a alegria de viver sempre na felicidade e na paz.
Enfim, mais que certo é que não podemos sair desta convicção, não haverá paz no mundo se não houver paz entre as religiões.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Carta de Chesterton apaixonado

Querida Mildred:
Quando me levantei esta manhã, lavei cuidadosamente as minhas botas com água e engraxei o meu rosto. Então, vestindo o casaco com graciosa facilidade com os botões virados para as costas, eu desci para o café da manhã e alegremente coloquei café nas sardinhas e levei o meu chapéu ao fogo para fritar. Estas atividades irão dar-lhe uma ideia de como eu estou. A minha família, vendo-me sair de casa através da chaminé e colocar a grelha da lareira debaixo do braço, pensaram que alguma coisa preocupava o meu espírito. E era verdade.
Minha querida amiga, «estou apaixonado».
G. K. Chesterton
Nada que não permita que tenha sido um escritor de obras admiráveis. Converteu-se ao catolicismo. Um elemento da sua vida, que não o privou do seu sentido de humor muito apurado, aliás, provavelmente serviu para enriquecer ainda mais as suas obras, o que as torna ainda mais cobiçadas pelos leitores. As cartas privadas são extraordinárias e cheias de sentido de humor bem vincado e engraçado. Fica esta carta para que esbocemos um sorriso e nos dediquemos à procura de mais elementos sobre a obra deste grande inteletual inglês.
A sua fé confirma este dado simples, mas cheio de razão desconcertante para quem enche a boca com o ateísmo: «Se não houvesse Deus, não haveria nenhum ateu». E, provavelmente, tudo isto porque «Os mistérios de Deus são mais satisfatórios que as soluções humanas».

Um madeirense de quem se fala

Não conhecia o Padre João de Freitas Ferreira. Não importa nada esse detalhe. Importa sim, que muitos tenham sentiram a sua partida deste mundo e que tenham expressado palavras tão sentidas e elogiosas em relação a um nosso conterrâneo. Até o eurodeputado Paulo Ragel escreveu um texto muito interessante no Público de 22 de novembro de 2016, que podem abrir AQUI.
Dada a importância do seu contributo para a educação e formação cultural de tantas gerações, deixamos neste Banquete o registo. Que tenha um sono tranquilo na Paz de Deus.
Enfim, fica escrito para exemplo e testemunho: «O Padre Freitas foi Igreja, foi carisma, mas não quis ser poder. Preferiu ser serviço» (Paulo Ragel).
Acabo de ser informado/alertado que a Diocese do Funchal nem uma palavra sobre a morte deste sacerdote com uma história de vida humana e sacerdotal tão relevante. É triste, mas também é normal...

sábado, 26 de novembro de 2016

O sono dos anjos deve ser bom

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre, nunca prejundicando ninguém.
Amo todas as veredas por dentro das minhas dúvidas.
São quentes e boas porque ignoro se a morte não permite mais nenhum voo
Se deixam de existir a chuva, o vento, o sol e o tempo 
O ciclo de todas as estações.
Não me importo nada de sentir o abraço no colo
Que me aconchega entre as mãos que se prontificaram
Para serem a almofada onde adormeço tranquilo
O sono dos anjos.
JLR

Morreu El Comandante Fidel Castro

É dele: «Quem trai o pobre, trai a Cristo» (Fidel Castro, 1926-2016).
Paz à sua alma ...
Face à fama que corre de que fazia discursos longos, o que parece ser verdade, morreu com esta convicção: «Cheguei à conclusão, talvez um pouquinho tarde, de que os discursos devem ser curtos». Quem desejar ler o relato da sua biografia pode ver AQUI NO EXPRESSO.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A violência doméstica e os seus contornos bárbaros

No Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulheres, 25 de Novembro, o Diário de Notícias do Funchal presenteia-nos hoje com um trabalho interessante sobre a violência doméstica.  A violência contra as mulheres está ou estava com o afirma a reportagem, essencialmente, associada ao excesso de álcool. Esta insustentável leveza de tantos seres que no silêncio das suas habitações ora por medo ora por um status quo familiar ou social, vergam-se pacientemente ao sofrimento e à dor das ofensas obscenas, dos gritos altíssimos, dos pontapés imprevisíveis, dos murros certeiros e todo o género de violência. Esta triste realidade é um «cancro» feroz que parece afectar todas as classes sociais. Infelizmente, não parecem ser só e apenas os menos letrados que recorrem a este comportamento violento. A violência está todos os dias em muitas famílias como o pão para a boca.
Deste modo, definimos violência doméstica assim: é uma conduta que afecta todos os membros do núcleo familiar. É uma conduta ilegal e ocorre em todas as classes sociais. Os diversos testemunhos que nos chegam sobre esta realidade triste comprovam claramente que o quotidiano de muita gente está totalmente preenchido com violência a todos os níveis.
A violência doméstica envolve o mau trato psicológico, emocional, físico e o abuso sexual de um indivíduo a outro, os quais partilham da mesma casa e opção de vida. Normalmente, acontece entre casais, mas acabam por contaminar toda a família. Por isso, um casal que se maltrate entre si contamina toda a família. E dado que entre nós a violência está associado ao excesso de álcool, muitas vezes, a violência não se realiza só e apenas contra a esposa ou companheira, mas também contra os filhos ou terceiros.
Assim, o homem abusador considera-se sempre o elo mais forte. Perante esse convencimento nada o demove de maltratar a esposa que considera ser sua propriedade e os filhos de igual modo. Este flagelo é dos mais terríveis que afectam a nossa sociedade.
Mas, diante da violência onde o silêncio e o anonimato escondem os insultos, os empurrões, as pancadas, os beliscões, as humilhações, as queimaduras, as patadas, as feridas, os ossos deslocados, os ossos partidos, as ameaças, o uso de armas, a morte... - Quem vai combater este cancro? Quem o denuncia? E quem pode fazer a justiça pelas vítimas desta tenebrosa realidade e contra os criminosos que impunemente a cometem?
A violência como se tem visto está a agudizar-se cada vez mais, de uma forma escalonada e muitas vezes termina com a morte das vítimas. A maior parte das vezes a violência conduz ao espancamento e aos insultos porque a falta de amor é outro elemento fundamental para qualificar esta realidade que afecta tantas das nossas famílias.
Os números divulgados ano após ano sobre a violência doméstica são já de bradar aos céus e revelam apenas a ponta de um iceberg ilimitado. O que fazer perante estas situações? - Pouco podemos fazer de concreto. Mas podemos todos investir na educação dos mais novos para que a descoberta do amor seja uma constante no coração de todos. A educação para o amor é fundamental, porque o amor não maltrata, o amor tudo pode e cuida sempre da coisa amada. 

A guerra dos interesses mata inocentes todos os dias

Neste depoimento denunciador percebe-se bem mais uma vez como são as guerras dos nossos tempos. Quem tem interesses nelas, quem as alimenta e quem as subsidia. Pelo meio há mais um povo mártir, vítima da maldade e da ganância de uma parte da humanidade que pouco ou nada se importa com a outra parte, se a única coisa que conta é a atenção cega no acumular mais e mais dinheiro. Por favor, oiçam a Irmã Maria de Guadalupe AQUI...

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Advento: da esperança à vigilância

Comentário ao domingo I do Advento – Ano A. Novo ano Litúrgico. O presente comentário pode servir a quem habitualmente participa na missa no fim de semana. Porém, não Só...
A partir deste Domingo, até ao dia 24 do mês de Dezembro, vamos celebrar um tempo muito especial, o Advento. Esta palavra significa vinda ou chegada. A Igreja «manda», que durante este tempo, nós os seus fiéis (cristãos) façamos uma preparação especial para receber Aquele que vem no Natal, Jesus Cristo, o salvador da humanidade.
Por ser um tempo de preparação a palavra que mais palpita agora é a esperança, como a mulher que está grávida, como algumas vezes dizemos que está de esperanças e que os espanhóis sabiamente dizem sempre sobre a mulher grávida.
Por isso, o Advento é esse tempo de «gravidez» interior, quando o nosso coração se reveste com essa palavra tão forte e tão necessária para a vida, a ESPERANÇA. A vida sem esperança não tem sentido nenhum, por isso, vamos fazer deste tempo do Advento o melhor tempo para procurar forças e todos os caminhos que nos levem ao encontro da esperança. Crise também se conjuga bem com a esperança. Porque, é nas crises que as melhores oportunidades para vencer normalmente surgem. Dar azo à criatividade deve fazer parte do pensamento e da alma cada vez que se abate uma crise seja ela de qualquer ordem. A depressão, o desespero e o desânimo não podem ser o fim irremediável.  
Por isso, a esperança é a luz de toda a vida, luz para o desespero perante os problemas, luz para deixar o coração ser mais generoso e aberto à partilha solidária, luz para quando os outros nos querem destruir e nos fazem muito mal, luz para a injustiça no trabalho, luz para a desobediência dos filhos perante a palavra amiga dos pais, luz nas trevas da doença e da morte, luz para a tristeza que é ver alguém mutilar-se com a droga, o álcool, luz para o domínio da soberba e do egoísmo, luz para toda a forma de injustiça e contrariedade que esta vida contém.
Vamos então procurar a esperança, porque ela é o melhor remédio para todas as doenças e de modo especial a febre da crise, que de tanto se falar nela, veio consumir cada um de nós pelo medo e pela incerteza em relação ao futuro. Neste ambiente falta dizer bem alto as razões da nossa esperança. Deixemos Cristo acender essa a luz dentro de nós. O Advento serve para isso.
A esperança conjuga-se no Evangelho de Jesus com a vigilância. Que o nosso coração se aqueça com a chama da esperança em relação ao futuro cheio de amor que Deus nos oferece. Nisto consiste o «vigiar» de Jesus. Assumir a vida toda como dádiva do amor e fazer dessa dádiva uma oferta de felicidade para si e para outros. Quem assim proceder não se surpreenderá com a chegada de Deus, porque se preparou devidamente. Bom Advento para todos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A seleção dos candidatos ao sacerdócio

O assunto é de uma importância relevante e achei curiosa a forma tão corajosa como o Papa Francisco o abordou. Nunca tinha visto a problemática das vocações ao sacerdócio ser assim tratado com tanta clareza nas palavras. Sim, porque este assunto quando é puxado nas reuniões do clero é só para falar-se de coisas boas, nunca de aspectos concretos, porque sempre se considera que de vocações estamos bem. Porém, às escondidas, uns com os outros, é só lamentos atrás de lamentos. O Papa Francisco põe os pontos nos is e considera que o assunto deve ser debatido com clareza e com espírito aberto à mudança que é necessário fazer-se em toda a linha.
Vamos às ideias do Papa Francisco: «Uma vez, recém-nomeado mestre de noviços, ano 72, fui levar pela primeira vez à psiquiatra os resultados do teste de personalidade que se fazia como um dos requisitos do discernimento. Ela era uma boa mulher e uma boa cristã, mas em alguns casos era inflexível: ‘Esse não pode’. ‘Mas, doutora, é um jovem tão bom!’. ‘Mas saiba, padre – explicava a psiquiatra ao futuro Papa – existem jovens que sabem inconscientemente que são psicologicamente enfermos e procuram para as suas vidas estruturas fortes para defende-los e assim poderem seguir em frente. E estão bem até o momento em que se sentem bem estáveis, depois, ali começam os problemas…». Melhor é impossível, para explicar tantas debilidades vocacionais que andam pelos nossos lados.
A falta de vocações sacerdotais criou um problema grave de escassez e os bispos ficam em pânico no momento do ano em que têm que fazer mudanças de párocos e serviços pastorais nas suas dioceses. Deve ser um drama indescritível. Os seminários estão vazios, mas multiplicam-se os serviços pastorais e as paróquias são sempre as mesmas e o povo que as compõem quase que exigem um padre a tempo inteiro só para si. Ainda bem que algumas coisas neste sentido já estão a mudar. Pena é que a adesão as serviços religiosos sem um padre a presidir ainda não tenham o mesmo respeito perante o povo em geral.
Dado o mote pelo Papa Francisco para esta reflexão, o que mais interessa salientar é o que se passa com a selecção dos futuros padres. A escassez fez baixar a fasquia e os critérios quase não existem. Daí que estejam a ser ordenados jovens profundamente retrógrados e alguns, não escondendo a sua exuberância, fazendo muito por isso, passam uma imagem de efeminados e com problemas do for sexual mal resolvidos. Tantas vezes tenho afirmado que um jovem que repudia as mulheres, cospe na possibilidade de se casar, não serve para o sacerdócio…
Pior ainda têm sido as sombras muito negativas que se abateram sobre alguns seminários, com padres a serem investigados pela Política Judiciária ao abrigo de suspeitas de pedofilia, sem que os principais responsáveis das Dioceses façam o que devem fazer nestes casos para que a imagem do Seminário fosse limpa. Se tantas vezes se considera o seminário berço tão importante para o futuro da Igreja, porque se mantém tão passiva a Igreja perante as situações graves que nos últimos tempos ensombraram a normalidade dos seminários? - Por aqui se percebe que quando se fala a um jovem sobre a possibilidade de entrar para o seminário somos confrontados com o pior que paira no ar e a recusa  para andar nesse caminho não se faz esperar.
Na intervenção do Papa no Congresso organizado pela Congregação para o Clero, em Roma, na parte final do discurso acrescenta, aludindo ainda à psiquiatra nos idos anos 70: «“Você não pensou no porquê de existirem tantos policiais torturadores?”, Perguntava a mulher, “entram jovens, parecem sadios, mas quando se sentem seguros a doença começa a sair”. Polícia, exército, clero, são, de fato, “as instituições fortes que estes doentes inconscientes procuram”, observa o Papa Francisco, “e depois, muitas doenças que todos nós conhecemos”. “É interessante – acrescenta - quando um jovem é muito rígido, muito fundamentalista, eu não confio. Detrás daquilo existe algo que ele mesmo não sabe». Portanto, uma clara advertência: «Cuidado com as admissões para os seminários, olhos abertos». E agora, o que irão dizer os que andam com palavrinhas tão doces nas campanhas vocacionais e no fim aceitam tudo o que mexe?

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A inclusão dos condenados pelo aborto

O Ano da Misericórdia fechou as portas das igrejas jubilares com algum estrondo, falta agora abrir as portas do coração para os muitos desafios que o mundo e a vida dos tempos de hoje oferecem à Igreja toda.
O epicentro deste estrondo chama-se Papa Francisco, que provoca um abalo sísmico com alguma magnitude ao decretar na cara apostólica Misericordia et Misera o fim dos condenados perpetuamente por causa da prática do aborto. Ele diz que gostaria de «reafirmar o mais firmemente possível que o aborto é um pecado grave, uma vez que põe fim a uma vida inocente», mas «não há pecado nenhum que a misericórdia de Deus não possa alcançar e limpar quando encontra um coração arrependido, que procura ser reconciliado com (Deus)».
O papa Já tinha concedido a faculdade da absolvição do pecado de aborto temporariamente a todos os sacerdotes para todo o Ano Santo da Misericórdia, que decorreu de 8 de dezembro de 2015 até o último domingo. Porém, precisamente, com a celebração do encerramento deste ano santo, veio a determinação seguinte: «Para que nenhum obstáculo se interponha entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a todos os padres, a partir de agora, a faculdade de absolver o pecado do aborto». A doutrina católica considera o aborto, um pecado tão grave que todos aqueles que incorrem nessa praticam, ficam automaticamente excomungados, não podendo comungar na celebração da missa nem receber ou participar nos sacramentos.
Já completei 20 anos de vida sacerdotal e em todas as ocasiões em que me vi confrontado com a confissão deste pecado, nunca deixe de expressar a absolvição, as devidas palavras de libertação e conforto. Também é importante salientar que em nenhuma vez alguém manifestou regozijo pelo que fez, ao contrário, encontrei sempre pessoas destroçadas e vergadas ao peso de um fardo terrível que lhes comprime o coração e a alma.
Neste sentido, a declaração papal ganha novidade só por estar escrita e assumida pela autoridade máxima da Igreja, porque estou em crer que a maioria dos sacerdotes em todo o mundo já há muitos anos que absolvem as pessoas deste pecado, desde que arrependidas o confessavam. Por isso, a profusão das notícias manifesta algum engano, porque apresentam esta declaração como totalmente nova e como se a maioria não vivesse já há a prática desta compaixão.
No entanto, sempre ouvimos dizer de casos de pessoas que foram algumas vezes insultadas e escorraçadas como criminosos condenados perpetuamente de alguns confessionários da Igreja Católica. Felizmente, agora não haverá mais nenhum bordão, onde alguns se seguravam para oprimir e massacrar. O Papa com uma simples frase autorizou uma prática que encontra agora legitimidade pública e que deve ser cada vez mais acentuada. Os frutos do ano da Misericórdia aí estão e todos nós devemos seguir nos passos dos trilhos que o Papa Francisco vai desbravando.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Os velhos hospitais e o novo hospital do Funchal


Alguns estão em grande festa porque afinal o Governo da República vai dar uma oferta que chegará a 50% do custo total do novo hospital do Funchal. A oposição recolhe os louros dizendo que é graças à sua insistências nas negociações da especialidade do Orçamento para 1017. O Governo Regional da Madeira, limitou-se a dizer que era pouco e que pretendia que a oferta atingisse 80%. Muito bem. Cada um faz o seu papel.
Será que vamos estar outra vez perante um logro? Mais uma investida grave da cultura do betão contra o bem estar das pessoas? - As notícias de milhões são gordas e as manchetes saltam à vista. Mais ainda fazem alguns pensarem e caminharem na ilusão que darão muitos votos e vitórias eleitorais. Tem sido assim, infelizmente, falta provar se vai continuar...
Quanto a este feito para o novo hospital, como cidadão fico feliz e devo exigir que o Governo Regional dê voltas ao mundo, como gosta de fazer, para conseguir o restante financiamento para o novo hospital. Mas, gostaria também de ver o mesmo empenho para que tivéssemos um bom funcionamento dos hospitais velhinhos que temos e nos outros locais pertencentes ao Estado que albergam as nossas pessoas idosas.
Uma mão cheia de milhões de euros fazem uma grande notícia na comunicação social, mas também devia fazer uma grande notícia os idosos ficarem para ali horas e horas mergulhados no xixi da noite, também deveria ser uma grande notícia ficarem as pessoas horas e horas nas urgências a se contorcerem de dores votados à maior indiferença, deveria ser uma grande notícia não existir comida, medicamentos e roupas adequadas ao serviço dos doentes. Tudo isto sem ter que voltar a falar das listas de espera que fazem desesperar as pessoas por uma consulta ou uma cirurgia. Quantas pessoas poderiam ser salvas se fossem atempadamente atendidas…
A desgraça é tanta que logo após aquele momento de alegria sobre a oferta da metade do hospital novo do Funchal, comecei a pensar que somos todos uns tolos e estupidificados com estes joguetes terceiro mundistas entre os partidos políticos.
Logo a seguir aparece uma foto ou um comentário indignado no facebook sobre um mau serviço nos hospitais atuais e lá vamos nós comentar e cuspir canivetes sentados em casa à frente de um ecrã ou carregar com prazer sobre a palavra gosto ou desenhar um bonequinho com cornos e os dentes afiados. É esta lógica que nos guia e que vai legitimando todos os desmandos de políticas irresponsáveis contra os cidadãos em geral em benefício das clientelas partidárias.
Enquanto andarmos nisto os políticos continuarão neste festim de milhões de euros em nome do sacrossanto betão armado, mesmo que falte tudo quotidianamente falando, onde não devia faltar tudo o que fosse necessário para a qualidade de vida de todos os cidadãos. É isso que a Constituição consagrada e que não devia ser esquecido.
Um novo hospital sim, quando estiverem a funcionar minimamente os hospitais que temos, juntamente com todas os outros lugares onde são acolhidas as pessoas idosas e os doentes dos cuidados continuados.

sábado, 19 de novembro de 2016

Lembrança

Para o nosso dim de semana. Sejam felizes sempre nunca prejudicando ninguém.
os homens antigos 
fizeram pontes
emparelhadas na rocha
da luz

hoje a quietude
incandescente do apóstolo
sente e reza 
com as mãos firmes
na passagem sobre o mundo
que eu não sabia serem os átomos
um reflexo do mistério
feito como alimento 
do pão partido na mesa de Deus
na ocasião da despedida

Os homens antigos
foram uns pais anónimos
de todos nós
para que víssemos hoje
a carne viva e o sangue
escorrendo pelas veias
até ao dedo
que escreve o saber pelo chão 
nas pedras quebradas
pelo raio do sol revezado
à vez da voz que vai dizendo
é bom esperar o silêncio
JLR

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O diabo anda à solta

Depois de Passos Coelho anunciar nos dias escaldantes de final de Agosto que lá para setembro e outubro deste ano da graça viria seguramente o diabo para Portugal. Por isso, o diabo tornou-se um personagem incontornável a partir da daí. Felizmente, o diabo não veio e as más previsões saíram goradas, aliás, até parece que os resultados são precisamente ao contrário. Porém, não é disso que venho aqui tratar neste banquete, porque essas análises, deixamos para quem de direito, que sabe verdadeiramente delas. Vou antes fazer uma apresentação daquilo que é o diabo na nossa tradição e na nossa vida.
O diabo é, na tradição cristã, a significativa encarnação do mal. O termo diz muito, diabolos, do grego, «aquele que divide». Nesse sentido, enquanto Deus age para unir, harmonizar, trazer paz, o diabo trabalha na oposição, divide, confunde, traz violência.
O diabo anda solta quando o ódio entra na vida social, especialmente na política, quando há hipocrisia quanto às imposições morais, quando o racismo marca a agenda dos povos, quando o sexismo orienta as opções políticas, empresariais, religiosas e toda a dinâmica da vida em sociedade. O diabo anda à solta quando a homofobia está presente nos comportamentos e vitimiza as pessoas por causa da sua orientação sexual diferente. O diabo anda à solta na aversão à religião só porque fica bem no momento em que se está com alguém que nos obrigada a enveredar por aí. Mas o diabo ainda está mais solto quando se combate a religião do outro, só porque não embarca naquilo que «eu» penso, rezo e anuncio em termos religiosos.
Tudo o que seja intolerância no espaço público e privado em relação aos outros naquilo que eles são ou têm, é mais que manifesto que o diabo está à solta, porque gera divisão, confusão e violência. Estas são as marcas diabólicas que se personificam nessa figura imaginativa que enformou e enforma a cultura cristã e a vida socia em geral. Quem segue por estes caminhos vive diabolicamente porque promove e pratica as marcas da divisão. São diabólicos os meios de comunicação social quando dominados pelos interesses económicos e interesses puramente político partidários, controlam e negam a informação que deviam passar com autenticidade, mas não o fazendo negam a verdade, tomam partido, incitam à confusão e promovem o ódio e negam o diálogo social. Precisamos muito da cultura do encontro, tão reivindicada pelo Papa Francisco, para que o diabólico desencontro deixe de existir no mundo.
Pelo meio disto às vezes incluem-se lideranças religiosas que ambiguamente se apresentam como mensageiros de Deus e lutadores contra o diabo, mas não se inibem de calar o que deviam falar e outras vezes falam o que deviam calar. Quando há neles desprezo pelos mais pobres. Quando há neles abandono só porque sim de muito património que devia estar ao serviço do bem comum… Sobre estes o Evangelho ensina que, «pelos frutos os conhecereis». As muitas atitudes contra o desprendimento evangélico, provoca na opinião pública aversão, divisão e intolerância. O diabo solta-se por todo o lado.
O diabo pode ser combatido? - É possível fazer com que ele desapareça de todos os domínios da vida. Por isso, é necessário acreditar que sempre aparecerão pessoas ou grupos disponíveis para superar com as suas acções e atitudes a divisão, o ódio, a vingança e todo o género de violência. O que seria do mundo se não existissem, mesmo que poucas, pessoas capazes de perdoar, de unir e de andar para o futuro apesar das misérias que nos rodeiam no presente?
É não é raro encontrarmos espaços culturais onde predomina a paz, a serenidade nas palavras e o diálogo fraterno. Sempre há informação alternativa que conduz à paz com justiça, que é dos bens que mais precisamos nos tempos em que vivemos. Muitas das pessoas envolvidas nesta causa, muitas vezes, são pessoas anónimas, grupos invisíveis ou simplesmente menosprezados pela opinião dominante, manipulada pela informação politizada. Apesar de tudo isto há gente por aí como fermente no meio da massa, sempre fazendo tudo para juntar e não dividir por dividir.
Não preciso de nomear aqui ninguém que anda a fazer esse milagre todos os dias na realidade concreta da vida. Basta que cada um tente descobrir por si mesmo, quem entende que o inspira para o bem, para a união e para a paz com justiça. Quando muitos viverem esta causa o diabo desapareceu da vida ou simplesmente deixará de andar à solta porque não encontrou espaço em nenhum coração para fazer das suas diabruras. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Jesus é o rei da vida para todos

Comentário à missa do domingo XXXIV – Cristo Rei – Ano C
A realeza de Cristo, é totalmente diferente daquela que é assumida e exercida pelos reis deste mundo. Como podemos reparar Cristo não é em nenhum momento um rei todo-poderoso, rodeado de exércitos ávidos de combate e de poder nem muito menos de afilhados e padrinhos sedentes das benesses e dos dinheiros que o poder confere.
Pelo contrário, dirá com veemência: «o Meu Reino não é deste mundo». De que Reino fala Jesus? - Antes, o Reino que terá o rei dos famintos, dos que têm sede de justiça, dos peregrinos, dos sem roupa, dos doentes e dos presos. Ele é rei. Mas um rei que não se coaduna com as injustiças sociais, pessoais e institucionais. E a sua morte na Cruz é o resultado da sua acção contra tudo o que não promove a dignidade da vida e do amor entre os homens. É o preço a pagar pela sua radical preferência pelos desafortunados deste mundo.
Jesus é rei de um Reino outro, onde o entendimento entre todos emerge como o resultado da fraternidade e da partilha. O Reino de Jesus não está de acordo com a mentalidade da cultura onde predomina o mais forte sobre o mais fraco. Neste Reino, não podem existir pacificamente os lugares da morte e do sofrimento nem podem ser tolerados os caminhos da pobreza e da miséria que resultam da corrupção e das influências das amizades, do «lambebotismo» e das lutas de uns contra os outros com a traição, a bajulação e tudo o que a ganância pelo poder implica. É necessário fazer surgir outros valores e outros caminhos que proporcionem o bem-estar igual para todas as pessoas.
Somos todos chamados não a zombar de Jesus, como fizeram os descrentes do seu tempo, mas a acolher com verdade e sinceridade que é possível mudar as coisas do mundo. Cada um é chamado a procurar no lugar da sua existência formas e modos de encarar as relações com os seus semelhantes de forma mais humana e mais cristã.
Neste sentido, é urgente deixarmos que o nosso coração não seja tão ávido de poder e domínio. E melhor será para a felicidade se facilmente aprendermos que o rei que parece morrer à mão dos algozes da sociedade judaica, está vivo e reina no coração de muitos homens e mulheres que sabem conduzir as suas acções pela disponibilidade, a simplicidade e a humildade, a transparência, a justiça e a honestidade. Cristo é o rei da vida para todos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Cardeal Raymond Leo Burke

É este o cardeal que encabeça alguma «luta» contra o Papa Francisco... Nos tempos que correm é inconcebível tanta ostentação. Não sei nada dos seus discursos, mas cálculo que falará muito ou então nada, zero dos mais pobres. Deixo as seguintes fotos para que cada um faça a sua leitura. É um cardeal dos Estados Unidos da América. Enfim, depois de ler algumas coisas do que diz se nos deixa espantados o que ostenta, do que fala deixa-nos boquiabertos.



O respeito é o maior dos bens em sociedade

Dedicado, por causa do momento, ao Presidente do Sporting, Bruno de Carvalho e ao Presidente do Arouca, Carlos Pinho...
O respeito e também a dignidade, entre seres humanos envolve o ganhar e o receber o respeito pessoal ou estima de outra pessoa. O filósofo Immanuel Kant assim como que expressando um entendimento comum de civilização, incorpora o conceito de respeito como sendo o maior dos bens em sociedade.
O respeito é uma das qualidades que temos para podermos nos relacionar com outras pessoas. O respeito é o direito de expressar-se sem que se sofra algum tipo de repressão, castigo ou punição. É alguém não fazer aquilo que não gostaria que lhe fosse feito.
Nada melhor para viver senão nesta base, neste alicerce, que nos permite dar-nos ao respeito e leva-nos a respeitar os outros tal como eles são e se apresentam diante de nós. O respeito não é ter medo, mas é ser livre para alegria do convívio fraterno. Ajuda-nos Deus a buscarmos todas as formas que nos conduzam ao respeito por todas as pessoas, especialmente, as mais frágeis, as mais fracos que a sociedade desrespeitosamente faz acontecer em todos os tempos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

As "ideias marxistas" do Papa Francisco

Depois de mais uma polémica em que o cerne das acusações contra o Papa Francisco, consistem na ideia de que o Papa comunga dos ideais socialistas marxistas. Tudo isto resulta do anticomunismo primário que existe dentro da Igreja Católica, que é tão nefasto ou mais ainda que o próprio comunismo quando foi levado à prática em base ditatorial. O Papa Francisco está a ser vítima disso, mas o Papa São João Paulo II também já tinha sofrido com essa corrente que continua a minar a Igreja Católica. Qualquer expressão ou opção dos Papas e outros ministro do clero a favor da libertação dos pobres, é logo conotado com o socialismo, comunimo e marxismo por esse anticomunismo básico que varre a Igreja de alto a baixo. Vejamos então algumas frases onde o Papa Francisco clarifica a sua posição quanto a este assunto e que pode servir para todos os que tenham alguma vez  sofrido com ataques absurdos do fundamentalismo católico.
1- “Nunca compartilhei a ideologia marxista, porque ela é falsa, mas conheci muitas pessoas boas que professavam o marxismo.”
2- “O Evangelho condena o culto da riqueza. O pauperismo é uma das interpretações críticas. Na Idade Média, havia muitas correntes pauperistas. São Francisco teve a genialidade de colocar o tema da pobreza no caminho evangélico. Jesus diz que não se pode servir a dois senhores, Deus e o dinheiro”.
3- “[A preocupação com o pobre] não é uma invenção do comunismo e não deve ser transformada em ideologia, como tem acontecido tantas vezes.”
4- “Alguns podem achar que é uma novidade [a Igreja cuidar dos pobres], quando, na verdade, é uma preocupação que deriva do Evangelho e que está documentada desde os primeiros séculos do cristianismo. Se eu repetisse algumas passagens das homilias dos Padres da Igreja do segundo ou do terceiro século sobre o tratamento que devemos dar aos pobres, alguns ainda me acusariam de dar uma homilia marxista!”
5- “Acima de tudo, precisamos de homens e mulheres com os braços levantados para Deus para rezar, conscientes de que “o amor e a partilha dos quais provém o desenvolvimento autêntico não são “um produto” do homem, mas “um dom que se deve pedir”.
6- “As ideologias terminam mal, não servem. Não assumem o povo, por isso pensem no século passado, em que as ideologias terminaram em ditaduras, sempre.”
7-  “Ser cristão é servir e lutar pela dignidade dos irmãos e não nossa. Todos somos chamados, por vocação cristã, a servir. Isto não quer dizer servilismo, mas promoção da pessoa humana”.
8- “Fazer teorias e ideologias, também propostas de religiosidade que retiram a Carne de Cristo, que retiram a Carne à Igreja, vão além e arruínam a comunidade, arruínam a Igreja. (…) Chegaremos a um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja e a uma Igreja sem povo. Tudo neste processo de escarnecer a Igreja”.
Baseado em ChurchPOP

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Viver sempre agradecidos

Nada melhor para um tempo onde só se fala em direitos, e deveres pouco ou nada, ficam estes elementos para nos fazer pensar e ajudar a tornar a vida mais positiva, agradecida perante a sua grandeza, perante os outros que fazem tanto e muitas vezes ao longo da vida para que nós saboreemos a felicidade.
A ciência comprova que focar-se nas coisas boas da vida e agradecer por isso traz felicidade. «O sentimento de gratidão ativa o sistema de recompensa do nosso cérebro, o que faz com que ele liberte neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar». Cultivar o sentimento de gratidão requer que se torne um hábito. Para isso, podem ser seguidos quatro passos:
1. Listar as atitudes positivas feitas e recebidas
Num momento de revisão do dia, que pode ser ao meio-dia ou à noite, anotar num bloco ou, pelo menos lembrar, três coisas boas que aconteceram nas últimas 24 horas. Pode ser algo singelo, como a iniciativa de um vizinho de segurar a porta e dar passagem, aquele bom-dia de um funcionário, a interação de um animal...
Um estudo da Universidade da Califórnia revelou que quem faz esse exercício diário é mais otimista.
2. Reconhecer as gentilezas
Expressar verbalmente a gratidão! É uma atitude que pode até render amizades duradouras. Demonstra que  Foi o que mostrou um estudo publicado na revista Emotion, da Associação Americana de Psicologia. Jovens que auxiliaram os seus colegas mais novos num trabalho escolar tornaram-se amigos daqueles que, no fim do projeto, enviaram cartas de agradecimento.
3. Agradecer mais, pedir menos
Quando se reconhece as oportunidades oferecidas pela vida, a ideia de que precisamos sempre mais do que já possuímos tende a diminuir. Numa experiência publicada na revista americana Ciência Psicológica, os voluntários que demonstraram a sensação de plenitude após se lembrar de um episódio do qual eram gratos foram menos gananciosos na escolha de um prémio final.
4. Trabalhar pelo propósito de vida
As pessoas que se esforçam para cumprir um objetivo ou uma missão são mais felizes do que aquelas que não têm nenhuma aspiração na vida.
«As coisas que nos dão profunda felicidade e gratidão são aquelas que o dinheiro não pode comprar: a família, o evangelho, os bons amigos, a saúde, nossas aptidões e o amor que recebemos das pessoas a nossa volta. Infelizmente, essas são algumas das coisas às quais nem sempre damos o devido valor» (Thomas S. Monson).
In Fraternitas Movimento

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

No dizer de um olhar

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes, nunca prejudicando ninguém!
Imagem Google
Aí mesmo na aceitação
dos pequenos nadas
vive a fidelidade e o amor
que tantas vezes são entrega incompreensível
a fazer sorrir a solidão e a dor
naquele olhar da alma do mundo
sempre haverá alguém que sem medo
cumpre todos os desígnios.

Por isso, a fé é uma luz
que ilumina o desespero
e fecunda a esperança da coragem
de não conter o amor
que tudo vence nos campos
onde os sonhos se fazem realidade. 
JLR

Pelo sonho é que vamos

Pela a América, dirigido em nome do mundo a Donald Trump...
O célebre discurso, "I Have a Dream", que Martin Luther King proferiu há mais de 50 anos, a 28 de agosto de 1963, no Lincoln Memorial, em Washington, ficou para a história porque não era um slogan nem muito menos ruído ensurdecer de uma campanha política eleitoral. Era o ecoar de uma vontade ou de um desejo comunitário contra a não violência e pelo amor ao próximo de uma sociedade inteira que queria a abolição do racismo, mas o sistema, estava de tal forma montado sobre a cruel injustiça, que não permitia que fosse levada à prática essa abolição. Exactamente como vivemos hoje.
Estamos amarrados às forças obscuras, provavelmente, secretas, mas que dominam tudo e todos. Repare-se o quanto são belos os discursos, os slogans e as promessas dos políticos candidatos às eleições, porém, logo depois de eleitos lá se foram os sonhos, as promessas e todo o bem em favor do povo que se proponham levar a cabo. Agora outros valores se levantam - e não são os do bem comum por sinal, mas os da máquina dos poderosos que sem piedade sangram os pobres e os indefesos. Tudo ao contrário do sonho bem consistente numa prática concreta do bem para todos do pastor Martin Luther King.
Só mesmo a vontade de Deus com a nossa vontade para transformarmos os sonhos em realidade contra o idealismo inconsistente e lutando muito para que a fé no futuro não seja o ópio que faz exorcizar a realidade de hoje. Que todos juntos sonhemos com uma sociedade mais justa, mais fraterna e amiga onde todos têm lugar e vez, porque ninguém é perseguido por causa da cor da pele que tem, da religião que professa, das opções sociais, culturais e políticas que realiza...
No fundo, sonhamos e desejamos uma sociedade onde todos passam e estão, porque se sentem úteis e que sem cada um individualmente, todos seremos mais pobres e menos humanidade. Pelo sonho é que vamos, como dizia o poeta Sebastião da Gama, pois, então, que comece já, todos somos humanidade e se este sonho não nos comanda a vida, muito de nós anda mal, muito mal.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O fim do mundo acontece todas as vezes que morre a esperança

Comentário à missa deste domingo. Pode servir para quem habitualmente vai à Igreja ao fim de semana, mas não só. Este domingo é XXXIII Tempo Comum...
Evangelho deste Domingo - tirado de Lucas - é muito intrigante e coloca-nos diante das coisas do mundo, envolvidos em muita perplexidade. 
Será que as guerras, a insegurança geral e o medo que nos atacou serão os sinais dessa realidade do fim que Jesus nos fala? Como ler os acontecimentos do mundo sem cair num sobressalto? Como não viver assustado perante tanta desgraça que o mundo apresenta? O que pensar ao lermos este texto onde Jesus parece prever destruição e sofrimento para toda a humanidade? Já chegou esse tempo de desgraçadas anunciado pelo Evangelho? Em que ficamos... (?) 
São muito legítimas, todas estas questões e inquietações, porém, descobrimos por detrás das palavras de Jesus um tema essencial da sua mensagem, a esperança. Assim, escutemos esta frase: «...não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e de revoltas, não vos alarmeis...». O apelo à esperança está claramente nestas palavras de Jesus. Mais ainda se tomar atenção quando Jesus pronuncia o seguinte: «Assim tereis ocasião de dar testemunho». Nestas frases a descoberta da esperança torna-se elementar. E mais devemos saber que ninguém pode dar testemunho se não tem esperança. 
Os cristãos, são hoje confrontados pela palavra do Mestre, para reacenderem de novo a esperança e perceberem que a desgraça da cruz é apenas uma passagem para a ressurreição e para a plenitude da vida. Nada deve ser motivo de desânimo, porque já sabemos que a acção de Deus continua de forma silenciosa na história concreta de toda a humanidade. Nada deve ser causa de derrota, porque, embora, a consternação das nossas almas perante o sofrimento e a morte de tantos irmãos, motivados pela fome, pelas epidemias, pelas tempestades e pela guerra... 
Nós devemos lutar por um mundo mais justo e mais fraterno. Deixar-se derrotar será a pior das atitudes, porque isso, nada resolve a situação das misérias e dos problemas que a humanidade toda enfrenta. A partilha e a solidariedade são nomes que nunca tiveram tanta atualidade, para que a esperança não morra e com isso aconteça o fim do mundo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Donald Trump ganhou. E Agora?

Fora da América as expetativas de que não ganharia Donald Trump, era mais que segura, as sondagens, mesmo que por uma unha negra foram alimentando esse desejo até à vitória de Donald Trump.
Porém, já devíamos ter aprendido há muito que as sondagens por todo o lado começam a falhar em toda a linha e há muito que devíamos também ter percebido que em democracia qualquer maluco pode chegar à vitória, basta que encontre condições para concorrer. Donald Trump se chega à reta final das eleições reúne todas as condições para ganhar, foi o que aconteceu. E não é por causa disso que vou sair para a rua a gritar contra aquela porção de pessoas da América que votaram em Trump, que são esquisitos, doidos, aventureiros e que América é mesmo assim, um país irresponsável onde tudo é possível.
O que interessa salientar é que a eleição de Trump, a meu ver traz-nos uma lição que não podemos descurar e aprender com ela. Trump é uma criação dos políticos que têm governando a América. Preparemo-nos, porque outros se seguirão pelo mundo fora. Vamos esperar pelas eleições em França no próximo ano e logo veremos como Marine Le Pen vai brilhar.
Esta deriva eleitoral para o conservadorismo populista resulta das políticas contra as maiorias. O que fazem os políticos (ditos habituais ou normais) depois eleitos à conta de promessas de que o sonho agora é que vai ser, mas logo se esquecem disso e fazem tudo o que outros faziam, privilegiar as clientelas contra o bem estar das maiorias.
Por portanto, Trump e outros trumpistas que daqui venham são produto das políticas armamentistas, das guerras intermináveis que semeiam a morte e a deslocalização de povos inteiros, dos países do médio Oriente destruídos com base em mentiras, do financiamento de grupos terroristas, das políticas diplomáticas em favor dos interesses contra os povos, a tolerância de uns ditadores e o desrespeito das decisões democráticas de determinados povos se tais decisões beliscam os interesses dos países «donos disto tudo» e das medidas em favor dos grandes privilegiados das multinacionais que à conta do lucro desenfreado prejudicam o mundo inteiro...
Os povos estão mais que «fartos» de serem enganados, sugados pelos impostos desmedidos, da corrupção que rouba descaradamente e impunemente o bem comum… Uma serie de fatores que nesta hora não podemos descurar e lembrar para que a leitura dos acontecimentos seja feita com serenidade e corresponda à verdade.
Não basta dizer que a América é assim ou assado e culpar exclusivamente os eleitores. Também não se pense que concordo com as ideias do Trump e com os trumpistas que beneficiam da democracia para fazer vingar as suas ideias fascistas ou que me submeto pacificamente ao que aconteceu. Obviamente, que não! Mas procuro alargar a reflexão para tentar perceber que os criadores dos populismos loucos que vão aparecendo no mundo, têm responsáveis bem identificados e seguramente que não é só o povo a que se deve atribuir as culpas ou fazer dele o bode expiatório do descalabro em que mergulha o mundo.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Decálogo da caridade nas palavras de quem é carenciado

1. Tem compaixão de mim! Sofre comigo. Sofre por mim. Compadece-te. Move-te e comove-te. Antes de abrires a mão, abre o teu coração!
2. Depois, começa por inclinar o teu ouvido ao grito da minha miséria. Escuta-me atentamente. Conhece-me pelo meu nome, aprende de cor a minha história.
3. Se tens olhos e vês, olha para mim; e não dês esmola, de esguelha, para não veres mais e fugires de mim.
4. Conversa comigo. Tenta saber o que realmente me faz falta! Quem sabe se eu precisarei somente de quem me encoraje.
5. Não me dês nada de mão beijada. Isso é coisa dos ricos. Compromete-me a mim, na solução do meu problema, mesmo que eu próprio tenha de dar o meu quase nada, que é afinal tudo o que tenho.
6. Compromete também os outros, pois também te sentirás pobre e incapaz de resolver, sozinho, todo o meu problema.
7. E não julgues que estou curado, só por estar resolvido, de imediato, o meu problema. Abre-me também os olhos, ensina-me a viver, a trabalhar e a comer, a ser limpo e a poupar.
8. Mas sobretudo encaminha-me para lugares certos. Porque o número de cegos que me querem guiar, levar-me-ão a cair de novo com eles e então será “de caixão à cova”. 
9. Quero viver na Luz. Se és cristão, mostra-me a tua fé, conduz-me a Jesus e ao seu Amor. Talvez não saibas, mas “a falta de Deus é a raiz mais profunda de todo o meu sofrimento” (cf. Bento XVI, Deus é Amor, n.º 31).
10. O programa do cristão — o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus — é «um coração que vê ». Este coração vê onde há necessidade de amor, e actua em consequência (cf. Bento XVI, Deus é Amor, n.º 31).
P.e Amaro Gonçalo, em www.abcdacatequese.com

Nada melhor para ilustrar este decálogo e a tira da Mafalda do que o poema do Manuel da Fonseca: Dona Abastança.
Dona Abastança
«A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.

Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»

Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.

A fome de poder e de dinheiro

A frase do Papa Francisco suscitou-me esta reflexão. Antes de tudo sublinho já, tomara que esta loucura desenfreada pelo dinheiro e pelo poder fossem coisas só destas bandas eclesiásticas...
Vamos à frase: "Também na Igreja, há aqueles que em vez de servir, de pensar nos outros, de estabelecer as bases, se servem da Igreja: os carreiristas, os apegados ao dinheiro. E quantos sacerdotes, bispos vimos assim. É triste dizer isso, não? A radicalidade do Evangelho, do chamamento de Jesus Cristo: servir, estar ao serviço de, não parar, ir ainda mais longe, esquecendo-se de si mesmo. E o conforto do status: eu atingi um status e vivo confortavelmente sem honestidade, como os fariseus de que fala Jesus, que passeavam pelas praças, para serem vistos pelas pessoas” (Papa Francisco, homilia da missa na Casa Santa Marta, 06/11/2016).
É muito verdadeira a frase do Papa Francisco. Mas é uma face da moeda ou um bico de uma realidade com vários bicos. Está feita e bem feita a denúncia. Ao Papa, e não só, compete falar assim abertamente e com coragem. A dimensão profética exige, que olhemos para fora e para dentro, lendo o bem e o mal que nos rodeia. Nada é mais honesto que isto.
Porém, também será necessário lembrar que a corrida frenética de muito clero pelo poder, pelos títulos e pela importância que o topo da hierarquia católica confere, nunca deixarão de existir, sem que a própria Igreja Católica deixe de ser uma hierarquia piramidal para se tornar uma hierarquia circular. Assim, devia caber hoje ao Papa Francisco dar passos nesse sentido. Mas muito pouco de concreto nesse sentido se tem visto. Há o seu exemplo, o seu apelo, o seu discurso. Mas vontade de mudança com pessoas e medidas concretas que ajudassem nesse sentido pouco ou nada há. Esta constatação, faço-a com muita pena, porque o Papa Francisco, pode, fatalmente, revelar-se mais tarde ou mais cedo uma oportunidade perdida. 
Explico-me. É ao Papa (tomara que muitos dos nossos bispos lhe tomassem o exemplo) que compete denunciar como faz muito bem o Papa Francisco, mas também compete a ele tomar medidas para que tais apetites não façam sentido acontecer e sejam ridículos perante a fraternidade nessa tal Igreja Católica do ideal evangélico. Enquanto não for uma comunidade de irmãos e irmãs iguais entre si, a Igreja será sempre o último reduto de um império onde vai continuar acontecer a loucura pela subida hierárquica e haverá sempre muitos que se servirão da Igreja ao invés de a servirem. As estruturas fortemente hierárquicas e fechadas à fraternidade e igualdade entre fiéis permitem sempre é inevitavelmente essa luta frenética pelo poder, pelos títulos e pela importância. 
É tão difícil que a loucura pelo dinheiro não aconteça porque é também esta mesma Igreja Católica que faz tão pouco pelos seus sacerdotes quando ficam doentes e idosos. Provavelmente, não faltarão muito maus exemplos a este nível na Igreja Católica, a começar entre nós. Essa insegurança e falta de garantias futuras, fazem com que os sacerdotes se vejam tentados pela obsessão pelos bens materiais e quando essa obsessão é cega provoca escândalo e prejudica gravemente a imagem da Igreja.
Neste sentido, são lógicas e consistentes as denúncias do Papa Francisco neste domínio dos apetites pelo materialismo do clero e a fome pelo poder ou pela importância que os cargos e títulos eclesiásticos conferem. Mas, como consequência disso, esperamos que o Papa implemente medidas, para que toda a Igreja se torne mais fraterna e inclusiva em todos os seus aspectos. Não cabe aqui uma Igreja que recusa a transparência e a abertura ao diálogo com os fiéis. Oxalá, que as denúncias tenham consequências, mas, infelizmente, não me parece, pelo que vou vendo...