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segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Salvador Sobral amou pelo mundo inteiro

1. Para além de todos os acontecimentos deste fim de semana quer religiosos quer desportivos, a grande surpresa e o acontecimento mais desconcertante de todos, chama-se Salvador Sobral. Um jovem que inspira e expira música, porque a «música não pode ser fogo de artifício», mas puro «sentimento». Ganhou o Festival da Eurovisão 2017 para Portugal. Gravo. Parabéns, Salvador...
 
2. Aquele jeito meio desengonçado em corpo franzino e frágil a interpretar a música «amar pelos dois», é bem revelador do despojamento e da simplicidade que o Salvador anuncia. Melhor é impossível.
3. Desde a primeira vez que ouvi o Salvador Sobral a cantar a canção vencedora,  acompanhei-o com muito interesse, mas em silêncio. Procurei não me manifestar até ver onde ele chegaria. Não deixei de ler e escutar os enormes elogios que foram surgindo, especialmente, as vozes consagradas do campo da música. Mas, não deixei também de ir lendo e escutando vozes carregada de inveja, derrotistas e maldosas a menosprezar o rapaz e a desclassificar a sua música e interpretação, ao ponto de vir a lume alguns aspetos da sua vida privada. É sempre a mesma coisa. Uma vez manchada a pessoa, a mancha acompanha-a para sempre, mesmo que se redima ou se reintegre na vida. Muito mau este elemento e bem revelador da sociedade maldosa em que vivemos. Porém, comovei-me a recepção aos irmãos Sobral no aeroporto de Lisboa.
4. O Salvador Sobral e a sua irmã Luísa Sobral deram uma grande lição ao mundo da música, que facilmente se verga a estereótipos mercantilistas, sem conteúdo, ruidosos e vistosos. Também há uma grande lição aos canais de televisão que não se cuidam nada em apresentar o pior que existe na música nos longos programas das manhãs e das tardes. Mas a lição também foi dada ao público em geral que se abana e contorce facilmente, levantando braços e cabeça perante o oceano imenso da pimbalhada em que converteram a música ligeira portuguesa. Em geral a lição encaixa que nem uma luva em tudo o que neste país e na Eurovisão tem sido mediocridade e vontade de dominar as coisas com falcatruas ou manobras sorrateiras, que envergonhavam a verdadeira música.
5. O Salvador Sobral merecia vencer e venceu claramente, mostrando que realmente a música é essa linguagem universal, que quando bem cantada, com «sentimento», como diz o Salvador, vence todas as «torres de babel» que este mundo levanta por todo o lado, para fazer valer com isso, a exclusão da seriedade, da simplicidade e da humildade. Estes valores, que fazem as pessoas que os assumem serem verdadeiramente grandes e pelo que se vê afinal são reconhecidos. Nunca tinha me emocionado e vertido lágrimas nos poucos festivais da Eurovisão que acompanhei, mas neste graças ao Salvador, chorei emocionado com a sua interpretação, com a sustentável leveza da música, com a mensagem da letra e com as palavras finais do Salvador, onde demonstrou que em tudo o que se faz na vida sabe bem relativizar e avançar com a mesma alegria, tenhamos sucesso ou insucesso. Grandes lições de vida nos trouxe este fim de semana.

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