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segunda-feira, 29 de maio de 2017

O obscurantismo religioso pode ser fatal

1. Os radicalismos, há-os em todas as religiões. Nenhuma se pode gabar de não ter integristas que não olham a meios para fazer valer as suas manias pessoas envoltas nas mais piedosas atitudes. Porém, hoje salta-nos à vista mais fortemente o radicalismo expresso na Religião Islâmica, com a proliferação de grupos radicais fundamentalistas armados até aos dentes, que não se inibem quanto à espoliação, expulsão e morte de populações inteiras se não se converterem ao Islão ou então não aderirem às pretensões desumanas dos ideais que estes fundamentalistas defendem.

2. Não nos admira que o fundamentalismo encontre facilmente aderentes no seu local próprio, isto é, entre as famílias muçulmanas, onde a educação e a vivência segue os trâmites da tradição e regras islâmicas. Porém, deixa-me perplexo e impressiona-me sobremaneira que este radicalismo encontre adeptos no Ocidente entre famílias cristãs católicas onde a educação está marcada por uma ética ocidental cristã.

3. Tudo deve ter a ver com a facilidade de acesso aos meios de comunicação dos nossos tempos. Antes parecia dar-nos alguma tranquilidade que a guerra estava longe, a fome acontecia em países distantes «habituados» a serem pobres como os de África, Médio Oriente e alguns da Ásia e América Latina. Este pensar já não pode tranquilizar-nos mais, porque a qualquer momento pode ser gerado no seio de uma qualquer família cristã católica um radical que pronuncia palavras em nome de um «deus violento», cuja ideia do martírio pode ser o mais disparatado possível.

4. Neste sentido, devemos estar atentos, educar bem as crianças no sentido de que a religião é um caminho de libertação e de sentido da vida. Não pode nenhuma expressão religiosa ser caminho de opressão e de manipulação, não pode ser lugar do martírio contra a dignidade e a vida dos outros. Se tiver que ser martírio que seja na promoção da vida e do bem para todos.

5. A religião não precisa que sejamos tão sérios ao ponto de fazer sofrer só porque a cegueira tomou conta do coração e da alma. Precisamos de procurar uma vivência religiosa que faça crescer o mundo na fé e na esperança, nunca distorcendo a verdade para que os intentos egoístas sejam a regra da comunidade mergulhada na mais profunda cegueira e no obscurantismo anacrónico.

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