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terça-feira, 20 de junho de 2017

Temos que tirar lições é urgente que assim seja

1. As calamidades sucedem-se cada vez mais agressivas e fatais para as pessoas. A humanidade cada vez se vê mais frágil. A existência assenta sobre um chão quebradiço que perante qualquer falha natural ou de outra ordem faz vacilar a humanidade na tragédia. Um drama que nos acompanha sempre. Temos pés de barros.

2. É com imensa surpresa que as contingências dos nossos tempos ditem que não parece valer a pena tirar ilações e lições para que se encetem outros comportamentos, outras opções e outros caminhos que nos tornassem mais humanos, mais sensíveis ao sofrimento, atentos à natureza circundante e ao cuidado aturado com o meio ambiente. Muito paleio e conversa fiada enquanto não se enterram os mortos, mas passado esse efeito da consternação, do luto, da solidariedade e da compaixão, já seremos bombardeados contra outras coisas que irão fazer esquecer a última tragédia até à próxima que logo virá.

3. Passado o efeito do drama, começa tudo de novo. As complicações. As zangas por ninharias. Os ódios de estimação. O perdão torna-se coisa de fracos e de estúpidos. As relações cortam-se por pura inveja. O egoísmo volta ao quotidiano, porque é preciso atropelar para vencer e ganhar dinheiro, porque isto de ser grande não vai com palavrinhas mansas. O amor é coisa de piegas, não de gente trabalhadora e empreendedora. Sofrer por amor, humilhar-me pelo bem dos outros, nunca! - Tantas coisas que ninguém se lembra depois do efeito já esquecido que causou a tragédia.

4. O que é preciso todos os dias é que me gaste com os filhos na dedicação ao desporto. Nisso posso perder todo o tempo do mundo que não me cansa nada. Vida espiritual, oração, estudo, ler um livro, contemplar a natureza, escutar o silêncio, a contemplação da verdade, dar exemplo do que é a justiça e o respeito pelo bem comum, isso não, porque dá trabalho e é preciso tempo, muito tempo… Tanta invocação de falta de tempo e de pachorra para estas últimas coisas que mete dó, para não dizer nojo. Reparem, não falta tempo para computadores, smartphones, telemóveis… Há tanta companhia largada, ignorada e desprezada por causa do telemóvel e de todas as maquinetas que hoje acompanham a vida inteira das pessoas. As pessoas têm menos valor que as coisas, é assim o nosso tempo.

5. A humanidade, mesmo com a verdade diante dos olhos, de que vive numa fragilidade cada vez mais evidente, continua a considerar-se imortal, autossuficiente, dominadora de tudo de todos. Nada toma o lugar da humanidade. É forte e é poderosa. Obviamente, até à próxima tragédia, quando voltar o paleio ao contrário por mais algum tempo. Santa ilusão que nos acompanha todos os dias.

6. Todas vezes que acontecem as desgraças que fazem estragos materiais, há perdas de vidas humanas e feridos, penso que isto acontece, para despertarmos e pelo menos durante algum tempo pensarmos que todas as manias de grandeza que nos dominam são uma pura e crua ilusão. Parece que cada calamidade devia servir para pensar seriamente e arrepiar caminho, tomando a sério a vida em todas as suas dimensões, a dimensão material, mas também a espiritual, porque é por aqui que humanidade se salva, se reconhecendo frágil, limitada e por mais que progrida, há coisas do viver que nunca resolverá em absoluto e que precisa de um transcendente que lhe dê sentido à vida, ao sofrimento e à inevitabilidade da morte. Tantos desesperos derivam precisamente da falta destes elementos.

7. A grande lição que se tira das calamidades naturais que se tem assistido nos últimos tempos, é que são avisos que a natureza nos faz, para que todos revejamos os caminhos que andamos a trilhar. Deve ser de que precisamos de usar a inteligência e a sabedoria, que foram extraordinariamente concedidas à humanidade, para que as usem no caminho do bem, no cuidado connosco mesmos, com os outros e com a natureza, sem a qual não seremos nada nem muito menos sobreviveremos. A vida é tão curta, passa depressa demais, por isso, que não deixemos por mãos alheias o que temos que fazer. Vamos juntos, convertermo-nos à paz pessoal, social e ambiental e lutar por mundo onde todos possam viver com dignidade.

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