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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Cidadãos mais iguais do que outros

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O Presidente da Assembleia da República também alinha na lógica de que esta coisa dos deputados ilhéus sobre o subsídio duplicado que eles recebem, se for bem explicadinho, todos nós compreenderemos bem. Porque não é ilegal nem muito menos é falta de ética. Não precisava o Presidente da Assembleia de nos dizer isto, porque já sabíamos que os deputados ilhéus não tinham cometido nenhum crime, mas que se tinham fechado em copas perante uma prática vantajosa para eles monetariamente falando, quando para a maioria do cidadãos pagantes de impostos as coisas são mais acertadas e cheias de espinhas muitas vezes.
Neste contexto, que alguns preferem reduzir, para alguns esperteza e para outros (nós os cidadãos, os idiotas), silêncio, esquecem que isso é um privilégio exclusivo para políticos profissionais e que na vida normal as coisas não são bem assim. Os cidadãos têm direito a se indignarem e a exigirem transparência, bom senso e o mínimo de ética. O que se esperava do Presidente da Assembleia, era que nos dissesse claramente, vamos corrigir uma prática que está desajustada e injusta.   
Por esta ordem de ideias, vá o sr. Presidente da Assembleia da República dizer o mesmo às empresas que pagam viagens aos seus funcionários, mas que os obrigam a entregar o subsídio de mobilidade.
Esperava do Presidente da Assembleia uma postura não tão centrada na legalidade e até se quisermos na ética, mas em bom senso, que reconhecesse uma prática que já vem de longe, mas que tudo ia fazer para torná-la mais transparente e enquadrada na prática do bom senso, que no fundo é aquilo que estão a pedir neste momento os cidadãos, para este caso da mobilidade dos deputados e para tudo o que diz respeito a práticas que indiciam privilégios pouco transparentes, desmedidos e injustos.
Por estas e por outras, continuo a considerar que os principais responsáveis pela péssima imagem dos políticos profissionais, são eles próprios. A dignidade da vida política implica uma digna remuneração, é verdade, porque senão, vamos ter um bando de medíocres a exercer cargos de alta responsabilidade política, mas que tudo seja feito com a maior das transparências, sem a ideia de que há privilégios para uns em detrimento de outros. Chamem a legalidade e a ética para a prática política. Mas não esquecer o bom senso que deve estar sempre presente quando se vive sob o crivo da lei e da ética. 

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