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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Os quatro evangelistas

Este magnífico quadro junta «Os quatro evangelistas». Pertence a Jacob Jordaens, pintor de cenas populares e de costumes, mas que não deixou, por sinal, de fazer uma incursão aos temas religiosos. É um dos continuadores da escola flamenga, na senda de Rubens, aluno deste, embora este estivesse mais votado à «pincelagem» da vida aristocrática. Se Rubens está para a vida da aristocracia, Jordaens está para vida popular.
Jordaens, é um observador lúcido da vida, são dele o olhar sobre festas populares e copiosos comes e bebes… Até nos oferecer uma surpreendente colecção de pinturas cuja temática principal, são os costumes marcadamente de índole popular.
«Os quatro evangelistas» é uma obra data do princípio da sua carreira e pertence à colecção de Luís XVI, 1784. É uma obra que não nos oferece o silêncio magistral dos quadros de Rembrandt, mas leva-nos a pessoas simples do quotidiano. Os modelos dos velhos, Mateus, Marcos e Lucas, são claramente requisitados do meio do povo e estão representados com a maior naturalidade. É essa naturalidade que nos chama a atenção e nos convida à espiritualidade da pintura.
O relevo e protagonismo do personagem jovem, tem também a sua importância e mensagem. Antes de mais, o quadro pode ser considerado semelhante ao episódio de Jesus quando aos 12 anos se perde no Templo no meio dos doutores e a interpretação pode divergir precisamente para esse momento da «perda e encontro de Jesus no Tempo entre os doutores», que o evangelho da infância de Jesus relata com precisão, particularmente, São Lucas. A visão de Jordaens, porém, radica na ideia de que a personagem que se destaca, identifica-se com o evangelista São João, o mais novo dos quatro e que por isso mesmo deve dar mais entusiamo e fervor ao Evangelho. A leitura feita pelo quadro está mais que correta, o quarto Evangelho é destinto dos outros, quer na forma quer no conteúdo.
É um quadro que sai das representações mundanas, típicas desta época e está claramente fora dos convencionalismos iconográficos. Por isso, não deixem de contemplar o interesse concentrado dos quatro personagens, a naturalidade dos velhos e o destaque do fervoroso jovem como figura central. As cores dos personagens são bem expressivas da mensagem que o autor nos pretende transmitir.
Enfim, desfrutem desta magistral beleza.

3 comentários:

francisco disse...

É realmente muito belo, obrigado por o partilhar connosco, não conhecia, valeu bem a pena passar por aqui.

A pintura mostra realmente a beleza de Deus, que pela Graça ilumina e eleva a simples natureza humana. Comunica-nos a simplicidade e piedade que nos leva a procurar a comunhão permanente com Deus e a partir daí, seguindo o olhar de Deus, reconhecer o Senhor em cada um dos nossos irmãos.

Será esta a nobre simplicidade que a Sacrosanctum concilium refere no ponto 34?
"Brilhem os ritos pela sua nobre simplicidade, sejam claros na brevidade e evitem repetições inúteis; devem adaptar-se à capacidade de compreensão dos fiéis, e não precisar, em geral, de muitas explicações"

Aqui vemos a simplicidade e naturalidade que sem cair na banalização encontra-se aliada ao brilho e beleza de Deus, não precisamos de muitas explicações para perceber o sentido da pintura e qualquer pessoa consegue ver nela a beleza do Evangelho.

Se calhar está mesmo aqui a nobre simplicidade. Que bom seria a podermos encontrar entre nós, em todas as igrejas.

Rodrigues Rodrigues disse...

Obrigado Francisco pelos seu se comentários/reflexões nos textos que vou partilhando por aqui. São uma achega importante. Estou-lhe muito grato. Abraço.

francisco disse...

Obrigado sr.padre, agradeço-lhe também a generosidade dos seus textos e a possibilidade de comentar e dialogar.