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terça-feira, 25 de julho de 2017

O joguete necrófago com número dos mortos

1. Quero saber quem é o governo, o Ministério Público, a Justiça em geral, a Polícia em geral e a Judiciária deste país... Nem me importo quem seja oposição de direita ou de esquerda e muito menos ainda se o governo é de direita ou de esquerda, importa que governe bem, que seja forte com os fortes e amigo e até benevolente com os fracos. Estou nas tintas para tudo isso de uma forma geral, menos para o que disse sobre os governos.

2. Porém, termos chegado a este nível de joguete imoral sobre a quantidade dos mortos na tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande, parece-me de um baixo nível inqualificável, alimentado por alguns meios de comunicação social ao serviço do vil metal, da luta pelas audiências a qualquer preço e sabe Deus senão ao serviço das tendências político partidárias que gostam deste jogo sujo sobre a morte dos outros.

3. Este joguete sobre o número de mortos também existiu após a tempestade de 20 de fevereiro na ilha da Madeira. Agora pegou de galho, sempre que há uma tragédia no nosso país, os mortos nunca são os que as autoridades apresentam, recorre-se até ao Afonso Henriques, para provar que a causa da sua morte também foi provocada pela tragédia do momento. Até parece que se pode esconder mortos dentro do armário. Na ocasião do 20 de fevereiro também ouvia dizer que os mortos escondidos nos armários do Governo do Dr. Alberto João eram superiores aos que foram para os cemitérios. Deixemos de balelas e tenhamos mais respeito por quem teve o infortúnio de ser apanhado pela tragédia. Não basta esse sofrimento?

4. Tudo isto acontece, porque se perdeu os valores quase completamente e fala-se da morte dos outros e dos familiares chegados aos mortos sem respeito nenhum. Por esta mentalidade necrófaga, que desce a este nível de imoralidade, não alinho e devemos todos repudiar esta leveza insustentável que os abutres alimentam com mortos, que infelizmente, as tragédias deixam como rasto. Se vamos a caminho da falta de respeito pelos mortos até este nível e se este jogo da miséria moral é assim tão baixo quanto às quantidades de mortos, como se fosse uma brincadeira, é sinal que batemos no fundo e a sociedade caminha irremediavelmente para a perdição final ou então conclui-se que ninguém é sério e precisamos urgentemente de extraterrestres para tomarem conta disto.  Por favor, poupem-nos… 

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