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segunda-feira, 5 de junho de 2017

A responsabilidade da linguagem e os perigos de uma expressão

1. Ouve-se esta expressão, "terrorismo islâmico", com alguma frequência na comunicação social, especialmente, nas televisões quando fazem diretos dos locais onde aconteceu algum atentado terrorista. Esta expressão é indecente, injusta e perigosa.
2. Indecente porque não há "terrorismo islâmico", há terrorismo e ponto final. Felizmente, nunca se ouve dizer, quando alguém entre nós, num meio maioritariamente cristão católico, quando mata à facada um filho, a mãe ou a esposa, que estamos perante  "terrorismo católico ou cristão". Devia estar bem convencionado que, venha de onde vier a violência, o terrorismo e toda crueldade, só têm esse nome, não precisam de ser conotados com religião, política e outra coisa qualquer que identifique uma parte da nossa humanidade. Porque isso é profundamente injusto para as outras pessoas que pertencem ao grupo que segue esta ou aquela corrente de pensamento e não podem sofrer ou serem descriminados porque um dos seus membros cometeu um crime. Para onde iremos então se implicamos nas misérias de uns todos os que estão a eles ligados ou com eles conviviam? - É indecente ajuizar tudo e todos pela mesma bitola. 

3. Precisamente por isso, no caso de estar a ser repetido pelas várias notícias, reportagens e diretos dos locais onde aconteceram os atentados terroristas, vai semeando uma injustiça, porque coloca no mesmo saco e no mesmo rol de criminosos pessoas de bem, que se identificam com a cultura e a religião Islâmica. As televisões especialmente estão a fazer este péssimo serviço ao mundo e à humanidade. Por isso, devia existir uma entidade que alertasse para estas situações para que os profissionais da comunicação tivessem em conta esta realidade, porque ao invés de travarmos esta onde de violência cruel que varre o mundo, auguramos que nunca mais terá fim, porque vai sendo alimenta esta ideia de que perante qualquer islâmico, estamos perante um terrorista.

4. Daí ser perigoso este tipo de comunicação que se está a fazer. Parece que não basta a hipocrisia de alguns estados que se indignam tanto com os atentados terroristas, mas à socapa permitem os negócios de armas com grupos terroristas armados até aos dentes, porque a razão de ser da sua existência é o terrorismo. A linguagem é perigosa e alimenta o ódio, a repulsa e a intolerância em relação a uma parte tão grande da nossa humanidade, os milhões que se identificam e seguem a magnífica cultura e religião Islâmica. A este nível devíamos todos contribuir para que o ódio que conduz ao terrorismo não ganhe mais argumentos e a sociedade toda deve preparar-se seriamente para que não dê nenhuma forma de trégua aos criminosos que se alimentam do sangue derramado de vítimas inocentes. Aos governantes de todos os Estados civilizados também se exige responsabilidade e que não nos venham com a cantiga bonita que estão contra os criminosos terroristas e depois alimentam-nos com armas ou alguma proteção. Contra criminosos em qualquer parte do mundo, em qualquer cultura e em qualquer religião, deve ser exigida tolerância zero. Também não podem ser mais terrorismo e mais crime contra a humanidade os atentados realizados no Ocidente e menos terrorismo, menos crime e quiçá olhados com alguma indiferença os atentados terroristas que acontecem todos os dias no Médio Oriente e Oriente onde estes grupos criminosos se escondem. 


5. Terrorismo é terrorismo. Crueldade é crueldade. Violência é violência... Falam por si mesmos e os seus autores são criminosos que devem ser tratados e julgados como tal.

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