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sábado, 27 de janeiro de 2018

Uma via sacra interior do meu mundo

Ao sétimo dia: 
Mais do que uma fúria desregrada alimento um sentimento,
de silêncio pela mão no caminho
escondido mas interior na paixão do movimento.

O ruído impõe-se da rua,
passa por mim que revejo em cada coisa
que oiço naquele som de praia que me invade
no vai e vem de toda a verdade.

Mais um pouco terminado o ruído,
como que do nada desperto meio perdido
no poema escrito a partir do nada
mas nele recentro o brilho e o afeto
de uma flor que colho na beira da estrada.

Pela razão cheguei naquela hora de abrir a janela,
e de fora ouvi alguém chorar
toda a tristeza do mundo em vão
eram lágrimas Senhor da fome do amor
que estão a fazer verter em cada rosto a privação do pão.

Tanto e de tudo para nos fazer pena,
são a dor que preenche o mar imenso
que banha os corações vazios pelo egoísmo
esta é a hora em que é preciso ter vontade de ver o regresso
da amizade que só o sorriso desmedido
faz vencer todo o dolorismo.

Eu também por aí estou como um cego,
faço-me como sou pela estrada
embora saiba que ela é maior do que eu
e levado pelo passo da esperança
nada anseio mais do que posso por onde vou
e na incontida dor da humanidade
sei também que nada sou.
JLR

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