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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Padre Manuel Nóbrega o sr. Botânica da Madeira

Comensal divino
Foto: Notícias Magazine
1. É normal que perante a morte dos que foram vivos até há pouco tempo, nos tome o impulso para escrever ou dizer alguma coisa, até ao dia em que alguém dirá também algo sobre nós mesmos. A lei da vida material é esta. Mas, é com enorme vontade que ensaio dizer algo sobre o Padre Manuel Nóbrega, que neste dia 24 de outubro de 2017, Deus fez entrar na Sua imensidão divina, após uma caminha longa embrenhado na natureza. Foi a meu ver o «sr. Botânica da Madeira». A forma como falava apaixonadamente sobre a natureza, nomeando de cor cada planta, a sua espécie e a família, era bem revelador. Um gosto ouvi-lo… Aqui pode ser lido.

2. O seu sacerdócio foi exercido principalmente no altar da botânica, a sua enorme paixão foi a natureza. Era um conhecedor exímio de cada folha, cada raiz, cada musgo, enfim, cada planta. A natureza foi a sua amada, que lhe deu o saber científico, as descobertas, a luz, os vestígios de Deus e o segredo do mistério criador que ele tentava decifrar com o mais aturado estudo científico. Não raras vezes começa a sua conversa: «mas isso explica-se cientificamente»...

3. O Padre Manuel Nóbrega era um naturalista apaixonado pelo mundo, pelas plantas e por tudo o que rodeia a vida natural, que quando respeitada, discorre equilibradamente. Não era muito valorizado pela sociedade e muito menos era valorizado pela Igreja Católica. Mas, não nos surpreende, que assim seja, o hábito há muito que nos calejou e sempre nos lembra que enquanto vivos, os sábios, não têm lugar, porque a lógica dos interesses e da inveja comandam a mesquinhez da vida. Os sábios não estão para isso. O Padre Manuel Nóbrega estava acima disso, porque o seu sacerdócio estava vincado e marcado pelo mistério da natureza, onde Deus fala com o seu poder criador, que ele incansavelmente procurava desvendar cientificamente. Não havia tempo para os golpes baixos do quotidiano.   

Foto: Notícias Magazine
4. Os tempos do Seminário seduziram-lhe a alma para o gosto pelas coisas da natureza. Na sequência disso calcorreou vales e montes, veredas, cabeços, caboucos, levadas, abismos… À procura da planta que faltava no museu, a pedra que nunca ninguém tinha visto e o tronco que a lava tinha petrificado há milhares de anos. Foi o nosso botânico ou o maior naturalista da Madeira. Ele, como é comum dizer-se, foi uma biblioteca que ardeu. Porém, deixa um espólio invejável. Esperemos que seja convenientemente aproveitado e que se faça dele um instrumento de estudo e que ajude as gerações vindouras, já que esta que passa, só sabe valorizar o que tem depois de estar morto.

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