Convite a quem nos visita

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O sexismo para alguma Igreja Católica

como muitos sabem decorreu em Roma, no Vaticano, o Sínodo dos Bispos sobre a juventude. A organização do Sínodo deu a possibilidade às mulheres para estarem presentes, mas sem direito a voto nas várias sessões do Sínodo. Os homens de chapéu roxo ou vermelho que até ao Papa Francisco gozaram do luxo tiveram sentados à frente de outros homens para debitarem charadas sobre as mulheres a 1,3 milhões de católicos de todo mundo, ainda urdiram mais esta novidade. Podem estar no Sínodo, mas sem direito a voto, porque o direito de voto é coisa «sagrada», por isso, só pode ser exercido por ministros ordenados. Frades e outros convidados não ordenados também não votaram. Qual o crédito de uma instituição, tão necessitada dele nos tempos que correm, quando trata mais de metade dos membros da Igreja, desta forma tão discriminatória. Nada justifica este proceder, até parece que debaixo dos tais chapéus circula este pensamento, convidámo-las para o banquete, mas proibimos que comam quando estejam sentadas à mesa... As tais cabeças sob «o apagador do bom senso», cozinharam a ideia de que para o mundo fica a sugestão de que avançamos e de que a Igreja Católica está a dar passos largos pela igualdade de género. Nada mais perverso enganador para quem pensa que tapa o sol com a peneira. O que fizera, afinal, foi dar mais um sinal do sexismo parolo e anacrónico grave que mina a Igreja hierárquica de alto a baixo. A marca sexista foi criada por homens que a sustentaram em exegeses que ignoram a maioria dos membros da Igreja, as mulheres, que até foram as primeiras a chegar ao túmulo vazio. Esta «política» - sim política, porque chamar a isto pastoral ofende Deus e a verdade do Evangelho - resultou durante centenas de anos, mas hoje não resulta, as pessoas não são estúpidas, cresceram e sabem discernir onde está a seriedade e a verdade. Entretanto, se a verdade não está, logo os vários mecanismos das redes de comunicação se encarregarão de divulgar o que os príncipes purpurados esconderam. A minha total solidariedade para com as mulheres Católicas que fazem mais de 90% do que é a Igreja Católica em todo o mundo. Obrigado a essas verdadeiras mestras do serviço.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

A linguagem é o ponto a ter em conta

ouve-se esta expressão, «terrorismo islâmico», com alguma frequência na comunicação social, especialmente, nas televisões quando fazem directos dos locais onde aconteceu algum atentado terrorista. Esta expressão é indecente, injusta e perigosa. Indecente porque não há «terrorismo islâmico», há terrorismo e ponto final. Felizmente, nunca se ouve dizer, quando alguém entre nós, num meio maioritariamente cristão católico, quando mata à facada um filho, a mãe ou a esposa, que estamos perante  «terrorismo católico ou cristão». Devia estar bem convencionado que, venha de onde vier a violência e toda crueldade, só têm o nome de terrorismo, que não precisa de ser conotado com religião, política e outra coisa qualquer que identifique uma parte da nossa humanidade. Porque isso é profundamente injusto para as outras pessoas que pertencem ao grupo que segue esta ou aquela corrente de pensamento e não podem sofrer ou serem descriminados porque um ou mais membros cometeu um crime. Mais um exemplo fresquinho, o «Brasil virou para o fascista». Profundamente injusto, porque, felizmente, há uma porção enorme de brasileiros que não se identificam com as ideias do novo presidente, Jair Bolsonaro. Para onde iremos então se implicamos nas misérias de uns todos os que estão a eles ligados ou com eles conviviam? - É indecente ajuizar tudo e todos pela mesma bitola.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Os tempos correm sombrios

Deus criou-nos para a sabedoria e a inteligência. Que o nosso Deus da Sabedoria e da Inteligência cheia de misericórdia nos revele caminhos que nos ajudem a crescer com sabedoria, inteligência e esclarecimento acerca de todas as coisas, especialmente, as que a Deus dizem respeito, para não sermos tomados pela crendice infantil, pelo escrúpulo doentio e obcecado, pelo fundamentalismo violento e por tantas outras formas de encarar Deus e as coisas a Ele relacionadas longe do pensamento, da razão e da razoabilidade. Precisamos de Deus e das coisas de Deus para nos tornarmo-nos mais e melhor humanidade, para que na proteção de Deus e na verdade dos valores nobres que Ele nos indica, nós todos, nos tornemos mais solícitos na compaixão, mais fraternos na relação com os outros, mais honestos nas tarefas do trabalho, mais conscientes do que é o bem comum e a justiça, mais bondosos com todos os que nos rodeiam, especialmente, aqueles que são diferentes, mais tolerantes com tudo o que não é da cor que mais gostamos, da reflexão e da opinião que melhor consideramos e dos caminhos que alguns encetam contra aquilo que não nos agrada. O caminho seguro é aquele que trilhamos com a lucidez de sermos gente com toda a gente no caminho do amor que conduz à paz. Muito precisamos desta luz nos tempos obscuros que correm.

sábado, 27 de outubro de 2018

As cegueiras dos olhos da alma

Jesus no Evangelho valoriza o dom da fé acima de todos os valores. A visão física é muito importante, mas mais valor tem a salvação que a fé faz acontecer. A cura do cego Bartimeu é um exemplo sintomático. A luz, que se pode traduzir por liberdade e dignidade, são os valores que devemos preservar e lutar por eles sempre que sintamos que estão a ser ameaçados pela ganância e pelos intuitos ditatoriais que muita gente alimenta como pão para a boca a fim de fazer vingar e impor os seus intentos manipuladores sobre os outros. Nós fomos educados para andar na luz, Jesus é luz e sonha que todos os que o seguem sejam luz na sociedade e no mundo. Nenhum tipo de opressão entra no projecto de Jesus. A educação mais inteligente é a que gera compromissos sociais, a mais inútil é a que gera parasitas sociais. Deste género de educação estamos bem saciados. A lição do Evangelho recomenda a todos que procurem educar vivendo para serem luz, gerando prazer em servir e em ser solidários. A humanidade é o sentido da religião e nenhuma evangelização resulta se não começa e acaba na humanidade. As cegueiras dos olhos da alma são as mais perigosas e quando tomam conta das instituições não faltarão as suas vítimas. 

Esse Brasil não!

Tudo tão bem dito e que sirva de lição para a Igreja Católica europeia e arredores do mundo inteiro...
(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 27/10/2018)
Deus, no Brasil, foi usurpado e é agora representado pelas Igrejas Evangélicas, cujos bispos viajam de jacto privado, vivem no luxo e na abundância, são donos de rádios e televisões e cobram metade efectiva do quinto real aos seus fiéis, com uma ferocidade e eficácia de que nenhuma repartição de Finanças é capaz. Com a sua leitura particular do Evangelho, concluíram que o reino de Deus é, sim, deste mundo e ocupam já um quarto dos lugares do Congresso, tendo proclamado o seu apoio ao capitão Jair Bolsonaro, “enviado do Senhor” para combater o “anti-Cristo”.

Deus foi-se embora dali: deixou ao Brasil os braços abertos do Cristo do Corcovado protegendo o nosso Rio de Janeiro antes que um aventureiro lhe lance mão, os seus apóstolos do Aleijadinho em Congonhas, as igrejas de Olinda, ou a catedral flutuante e mágica de Brasília, obra do ateu Niemeyer, o único templo católico do mundo onde Deus não esmaga os fiéis, antes lhes dá asas para voarem ao seu encontro. Esse Brasil sim. Mas o Brasil deste proclamado ungido de Deus não.

Assim, abençoado pelas Igrejas dos novos crentes e tementes, propulsionado pelas redes sociais que são a democracia dos novos tempos, pelas mentiras compradas em pacotes no WhatsApp que são o novo jornalismo, empurrado pelos empresários que se esqueceram de prender e pelos políticos que esperam amnistia, pelos juízes-justiceiros que se darão por saciados, pelos militares que se darão por bem lembrados, pelos letrados que se imaginam revolucionários atrás de um capitão que não tem pudor de mostrar o que não sabe e não pensa, pelos que têm fome e sede de justiça e imaginam que irão ser saciados, pelos que têm fome e que julgam que se irão ocupar deles, pelos que têm medo e a quem prometem um revólver contra os bandidos, pela grandiosidade de um Fernando Henrique Cardoso que prefere morrer enferrujado na porta que se vai fechar, 210 milhões de brasileiros vão amanhã à noite mergulhar numa escuridão de onde ninguém sabe quando será o regresso e a que preço.

Para a História ficará o registo de um povo que se suicidou por sua livre vontade. E não haverá história mais triste do que esta para contar. Boa noite, Brasil.

É pelo mundo que se chega a Deus

a Igreja peregrina no mundo. Precisa avançar sempre mais, rompendo com a tentação de acomodar-se. E para avançar com liberdade evangélica, há necessidade de abandono de tudo o que a impede de ser verdadeiramente discípula missionária de Jesus. O apelo à conversão mantém-se e o apelo é claro, é preciso sair de uma Igreja distante, burocrática e sancionadora para uma Igreja mais de acordo com o Evangelho, comunitária, participativa, realista sem que tenha que abdicar da sua aura mística, é certo. Mas, a prática da Igreja deve retomar as origens, ser seguidora de Jesus Cristo, servidora do seu evangelho e, por isso mesmo, promotora da vida digna sem exclusão e sem condenações. O Papa Francisco na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium apresenta o caminho a ser seguido pela Igreja quanto à evangelização a seguir no mundo de hoje. É a proposta do evangelho que precisa ser retomada com coragem, «A proposta é o Reino de Deus (cf. Lc 4,43); trata-se de amar a Deus que reina no mundo. À medida que ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos» (EG 180). Porém,, tudo isto deverá começar a ser experimentado no interior da Igreja com (e entre) todos os seus membros.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O maestro Víctor Costa

ao maestro Victor Costa fica a Madeira a dever o devido reconhecimento, bem se queixou ele disso. Enfim, dele sabemos que primeiro foi um tenor lírico muito interessante, a seguir um compositor de música sacra desconcertante e depois um maestro que arrastou uma porção enorme de pessoas dos nossos vales e lombos, que nunca imaginaram alguma vez chegar a fazer parte de coros e cantar como cantaram e encantaram. A meu ver a par da sua interessante vertente da composição musical, que o faz um dos grandes músicos, os coros que foi montando pelas freguesias remotas da ilha da Madeira, são uma obra hercúlia que deu lugar e destaque a pessoas que seria impensável alguma vez serem protagonistas no canto erudito. O maestro merece que nesta hora se faça o devido destaque da sua indiscutível bondade, da sua abertura para a conversa fluente e culta, a sua simpatia e disponibilidade para estar onde quer que fosse para fazer ecoar a música. Nele parece que tudo e todos estão para a música e a música estava para tudo e todos. É ele que marca a nossa terra neste sentido nos últimos anos, foi ele que despertou a ideia de que em cada madeirense estava um cantor, uma vocação musical, fossem novos ou velhos. Todos, são música, todos podem fazer ecoar a harmonia dos sons musicais. É dele a autoria da música do bonito hino da Madeira, que por agora se altera um pouco a letra «do mar à serra» para ser «da terra ao céu», pois fomos confrontamos com a última viagem do maestro Victor Costa. O seu currículo é invejável. A sua simpatia cativante e a sua vontade de conversar envolvente. Agradeço-lhe muito a lição que me ofereceu em breves minutos enquanto se esperava que chegasse a hora marcada para uma cerimónia, sobre o jeito regrado como devíamos respirar. Garanto-lhe maestro que estou a tentar. Um dia chegarei lá. Obrigado e que a música não pare e que venham os frutos do seu trabalho hercúleo sobre a música que levou a todos os grupos corais que acompanhou do «mar à serra» por essa Madeira dentro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Nasce o Átrio da Paz

Átrio da Paz
A vossa atenção: mudança de espaço...
Sintetizo em dois pontos em consiste esta iniciativa:
Primeiro: próximo Domingo (28 de Outubro de 2018) às 18.30 horas, vou dar inicio a uma actividade para a qual convido todos os que desejarem reunir-se à volta da Palavra para reflectir, rezar, pensar o mundo e a vida. Vem aí o «Átrio da Paz», um espaço o mais ecuménico possível. Pretende ser um lugar e momento abertos a todos sem distinção de nenhuma índole. Vai funcionar na IGREJA DE SÃO JOSÉ, na Estrada Dr. João Abel de Freitas, 71, junto à antiga Brisa. A ideia é que aos Domingos pelas 18.30 horas se celebre a Palavra na Eucaristia, com música clássica e literatura. Consistirá no seguinte: proclamação das passagens bíblicas do respectivo Domingo, partilha e diálogo inpirado na Palavra, momentos de música clássica e proclamação de um poema, passagem de um livro ou apresentação de livro ou documento que esteja na ordem do dia. Todos estão convidados para este Banquete da Palavra. Quando possível pretendemos convidar alguém ligado ao mundo das artes para partilhar a sua inquietação e alertar para o sentido do religioso no seu âmbito artístico.

Segundo: pretende esta iniciativa ter um encontro mensal com uma ou mais pessoas convidadas para apresentarem um tema que faça parte do pulsar dos Sinais dos tempos que correm no momento. Na terceira sexta feira (não havido nenhuma situação que impeça a sua realização e mesmo havendo procuraremos estudar outra data possível) de cada mês pelas 20 horas um encontro conferência - debate para que seja mais um momento de partilha da palavra, onde se possa proporcionar uma ocasião de ver, ajuizar e agir perante os «Sinais dos tempos» que correm pela rama dos dias. O primeiro encontro debate/conferência está previsto acontecer (já confirmado com o convidado, o jornalista da TSF Nicolau Fernandes) para o dia 16 de Novembro pelas 20 horas e que terá como tema mote para o dialogo/debate a problemática dos refugiados, particularmente, o regresso à Madeira dos lusodescendentes da Venezuela. Problemática, desafios e como agir para estancar alguns resquícios de desprezo racista que começam a eclodir na sociedade madeirense.

Fica o convite…

Pedir bons propósitos para os governantes

por causa das azias que hoje fazem roncar os estômagos do povo em geral contra os políticos e as suas políticas, algumas pessoas começam a se manifestar contra o facto de algumas vezes rezarmos pelos governantes. Dizem que não vale a pena, eles não merecem, porque continuam na mesma e até cada vez piores. Vamos então lembrar que quando se reza pelos governantes, rezamos para que o bem comum seja bem administrado com total responsabilidade. Obviamente, que desejamos o melhor para todos em termos de saúde, paz e tudo o que se deve desejar de bom para qualquer pessoa, seja ela quem for e tenha qualquer função e missão na vida e no mundo. Com toda a certeza que é tudo isso, mas muito mais está em causa quando nos compenetramos nessa interioridade, que se chama rezar, para pedir por aqueles que elegemos para administrar o bem público. Assim, quando se reza pelos governantes, pensamos neles claramente, mas pensamos também nos bens que pertencem a todos, isto é, na necessidade de vermos boas medidas de governação que tenham em conta a inclusão de todos os cidadãos, que gerem ou promovem trabalho digno para todos, que promovem a família, fazem desaparecer a pobreza, concentram-se na educação com qualidade para todos os cidadãos e no sistema de saúde eficaz e célere a cuidar do bem estar de todos. Enfim, rezamos para que possam, os governantes, serem promotores de verdadeiras medidas que proporcionem aos cidadãos uma qualidade irrepreensível de vida a todos níveis. Pois, isso é feito com o património que é de todos nós, por isso, rezamos para que sejam eles cientes daquilo que têm em mãos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Até amanhã, se Deus quiser

a jornalista Fernanda Câncio não gosta a Dina Aguiar, jornalista da RTP que apresenta o programa Portugal em Directo, a despedir-se dos portugueses com a expressão «Até segunda-feira, se Deus quiser», e criticou nas redes sociais, questionando se Portugal tem uma «televisão pública teocrática». E se «Isto é o quê? A TV da paróquia?», questionou Fernanda Câncio. Diana Aguiar, respondeu à crítica e os seus colegas saíram em sua defesa. 
«God bless the Queen
God Bless America
GOD BLESS PORTUGAL (digo eu)
GOD BLESS US
Até amanhã se Deus quiser (há 40 anos que o digo numa empresa a RTP onde há liberdade de expressão)
ISTO NÃO SÃO EXPRESSÕES COMUNS?”.
Foi desta forma que Dina Aguiar, de 65 anos, respondeu à jornalista Fernanda Câncio, que na semana passada se insurgiu contra as expressões que utiliza no ecrã, através de uma publicação nas redes sociais. Não tinha nenhuma intenção de perder tempo e energia com isto, mas face às repercussões achei que devia também pensar alto sobre esta babuseirada. Tem o direito Dina Aguiar de usar as expressões que muito bem entender, desde que não firam a sensibilidade de ninguém. E tem a Fernanda Câncio o direito de expressar a sua indignação face ao direito de expressão da sua colega de profissão. É assim a democracia que defendo. Obviamente, que Câncio indignou-se por ser uma frase de cariz religioso. Porém, esta aversão a tudo o que seja religioso no âmbito público tornou-se uma obsessão que a meu ver começa a roçar o psicótico e o doentio. Não devíamos perder tempo com isto e antes devíamos estar a gastar tempo e energia com as centenas ou milhares de expressões e comportamentos que todos os dias as televisões, a internet e todos os meios de comunicação passam e que sugerem e supõem a violência, a xenofobia, a discriminação sexual, o ódio contra as minorias, o desprezo pelas vítimas e pelos mais pobres. Esta seria sim uma causa interessante, para que não emergissem tantas cabeças cheias de ódio e desprezo pela diferença. Não me indigna de forma nenhuma expressões que convidem ao bem, à paz e à fraternidade entre as pessoas, por exemplo: «se Deus quiser»; «vou bem, graças a Deus»; «Estou melhor graças a Deus» «vai em paz e que Deus te acompanhe»; «Que Deus te dê saúde e paz sempre»; «Deus te abençoe»; «Se Deus quiser vamos conseguir»… Estas entre tantas outras expressões onde Deus entra sempre para o bem e nunca para o mal, fazem o bem e manifestam sempre o desejo de sucesso para todos. Enfim, oxalá Fernanda Câncio não leia este texto, senão, estou frito, sem Deus querer e eu também.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

O funil do contentamento

a pouca vergonha continua. Dizem prá aí que uma escola do Funchal (um CAO – Centro de Actividades Ocupacionais), recebeu uma generosa oferta de uma Junta de Freguesia da cidade (incluindo passeios entre várias propostas de actividades), mas recusaram porque não pertence a governação da junta à mesma cor política da tutela do convidado CAO. Pensei que o bailarico dos debates mensais na Assembleia Regional, a criação do Centro de Estudos (que parece ter morrido sem nascer), debate assim e assado, alguma benevolência com a oposição e todos os sinais de abertura que sopraram os montes e vales da Madeira nos últimos anos com o nome pomposo conhecido por todos, tivessem remetido estas atitudes às calendas. Nada disso, em diálogo com uma pessoa amiga fomos confrontados com esta confrangedora e dinossáurica manobra antidemocrática. Não podemos continuar com isto, um professor pensa diferente, organiza a seu modo e faz valer a sua escola a patamares de sucesso a nível nacional, é saneado, umas ações em função das pessoas (e no caso a pessoas com necessidades especiais), foram recusadas só porque a junta de freguesia não pertence ao partido que governa a nível regional. Consideraria justa a decisão se não fôssemos confrontados frequentemente com excursões de idosos, crianças e jovens tomados quase à força para participarem em actividades partidárias desde que sejam as que pertencem ao partido político que governa a Madeira inteira. Intolerável e que a existir regras deste teor que sejam aplicadas a todos os partidos e que não se verguem à duplicidade de critérios ou a interesses de carácter partidário, venham de onde vierem. O modus operandi que se pensava ter mudado, afinal, continua a funcionar de igual modo. A reincidente tentação de que a Madeira não é de todos os madeirenses, parecia ter morrido, mas se morreu, ressuscitou e está bem viva nos cérebros menores que ainda desgovernam algumas coisas da Madeira. Continuem assim e logo verão que o tempo em que tomavam todos por tontos, chegou ao fim. Depois não digam que faltou avisos para que o bom senso comandasse a vida. É isso, mas continuem assim e contentem-se com a ideia de que o funil ainda funciona.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Quando se descarta um padre

O padre Giselo foi literalmente escorraçado por uma autoridade sem tino e sem bom senso da Paróquia do Monte no mês de Fevereiro deste ano. Até agora vive de um mísero salário que a Diocese lhe concede todos os meses e não tem nenhuma função eclesiástica digna como exige a sua condição de sacerdote da Igreja Católica. 
Foi literalmente abandonado pelos seus pares. E uma pequena claque literalmente meteu a autoridade máxima à frente do «bulling clerical» contra o padre Giselo para que fosse torrando em lume brando. 
Já vi outros casos de postergação nesta terra, mas eu nunca imaginei que um dia ia presenciar um ostracismo contra um colega, tão cheio de veneno, cuspido pelas ventas tenebrosas de satanás revestido com uma máscara eclesiástica. Bem se queixou com razão o Papa Bento XVI dos corvos. Se alguma vez conseguisse imaginar que a hierarquia católica da minha terra fosse capaz de semelhante maquievalismo, eu digo, sinceramente, parece que tinha recusado ser o que sou. 
Enfim, o padre Giselo continua descartado, porque procriou, fez ver a luz a uma criança com os olhos da cor do céu. Com isso rebentou o ódio, a vingança e a inveja clerical, que são venenos terríveis dentro das hierarquias. Pois, fez um «pecado mortal» para a hipocrisia dominante da Igreja e da sociedade em geral, que soma séculos de abusos sexuais, prepotência, abuso de poder e o reincidente farisaísmo que impõe leis e mais leis para os outros cumprirem, ostracizando multidões de fiéis que tiveram que carregar fardos pesados impostos por aqueles que nem com a ponta do dedo lhe tocavam. 
Mas, certo é que o padre Giselo continuará de fora, descartado, porque o «bulling clerical» continua, até ver se aguenta e desiste da feliz dignidade com que assumiu os seus actos, quiçá também um dos gestos, entre outros com certeza, dos mais corajosos destes cinco séculos da história da Igreja da Madeira... É coisa pouca para uma grande parte, mas um passo enorme que devia fazer pensar toda a comunidade católica da Madeira, se tivéssemos uma Igreja iluminada pela luz do Evangelho e com maturidade suficiente para pensar sem preconceitos. 
Fica-me outra vez sem surpresa, atestado que é preciso cozer um padre em lume brando até que se «faça ao largo» para as missões ou para casar, pois seja só ele a resolver o imbróglio que a autoridade froixa não foi capaz de resolver. Não há terceira via, porque o poder que não serve, mas serve-se, manda e deseja que continue assim tudo aparecer o que não é. 
Quando se descarta um padre só porque comanda o medo e uma claque bate palmas a isso, andamos muito mal e de Evangelho, afinal, não faltará pregação e palavreado, mas fica zero absolutamente vivido. 
Para terminar resta dizer o que isto representa de mau exemplo para uma sociedade que se bate com tanto filho por aí a ser deixado ao Deus dará e que para receberem a dignidade da paternidade começam a vida na barra dos tribunais e jogados para os cuidados das instituições estatais. À face de tudo isto muitos pensarão seguramente, se esta igreja trata os seus «trabalhadores» e filhos diletos desta forma, como procederá com os outros?

domingo, 21 de outubro de 2018

O desconcerto é total

a subversão é proposta radicalmente. O Evangelho está cheio de exemplos muito claros da loucura que Jesus propõe. Faz algum sentido para o mundo certinho, organizado em classes e estruturas sociais distintas esta lógica, «quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos»? - A resposta é dada pelo próprio Jesus: «Os que se exaltam serão humilhados e os que se humilham serão exaltados» (Lc 14,11, 18, 14; Mt 23, 12). O que importa para Jesus são as pessoas e as suas necessidades. Face a isto o nosso mundo actual precisa de converter toda a lógica do poder que oprime e aliena as multidões. Somos todos chamados a libertar o ego do egoísmo e dar a vida pelo bem comum e a justiça. O mundo precisa de uma lógica de partilha e de fraternidade, para que a distribuição da riqueza seja mais equitativa e venha ao encontro do bem para todos os povos, para que não tenhamos alguns muito ricos e uma imensa porção da humanidade ainda mergulhada no escândalo da fome e da pobreza. É este o sonho de Jesus que devemos fazer nosso ideal e motivação para a luta sem violência para erradicar por completo as causas da fome, da pobreza e da exclusão. Porque o nosso mundo só se concerta quando o poder for um meio de serviço e não um fim.

sábado, 20 de outubro de 2018

A verdade para ser eficaz precisa da luz

há duas histórias sobre a verdade que recordo aqui. A primeira é a de um paraquedista que, desviado pelo vento do lugar onde devia aterrar, acabou por ficar pendurado numa árvore, junto a um caminho por onde passava alguém a quem perguntou: “Desculpe, pode dizer-me onde estou?” Respondeu-lhe o homem: “Está pendurado numa árvore!” “Hum… você deve ser clérigo!”, comentou o paraquedista. “De facto sou, como adivinhou?”, perguntou o homem. “O que me disse é verdade, mas não me serve para nada!”, concluiu o paraquedista. A segunda história é a de alguém, que estando de visita a um mosteiro, teve de sair de noite da sua cela e, ao voltar, não conseguiu encontrar a sua porta. Para não perturbar o descanso dos monges, esperou que os primeiros raios do sol lhe indicassem a porta dos seus aposentos. Não só a verdade precisa de ser eficaz como para a encontrar é necessária a paciência de esperar a luz.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A era do vazio chegou à sarjeta

muitas vezes acusam-se épocas passadas com critérios da época presente. Nada mais errado e injusto. Obviamente, que em todos os tempos nasceram e viveram pessoas boas e pessoas más. Também é lógico que em todos os tempos a hipocrisia comanda a vida e os comportamentos. Este veneno, provavelmente, nenhuma época pode gabar-se de não o ter produzido. Os nossos tempos não fogem à regra, de longe serão excepção. Levantou-se uma polémica valente sobre o beijo nos avozinhos. Não fossem as redes sociais, o assunto passava despercebido e já estava mais que esquecido. Mas os nossos tempos são o que são e hoje não podemos deixar de contar com as suas particularidades e vertentes. Todos são sujeitos de notícia e todos podem ser veículo de notícias. Um determinado professor no último «Prós e Contras» (15 de Outubro de 2018), disse alto e bom som, que as crianças se forem obrigadas a dar um beijinho nos avós, poderia ser educação violenta. Acho que neste caso, violência é não ter avós para conversar e beijar. Está visto que os nossos tempos rebentaram com a sexualidade, pela banalização do sexo, agora meteram pés ao caminho para rebentar com o que resta dos afectos. Onde há hipocrisia nisto? – Basta observar as fotos que pelo facebook, as várias partilhas, que foram mostrando a desfaça, a calúnia, o ódio e o espírito de vingança sobre a vida do professor em causa. As épocas medievais foram aprendizes daquilo que se passa hoje. É assim o tempo da sarjeta em que vivemos, pois não se compadece do bom senso nem muito menos com a ideia de que nem tudo é igual e quiçá não aceita que toda a gente não esteja envolvida na perversão geral, como se fôssemos uma sociedade formada só e unicamente por doentes mentais psicopatas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O diabo voltou e anda à solta

O diabo voltou e tem servido para preencher o discurso. O Papa Francisco acredita no diabo e considera que uma grande parte das desgraças do mundo e da Igreja Católica são obra do encardido. É um jesuíta e nessa condição, todo o jesuíta que se preze acredita no diabo e faz parte da sua pregação falar de satanás como entidade misteriosa que comanda o mal do mundo. Obviamente, que aprecio mais o Papa quando fala e prega o amor de Deus e a sua misericórdia. E neste aspecto Francisco foi uma luz de novidade. Não embarco nesta lógica de projectar numa entidade do além a autoria dos males que nos perseguem. Alguns rematam que o Evangelho fala do diabo e que devemos acreditar nele. Não, não devemos acreditar em satanás, devemos isso sim crer em Deus e no bem que existe por todo o lado. O bem, não parecendo é mais forte e mais douradoiro que todo o mal. Jesus resolveu esta questão do bem e do mal com a Parábola do trigo e do joio, que devem crescer juntos até a hora da colheita e nessa ocasião será feita a devida escolha. Por isso, precisamos de enfrentar os males com coragem e os culpados de muitos males que nos perseguem estão por aí no meio da seara humanidade. Por isso, do Papa esperamos uma mensagem positiva e não referências negativas de outras épocas, onde a falta de esclarecimento marcavam a vida e o obscurantismo comandava as sociedades de alto a baixo. Pois, servia essa nomenclatura para subjugar e domesticar os povos pelo medo. O diabo não precisa de crentes. O mal do mundo sempre existiu e existirá sempre. Precisamos antes de gastar tempo e energia com o bem, que precisa em todos tempos do maior número possível de crentes. Todo o coração ocupado com o bem nunca reserva espaço para o mal e nesse lugar do bem, diabos não entram, porque não cabem.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Estado de alerta quanto à biodiversidade

Segundo um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, há investidas cada vez maiores contra a biodiversidade do planeta, oferecendo uma visão «sombria sobre o futuro da vida, inclusive a humana». O motivo desta triste realidade, afirma o estudo que deriva dos «problemas ambientais globais causados pelo homem». Um terço das espécies está em declínio populacional acelerado. Entre as populações de vertebrados há grandes perdas; os mamíferos estudados, apresentam perdas de 30%, «diversas espécies de mamíferos que estavam relativamente seguras há uma ou duas décadas estão agora em perigo», diz o estudo. A lista contempla, por exemplo, leopardos, orangotangos, leões, pinguins e girafas… Durante o tempo de vida da Terra, calculado em 500 milhões de anos, já houve cinco «extinções em massa», a última ocorreu há 66 milhões de anos atrás, quando foram extintos os dinossauros, devido ao movimento vulcânico, alterações do clima e a ação dos asteroides. Os trumps não creditam e invertem irresponsavelmente as políticas que vinham sendo implementadas para reverter tudo isto. Por isso, gera-se a falsa impressão de que o habitat da Terra não está ameaçado, lentamente toda a biodiversidade entra num declínio «silencioso», por isso, muito perigoso, porque quando a humanidade despertar, pode já ser tarde. Esta neglicência trará graves consequências para a diversidade da Terra, a maior riqueza e única que se conhece até hoje. Obviamente, que não será necessário dizer que o desequilíbrios ecológicos, afetam diretamente a vida humana em todos os seus componentes. Por tudo isto, devemos estar em estado de alerta.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Quando o conhecimento é sectário

nos primeiros séculos do Cristianismo desenvolveu-se uma crença que se veio a chamar de «gnosticismo». O gnosticismo tem origem na palavra grega «gnoses», que significa «saber». Os gnósticos acreditam que possuem um conhecimento mais elevado, são uma classe privilegiada em relação às outras, porque têm um conhecimento superior e mais profundo sobre Deus. A salvação dependia de uma iluminação ou conhecimento interior que libertasse do mal e da ignorância da vida neste mundo. Negam a humanidade de Jesus, recusam aceitar o Antigo e o Novo Testamento. Negam a doutrina da Igreja e a tradição cristã. O gnosticismo tem uma visão dualista da pessoa e da criação. A alma humana está aprisionada ao corpo e a criação não é vista como um bem, mas enformada pelas forças do mal. Os humanos desejam o bem e a verdade, mas estas realidades estão fora das realidades criadas. Neste sentido, Deus é uma entidade totalmente transcendente, que envia uma pequena luz e um ténue conhecimento secreto (gnoses) para alguns privilegiados que tenham a «sorte» de aceitar essa iluminação interior.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A desordem mundial gerada pela violência

a humanidade está em marcha atrás e vai para aquele ponto de onde, felizmente, tínhamos saído da violência famosa que várias vezes ouvimos, «quanto mais me bates, mais gosto de ti», ou da pancada com o ramo de flores, ou ainda da fatalidade do «tirano no seio do lar» que tanta instabilidade emocional provocava nos membros da família. E quiçá não saímos daquele momento que fazia das vítimas os culpados, porque se puseram a jeito ou então porque aparentam comportamentos merecedores daquilo que sofreram. Não posso crer nem aceitar esta desordem mundial. Mais ainda se considerarmos que os poderes do mundo estejam a patrocinar e a legitimar esta nova desordem mundial que já sabemos o quanto de mal está a fazer às sociedades e no caso da violência doméstica, às famílias e por arrasto às sociedades. No fundo até sabemos onde tudo começa, não sabemos ainda onde vai parar e para onde nos vai levar. 

domingo, 14 de outubro de 2018

A melhor e maior riqueza

podemos considerar que há diante de nós dois horizontes, a felicidade e o perigo das riquezas. Podem ser conciliáveis estes dois caminhos, mas quase sempre um não é sinónimo do outro. Assim, o perigo das riquezas ameaça a todos, sem excepção. Basta que os bens tomem conta da alma e estejam no topo da hierarquia dos valores. A escravidão e subjugação que daí virá será terrível para uns e para outros. O caminho da felicidade é possível para todos. Por assim dizer, devemos considerar que os cristãos devem ser uns maltrapilhos, uns pobretanas porque dessa forma serão felizes e salvar-se-ão? - Nada disso, Jesus faz o convite para que cada um O acolha e escute a Sua mensagem e com isso, lutar pelos bens em função do bem-comum e da justiça. Por esta via serão felizes e saberão o que é a vida plena e eterna. Caso entrem pelo caminho do egoísmo e da ganância, acolhem a felicidade momentânea e nunca saberão o que é a vida eterna. A escolha certa é importante para a verdadeira felicidade, mesmo que não seja o mais brilhante logo à partida.  Deus quer-nos felizes, vamos escolher sempre o bem, que nos faça felizes e que contribua também para a felicidade dos nossos irmãos. Pode ser pelo princípio essencial, amar e deixar-se amar. E fazer tudo pela libertação e tudo contra todas as formas de escravidão. É isto o essencial e a melhor riqueza.

sábado, 13 de outubro de 2018

Todos os dias somos chamados pela vida

a vida é curta. Somos tão pouco diante de uma grandeza que não sabemos medir, não sabemos onde começa, como está e onde acaba. Não sabemos medi-la nem pesá-la. Somos o que somos, é óbvio. Por conseguinte, em nós há sentimentos, somos alma, não basta um corpo e aquilo que vemos e agarramos com as mãos, para sermos a vida, a existência de um eu que orgulhosamente ostentamos tal como se apresenta ao mundo e aos outros. Nesse albergue onde abrigamos a existência, precisamos de energia partilhável, de olhares que se cruzam, uma alma que nos toque (a nossa e a das outros), compreensão que nos abafe, a compaixão que nos console, o perdão que nos faça sorrir, a palavra que nos faça gente como toda a gente e tudo o que anima o convívio e a amizade. Nesse pouco que somos, podemos ser muito se existir muita realidade à volta que nos preencha, nós compreendamos e que nos compreenda. Tudo tão difícil, mas tão nobre e enorme.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Nunca prejudicar ninguém com intenção

para nós cristãos, o Apóstolo São Paulo é apelativo quanto à necessidade que temos em estar atentos às aflições dos outros. Muitas vezes encontramos muitas razões para não ajudar ninguém, porque ora a miséria e a aflição é o resultado de más opções e de atitudes desregradas. Mas, não é esse o princípio cristão. Ser cristão é ser solidário, amigo e fraterno mesmo que se receba todo o mal do mundo e todas as incompreensões possíveis. A partilha e a caridade (solidariedade) devem fazer parte da vida de todo o cristão. É na vida cristã que radica a visibilidade de outro ditado tão popular: «Fazer o bem sem olhar a quem». Mas, pode ser útil também aprender a viver com aquilo que a vida nos dá, para que dessa forma se combata a ansiedade e o egoísmo. Não digo que devemos satisfazermo-nos e acomodarmo-nos absolutamente, mas antes lutar sempre mais sem desesperos nem atropelos que prejudiquem os outros. Ser feliz sem prejudicar ninguém deve ser a nossa luz. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A verdadeira função da lei

a fidelidade aos valores e aos sentimentos não podem estar dependentes da materialidade exterior nem muito menos devem ser oprimidos com a imposição da repressão da lei. Sempre. valerá muito mais uma pessoa interiormente liberta da opressão do que uma pessoa subjugada, recalcada e vergada ao peso do sofrimento da frustração. As consequências da imposição da letra da lei são bem notórias no rosto de muita gente. Se, por um lado, o legalismo é evidente que é responsável por muito sofrimento, por muitas frustrações e muito recalcamento. Por outro, a cegueira da lei ainda é responsável por muito compadrio, muita corrupção e por muita violação dos valores da democracia e do espírito da fraternidade. As regras, deviam em todos os casos serem um meio e nunca um fim em si mesmas. As leis devem ser um instrumento que conduz à paz e ao bem comum.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Os jovens no discurso da Igreja Católica (2)

voltamos ao tema dos jovens, na senda do Sínodo que decorre em Roma, sobre esta mesma temática. É claro que os jovens são o grande bem para a Igreja e para a sociedade. Numa palavra, para o futuro da humanidade. Há um conjunto de circunstâncias que nos permitem avaliar as razões que torna a juventude um problema hoje para todas as entidades que se preocupam com esse precioso sector da sociedade. Por um lado, a Igreja não compreende as inquietações, as preocupações e a linguagem dos jovens; e, por outro, os jovens não compreendem nada da linguagem da Igreja Católica. Estamos neste jogo castrador de expectativas, de ideais e de sonhos. Os caminhos dos jovens não são entendidos e frustram-se por isso muitas apostas e muita energia. As respostas não existem, os caminhos a seguir são uma incógnita. Como dialogar com os jovens? É sem sombra dúvida a questão mais premente. Doutrina e paleio sobre jovens e juventude, é o que mais há. Basta pensar na quantidade de mensagens dos Papas, dos bispos e dos padres para sobre a juventude. É facto que a juventude, como se nota, é sempre uma aposta preocupação muito grande da Igreja. Não se compreende, que os frutos sejam tão reduzidos. Basta ver que não é também muito notória a prática religiosa entre os jovens, o que não quer dizer que o não sejam do ponto de vista cristão-evangélico. Enfim, faltará aprendermos todos que seria de todo melhor deixar que os jovens sejam o que entenderem ser. Que não lhes faltem condições para darem azo ao bom uso das suas capacidades e potencialidades.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Padre Mário Tavares e as valências da paroquialidade

muito me alegrou que alguns paroquianos de São Tiago, Jardim da Serra tomassem a iniciativa de realizarem uma Eucaristia de acção de graças como homenagem/gratidão pela passagem dos 49 anos da chegada e permanência como pastor irrepreensível durante 23 anos do Padre Tavares na paróquia de São Tiago. Muito aprendi do Pe Tavares (considero-o o meu primeiro mestre), agradeço-lhe a amizade fiel que nunca se abalou por nada, destaco a sua atenção como padre-pastor com uma humanidade exemplar, foi luz o seu espírito rebelde, a sua coragem em inovar em todos os âmbitos da pastoral e a sua revolta contra as injustiças deste mundo, os seus alertas, as suas denúncias num ambiente de analfabetismo confrangedor e minado por poderosos que se serviam da calúnia, da má fama, das alcunhas de «comunista» para cima, para achincalhar e perturbar a acção da verdade e a prevalência do bem. Considerava as pessoas não como elementos passivos, mas sujeitos activos que deviam tomar a vida com as suas próprias mãos. Não esqueço o seu incansável empreendorismo sempre para o bem comum e para o bem das pessoas, junto com a sua solidariedade com os pobres, os doentes e todas as vítimas. Foi/é um amigo e colega de quem só se pode dizer todo o bem. Enfim, por tudo o que nós conhecemos e saboreamos dele, faltam sempre palavras que nomeiem tudo o que este homem-padre representou e representa como «escola» que ajudou a informar e enformar as tantas pessoas, tanto no caminho do alimento da fé, tanto na promoção e progresso humano, tanto no desenvolvimento da nossa Freguesia (Jardim da Serra) e tanto no testemunho e exemplo de como se faz para o bem de todos. Não fugindo à contingência do tempo e do modo, agora está na etapa de ancião e com a carga da doença. Nesse fatal calvário deste mundo, continuo a admirar-lhe a vontade de viver, a resistência, a lucidez inquieta (aliás uma admirável beleza que sempre o acompanhou)... Enfim, eis um homem completo que viveu/vive para Deus, que ele desbravou e conheceu no corpo e no coração das pessoas que encontrou ao longo de toda esta já longa caminhada neste mundo, felizmente. Pessoas boas merecem viver muito para seu bem e bem dos outros. Obrigado Padre Tavares pelo que foi e pelo que representa para tantos de nós.

O melhor do mundo são os jovens (1)

como seria o nosso mundo sem jovens? - Uma tristeza muito grande e condenaria a humanidade a não ter futuro. Os jovens são a alma do mundo. Se eles não existissem, o mundo vivia totalmente deprimido e morto, calado e sem sorrisos, mudo e surdo. Um mundo quieto, não tem vida, por isso, não avança, porque está estéril, infecundo e caminha irremediavelmente para o fim. São os jovens que fazem o som e o movimento do mundo, são o sonho e o viveiro fértil para que a mudança possa acontecer. Não são o anúncio da perdição, como tantas vezes se faz crer, porque se recorre vezes demais a esse clichê para não permitir as transformações que exigem a existência... Não ter medo da juventude das pessoa e das coisas, é o caminho de Deus, que ama os jovens e os busca para fazer com eles o que não pode fazer com os que se agarraram ao passado e não permitem que a vida nova possa surgir. Ser jovem é todo aquele que semeia ideais no presente para que frutifiquem no futuro. A juventude é a aposta garantida para que a simplicidade, a humildade e a felicidade irriguem todos os caminhos da humanidade. Está a decorrer em Roma o Sínodo dos Bispos, sobre os jovens. Se as mudanças concretas que se esperam não surgirem finalmente que impulsionem para sermos uma Igreja jovem irrigada com sangue novo, o Sínodo será mais uma oportunidade perdida e mais uma ocasião para conversas e paleio bonito inconsequente. Todas as sociedades comandadas por cabeças velhas e todos os lugares onde as chamas da vida envelheceram, precisam do exemplo da Igreja que não tem medo de se rejuvenescer permanentemente. No entanto, mais que certo, é que para muitos da Igreja e da sociedade, apesar de tudo, os jovens, são o melhor que o nosso mundo tem!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Padre Mário Tavares

Reproduzo o texto, do grupo de paroquianos de São Tiago, Jardim da Serra, que foi lido ontem 7 de Outubro de 2018 por ocasião de uma Eucaristia de ação de graças e como momento de homenagem/gratidão ao Padre Mário Tavares. Se me permitem, por todas as razões, bem conhecidas, assino por baixo...

PARÓQUIA DE SÃO TIAGO, DOMINGO, 07/10/2018
Celebração do 49.º Aniversário da Vinda do Senhor Padre Mário Tavares Figueira para a Paróquia de São Tiago, no Jardim da Serra (1)
Transcrevemos a mensagem dirigida, pelos paroquianos, ao Senhor Pe. Mário Tavares Figueira. Este texto foi lido no final da Missa de Ação de Graças, a qual foi concelebrada pelo pároco atual, Pe. Rui Silva, pelo pároco anterior, Pe.Eleutério Ornelas, e pelo próprio Pe. Mário Távares Figueira.
«Caríssimo Senhor Padre 
Mário Tavares Figueira
Estamos aqui, na nossa Igreja, para agradecer a Deus todas as coisas que Ele criou. Está escrito no Livro dos Salmos: «Louvai o Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o Seu amor (136.1).» 
Dêmos, pois, graças a Deus por ter atuado, desde o início, na sua vida, caríssimo Senhor Padre Mário Tavares, tornando-o sacerdote, no meio do Povo. Agradecemos-lhe, caríssimo amigo, por ter trabalhado connosco, como Pároco de São Tiago, entre o ano 1969 e o ano 1992, perfazendo 23 anos, bem como por nos continuar a acompanhar e a fortalecer, até aos dias de hoje, com a sua sabedoria e com a sua amizade. 
Sabemos que, quando chegou à nossa terra, percorreu caminhos poeirentos e veredas esburacadas para conhecer cada uma das nossas famílias, nas nossas próprias casas. Viu pobreza, subnutrição e analfabetismo, mas no meio de tudo isso, disse-nos que encontrou «um povo com grandes qualidades morais e intelectuais». Desde então, estabeleceu com Deus e connosco um compromisso que visou a defesa da dignidade de cada pessoa, à luz do Evangelho, o aprofundamento e a valorização da vida em comunidade, a promoção e a distribuição justa dos nossos recursos. Levou-nos a descobrir uma visão renovada, e em muitos casos nova, sobre a Vida, a História e o Cristianismo. Reconhecemos que foi necessário da sua parte, caríssimo Senhor Padre, muita Fé, Inteligência, Sabedoria, Coragem e Bondade para vencer, os grandes obstáculos que dificultavam, dentro e fora da nossa comunidade, a concretização desse compromisso profético e libertador.
Por conseguinte, são muitas as coisas que temos para lhe agradecer. Agradecemos-lhe … 
Por nos ter levado a entender que a inteligência é uma capacidade de todos os seres humanos, sejam eles homens ou mulheres, ricos ou pobres, vivam na cidade ou no campo;
Por ter consciencializado as nossas famílias para a grande importância da educação, na emancipação e na realização da humanidade;
Por ter reforçado e liderado, com a sua ação corajosa e mobilizadora, as nossas lutas pelos direitos sociais das bordadeiras, pelo direito à água e pela extinção do injusto regime de colonia;
Por nos ter apresentado o teatro como forma de cultura, de partilha e de autodomínio, o qual tinha como ponto máximo, em cada ano, a alegria do Auto de Natal; 
Por ter dirigido a construção do Salão Paroquial, lugar de catequese, de convívio e de cultura;
Pelas inquietações que teve com a nossa alimentação e com a nossa saúde, o que o levou a desenvolver a economia social, com a criação da Cooperativa Liberdade;
Por ter iniciado e dinamizado o processo de criação da nossa freguesia, através do Grupo de Cidadãos Eleitores, para participarmos, com mais autonomia, na construção de uma sociedade mais justa;
Por nos ter ajudado sempre a ultrapassar as nossas dificuldades e fraquezas;
Por ter renovado a catequese, com adoção da Bíblia em Banda Desenhada, como catecismo, tornando-a mais atual e apelativa; 
Por ter chamado o Povo para ler e refletir sobre os textos bíblicos, nos encontros e nas Missas; 
Por nos ter mostrado que éramos dignos de comungarmos na mão;
Por nos ter dado uma perspetiva mais profunda e mais ampla do pecado, do perdão, do arrependimento e da penitência, através das Celebrações Penitenciais;
Por continuar a ser uma voz corajosa e atuante, em prol do bem comum, na Igreja e na Sociedade.
Caríssimo Senhor Padre Mário Tavares Figueira, pelo longo caminho percorrido, pelos bens alcançados e por continuar a ser uma luz libertadora no meio de nós, aqui expressamos, perante Deus e perante si, caro amigo, a nossa profunda e sincera gratidão!
Com um abraço amplo e fraterno da Comunidade Paroquial de São Tiago».
Seguem-se as assinaturas do(a)s paroquiano(as).

Nota 1: Período de 04/10/1969 a 04/10/2018.

sábado, 6 de outubro de 2018

A vida matrimonial requer engenho e arte

o projecto de Jesus sobre a vida matrimonial é uma graça, uma vocação que Deus coloca no coração do homem e da mulher para serem felizes, se amarem e serem procriativos (não só gerando filhos, mas em muitos outros aspectos). Este projecto é para sempre. Mas, do ponto de vista ideal nem sempre resulta, não por causa de Deus, mas pelas circunstâncias históricas desta vida e do mundo. Na vida familiar, Deus deseja que o amor fale sempre em primeiro lugar, pois, a felicidade funda-se nesse alicerce. Digo sempre na celebração dos casamentos que a vida em casal é a rosa mais linda do jardim de Deus, porém, é aquela que se alimenta pelo tronco mais espinhoso. É preciso sabedoria e inteligência para colher essa rosa com as mãos sem se deixar ferir. Nesta sabedoria e inteligência se funda a paz e diálogo sincero. Assim se aprende com S. Gregório de Nazianzo (Homil. 37, 6-7): «É belo, para uma mulher, venerar a Cristo no marido; mas é belo também para o homem não desprezar a Igreja na mulher. "A mulher, diz, respeite o marido", como Cristo. E também o homem sustente e ame a mulher, precisamente como Cristo faz com a Igreja».

Quem será o nosso próximo?

viver o sentido da proximidade, parece ser fácil, mas não é bem assim. Jesus aponta que para entrar no reino dos céus basta que não se olhe à identidade, à etnia, à cor da pele ou a outro qualquer condicionalismo que faça a diferença entre a humanidade. Por isso, parece fácil ser próximo de quer que seja, mas a prática da vida desmente-nos claramente. Digo que não é fácil, reparemos no seguinte: um dia António Gaudí foi atropelado numa rua movimentada de Barcelona, algumas pessoas que passavam não pararam para ajudar aquele ancião ferido. Não tinha consigo nenhum documento e pelo aspecto parecia um mendigo. Se soubessem de quem era aquele próximo, seguramente tinham feito fila para ajudá-lo. Aqui está demonstrado que é mais fácil ser próximo daqueles que são os nossos familiares, amigos e conhecidos. E se for alguém que tenha alguma proeminência social, se existir conhecimento antecipadamente quem é, ao precisar de ajuda não lhe faltará seguramente próximos. Por isso, Jesus sabiamente contou a parábola do judeu caído no canto do caminho ferido pelos salteadores da noite, que incondicionalmente vai ser socorrido por um samaritano. Ao tempo de Jesus samaritanos e judeus não se podiam ver nem de perto nem de longe. Não esqueçamos: «Nada nos faz tão semelhantes a Deus como as boas obras» (São Gregório de Nissa).

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

O maior teólogo é o povo de Deus

tenho ouvido, visto e lido coisas importantes e ricas sobre Deus no pensamento da Igreja, dos teólogos, dos papas e dos santos. Embora não seja menos importante salientar que a verdadeira mensagem sobre Deus é vivida e anunciada pelo grande «teólogo» que é o nosso povo, o Povo de Deus. Este é o melhor fazedor da mensagem de Deus para a vida. Cada momento da história ensina-nos que o povo tem uma inteligência e uma sabedoria imperscrutável. Os caminhos da democracia são exemplo disso, mesmo que tantas vezes nos pareça ao contrário quando as inverdades cegam e marcam a hora e o tempo. O povo na ocasião certa diz basta e manifesta que deseja não ser mais enganado. Viva a República! 

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A vida inteira e não só pela metade

o antigo Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes dizia: «Somos como o canhão, recuamos para que o projéctil vá ainda mais longe». Esta necessidade de parar e de fazer silêncio, é muito importante para pensar a vida e tudo o que ela implica para a o bem de cada um e do mundo que nos rodeia. Muitas vezes o ficar quieto e o estar calado não significa, de modo nenhum, subserviência ou passividade perante as coisas que passam, mas significa procura lúcida de um bem próprio para melhor servir a vida e a cumprir melhor a missão. A paixão pela vida, pelo que sou e pelo que posso dar, obriga-me a olhar a própria história com amor e compaixão para depois me relançar outra vez sobre o que sou. Olhar a própria história, é a possibilidade de reconciliar-se consigo mesmo, harmonizar o espaço, organizar-se, criar espaço para poder funcionar e relançar-se outra vez sobre as coisas da vida. É preciso valorizar e acolher com amor aquilo que somos e temos dentro de nós. Não há outra história da salvação de Deus à margem da nossa história pessoal. A história da salvação é a história da humanidade. Estar contra esta forma de pensar a acção de Deus é violar o projecto de salvação de Deus para o mundo e para a humanidade toda. Reparemos na frase de Martin Buber: «Deus não me pedirá contas de não ter sido Francisco de Assis ou mesmo Jesus Cristo. Deus vai pedir-me contas de eu não ter sido completa e intensamente Martin Buber». Nem mais!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Palavras o vento leva

tanto blá blá blá acerca da TAP, que já cansa. Onde está uma empresa de milhões de clientes que trate cada um deles individualmente bem, ainda mais se essa empresa tem como único objectivo ganhar dinheiro? - Deixemo-nos de luzes... Mas, lá anda uma meia dúzia de madeirenses a se entreter com as viagens da TAP. Conversa e mais conversa. Entretanto há madeirenses a nascer e outros a morrer. A vida continua feliz e infeliz também. A vida não é só viagens de avião para sair da ilha. Mas agora vejo que aquela porção de madeirenses que vive em trânsito anda acalorada com subsídios e viagens, ainda não percebi o que querem. Graças a Deus que de vez enquanto tenho a possibilidade de sair da ilha e gosto de sair de avião, mas procuro programar com antecedência e escolho aquelas viagens mais acessíveis. Não me tenho dado mal. Compreendo que outros tenham de sair mais vezes, estudantes, empresários, políticos e quem gosta de andar sempre no ar. Mas, há muito paleio e espremendo-se este palavreado, fica uma conclusão, nem governos nem TAP defendem ninguém, cada um olha para os seus interesses, mas tem sido feio que os governos, que deviam defender os madeirenses, têm feito deste assunto um jogo do rato e do gato para fazer campanha eleitoral. Vamos esquecer por uns tempos esta história de viagens, subsídio assim subsídio assado, e quem quer viajar sem pagar, que fique em casa ou que pegue no seu carro e dê a volta à ilha, leve um garrafão de vinho seco e coma papos secos com bacalhau. Deixemo-nos de conversa fiada, aproveite-se o tempo para nos concentrarmos nos verdadeiros problemas que afligem os madeirenses todos e não apenas aquela minoria que viaja. Esta missão compete especialmente a quem tem responsabilidades públicas e os jogos partidários com assuntos sérios resultam sempre em desgraça para todos. Tanto fogo de vista com um assunto, que a meu ver se resolve da noite para o dia e numa penada só, bastava que a roupagem partidária ficasse à porta das mesas das negociações. Mas é o que temos. Enfim, enquanto isso, certo é que se continua a nascer e a morrer, pois «Palavras, leva-as o vento».

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi, foi um mártir da violência pacífica, pede coragem para dizer a verdade, sem medo diante dos poderosos e para não dizer mentiras, não ser demagogo, para conquistar o voto dos fracos. Os poderosos, muitas vezes incutem medo intimidando os mais simples. Outro perigo enorme é a fortuna sem senso. O dinheiro enlouquece e anula o raciocínio equilibrado. Quanta gente tresloucada pela riqueza! Para as horas de sucesso Gandhi pede humildade, e não vanglória ou vaidade. Rezava deste jeito: «Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda». Quantas vezes julgamos injustamente os outros porque não procuramos ver o seu lado inocente e ficamos exclusivamente só pelo nosso lado obstinado sem qualquer razoabilidade. Perdoar é uma grandeza. E a vingança é vergonhosa baixeza, cobarde e expressão do ódio. Tudo tão diabólico a corroer o nosso mundo, as nossas famílias e a sociedade inteira.