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quinta-feira, 11 de maio de 2017

O que nunca dirão os discursos oficiais ao Papa Francisco (2)

1. Obviamente que não dirão ao Papa Francisco que o Santuário de Fátima converteu-se num centro do país e do mundo religioso para onde convergiram um bando enorme de bispos, padres, frades e freiras, inativos que vivem das ofertas dos peregrinos vindos de todo o mundo, onde se entretém a rezar terços atrás de terços, promotores do conservadorismo litúrgico e de uma moral opressiva, porque defensores de fardos pesados para os fiéis, apologistas dos sacrifícios e do dolorismo em que Fátima se tornou contra a libertação que o Evangelho de Jesus anuncia face a todas as formas de opressão que sempre dominaram a humanidade. Jesus foi muito duro com esses «zeladores» do templo. 

2. O Santuário de Fátima é uma máquina absurda para faturar dinheiro, que alguns (poucos) se acha ao direito de gerir sem prestar contas a ninguém. Há ali uma «fábrica» da fé que gera milhões de euros que não sabemos para onde se destinam e que tanta especulação vai gerando. Aliás esta coisa da transparência não parece entrar na pastoral da Igreja Portuguesa, basta rezar que do restante alguém se encarrega, então brinca-se com os bens que são de todos. Basta nos lembrarmos das esmolas destinadas a determinadas causas que chegam quando alguém entende ao seu destino e se ninguém se lembrar disso podem até ficar retidas ab aeternum. Também basta pensar no vasto património abandonado sem nenhuma serventia, fechado completamente e devoluto, provocando o escândalo da opinião pública em geral e violando descaradamente a vontade dos beneméritos do passado e do presente. 

3. O Santuário de Fátima tem o melhor da nossa Igreja Católica Portuguesa, mas tem também o pior.
Um ponto, porque é um lugar de algum debate, desde que não saia muito dos parâmetros da ortodoxia, é lugar de encontro fraterno, lugar de recolhimento, onde se retempera as forças da fé e da esperança. Sim, porque o autor deste texto é devoto de Maria e reconhece o Seu exemplar testemunho de Mãe de Deus, indo até mais longe que o discurso oficial, o Seu exemplo apostólico e a Sua dedicação ao discipulado.
Mas outro ponto também, é que é um lugar de palavreado inconsequente e retrógrada muitas vezes. Os poucos «treze de maio» que me fizeram presente neste lugar foram mais que suficientes para me dar conta do discurso sempre igual, viesse de onde viesse, uma linguagem anacrónica e longe, muito longe da realidade concreta das centenas de pessoas que ali se reuniam. É uma pena enorme que um «altar» com esta imensidão e projeção, não seja aproveitado para fazer valer o empenho de todo o povo na luta pela justiça e pela igualdade nas nossas sociedades. A nossa militância católica em Portugal neste momento é quase nula.
É uma pena enorme que um altar como este não seja aproveitado para fazer valer a dignidade de um povo que deve estar na linha da frente reclamando os seus direitos e apontado o caminho da vida para que todos cumpram os seus deveres. Fátima não devia, mesmo sendo tão importante, ser um lugar para que cada um se fique com o prazer das emoções momentâneas, o espanto dos milagres, os sacrifícios contra Deus e Maria, mas que cada um descobrisse que é chamado a acolher a fé na construção da vida quotidiana, porque dali saiu imbuído da missão de ser melhor e fazer um mundo melhor. Caso contrário, as seitas religiosas que por aí andam fazem esse trabalho com mais seriedade e sucesso.

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