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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A sede e o pote

Escrever nas estrelas
O clima político que se viveu este fim de semana na Madeira foi tão empolgante que a dado momento pensei, houve eleições regionais e ninguém me disse nada.
A sede é grande e são muitos com sede. A pressa e a vontade desmedida para chegar ao pote pode quebrar o pote e no fim o caldo fica entornado.
Para quem não se lembra do significa da expressão «ir com muita sede ao pote», aqui deixo o significado. Conta-se que uma pessoa andou pelo deserto durante muito tempo sem beber nem comer, quando estava quase à beira da morte por causa da forte sede, avistou um pote com água, mas foi com tanta pressa, mais ainda com tanta falta de atenção e com forte avidez para agarrar o pote, que o deixou cair no chão, reduzindo-se a cacos e água foi toda bebida pela areia. Por sua vez, o homem não conseguiu beber uma gota de água que fosse para saciar toda a sua forte sede. Isto é, quem quer fazer alguma coisa com muita ansiedade e vontade, pode espatifar com tudo e deitar tudo a perder.
Por isso, não é boa conselheira a falta de inteligência, movida pela ganância do poder. Os arranjinhos que colocam em causa promessas garantidas a pés juntos que se iriam cumprir, mas afinal, sobrepondo-se, os interesses podem ser esquecidas facilmente e «palavra dada é palavra honrada», como gostam tanto dizer agora. Os atropelos, uns contra os outros sem respeito, só porque é política tem que ser assim, não, não tem que ser assim, pode haver ambição, é certo, mas com serenidade, sem vinganças e sem sacrificar ninguém.
O mau exemplo que se passa para a sociedade, que quando se vê legitimada pelos maus comportamentos dos seus representantes ou proponentes a tal, encontra razão de ser na concorrência desleal, na lógica da cunha, na subserviência, no lambebotismo, no medo de pensar e de falar, nos insultos caluniosos… Apenas estes entre tantas coisas que não se esperam que venham dos meandros partidários, mesmo que queiram fazer-nos crer que isso é política e que o jogo democrático assim o exige.
Deve ser por isso que este pensamento do Mestre Sun Tzu, é necessário ser chamado à liça desta conversa: «O general que possui muita ambição não será um bom general e a derrota será certa. Um bom general deve vencer-se a si próprio para depois vencer os adversários». O jogo começou, é certo, o tempo do jogo é longo e, seguramente, que os agentes do jogo serão muitos. No decorrer do jogo veremos onde estarão as melhores propostas e os agentes políticos que melhor se apresentam com seriedade e sinceridade para levarem a cabo a sua concretização. O povo pode ser manso, mas não e tolo, felizmente.

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