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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A democracia suspensa

nunca houve tanta contradição e tanta ambiguidade na humanidade como neste mundo e neste tempo que nos foi dado viver. No entanto, para bem ou para mal - não me cabe julgar - nunca se viveu envoltos em tanta mentira, em tantos silêncios estudados, em tantos avanços e recuos, em tanta opção ao sabor dos interesses pessoais, em tantas situações que calam diante do escândalo e da corrupção humana, em tantos discursos sem prática, em tanta palavra vã, em tanta infidelidade contra a palavra dada, em tanta ambição de poder, em tanta loucura por causa dos bens materiais, em tanta cegueira sem sentido, em tanta desordem moral e ética, em tanta perversão dos costumes, em tanto jogo matreiro que pretende considerar os outros como tolos, em tanta ordinarice que nos leva a concluir que este tempo não tem precedentes na história humana, mas de certeza quase segura, que terá influência na forma de ser e pensar das gerações futuras. A aldeia global da economia e da informação, dá lugar à «aldeia global do medo» como alertou o jornalista catalão Miguel Rivero Lorenzo de «La Vanguardia». Há uma crise profunda da «democracia representativa» e provavelmente emerge a necessidade de pensar a sério a «democracia contínua», aquela democracia que cada cidadão comparasse «em cada momento» os actos dos poderes Executivo e Legislativo com os direitos declarados e reivindicasse o seu respeito.  «Comparar», «reivindicar», «cada cidadão», «em cada momento», «respeito pelos direitos constitucionais», todas as características da democracia contínua estão aqui, suspensas por dois séculos! É urgente retomar a democracia suspensa em nome dos interesses egoístas de minorias contra o bem comum das maiorias.

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