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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Não vale tudo e não pode valer tudo Judite de Sousa e os outros

Recuso-me a reproduzir aqui a imagem de Judite de Sousa
que circula na internet com o cadáver em fundo, porque
não podemos alimentar mais esta indignidade e falta de censo. 
Face ao exagero da cobertura das televisões aos incêndios com imensas reportagens  repetidas que até já enjoa, directos ridículos com pedidos de pronunciamentos patéticos claramente desnecessários e com imagens à mistura de labaredas que nos assustam, porque são terrorismo puro e duro. Há bombeiros saturados, lágrimas, sofrimento e gente angustiada correndo de um lado para o outro... Tudo se torna espetáculo, mas que nós cidadãos devíamos exigir mais decoro e respeito pelas vítimas. 
Neste ambiente tenebroso veio Judite de Sousa com a imagem horrível com um cadáver em fundo. Não quero acusar de nada Judite de Sousa, até porque melhor do que ninguém Judite sabe muito bem o que é ser confrontado com uma tragédia e lembro-me que na altura, quando morreu o seu filho num acidente fatal numa piscina, para além da sua voz, outras vozes se juntaram, pediram dignidade e respeito pela sua privacidade e respeito pelo defunto que já não estava entre nós para se defender. Parece que a teve e que muita gente correspondeu ao seu desejo. Ainda bem.
Mas agora Judite de Sousa, esquecida da sua tragédia, parece que já não se importa nada que ali esteja um cadáver de uma pessoa, mesmo que ainda não se saiba quem era, mas porque sendo de uma pessoa seja lá de quem for, devia merecer respeito e não ser utilizado para preencher o espetáculo em que as televisões converteram esta tragédia. Alguns dirão que compete às televisões anunciarem e mostrarem o que se passa, sim é verdade, devem fazer isso, mas não pode valer tudo e devem todos os agentes da comunicação saber até onde podem ir e como o devem fazer. 
A forma como se comunica hoje as tragédias que vão acontecendo, são um dos sinais dos tempos, tudo é espetacular, os que morreram, os que se salvam e os que de alguma forma contribuem para salvar alguém. As televisões convertem todos em seus actores. 
Por isso, Judite de Sousa, indignou-me com a sua reportagem. Aqui fica o meu protesto. 

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