Convite a quem nos visita

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Uma boa governação

Escrever nas estrelas
1. Os sucessos ou os insucessos, os acertos ou os erros de quem governa depende o bem do país, da região, do município ou de qualquer colectividade que implique serem governados por eleitos, nomeados e escolhidos para serem os principais responsáveis pela administração dessa realidade. 

2. Por causa das azias que hoje fazem roncar os estômagos do povo em geral contra os políticos e as suas políticas, algumas pessoas começam a se manifestarem contra o facto de algumas vezes rezarmos pelos governantes. Dizem que não vale a pena, eles não merecem, porque continuam na mesma e até cada vez piores.

3. Vamos então lembrar que quando se reza pelos governantes, rezamos para que o bem comum seja bem administrado. Obviamente, que desejamos o melhor para todos em termos de saúde, paz e tudo o que se deve desejar de bom para qualquer pessoa, seja ela quem for e tenha qualquer função e missão na vida e no mundo. Com toda a certeza que é tudo isso, mas muito mais está em causa quando nos compenetramos nessa interioridade, que se chama rezar.

4. Assim, quando se reza pelos governantes, pensamos neles claramente, mas pensamos também nos bens que pertencem a todos, isto é na necessidade de vermos boas medidas de governação que tenham em conta a inclusão de todos os cidadãos, que gerem ou promovem o trabalho digno para todos, que promovam a família, façam desaparecer a pobreza, tenham vista um sistema de educação com qualidade para todos os cidadãos que por hora começam a sua história de vida e, enfim, que possam, os governantes, serem promotores de verdadeiras medidas que proporcionem aos cidadãos uma qualidade irrepreensível de vida em termos de saúde…

5. Enquanto não vermos sinais de que há da parte dos governantes um verdadeiro interesse quanto à boa administração do bem comum e uma dedicação zelosa quanto a essa causa ou missão, cada vez mais, o descrédito dos agentes da governação irá ser cada vez maior e a simpatia pela democracia uma miragem cada vez mais distante do olhar dos cidadãos. A oração pela boa governação é sempre necessária, porque não são eles os principais visados, mas a sociedade em geral que almejam ter vida como convém e como tem direito. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A esperança e os talentos que não são para enterrar

Pão quente da Palavra
1. A esperança no futuro, que em Deus, será sempre glorioso, dá sentido à vida presente. Assim, os cristãos não são uns desesperados agora, mas contagiam o mundo para a esperança e para a certeza de que o futuro que nos espera não é de condenação, mas a alegria da festa do amor de Deus em plenitude.

2. Neste sentido Jesus no Evangelho manifesta claramente de como devemos esperar a Sua vinda. Em primeiro lugar não deve assistir-nos qualquer sombra de medo e depois fazer todo o empenho para fazer frutificar os «bens» que Deus confia a cada um, os chamados talentos. E a seguir «condena» aqueles a quem Deus entregou talentos, mas tomados pelo medo instalam-se no comodismo, na apatia e não foram capazes de fazer render os dons de Deus e privaram a humanidade dos frutos que tais bens vinham proporcionar.

3. Reproduzo aqui o diz o teólogo do País Basco, António Pagola comentando precisamente esta parábola: «A mensagem de Jesus é clara. Não ao conservadorismo, sim à criatividade. Não à obsessão pela segurança, sim ao esforço arriscado para transformar o mundo. Não à fé enterrada sob o conformismo, sim ao seguimento comprometido de Jesus. É muito tentador viver sempre evitando problemas e procurando tranquilidade: não se comprometer em nada que possa complicar a vida, defender o nosso pequeno bem-estar. Não há melhor forma de viver uma vida estéril, pequena e sem horizonte. O mesmo acontece na vida cristã. O nosso maior risco não é sairmos dos nossos esquemas de sempre e cair em inovações exageradas, mas congelar a nossa fé e apagar a frescura do evangelho».
 
4. Todos nós devemos ser responsáveis e com toda a honestidade assumir cumprir os nossos deveres com dignidade, com a consciência de que por mais pequena que seja a tarefa, ela contribui para a beleza do mundo e da vida. Já a Madre Teresa de Calcutá tinha ensinado assim que «por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota». Que a vida de cada um de nós seja um hino ao bem fazer em cada dia, para que aquilo que somos faça sorrir alegremente todos os que são bafejados com as nossas acções. Que nada nos faça enterrar os talentos. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Deus e eu

José Edgar Marques Da Silva, enfermeiro... Uma descoberta interessante e importante em «Deus  e eu»... Simplesmente saboroso. Obrigado pelo seu sentido testemunho.

A vida ensina, o erro o nosso mestre. Deus observa.

Respeito-O nessa qualidade de observador.

Uma mente aberta, num corpo, com um espirito que observa para além do horizonte, consegue apreender com o erro e nas relações que estabelece com outros seres, permite-lhe fazer escolhas, sem se deixar manipular: julgo que Ele que observa assim o quer.

Nas relações entre os Homens, sem dúvida emerge sempre uma relação com Ele; uma relação que surge de forma natural, e que emerge, muitas vezes perante situações da vida aflitivas, ou com os tais medos, alguns, concebidos por nós mesmos, outros impostos, e que a maldade e a intriga humana, Lhe atribui a uma divindade que outros “lhe faz jeito” ser castradora, com o objectivo de subjugar , subverter e impor.

 Algumas vezes, perante situações de risco da vida, ou de perda de saúde, uma ameaça clara, à convivência  com o sofrimento, e a dor; as quais devemos encarar como provas a vencer,  na aquisição de uma maior capacidade de resiliência, algo que treina e nos molda o espírito, e que orienta para uma relação de proximidade em conversas com Ele; monólogos interiores, que esporadicamente extravasam para fora, frases soltas, que querem apenas cativar a atenção numa procura desesperada de respostas, a dúvidas só nossas.

O ser humano, quando “tudo lhe corre bem”, tem a tendência para subvalorizar as grandes coisas da vida, e sobrevalorizar, as pequenas coisas, muitas das quais, sem valor, no cimentar, realmente aquilo que o impele, a uma  luta, diária e titânica, para construir e amadurecer, um ser e um espírito, forte, sensível, em harmonia com a realidade que o rodeia, e com aquela que o transcende, que eventualmente é, o seu acreditar, em algo mais além: por isso não pode nem deve, se deixar distrair, tem de se fazer ao caminho, estar atento a quem observa.

Esta caminhada, que faço, escolho-O, como um amigo, para me acompanhar e guiar, o meu amigo espiritual, com o qual, se conversa no silêncio das horas mais problemáticas, mas também, nas horas festivas; devemos estar agradecidos sempre, não só em, dividir os problemas, mas agradecer, a Ele, o  encontrar os trilhos e os caminhos, que ensinam a viver, e a saber, aceitar as escolhas que fazemos: são todas da nossa inteira responsabilidade, falhar e assumir o erro, é digno dos grandes Homens, assim como insistir, e sempre se levantar a cada queda ou rasteira.

Incrível, na minha profissão de enfermeiro, muitas dessas “horas problemáticas” me são emprestadas por seres que sofrem, no físico e no emocional, não são poucas as vezes, que temos de construir elos de entendimento e compreensão; sozinhos não fazemos o caminho, são poucos os que o conseguem.

A minha relação com Deus é assim, amizade, conversas num silêncio que conforta e ajuda a crescer na espiritualidade, amadurecendo a forte convicção de que algo, mais além, vale a pena apostar, e fortalecer um espírito que vencerá a barreira da vida, mesmo que longa, ela um dia será libertação de um invólucro, de um corpo que cumpriu a sua função: viver em plena felicidade e harmonia.

Não existe nesta relação, obrigação, que vá para além da minha vontade, assumo que nesta relação, não existem regras, a não ser as que unem os “bons amigos”, numa disponibilidade, que julgo, e acredito ser recíproca, não existem medos, inclusive o único pecado aceitável, entre nós, seria de alguma forma, trágica e jamais aceitável, perder uma amizade da qual depende o futuro do meu ser espiritual, aquele que terá um dia, também de aprender a crescer, nada que meta medo a ninguém, se a vida for assim, num acreditar que algo, de melhor, nos aguarda... Acreditar é uma questão de esperança... Não de confirmação.

A via é bela, sim, mas apenas e só, se conviver com o amor e Deus é isso, simplesmente só isso, Ele manifesta-Se, quando o outro retribui... Precisamos apenas de estar atentos, talvez se tenha a sorte de encontrar a tal confirmação desejada por muitos.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A sexualidade dos padres

Comensal divino:

1. Eis o extraordinário mundo novo que se inicia a partir da Madeira, Diocese do Funchal. As mudanças que se anteveem parecem ter gestação na «pérola do Atlântico». Nada melhor para encher ainda mais o orgulho de muitos madeirenses que sempre acharam a Madeira o centro do mundo e que deste umbigo universal está toda a razão de ser da existência. A meu ver deve ter sido precisamente aqui neste lugar, que ao sétimo dia, Deus com as suas mãos estafadas de moldar o barro para fazer o exemplar Adão e Eva, recuperou as forças de tão afanada obra criadora.

2. Sempre me fez muita confusão ver os Papas, os bispos e os padres a serem os convidados de honra nos encontros, pequenos ou grandes, sobre a família, para falarem precisamente sobre família e como nela se vive a fidelidade no casal, a educação dos filhos, a ensinarem como se resolvem todos os problemas inerentes ao ser família tal como a conhecemos. Sempre evitei ao máximo falar do que não tenho experiência e muito raras vezes encetei viagem por esse caminho. Desperta-me muita perplexidade que os ensinamentos venham de quem teve que abdicar de constituir família em nome da causa e da missão pelo Reino de Deus. É assim e ponto.

3. Esse festim era o que tanta gente pode testemunhar, principalmente, os grupos e movimentos ligados à família sejam mais ou menos religiosos. A conversa versava sobre família assim, família assada, educação assim, educação assada... Com regras e mais regras sobre a vida sexual, procriação, matrimónio civil, matrimónio canónico, regras e mais regras para padrinhos, regras e mais regras para procriar, exclusão e excomunhões se algo falhasse... Mas, despertou agora a opinião pública e a da Igreja Católica - e todos sabemos o que foi, não necessito de reafirmar - a realidade da vida inverteu-se, e como que a talho de vingança, todos sabem de tudo sobre a vida do clero. Será caso para dizer-se «o feitiço voltou-se contra o feiticeiro»? – Porque estou para ver o que isto vai dar e como reagirá quem sempre achou que podia ensinar o melhor dos mundos a partir da sua «sabedoria» sobre a família com muita teoria, mas em fuga da experiência prática familiar.

4. No mesmo patamar, por estes dias, adensou-se ainda mais a minha confusão, por ver uma onde crescente de leigos especialistas em padres, sexualidade dos padres, celibato dos padres, castidade para os padres, vida geral dos padres, filhos dos padres (não imaginava que existia tanto padre por aí a procriar, honra lhes seja feita, já que quem deve procriar não o faz, então que sejam estes a contribuir para o rejuvenescimento da nossa tão envelhecida população) e a infinidade de doutrina relacionada com a vida do clero. É caso para humildemente manifestar aqui a minha mais sincera gratidão, mas fica claro, que se antes me fazia remover as tripas a doutrinação sobre a família e a vida em casal, feita pelos solitários, não menos elas se removem com a doutrinação sobre castidade, celibato e fidelidade e moralismo sexual, produzida pela plêiade de gente, adúltera, recasada uma, duas, três e quatro vezes… Portanto, vamos com calma e que a vida se faça com serenidade, porque sobre tudo e sobre todos ainda temos muito que aprender, até porque cada pessoa é um oceano imenso, sempre como construção inacabada e imperfeita.

sábado, 11 de novembro de 2017

A Igreja agitada e a comunicação social excitada

Ao sétimo dia
1. É verdade que o tempo da Igreja Católica não se acertou com o tempo da comunicação social. Também é verdade que a história da Igreja é milenar. A história da comunicação social é apenas quase centenária. Porém, nesta guerra do tempo e o modo, sem equipas de padres e leigos bem preparados para lidarem convenientemente com estes novos sinais, a Igreja como instituição perderá sempre, mas toda a sociedade sairá irremediavelmente perdedora. A acção do segredo e a tentação de esconder o que não dá jeito, o escândalo e as más notícias, hoje não cola e não serve ninguém. A transparência e a antecipação devem ser as «armas» utilizadas contra a surpresa e o impato mediático, estes que são o limento da comunicação social dos tempos de hoje.

2. Noutro âmbito, mesmo que relacionado com o tempo, podemos constatar. Uma, a Instituição Igreja Católica, leva muito tempo a ponderar, a responder a perguntas e, nomeadamente, reage e muito raramente age por antecipação. Isto levanta todos os problemas e dissabores sobejamente conhecidos… Um verdadeiro drama, difícil de solucionar, ainda mais quando os principais responsáveis da Igreja Católica, que podiam encetar alguma alteração deste modus vivendi não estão para aí virados ou simplesmente não se deixam sensibilizar por este sinal dos tempos.

3. Outra, a comunicação social, tem sempre muita pressa, tudo é para ontem, porque é necessário não permitir que o adversário (outro órgão de comunicação social) se adiante e «roube» a novidade, o efeito surpresa e o impacto da notícia. Este é um retracto da realidade. Mais há mais.

4. Por um lado, a Igreja Católica, concorre com a responsabilidade milenar e centenária entre nós, o que lhe confere a exigência de ter que ponderar e responder com aturada consistência para que ao problema não junte mais problemas, mais ruído e mais nuvens negras. Muito compreensível em tantas situações, especialmente, quando estão em causa pessoas inocentes, que devem ser preservadas na sua dignidade, privacidade e tranquilidade. A sofreguidão noticiosa não pensa nisso. A vontade de «dar primeiro» fala mais alto, mas provoca muitas situações de profunda injustiça e fere o bom nome das pessoas e das instituições.

5. Por outro, a comunicação social que vive da «última hora» e do «em primeira mão», não conjuga os verbos ponderar, esperar e responder na ocasião certa com a devida consistência das várias pontas do acontecimento. A pressa, mesmo que se saiba que é inimiga da verdade, faz parte do perfil de qualquer órgão de comunicação social hoje.

6. Para a comunicação social excitada a hora certa é sempre agora. No fim, a Igreja Católica não compreende e custa aceitar a pressa da comunicação social, esta por sua vez, também muito menos compreende o silêncio e a eterna ponderação…

7. Enfim, andamos nisto! Uma, que se excita com a pressa, outra que se agita (diz sempre alguém) mergulhada na morosidade. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A vigilância e a preparação

Pão quente
Domingo XXXII Tempo Comum

1. Neste domingo somos convidados à vigilância. Devemos estar atentos aos sinais de Deus em todas as coisas da vida. Porque fomos colocados no mundo, para apreciar e saborear tudo o que ele apresenta sem destruir. Não cabem aqui egoísmos e nenhuma forma de ganância que ponham em causa os bens do mundo que nos foram oferecidos para sermos felizes e em tudo fazermos de tudo para que os outros também sejam felizes. Procuremos estar vigilantes para descobrir o que nos dá a vida e o que ela nos pede para darmos tudo o que for possível à construção do bem. Vamos pincelar os três textos que serão lidos nas missas.

2. A primeira leitura, oferece-nos a «sabedoria», o maior dom de Deus para nós. Mesmo que poucos pensem nisso, a grande preocupação de Deus é a felicidade da humanidade, por isso, coloca à sua disposição a fonte da vida, onde pode beber a sua felicidade. À humanidade basta estar atenta, vigilante e com o coração disponível para acolher em cada momento da sua vida essa oferta da salvação. 

3. Em São Paulo, aprendemos mais uma vez que a vida cristã assenta numa Pessoa, Jesus Cristo. O sentido da fé nessa realidade, confirma a esperança de que Ele virá ao encontro da humanidade inteira, para que seja salva e entre num tempo novo de paz e de fraternidade. Tudo isto pode ser possível se muitos de nós começarmos a viver o «misericordiar» do Papa Francisco nas palavras e obras, quando se trata de lidarmos com todos aqueles que nos rodeiam.

4. Devemos estar preparados não apenas para a morte, porque isso seria um pouco mórbido, mas para todas as coisas da vida. Por isso, a ideia que aqui se explana é que devemos nos preparar para acolher a vida a partir de Deus, seguindo aquilo que Jesus ensina e com Ele e por Ele, estarmos verdadeiramente empenhados na prática dos valores do Reino de Deus. O exemplo das cinco jovens que não se prepararam com o azeite suficiente para manter a luz acesa o tempo que era necessário, para esperarem o noivo, previne-nos que a mensagem de Jesus quando vivida com seriedade e verdade, faz-nos aptos a participar na festa da eternidade que Deus reserva para todos nós. A vigilância e preparação que aqui se fala, estão relacionadas com a fé e a esperança, o «azeite» que faz brilhar o coração no meio do mundo, onde as trevas por vezes são densas e assustadores. Sejamos luz para nós e para os outros. 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Deus da alegria! – Deus e Eu - Banquete da Palavra

João Francisco Kiko no espaço «Deus e eu» esta semana. 
Este rapaz, jovem de corpo franzino, é um vulcão em constante irrupção. Uma força da vida e da natureza que não deixa ninguém indiferente.... Bem vindo ao Banquete e o obrigado pelo teu testemunho de fé tão exemplar para mim. És um «apóstolo da alegria de Deus». Bem hajas por intuíres isso e nos contagiares tanto com essa dádiva. 

Sem dúvida é uma alegria receber um convite destes do meu amigo e pároco José Luís, a quem agradeço pela lembrança e confiança, mas também pela oportunidade de olhar um pouco a minha vida e ver a quantidade de vezes que as pegadas na areia era apenas 2, porque Deus me levava ao colo. Parabéns por esta rúbrica. 
Desde muito novo, pelas circunstâncias da vida, muito em concreto uma doença que caminha desde sempre comigo, tinha muitas pessoas que me diziam que tinha e devia rezar muito, a Deus e a Maria, que “eles” ajudavam e não abandonavam ninguém, e se fechavam uma porta abriam uma janela. E apesar destas circunstâncias, sentia dentro de mim, e visível na minha forma de viver uma alegria, especial, a tal janela que Deus abriu, mas que só muito mais tarde viria a perceber. E todos nós temos uma vontade intrínseca de dar nome às coisas. 
Com as oportunidades que a vida me deu, uma educação numa escola cristã como os salesianos, ser escuteiro desde muito cedo, e outras experiências, de âmbito cristão e não só, e tantos em quem ao longo destes anos conheci e vi no rosto esse Jesus, descobri que essa minha mesma alegria e energia tinham e têm um nome, tem um rosto... Jesus! 
Por vezes impressiona-me quando conhecemos cristãos tristes, enfadonhos. Não pode ser esta a cara, a vida de uma pessoa que conhece realmente este Jesus que é caminho, verdade e vida. Este Jesus que vive todos os dias em nós. Um Deus que é um Deus da vida, e não da morte, como muitas vezes “à boca cheia” proclamamos, mas nem sempre o vivemos. 
A minha relação com este Deus não tem muito que se lhe diga, e quem não a tem não pode perceber o conteúdo, mas pela sua simplicidade, é difícil de explicar, mas acho que isso torna-a tão especial, próxima e genuína. É um Deus com quem posso conversar, com quem posso simplesmente brincar, e ser verdadeiro, e até contar piadas das mais estúpidas que podem haver. Mas também um Deus com quem discuto, com quem desabafo, a quem exijo tanto por vezes, com quem amuo e com quem faço as pazes. 
Um Jesus na 2ª pessoa do singular, Tu, Jesus! E não o “Senhor” Jesus que por vezes nos distância de um Jesus tão próximo, tão genuíno, tão humano mas ao mesmo tempo tão sagrado. Aquele Jesus que me permite entrar numa igreja e sorrir-lhe, piscar-lhe o olho, até acenar apesar de poderem pensar que estou louco, e perguntar: “Como é Jesus, está tudo bem contigo?”. E mais do que isso, um Jesus que está presente no rosto de tantos que comigo caminham. 
E tal como um bom bolo tem o seu segredo, o ingrediente especial desta relação é apenas um: a Alegria. E é uma alegria que Ele me leva a partilhar, de muitas formas, como é a música uma das formas privilegiadas e que tanto nos aproxima um do outro e dos outros, mas acima de tudo a partilhar com a minha vida, para que através dela muitos possam também se aproximar e conhecer este Deus da alegria! Como se costuma dizer e assim finalizo: HAJA ALEGRIA!
João Francisco Kiko

A injustiça das palavras é uma tremenda «porcaria»

Comensal divino:
É com a maior frustração que vejo tanta «porcaria» contra a Igreja Católica da Madeira, como se não houvesse um trabalho escondido, realizado por esta, em favor dos mais pobres, da educação, da saúde, dos idosos, das crianças...
Ninguém refere, a multidão de gente que é alimentada todos os dias com palavras de esperança porque a vida levou-os ao chão, ninguém se lembra das palavras que todos os dias são ditas pela Igreja para que exista a paz e a fraternidade, o perdão e a responsabilidade de cada um por si e pelos outros.
Ninguém se lembra que já foi safo pelos padres em tantas coisas que em mais nenhum lugar encontrariam solução.
Ninguém se lembra que não podia receber sacramentos, ser padrinho, comungar e etc e mais cá mais lá encontraram portas abertas que os acolheram e foi-lhes dado o que não podiam receber se fosse para levar a letra pela letra.
Tanto que é feito, mas quando se trata de matar, morrem todos e mais ninguém escapa. E a credibilidade de uma instituição milenar e centenária entre nós, tanto faz tanto fez, que se salve ou seja morta, porque me apetece matar e destruir como se o mundo acabasse logo amanhã.
A fatalidade dos incêndios que nos últimos anos foram destruindo o nosso património florestal, o mais importante bem comum que temos, está a este nível. Nada importa que se salve e que permaneça, o importante é ficar satisfeito com o voyeurismo que sacie a alma. 
Sinto-me frustrado neste momento, porque a injustiça das palavras, dos comentários e opiniões é uma tremenda «porcaria». Bem dizia um padre que Deus já chamou à sua presença que para algumas pessoas, o que deviam meter na boca, não era a hóstia, mas uma brasa. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O inferno e o céu na relação com os outros

O caminho faz-se caminhando:

Nesse «inferno» que às vezes pode ser a relação com os outros (como dizia o pensador e filósofo Jean Paul Sartre), pode ser que também esteja a descoberta, outras vezes, do céu. Porque apesar de tudo a relação com os outros tem sempre duas faces. A fraternidade é o maior desafio deste mundo e da vida concreta de cada pessoa, porém, é essencial que este valor faça parte deste mundo e oriente o coração da humanidade. Está mais que provado que a ausência deste valor tem levado tanta gente e muitos povos à desgraça do sofrimento e da morte cruel. Precisamos todos os dias de inspiração divina, para não vacilarmos diante dos desentendimentos, as incompreensões e de tudo o que provoca as divisões na relação com os outros. A lucidez, a paz interior e o discernimento são valores que nos guiam, mesmo que nos custe e nos faça ter que «engolir» a exasperação e todo rancor. A consciência do amor e a abertura de espírito à riqueza da paz deve nos anime sempre para o perdão e para o saudável convívio fraterno. Não há outro caminho para que sempre valha a pena ter vindo esta vida e estar mundo. O caminho faz-se caminhando:

domingo, 5 de novembro de 2017

Um ponto importante é um ponto a ter em conta

Escrever nas estrelas
1. Julgar é fácil. Ajudar a reconstruir, é mais difícil. Mas é este o desafio mais bonito e premente que deve assistir as pessoas de bem, particularmente, se são cristãos. Porque seguem o Mestre Jesus Cristo, que perante as situações de condenação fatal, levanta do chão, perdoa e envia em paz. 

2. Quanto à questão, «Padre Giselo do Monte assume a paternidade de uma menina», está tudo mais que dito, mas o que importa mesmo é que saberá o Padre Giselo o que fazer com responsabilidade, não lhe faltarão mãos amigas e corações generosos para o ajudarem no que for necessário. Foi pena logo no início não se ter tido clarividência para matar à cabeça o assunto, com transparência e coragem, esvaziando-se dessa forma o efeito surpresa que as notícias em catadupa provocaram.

3. Porém, é preciso relevar um dado que tem sido esquecido pela miséria ou até devia dizer «porcaria», que se tem dito e redito por todo lado. Lembro as crianças que estão no meio desta história, que estão a ser e irão ser as principais vítimas. O restante do elenco, trata-se de adultos.

4. Toda a gente enche a boca, especialmente, os agentes da comunicação social, que não se deve entrar pela vida privada de ninguém, tenho visto nos últimos dias a vida privada de várias pessoas despejada no olho da rua à vista de toda a gente. Todos pensam, todos sabem, todos têm opinião… Não sobre a beleza da vida, a dignidade das pessoas, mas sobre o moralismo farisaico que deve sobrecarregar a vida das pessoas, «Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los» (Mt 23, 4). Muitos pensam que esta frase se destina só aos padres, mas por sinal foi dirigida aos fariseus, que existem em todo o lado e em todos os tempos em todos os quadrantes sociais.

5. No primeiro ponto disse que era a última vez que falava neste assunto e juro que farei todo o esforço para que assim seja. Porque, logo que o assunto caiu no pelourinho da comunicação social e depois de subir ao cadafalso das redes sociais, onde se tem despejado toda a porcaria que vai na alma das pessoas, tenho pensado principalmente, na bebé, na jovem mãe, no padre-pai e nas outras duas crianças. Outras pessoas deviam ser trazidas à liça, porque o caso implica muita gente. Mas deixo isso para outros pensarem e dizerem o que entenderem sobre cada uma das situações. E dentro do elenco que nomeei, centro-me ainda mais, penso com tristeza imensa nas três crianças, na sua situação hoje e no seu futuro.

6. Como se sentirão no futuro, quando crescerem e venham a ver tudo o que foi escrito nestes dias sobre as pessoas que as procriaram, as protegem, vestem e dão de comer nesta fase do seu crescimento? Como irão lidar com aquilo que foi dito do seu pai, da sua mãe e de todas as pessoas que fizeram parte do seu passado? Como serão tratadas na escola, na catequese e quando brincarem com as outras crianças, dado que todos sabemos que as crianças são cruéis entre si? Como se sentirão, se lhes apontarem o dedo, porque têm uma irmã ou meia irmã, que o pai é um padre? Como serão olhadas pelos adultos, quando vivemos numa terra que olha atravessado para tudo o que é diferente? Como serão encaradas no contexto social onde habitam? Como se integrarão na escola, na catequese, nas brincadeiras e nos lugares onde andam as crianças hoje (grupos desportivos, clubes e outros)?

7. Nestes tempos em que nos inquietamos com o problema do bullying nas escolas, com o sofrimento horrível que isso acarreta para as crianças e que as marca indelevelmente para o futuro, acho que devíamos estar a opinar com mais seriedade e com mais qualidade sobre um assunto tão delicado, porque estão crianças envolvidas. Os acusadores da «porcaria» de hoje, facilmente se converterão em carpideiras face ao sofrimento que seguramente irão passar estas crianças amanhã.

sábado, 4 de novembro de 2017

A nossa Madeira nova perfeita

A versão madeirense de Eça de Queirós em o "Crime do Padre Amaro", provocou uma verborreia de comentários tão eruditos, juízos de valor tão aturados, incomportável sabedoria de tanta gente sobre leis da Igreja e compromissos... que, aparece, que passamos a viver numa sociedade tão perfeita que deixou de haver traição, adultério, infidelidade, filhos fora do casamento, mães solteiras, violência doméstica, divórcios, separações, filhos das varas verdes, casais desavindos, famílias desfeitas, homens e mulheres com filhos de várias mulheres e vários homens, etc. Tudo tão sério, tudo tão impecável, tudo tão honesto, tudo tão bonitinho, tudo tão fiel, tudo tão feliz... Que perante tanta perfeição, se acabasse de chegar pela primeira vez a esta pequena porção de terra deste Planeta, provavelmente, acreditava que estava no melhor dos mundos. Só para lembrar, os perfeitos deste mundo já estão todos nos cemitérios. 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Viver em liberdade

Ao sétimo dia
1. Para São Paulo, no seu tempo, a escravidão, era submissão de uma pessoa à arbitrariedade de outra, que tinha riqueza ou poder para dominar os outros.

2. Neste tempo, que é o nosso, também podemos entender que os escravos de hoje são os que foram dominados pela toxicodependência (drogas), o álcool, as tecnologias (telemóveis, ipads e computadores), redes sociais, álcool, fama (vontade de aparecer e o culto desmedido pela imagem).

3. O mais importante é sempre entrar por caminhos, que embora tenham curvas e contracurvas, vão sendo feitos com os dois pés bem assentes no chão com o equilíbrio da razão e a sensibilidade do coração. A fé e a esperança são condimentos importantes para que aconteça o amor, a única meta que importa atingir, quando se entra em qualquer caminho.

4. A liberdade perante os caminhos que se impõem como potenciais opressões, deve ser exercida com coragem para os recusar, mesmo que isso implique acolher outras opções que logo à partida não pareçam aliciar tanto ou até tragam algum sofrimento. O prazer final de que se conseguiu é uma sensação que os verdadeiros campeões sabem bem o que é. Perante os caminhos da vida bastará esta consciência: «tudo quanto aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade» (Victor Hugo). Descobrir a liberdade sem amarras, deve ser um exercício frequente.  

O radicalismo nas religiões

Escrever nas estrelas
1. O radicalismo, há-os em todas as religiões. Nenhuma se pode gabar de não ter integristas que não olham a meios para fazer valer as suas manias pessoas envoltas nas mais piedosas atitudes. Porém, hoje salta-nos à vista mais fortemente o radicalismo expresso na Religião Islâmica, com a proliferação de grupos radicais fundamentalistas armados até aos dentes, que não se inibem quanto à espoliação, expulsão e morte de populações inteiras se não se converterem ao Islão ou então não aderirem às pretensões desumanas dos ideais que estes fundamentalistas defendem.

2. Não nos admira que o fundamentalismo encontre facilmente aderentes no seu local próprio, isto é, entre as famílias muçulmanas, onde a educação e a vivência segue os trâmites da tradição e regras islâmicas. Porém, deixa-me perplexo e impressiona-me sobremaneira que este radicalismo encontre adeptos no Ocidente entre famílias cristãs católicas onde a educação está marcada por uma ética ocidental cristã.

3. Tudo deve ter a ver com a facilidade de acesso aos meios de comunicação dos nossos tempos. Antes parecia dar-nos alguma tranquilidade que a guerra estava longe, a fome acontecia em países distantes «habituados» a serem pobres como os de África, Médio Oriente e alguns da Ásia e América Latina. Este pensar já não pode tranquilizar-nos mais, porque a qualquer momento pode ser gerado no seio de uma qualquer família cristã católica um radical que pronuncia palavras em nome de um «deus violento», cuja ideia do martírio pode ser o mais disparatado possível.

4. Neste sentido, devemos estar atentos, educar bem as crianças no sentido de que a religião é um caminho de libertação e de sentido da vida. Não pode nenhuma expressão religiosa ser caminho de opressão e de manipulação, não pode ser lugar do martírio contra a dignidade e a vida dos outros. Se tiver que ser martírio que seja na promoção da vida e do bem para todos. A verdadeira religião ensina que, se necessário for, morremos pelo bem e nunca pelo mal.

5. A religião não precisa que sejamos tão sérios ao ponto de fazer sofrer só porque a cegueira tomou conta do coração e da alma. Precisamos de procurar uma vivência religiosa que faça crescer o mundo na fé e na esperança, nunca distorcendo a verdade para que os intentos egoístas sejam a regra da comunidade mergulhada na mais profunda cegueira e no obscurantismo anacrónico.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Deus e eu

Rubrica «Deus e eu», esta semana com o Flávio Matta. Obrigado Flávio por teres aberto a sala do teu coração para que Deus entrasse e nós com Ele...

Não consigo imaginar a minha vida sem Deus. Preciso d’Ele para viver em harmonia comigo próprio e com os que me rodeiam. Preciso d’Ele para conhecer-me e aperfeiçoar-me, cada dia mais, como ser humano, seja na minha condição de pai, esposo, filho, colega ou amigo.
O Rei Salomão dizia que a vida é uma dádiva de Deus. Logo, como poderemos viver sem Ele? Como poderemos usufruir desta dádiva na sua máxima plenitude se não O tivermos lado a lado connosco? Não é possível! Viver com Deus não significa que tenhamos de viver alheios às provocações do Mundo como muitos poderão pensar, antes pelo contrário. Se a nossa Fé for forte, nada devemos temer, independentemente do tamanho das tentações. Se Deus estiver em nós, nada nos desviará do rumo que nos conduz a casa d’Ele.
Numa sociedade que se depara com inúmeras tentações e em que o conceito de moral e o de bom senso é, muitas vezes, apelidado de caduco e ultrapassado, reconheço que não é fácil dar testemunho da presença de Deus na nossa vida, como companheiro do nosso dia a dia. É assim que O vejo: não alguém pronto a castigar-me mas Alguém que me ajuda a não errar e que me fortalece quando perante determinados obstáculos desistir seria a saída mais fácil.
Sempre que os nossos amigos visitam-nos em casa, temos a tendência de recebê-los na nossa sala, que é o lugar mais nobre da nossa habitação. Então, porque é que não fazemos o mesmo com Deus na nossa vida? Se o lugar mais nobre em cada um de nós é o nosso coração, saibamos convidá-Lo a entrar e a permanecer connosco todos os dias. E quando a vida nos correr menos bem, saibamos ir ao encontro d’Ele e pedir-lhe aquela luz que ilumina o nosso Caminho. Deus sabe o que é melhor para cada um de nós mas deu-nos a liberdade de escolhermos tê-lo ou não connosco. Eu decidi tê-lo!

Todos os Santos

Poema:
Hoje é dia de todos os santos: dos que têm auréola
e dos que não foram canonizados.
Dia de todos os santos: daqueles que viveram, serenos
e brandos, sem darem nas vistas e que no fim
dos tempos hão-de seguir o Cordeiro.
Hoje é dia de todos os Santos: santos barbeiros e
santos cozinheiros, jogadores de football e porque
não? comerciantes, mercadores, caldeireiros e arrumadores
(porque não arrumadoras? se até
é mais frequente que sejam elas a encaminhar o espectador?)
Ao longo dos séculos, no silêncio da noite e à
claridade do dia foram tuas testemunhas; disseram sim/sim e não/não; gastaram palavras, poucas, em rodeios, divagações. Foram teus
imitadores e na transparência dos seus gestos a
Tua imagem se divisava. Empreendedores e bravos
ou tímidos e mansos, traziam-te no coração,
Olharam o mundo com amor e os
homens como irmãos.
Do chão que pisavam
rebentava a esperança de um futuro de justiça e de salvação
e o seu presente era já quase só amor.
Cortejo inumerável de homens e mulheres que Te
seguiram e contigo conviveram, de modo admirável:
com os que tinham fome partilharam o seu pão
olharam compadecidos as dores do
mundo e sofreram perseguição por causa da Justiça
Foram limpos de coração e por isso
dos seus olhos jorrou pureza e dos seus lábios
brotaram palavras de consolação.
Amaram-Te e amaram o mundo.
Cantaram os teus louvores e a beleza da Criação.
E choraram as dores dos que desesperam.
Tiveram gestos de indignação e palavras proféticas
que rasgavam horizontes límpidos.
Estes são os que seguem o Cordeiro
porque te conheceram e reconheceram e de ti receberam
o dom de anunciar ao mundo a justiça e a salvação.
Maria de Lourdes Belchior

O dia das bruxas – coitado do 31 de outubro

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1. É sempre bonito ver as escolas em festa. Aprecio as festas do Natal, as do Carnaval, as da Páscoa, as do desporto e todas as que estão relacionadas com os aniversários da escola e com tantas outras actividades culturais e recreativas que as escolas levam a cabo. Porém, entristece a festa das bruxas que várias escolas celebram neste dia.

2. As crianças – algumas porque as diferenças económicas de muitas famílias criam sempre um ambiente de descriminação e de diferença muito grave também neste aspecto – passam vestidas de bruxas, de bruxos, de zorros e outras figuras aberrantes e negativas. A carga negra que isto implica não me convence nada que seja benéfico para educação das crianças. Entendo que serve mais à causa do medo. Também serve para que as pequenas cabecinhas inventem fantasmas e negativismos que os irão acompanhar na vida toda.

3. Falo do que sei e da experiência concreta nas minhas lides com pessoas marcadas por bruxarias e todas as macaquices deste género que os adultos semearam na infância. Daí terem que percorrer todas as seitas religiosas, movimentos carismáticos, exorcistas, bruxos ou mágicos, para que as libertem dos medos e das desgraças que carregam na cabeça. Também vale a pena não esquecer o que é já um dado mais que badalado, o mercantilismo que esta festa implica.

4. Mas nem tudo é mau. Ouvi a notícia que por estes dias algumas escolas católicas no Norte da Europa iriam vestir as crianças neste dia de santos. Interessante e educativo, porque marca os pequeninos com uma memória positiva e com ensinamentos baseados em pessoas concretas, históricas e com vidas exemplares.

5. Assim sendo, seria necessário chamar à colação um certo discernimento às cabeças adultas e para que não se cansem de transmitir às crianças o que de melhor tem a vida e tudo o que ela implica de bom e de belo. Mais importa que saibamos todos sermos sempre positivos e apresentar imagens de luz no coração das crianças. Dará o mesmo trabalho, até penso que custa menos dinheiro e tempo, ser mais positivo e menos negativo. 

sábado, 28 de outubro de 2017

O Dia das Bruxas e o Pão por Deus

Ao Sétimo Dia
1. O Dia das Bruxas ou Halloween é festejado na noite de 31 de Outubro. Foi levado para os Estados Unidos pelos colonizadores, o Halloween é, hoje em dia, uma das festas mais populares do país. Fantasiados conforme manda o figurino fantasmagórico, meninos e meninas percorrem as casas vizinhas repetindo a frase: "Trick or Treat?" (travessuras ou gostosuras), e recebem doces em troca do sossego dos donos da casa. O marketing e o imperialismo americano encarregaram-se de expandir este costume para todo o mundo, fazendo com que as tradições locais, como a nossa do «pão por Deus», fossem perdendo sentido. Algumas escolas e alguns professores encarregaram-se de fazer esse serviço às bruxas.

2. O Dia das Bruxas teve origem há centenas de anos atrás, onde é hoje a Grã Bretanha e no norte da França. Lá viviam os celtas. Os celtas comemoravam o Halloween. Eles tinham uma religião chamada Wicca. Os sacerdotes wiccas eram chamados druidas. A palavra halloween é originária do inglês, onde é a contração de duas palavras: hallowed - santo e o final "e'en" - noite, ou "All Hallow Eve", que significa Noite de Todos os Santos. É comemorada no dia 31 de Outubro, véspera de Todos os Santos. O Halloween pretende exorcizar as almas ou os fantasmas que se acreditava estarem por esta altura do ano a vaguear pelo mundo. Por isso, as pessoas vestiam-se com roupas andrajosas e assustadoras, com máscaras feitas de aboboras, para que ao saírem de casa os espíritos não os reconhecessem.

3. O Pão por Deus reveste-se de uma ideia mais positiva, menos relacionada com o mundo dos mortos e mais ligada aos vivos. Na manhã de Todos os Santos, as crianças juntavam-se, saíam à rua batendo de porta em porta a pedir o «Pão por Deus». No fim do dia, os sacos de pano das crianças ficavam cheios de romãs, maçãs, doces, bolachas, rebuçados, chocolates, castanhas, nozes e algumas vezes, algum dinheiro… Muitas dessas dádivas eram para as próprias crianças saborearem, mas outras iguarias estavam destinadas aos pobres.

4. O mundo é o que é. A vida passa e os costumes alteram-se. Porém, vemos com pena a morte da tradição do Pão por Deus, para dar lugar a outro costume que é menos educativo, mais sedutor, provavelmente, mas de longe mais exemplar para o que deve ser a vida em sociedade e em família, onde se deve coexistir com a partilha. As imagens que ilustram este texto, já por si são bem reveladoras, do que uma e outra imprimem. Deixamos aqui esta reflexão «Ao Sétimo Dia» no Banquete da Palavra, para que pensemos nas duas formas de educação e que cada um tire a sua conclusão. Bom Halloween e bom Pão por Deus.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A ambivalência da noite

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A ambivalência do termo «noite» é qualquer coisa que nos intriga sobremaneira. Mas percebe-se se nos pomos a pensar no que nos dá e no que nos ensina essa rica ambivalência.
Por um lado, sem ser contra o dia, é o melhor tempo para a libertação, para o repouso, para o silêncio e para muitos a ocasião propícia para dar largas à sua criatividade. Tantas vezes se ouve dizer que a criação literária nasce mais fértil durante a noite e que para os estudantes não resta melhor tempo fora das aulas senão o tempo da noite para estudarem as várias matérias dos seus cursos… Para a maioria, a noite retempera as forças e apaga do mundo por horas os cérebros que se recompõe mais uma vez para dar vida e realidade aos projetos e aos sonhos.
Por outro lado, a noite ao contrário do dia é símbolo do mal. Pela calada da noite, a violência fere a dignidade e conduz à mansão dos mortos. A noite esconde os maus comportamentos e normalmente é o tempo da libertinagem. Os jovens aproveitam a noite para se embriagarem, drogarem e pisarem o riso no domínio do sexo. É pela noite que se fazem os roubos, embora nos tempos que correm a cortina da noite já não seja necessária para os cobiçadores do alheio. Não admira que sejam tantos a ter medo da noite. São incontáveis as formas que nos ajudam a combater as trevas, essa dimensão do escuro, que eternamente a humanidade combate.
A noite serve para tudo e para todas as coisas da vida, sejam boas ou sejam más. A noite é a geradora das trevas, a contraposição que nos permite saborear a luz. Por isso, salva-nos a luz que cada manhã oferece sempre. Já está dito e rezado por São Francisco de Assis no maravilhoso «Canto das Criaturas»: «A longa noite escura / É gémea da manhã».

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Deus e o próximo

Pão quente
Domingo XXX Tempo comum
Neste domingo, a liturgia deixa bem claro que a salvação do mundo ou passa pelo amor ou então andará sempre assim tão desarranjado tal como se apresenta desde sempre e mais ainda no nosso tempo. Os crentes, especialmente, têm esta tarefa essencial, dar testemunho de que se deixam conduzir pela força transformadora do amor.
O Apóstolo São Paulo dá conta à comunidade de Tessalónica a grande alegria que sente, pelo facto de a comunidade se ter tornado exemplar, pois abdicou dos ídolos e converteu-se, sob a ação do Espírito Santo, a Deus.
Esta mensagem encontra um eco muito grande no mundo de hoje, são muitos os ídolos que se fabricam por todo o lado. Por isso, este regozijo de São Paulo em relação à comunidade dos Tessalonicenses, para nós converte-se em apelo. O mundo de hoje precisa de descobrir que os ídolos que se fabricam por todo o lado, são efémeros, não salvam e muito menos conduzem à felicidade verdadeira.
As frequentes modas que a lógica mercantilista que o nosso tempo fabrica, facilmente manipulam as pessoas, especialmente, os jovens, que se encontram perdidos sem oportunidades de emprego e sem puderem dar resposto ao seu anseio de constituírem família.
No livro do Êxodo Deus deixa bem claro que não aceita de forma alguma que continuem as situações intoleráveis de injustiça, a violência arbitrária, a opressão e o desrespeito pelos direitos e pela dignidade dos mais pobres e dos mais frágeis, vítimas da loucura do poder que se instala nos tronos não ao serviço do bem comum, mas dos interesses familiares e dos grupos que se alaparam aos partidos políticos. Como exemplo, o texto fala dos estrangeiros, dos órfãos, das viúvas e dos pobres vítimas daqueles que só pensam em números e no lucro pelo lucro, sem olhar às pessoas concretas.
O Evangelho atesta, então, claramente, que só o amor a Deus e ao próximo faz a vida ser uma felicidade e para a salvação do mundo não há alternativa a esta. Porque pelo amor, a solidariedade vai acontecer, a partilha fará parte da vida e o serviço será luz em todas tarefas que venham a ser realizadas. 

Deus e eu

Se corresponderem aos convites, vamos continuar com esta interessante rubrica. Retomamos a nova temporada com a Linda Camacho. Obrigado amiga pelo seu pronto testemunho.
Deus e Eu
Pede-me o padre José Luís Rodrigues — que faz a gentileza de ser meu amigo — que escreva sobre a minha relação com Deus.
Hesitei porque a minha relação com Ele é muito pouco ortodoxa; como tal, receio não ser capaz de a expressar aos outros. Aliás, penso que todos nós temos uma relação com Deus, só nossa e difícil de a transmitir. Mesmo assim vou tentar.
Nasci uma criança doente, com grave problema de saúde, tanto que, dos dois aos nove meses fiz três operações. Certamente Deus queria-me cá porque, contra todas as expectativas, eu “safei-me”…
Fui crescendo com uma mãe que todas as noites me ensinava a pedir pela minha saúde, por isso habituei-me desde cedo a falar com Ele, num diálogo de criança; portanto, era tu cá, tu lá.
Cresci, fiz-me mulher e mãe e, com o frenesim duma vida de correrias entre o trabalho e as tarefas de dona de casa, passei a só falar com Ele quando estava aflita, o que me parece que deve acontecer a muito boa gente.
Os anos passaram e agora, nesta última página da minha vida, voltei a dialogar com Ele a qualquer hora; passei a tê-lO sempre perto de mim, no sorriso ou choro duma criança, nas flores que me rodeiam, na contemplação do céu e do mar e aprendi que não só Lhe devemos agradecer tudo, até o simples dom da vida que me parecia negada logo à nascença.
Agora Ele está presente a todo o momento da minha vida.
E é curioso que não me sinto lá muito bem a pedir o que quer que seja… e quando Lhe peço algo, ressalvo sempre o “se achares que é o melhor…”
Maria Linda Camacho

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Padre Manuel Nóbrega o sr. Botânica da Madeira

Comensal divino
Foto: Notícias Magazine
1. É normal que perante a morte dos que foram vivos até há pouco tempo, nos tome o impulso para escrever ou dizer alguma coisa, até ao dia em que alguém dirá também algo sobre nós mesmos. A lei da vida material é esta. Mas, é com enorme vontade que ensaio dizer algo sobre o Padre Manuel Nóbrega, que neste dia 24 de outubro de 2017, Deus fez entrar na Sua imensidão divina, após uma caminha longa embrenhado na natureza. Foi a meu ver o «sr. Botânica da Madeira». A forma como falava apaixonadamente sobre a natureza, nomeando de cor cada planta, a sua espécie e a família, era bem revelador. Um gosto ouvi-lo… Aqui pode ser lido.

2. O seu sacerdócio foi exercido principalmente no altar da botânica, a sua enorme paixão foi a natureza. Era um conhecedor exímio de cada folha, cada raiz, cada musgo, enfim, cada planta. A natureza foi a sua amada, que lhe deu o saber científico, as descobertas, a luz, os vestígios de Deus e o segredo do mistério criador que ele tentava decifrar com o mais aturado estudo científico. Não raras vezes começa a sua conversa: «mas isso explica-se cientificamente»...

3. O Padre Manuel Nóbrega era um naturalista apaixonado pelo mundo, pelas plantas e por tudo o que rodeia a vida natural, que quando respeitada, discorre equilibradamente. Não era muito valorizado pela sociedade e muito menos era valorizado pela Igreja Católica. Mas, não nos surpreende, que assim seja, o hábito há muito que nos calejou e sempre nos lembra que enquanto vivos, os sábios, não têm lugar, porque a lógica dos interesses e da inveja comandam a mesquinhez da vida. Os sábios não estão para isso. O Padre Manuel Nóbrega estava acima disso, porque o seu sacerdócio estava vincado e marcado pelo mistério da natureza, onde Deus fala com o seu poder criador, que ele incansavelmente procurava desvendar cientificamente. Não havia tempo para os golpes baixos do quotidiano.   

Foto: Notícias Magazine
4. Os tempos do Seminário seduziram-lhe a alma para o gosto pelas coisas da natureza. Na sequência disso calcorreou vales e montes, veredas, cabeços, caboucos, levadas, abismos… À procura da planta que faltava no museu, a pedra que nunca ninguém tinha visto e o tronco que a lava tinha petrificado há milhares de anos. Foi o nosso botânico ou o maior naturalista da Madeira. Ele, como é comum dizer-se, foi uma biblioteca que ardeu. Porém, deixa um espólio invejável. Esperemos que seja convenientemente aproveitado e que se faça dele um instrumento de estudo e que ajude as gerações vindouras, já que esta que passa, só sabe valorizar o que tem depois de estar morto.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Vou jantar fora com os cães

Escrever nas estrelas
1. O título soa um pouco mal, mas nos tempos que vivemos mais nada nos pode soar anormal, a não ser que abdiquemos de viver sem sabermos das coisas da vida que corre.

2. Os animais podem agora estar junto dos donos nos restaurantes numa zona fechada para o efeito, penso que será algo idêntico àquilo que se fez para fumadores. Nada tenho contra isso. Mas faço a seguinte ressalva em forma de pergunta, suponho que a lei contempla apenas gatos e cães, porque não estou a ver o meu amigo que cria um boi que chega atingir os 300 quilos a tentar levar o bicho ao restaurante para jantar?

3. Todos os animais devem ser bem tratados e não devem ser tolerados abusos e maus tratos contra nenhum animal. Mas começa a existir um certo exagero. Depois da obsessão legalista com os animais proliferaram clínicas, consultórios, hospitais, hotéis, amas secas e todo o género de coisas que só eram concebidas para pessoas. Tudo bem, se cuidássemos de igual forma as pessoas.

4. Tenho cães e procuro cuidar bem deles, na medida do possível, não lhes falta comida, o veterinário uma vez no ano, lavagem do pêlo de vez em quando e o espaço onde estão várias vezes por semana é limpo convenientemente. Estão bem. Mas não sei como vou encaixar nos meus parâmetros mentais a nova expressão: «vou jantar fora com os cães»…

5. Serve a minha inquietação para reclamar que há tanta gente - sim gente - daquela que tem dois pés e duas mãos e que anda na verticalidade, mas que nunca entrou num restaurante. Ou porque nunca ninguém se lembrou disso; ou porque não ganha o suficiente para gozar o prazer de comer num restaurante; ou porque moram longe dos centros urbanos, nas redondezas não há restaurantes; ou porque este mundo está tão desigual, com gente sem direitos, porque quem devia fazer valer os seus direitos canaliza-os exclusivamente para os animais e para hobbys caros, prevalecendo os prazeres mesquinhos contra o interesse comum da humanidade. Também gostava muito que os nossos representantes na «casa das leis» pensassem nisto com a mesma premência com que pensam nos animais.

6. Tomara que nunca percamos o gosto de estar juntos em família e com os amigos à volta da mesa, seja dentro de casa, seja fora de casa, para comer e para conviver fraternalmente, mas que os animais estejam nos seus lugares, obviamente, devidamente cuidados.