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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Nova rubrica no Banquete da Palavra

«Deus e eu»
Hoje iniciamos a secção «Deus e eu» no Banquete da Palavra. É um espaço aberto à participação dos amigos do Banquete e do facebook, convidados por mim a escreverem um texto inédito sobre o seu posicionamento pessoal face a esta expressão: «Deus e eu». Não podíamos começar melhor. Temos logo a abri um texto magnífico do amigo Nuno Morna, escrito em exclusivo para os leitores e seguidores do Banquete da Palavra. Vai ser uma secção que vai dar que falar. Assim espero. Agora desfrutem…
25 janeiro de 2017
Tenho de Deus uma perspectiva judaica. Não sei se isso advém da minha costela de cristão-novo, se de um relacionamento que fui criando com ele de parceria.

Pode soar a blasfémia, mas Deus é um bocado de mim. Acompanha-me sempre porque em mim. Penso mesmo que temos todos um quê de divino. Porque assim o entendo, tenho a certeza da divindade que reside nos outros. É por isso que se todos formos criando a habilidade de nos admirarmos uns aos outros estamos no caminho correcto para um mundo melhor. Porque da admiração vem o respeito e do respeito o amor.

Não há dia em que com Ele não fale. E são conversas que por vezes passam além do cordato. Dos assuntos do dia-a-dia, aos de cariz mais filosófico. De tudo falamos. E não é um falar de mim para mim como se poderia pensar. São verdadeiras conversas entre duas entidades que porfiam o mesmo caminho. Entre duas entidades onde uma procura orientar a outra dando-lhe a capacidade de poder escolher as vias a seguir, os caminhos a trilhar.

É o livre arbítrio que nos guia. Esse “terrível” poder que Deus nos deu de sermos responsáveis pelas nossas decisões, de delas colhermos os benefícios ou prejuízos, como tão bem explica Santo Agostinho em De Libero Arbitri. Se Agostinho diferencia e considera o livre arbítrio a possibilidade de escolhermos entre o bem e o mal e a liberdade o bom uso do mesmo, para mim tudo isto se mistura.

Se houvesse que definir um lugar onde colocar a alma, esta residiria entre o coração e a cabeça. O coração que sofre e se alegra, o coração dos estados de espírito que coabita no mesmo corpo com a razão, o conhecimento, o lado que comportamos como mais racional.

E é sumula de tudo isto que forma aquilo que somos, o que representamos: entidades únicas e irrepetíveis condenadas a se entenderem em paz e pela solidariedade sob pena de um dia deixarmos de ser.

E a culpa não será certamente de Deus.

Nuno Morna 

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