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terça-feira, 30 de maio de 2017

Venezuelanos madeirenses regressam à ilha

1. Tenho acompanhado com algum interesse tudo o que se vai dizendo por aí, a favor e contra o êxodo de venezuelanos madeirenses. A todos nós este regresso diz-nos respeito de alguma forma e vai lançar-nos uma série de desafios.

2. Os discursos incendiários que vamos assistindo contra as ajudas que os governos - nacional e regional – supostamente venham a disponibilizar, trazem o mesmo veneno xenófobo e racista, que ouvimos contra os refugiados que fugiam das guerras do Médio Oriente. O mal não está em quem precisa de ajuda perante uma urgência e nessas circunstâncias não podem existir condições para que a ajuda se faça. O mal está em quem não olha a circunstâncias para ser desumano e aproveitar para escorrer veneno e outras porcarias sem ter em conta o sofrimento da desgraça alheia. Mas quando está aflito deve tomar a dianteira para implorar compaixão.

3. Obviamente, que em relação aos emigrantes da Venezuela, não esqueço a vaidade e gozo de tantos quando chegavam aqui cheios de notas que gastavam desmedidamente em foguetes, em casas enormes e feias por essa Madeira dentro, que tanto descaraterizaram a paisagem da nossa terra. Não são eles os únicos culpados disso, os de cá também são. Não esqueço aquele sotaque irritante, meio madeirense meio venezuelano, que tudo e a todos tratava por «mira» e por «essa banha». Também não esqueço as falcatruas que alguns fizeram em termos de bens patrimoniais contra os madeirenses seus familiares que não deixaram a Madeira, só porque estes tinham dinheiro à fartazana. Tanta coisa que me lembro e que nos humilhava e que até nos pode fazer pensar que contributos deram esses tais madeirenses que abandonaram a Madeira à procura de fortuna? Que investimentos fizeram que gerasse riqueza e emprego na nossa terra? – Estas e entre outras perguntas legítimas que podem vir à balha agora. Mas, que não devem cegar-nos a humanidade e o sentido da partilha, da amizade e da solidariedade perante as urgências. A humanidade deve prevalecer perante todos os condicionalismos do mundo.

4. Por isso, nesta hora o que deve estar em causa é que somos chamados a receber Venezuelanos que passam por dificuldades e que estão numa situação de emergência. É isso que nos deve mover, fora de condições tolas, receber de coração aberto quem chega. Não nos falta espaço e precisamos que entrem pessoas, para que engrossem de sangue novo a nossa frágil população envelhecida e carente de crianças. Tomara que fossem povoadas tantas freguesias da nossa terra, que pouco falta para se tornaram lugares fantasmas.

5. Não é hora de xenofobias nem muito menos a hora de acerto de contas. Não nos compete fazer isso, porque nós madeirenses várias vezes fomos sabendo o que é estar em situação de emergência e necessitados de solidariedade. Não estamos muito longe disso. Por isso, de acordo com as nossas possibilidades, agora chegou a hora do acolhimento e da solidariedade com aqueles que precisam de nós. Embora isso não seja condição, mas se ajudar a quebrar as investidas da maldade, pois então pensemos que nestes venezuelanos que necessitam de ajuda, escorre nas suas veias sangue madeirense.

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