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terça-feira, 30 de maio de 2017

A humanidade está viva

Cá te viste
1. É muito retemperador para o ego e para o nosso equilíbrio psicológico que assim do nada alguém no meio da rua nos aborde, perguntando por nós, se está tudo bem, se não estamos ou estivemos doentes, porque há algum tempo que não somos vistos passar num determinado lugar e às horas habituais. Mais saboroso ainda se a pessoa que nos fala nunca nos falou e não nos lembramos dela de parte nenhuma. Esta experiência retempera-me as forças, a esperança e a fé na humanidade.

2. Nos detalhes podemos saborear a diferença, a presença de Deus, a riqueza da humanidade, o sentido da amizade e da solidariedade, mesmo que venha anónima e dos corações mais inesperados.

3. Fernando Pessoa, cremos que por ocasião da morte da irmã, quando ele tinha apenas 13 anos, escreveu o poema: «Quando ela Passa», que começa deste jeito: «Quando eu me sento à janela / P'los vidros qu'a neve embaça / Vejo a doce imagem d'ela / Quando passa... passa.… passa...». No belíssimo poema a «Garota de Ipanema» cantado por Caetano Veloso, ficou imortalizado esse passar: «Ah, se ela soubesse / Que quando ela passa / O mundo inteirinho se enche de graça / E fica mais lindo / Por causa do amor».

4. É toda esta impressão que nos anima e que nos faz sorrir, agradecidos pela dádiva de que haverá alguém sempre neste mundo que nos vê passar e que se não passarmos, por causa do amor, sempre nos dirá alguma vez: «desculpe, meter-me consigo». Venham sempre estes metediços, porque nós estaremos sempre disponíveis para agradecer muito e sorrir de felicidade, porque a humanidade está viva e recomenda-se

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