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segunda-feira, 8 de maio de 2017

A fraternidade está muito esquecida

1. Será que a humanidade gosta de sofrer? Será que é tendencialmente masoquista por natureza? - Não tenho resposta para estas questões...

2. Se não tenho resposta para as perguntas que foram feitas, porque as faço, então? - Porque a realidade parece que se impõe assertivamente quase que respondendo às perguntas do ponto anterior, que qualquer um de nós pode colocar, até porque não são originais e estão na cabeça de muita gente.

3. Pensemos a título de exemplo nas primeira décadas do séc. XX e que muitos parece desejarem que se repitam no séc. XXI. As políticas nazis, socialistas e marxistas entre tantas outros regimes ditatoriais mais ou menos relevantes em tantos países, profundamente autoritários, com desejo de conquista e de vingança, que dominaram nos finais do séc. XIX e primeira metade do séc. XX e que no séc. XXI parece encontrar gente cheia de saudades de tais regimes. Certo é que a humanidade não aprendeu nada com o horror que tais regimes políticos semearam. Tudo isto toma-nos de assombro perante tantos votantes em partidos políticos que se propõem a eleições com ideais rebuscados desse passado horrível.

4. Neste sentido, retomamos aqui a ideia forte que deve nortear todas as pessoas e as sociedades hoje, a fraternidade. Não há alternativa a esta ideia. A humanidade de hoje tem «obrigação» de recusar todo o sofrimento que venha da política que conduz ao terror. Deve bastar para lutar contra o que faz parte da vida por si mesma sem que tantas vezes tenhamos mão direta sobre isso: a doença, a guerra, a pobreza, a exclusão social, os refugiados das guerras do Médio Oriente, a fome em África, a juventude drogada e alienada, a corrupção, a instabilidade da família, a falta de dignidade em tanta gente, os desequilíbrios ecológicos, a teimosia dos grupos económicos que sugam os bens da natureza até a desestabilizarem, a violência doméstica e tantos problemas que conduzem ao sofrimento e à desgraça da vida em tanta gente...

5. Neste contexto, somos chamados a viver um princípio importante, o ser fraterno, que está estabelecido desde os gregos antigos, com a noção de ajuda mútua dentro da Pólis, passando pela pregação de Jesus Cristo e pelo cristianismo, até chegar à modernidade com a Revolução Francesa (1789-1799), a qual tinha como lema a célebre frase: «Liberdade, igualdade, fraternidade». É verdade que a liberdade e a igualmente, estão muito presentes no discurso político, a fraternidade nem por isso, até mesmo se pode afirmar que não está nada. Mas, que ele é mais que necessário e premente nos tempos que correm, lá isso é. Já que se fala pouco em respeito pelo outro e pelas coisas, então que se fale, corajosamente, na fraternidade entre todos os seres humanos e com todos os bens da natureza. Aliás, um valor reclamado há acerca de um milénio com São Francisco de Assis e que veio a ser relembrado pelo Papa Francisco. Não há volta a dar, a humanidade precisa da fraternidade como o pão para a boca.

6. Obviamente, que a fraternidade não poderá resolver os graves problemas e crises vividos pela humanidade de hoje e do futuro. Mas, é urgente que a fraternidade entre no discurso e na ação humana em todos os seus domínios. O mundo só vencerá o terror e todas as formas de injustiça que ainda minam a vida hoje, quando voltar a pensar na fraternidade e propor esse valor como caminho essencial para a sã convivência humana. São Paulo, foi certeiro quando afirmou que o ser humano deve ter e estar cheio de «misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros» (Colossenses 3, 12). São elementos que devem iluminar o coração humano. Sem a mediação da fraternidade o mundo não muda nem muito menos será melhor daquilo que já temos, que não é nada bom. O horror das guerras mundiais, as atrocidades dos nazismos e de todos os regimes atrozes que perseguiram as sociedades no passado não podem ser vividos no presente. É um dever humano repudiar tudo o que venha lembrar para ser implementado esse horror do passado.

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