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segunda-feira, 24 de julho de 2017

O vazio e o rasca

1. Ponto prévio. Tenho muito respeito por todas as pessoas. Não olho às qualificações das pessoas para as cumprimentar e  para corresponder aos seus pedidos não olho a condições, se estiver ao meu alcance. Neste sentido, respeito e considero todas as pessoas que sobem o alto das montanhas para passar frio em pleno verão e assistir à festa do PPD da Madeira ou de outro partido qualquer.

2. No entanto, não me parece decente ainda existirem partidos políticos que se prestam a todo o género de jogadas com os mais vulneráveis, arrastando-os para algum sítio, mesmo que seja para uma festa, para engrossarem os números de presenças e satisfazerem o ego da organização que conseguiu mobilizar alguns milhares, porque ainda não perdeu a capacidade de mobilização. Uma boa porção dos sem abrigo do Funchal na semana passada andaram numa azáfama inabitual porque conseguiram de borla os bilhetes de acesso ao  monte Sinai da Madeira, vulgo, Chão da Lagoa. As várias reportagens deram-nos conta de alguns que andam a ser alimentados pela caridade, porque se não fosse assim provavelmente morreriam de fome, mas lá estavam a dar vivas e louvando os «nossos» poderosos. Ai como eles se sentem bem, nestas migalhas de glória...

3. Vamos ao que devia ser o mais importante, a mensagem. Os discursos são uma dor de alma. Não devíamos sequer estar aqui a falar neles, porque mesmo não querendo acabamos por dar valor ao que pouco valor tem. Os protagonistas destes acontecimentos são os primeiros a desvalorizarem o evento, não dizem uma de jeito, não há uma ideia, um projeto para ser falado e apresentado ao povo, a este povo que vive da mingua e de sobras. Por isso, fala-se em geringonças, nos comunistas e radicais da esquerda, juros, promessas, o novo hospital que é promessa feita cá para os de lá cumprirem... Mas há mais bandeiras, por exemplo, o medo, muito medo, vem aí alguma coisa que não se sabe bem o que é... Fujam... Eles andem aí... Concluímos, realmente, estamos à rasca. Nisto se vê a pouca vergonha que esta gente tem e a nenhuma consideração por todos nós, agitam os papões e lá vai uma porção de nós amedrontados votar neles porque precisamos de estar protegidos. Mas anda alguém por aí a pensar que a porcaria dos discursos ainda rende votos...
 
4. Face a este panorama, temos um vazio generalizado, uma rasquice regada com poncha, maçarocas e bailinhos agachados. Uma brincadeira geral que nos revela o quanto andamos enganados, sem ideias, sem rumo e ao sabor do vento que passa. Por isso, trago aqui à liça uma quadra de «A Cantiga do Zé» (1984) de Jorge Palma: «O Zé podia arranjar emprego / E matar-se a trabalhar / Mas olha em volta e o que vê / Não o pode entusiasmar». Para igual bastava o que estava, não precisávamos de tanto alarido para mudar protagonistas.

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