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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Ano novo problemas velhos

2018-2019
A canga é grande de ano para ano. 2017, carregou 2018, este vai enfiar o barrete a 2019 e este também não vai fugir à regra e não terá também tempo suficiente para não sobrecarregar 2020. É assim ano após ano. Estupidamente interminável. Porque nunca será mais foguete ou menos foguete de artifício que vir a pôr cobro a esta fatalidade.

Se eu fosse o ano novo não aceitava senão coisas novas. Porém, felizmente, eu não sou o ano novo e não tenho o poder da solução para todos os problemas. Mas garanto que se eu fosse o ano novo, o ano velho piava baixinho e não me entregaria a carga de problemas velhos, que ele não encontrou tempo e vontade para solucionar.

Para muita boa gente o ainda saudoso Santo Papa João Paulo II, dizia o seguinte, provavelmente, num daqueles momentos de boa disposição, que também o caraterizava: «a estupidez também é um presente de Deus, mas não se pode abusar». Este prisma, que nos inspira sobremaneira, podemos aferir que muitos dos problemas derivam precisamente do abuso na prática da estupidez. Vejamos então…

- A guerra e todo o género de violências físicas e psicológicas que comandam o nosso quotidiano são estupidez (falo das guerras grandes feitas entre os estados, que derivam do negócio das armas que deliciam os capitalistas e os governantes do mundo inteiro, mas também falo daquela violência quotidiana das nossas casas, por exemplo, a disparatada e muito estúpida violência doméstica).

- As desigualdades ou a falta de equidade neste mundo é uma crua estupidez que alimenta o egoísmo e a maldade humana.

- A destruição do nosso serviço de saúde é o máximo da estupidez quando sabemos à partida que todos mais tarde ou mais cedo necessitarão de cuidados de saúde. A politiquice que o norteia também nos envergonha e o muito malabarismo para justifica o injustificável não nos ludibria.

- A irresponsabilidade dos governos que nós temos são a face visível da estupidez quando abusada, porque governam em função de interesses mesquinhos de alguns grupos económicos ou amigos do partido a que pertencem, mesmo que isso hipoteque a vida de toda a sociedade e das gerações vindouras. E a estupidez é tanta que não olha à destruição da «nossa casa comum», a nossa «mãe terra». Mais ainda quando tudo isso implica altos custos para o erário público, sobrecarregando todos os cidadãos com impostos que levam ao sofrimento à morte.

- A estupidez é ainda desmedida perante a bênção dos poderes que se acasalam pornograficamente para conseguirem os seus intentos mesquinhos. Para isso não falta água benta para lavar as vergonhosas «uniões de fato», que a este nível os poderes justificam na troca de favores mútuos. Resta a caridade que alimenta os pobres ainda a serem mais pobres ou então dependentes do beija mão senhorial desta sociedade obcecada por mordomias exclusivamente para alguns, aqueles que tiveram mais certo.

- A fome pelos tachos agudiza-se ano novo adentro. Um problema velho, mas que o famigerado ano de 2019, sobrecarregará devido à abundância de eleições. Já vemos a estupidez a marcar passo em função desse eldorado do emprego para os incompetentes, os lambe botas do costume que até venderão a alma se para tal for necessário, mesmo até antes de terem vendido a sua progenitora.

- A beatice patética perdurará ano novo adentro, qual problema velho, que se alimenta estupidamente do fundamentalismo, do anacronismo, da hipocrisia para combater quem eventualmente lembre que precisamos de respostas novas para os problemas sempre novos que todos os dias a diversificada humanidade coloca diante dos olhos. O Papa Francisco deve saber bem do que falo!

- A estupidez não terá limites na aplicação das leis e dos critérios para ajuizar e agir perante cada uma das pessoas. Porque, problema sobejamente velho, é que uns são filhos de Deus e outros, mesmo que esperneiem serão sempre filhos da outra... Enfim, as discrepâncias continuarão a existir, uns a acreditar que Maria de Nazaré é Virgem espiritualmente e fisicamente. Mas pode haver que alguns, mesmo assim, duvidem, mas logo serão metidos na ordem, porque o santo dogma do discurso não pode ser violado, a santa tradição não tolera inteligência e a ousada da criatividade. A abusada estupidez não tolera que os contextos tragam também sinais de Deus nos tempos que correm, Deus é estático, a acção de Deus não muda… Ah, perversa estupidez!

Enfim, a lista poderia ainda ser mais preenchida. Mas fiquemos com estes elementos, só para vermos como a passagem de um ano para o outro vem carregada de sofrimento para quem vem. Lutemos, para que o ano de 2019 seja bom.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

A família e a sociedade

A família de Nazaré faz-nos pensar um pouco sobre todas as famílias de hoje. A família continua a ser uma forma de crescimento humano e de educação fundamental para a pessoa. E bem sabemos que a sociedade do presente e do futuro depende essencialmente da família.
Todos reconhecemos que a família atual está a atravessar dificuldades muito graves. É certo que assim seja, porque os problemas que advêm daí estão à vista de todos. Porém, requer-se uma acentuada intervenção na educação para que a família retome o seu lugar na sociedade. Mais reconhecemos que a família em crise arrasta consigo toda a sociedade. Cada vez mais, reconhecemos que se todos os pais e todas mães se fossem verdadeiramente responsáveis pelos seus filhos a nossa sociedade estaria melhor e os problemas não seriam tão graves no que diz respeito à convivência social. 
A todos é pedido que se empenhem na educação para que a família continue a ser a principal escola de crescimento e de educação de todos os homens e mulheres, dentro dos parâmetros que a antropologia a definiu. Caso não exista esta consciência entraremos no caos e na perversão geral que tanto nos comove ou escandaliza hipocritamente. O discurso sobre o respeito, a fidelidade e a castidade, é, hoje, muito complicado, porque facilmente se apelidam as pessoas que o defendem ou o vivam no seu dia a dia, de que são retrógradas, cotas e de tradicionalistas. Os valores estão em crise, é visível por todo o lado. Os mais novos não estão com o mínimo de aptidão para receber e viver com valores.
Hoje, o que dá é ser o que o momento proporciona, porque não interessa a estabilidade emocional e a fidelidade aos valores. Nem muito menos que os compromissos perdurem. O que importa é viver a ocasião intensamente. Toda a instituição, como valor perene e estável, sofre muito com esta forma de pensar e viver dos tempos atuais.
Porém, mesmo que estes considerandos sejam um pouco negativos no que diz respeito à família, gostaria de salientar que existe uma multidão de pais e mães muito responsáveis e preocupados. São estes que desejo homenagear e incentivar, manifestando que o seu trabalho dedicado à educação dos vossos filhos é a missão mais nobre e sinal de que o amor de Deus ainda está bem presente neste mundo conturbado. Pelo coração de cada um de vós, Deus revela a grandeza do Seu amor pela humanidade. Bem hajam por terem assumido esta missão de serem pais.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Postal de Natal - Fazer Natal 2018

Para todos os que me têm enviado mensagens de Natal (e também para os outros) aqui deixo o meu agradecimento e retribuo os mesmos sentimentos e desejos. Boa Festa e feliz Natal para todos...
 
Fazer Natal 2018
Fazer Natal acolhendo na terra a surpresa do céu
Fazer Natal vendo Jesus no coração dos desamparados
Fazer Natal é não falhar a festa com o festejado
Fazer Natal é levantar-se do chão e dar largas ao sonho
Fazer Natal é levantar o som do silêncio cada vez mais alto
Fazer Natal não é a tradição, mas a alegre novidade
Fazer Natal é acordar do sono da indiferença
Fazer natal é acordar do sono do ódio
Fazer Natal é acordar do sono da vingança
Fazer Natal é sair do túmulo da passividade
Fazer Natal é tomar a sério o mundo e a vida
Fazer Natal é ser luz no encontro do perdão frequente
Fazer Natal é ser sal condimentando o abraço da paz
Fazer Natal é dizer uns aos outros tu és «meu irmão/minha irmã»
Fazer Natal é humanizar-se para divinizar-se
Fazer Natal é abrir as portas a todos os que têm boa vontade
Fazer Natal é deixar entrar no mundo a lógica do perdão
Fazer Natal é gritar contra a fome
Fazer Natal é gritar contra a guerra
Fazer Natal é recusar a mentira que oprime
Fazer Natal é dizer sempre a verdade que liberta
Fazer Natal é sair das coisas habituais
Fazer Natal é dar azo à novidade criativa do amor
Fazer Natal é dizer não à indiferença 
Fazer Natal é ser fiel porque se deve o respeito
Fazer Natal é libertar-se da lamúria
Fazer Natal é deitar ao lixo o «dizer mal uns dos outros»
Fazer Natal é encontrar Deus não como uma singela tradição
Fazer Natal é encontrar Deus na alegria de ser pessoa
Fazer Natal não é correr como louco a consumir
Fazer Natal é ouvir o Pp Francisco «Por favor, não mundanizemos o Natal»
Fazer Natal é encontrar a luz pobre da gruta de Belém
Fazer Natal não é procurar a crista da moda que dita o mundo
Fazer Natal não é encher-se de presentes
Fazer Natal é não banquetear-se apenas com almoços e jantares
Fazer Natal é descobrir Deus pobre
Fazer Natal é ajudar e acolher ao menos um pobre
Fazer Natal é acolher todas as surpresas de Deus boas e más
Fazer Natal será, enfim, «como José, darmos espaço ao silêncio; se, como Maria, dissermos «eis-me aqui» a Deus; se, como Jesus, estivermos próximos de quem está só; se, como os pastores, sairmos dos nossos redis para estar com Jesus» (Papa Francisco, Audiência geral, 19.12.2018, Vaticano).
Fazer Natal é ser Natal com Deus e nunca fora de Deus…
Bom Natal!
JLR

sábado, 22 de dezembro de 2018

O Magnificat

É Natal. Sejamos Natal para que se renove em nós a esperança...
É visita e conceição,
Tanto é que superabundou a graça
Que me livra de tudo o que me magoa e me ameaça.

Ai o pecado e o desencanto!
Quanto mais sofro esta dor sentida,
Mais exalto o dom com espanto
De ter sido bafejado pela vida.

Esta perplexidade diária,
É humana,
De alguém fatigado
E pouco animado sem nada,
Mas a prescrever como o médico
A receita para a cura esperançada.

Ai, noite escura, salienta a lua cheia,
Almejada e conjugada,
Pelo tu e pelo eu
Oh que beleza de cenário 
E pela luz interior desta vontade, 
Eis o meu desejo solidário.

Meu Deus que momento,
Ditou o encantamento,
dos olhares em visita
Para quem é chegado,
Mas mais ainda para que é visitado.

Foi assim naquele tempo,
É hoje também concebido,
Se for seriamente recebido,
Para quem merece a vida.

Porque se a vê livre e sentida,
Em tudo o que lhe foi concedido,
Para o mal da dor sempre se  liberta, 
Pois para o dom que lhe é próprio, 
Saboreia-o e caminha agradecido.
JLR

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Os três pilares da vida na Igreja

Comensal divino
A Igreja Católica do Concílio Vaticano II, encarnada e reclamada pelo Papa Francisco, reúne três características (pilares) essenciais: a misericórdia, a sinodalidade e uma Igreja para os pobres. Vamos ver em que medida está a ser aplicado estes elementos na nossa Igreja da Madeira.

1. No que diz respeito à misericórdia. No discurso e na pregação estamos como naquele momento evangélico, quando os discípulos de Jesus de olhos bem arregalados, recolhiam os doze cestos de peixe e pão, após a milagrosa multiplicação no meio do descampando do deserto, algures nas montanhas da Galiléia. Quer dizer, muito sobra em discurso, mas escasseia em prática. A intolerância Católica domina, a inveja comanda os corações, a maledicência de uns contra os outros alimenta os egos, não sobra tempo para incluir os que vacilaram no caminho, são uns reles pecadores que não merecem nem segunda nem nenhuma outra oportunidade. Pecou morreu para sempre. Não pode ser. A vida não se faz assim com exclusivistas que se acham melhores do que ninguém, autorizados a sepultar os sentimentos e os valores que no meio da miséria podem emergir com luz renovada. Precisamos de uma Igreja misericordiosa, feliz e de bem consigo mesma para levar adiante um plano que contemple a vida inteira com todos os seus contornos e detalhes, sejam bons ou sejam maus.

2. A sinodalidade. O elemento mais difícil de levar à prática, mas o mais importante, porque com ele realizar-se-á a riqueza desconcertante do Evangelho de Jesus Cristo, o amor ao próximo e a fraternidade. Pediu o Papa Francisco, que este valor fosse vivido por todos os organismos da Igreja. Segundo ele “é impossível tratar o povo de Deus, que foi distinguido pelo Espírito Santo com o sensus fidei, que não se engana, e tem parte na missão profética de Jesus, sujeito meramente passivo a ser instruído por ministros”. A Igreja tem que sair da ideia de que é uma monarquia absoluta, para passar a ser uma fraternidade, onde o dever da transparência passa a ser uma normalidade quotidiana. Ninguém é dono de ninguém, todos por tudo e por todos. Falta-nos esta sensibilidade, para existir verdadeira Igreja vinda do espírito novo que nasceu do Concílio Vaticano II, inspirado pelo Evangelho de Jesus, que este Papa tão bem reclama e encarna. Ele tenta à saciedade experimentar no meio de imensos entraves, naquele Vaticano ensombrado pela poeira secular da teimosia e da «vã glória de mandar»... Os poderes absolutos corrompem absolutamente.

3. Os pobres. Não significa que tenhamos que ser uma Igreja de pobretanas, sem lugar onde cair mortos. Mas dar azo a uma consciência que ninguém precisa estar fora da mesa do pão. Uma Igreja profética que anuncia e denuncia todos os atropelos contra os mais indefesos. Procura contribuir com a sua autoridade para que as políticas sejam de emprego para todos. Uma Igreja a sério, não permitiria que os governos não fossem justos na distribuição da riqueza, muito menos seria pacífica diante da instrumentalização das populações indefesas ao fazer com elas ações partidárias e eleitoralistas. Obviamente, que na Igreja o serviço aos pobres deve ser primeiramente assistencialista, dando de comer a quem tem fome e vestindo quem está nu, mas depois tem que encaminhar para os serviços que cobram impostos, porque estes devem resolver efetivamente estas carências sociais. Mas o que temos, governos que embarcam no assistencialismo e uma Igreja totalmente silenciada perante a adulteração dos papéis. Pobres sempre os terão, mas podíamos, se a honestidade comandasse as instituições, ver a assunção honesta e verdadeira daquilo que lhes compete realmente fazer, fruto da sua natureza. Jesus reclama tudo isso de forma tão viva e tão urgente neste Natal para todos os dias do ano.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Escutar

Terceiro domingo do Advento...
Tudo era palavra verbo novo em comunicação
onde batia leve a criação para escutar
o que o sangue em luz ditava na casa do ser
iluminado pelas mãos e pelo coração.

Tanto cresceu em mim a profusão
da carne quando ouvia as cerejas batendo 
nos campos do poema que se ouvia
conjugado pelas letras soletradas do amor
que dormia no silêncio aconchegado no regaço. 
JLR

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A raiva vai fazer o Natal ser amarelo

1. A revolta dos coletes amarelos em França, marca a agenda destes dias. O Natal vai ser amarelo. Porque todos os problemas que nos acompanham o ano inteiro estão aí bem presentes, sem solução e alguns ainda se agravam mais.

2. As razões que justificam as revoltas são as razões de todos nós. A única de diferença, é que na França não fizeram como nós, saíram para rua e dizem não. Nós, mais acanhados e habituados a sermos «comidos» há muito tempo, ficamos pelo «pagar e calar», basta que fique um «troquinho para matar a fome», dizemos uns aos outros.

3. Vamos às razões que animam a revolta nestes dias. À cabeça relaciona-se com a raiva contra os políticos e contra a elite que domina a vida das sociedades. Estes famosos, mas escondidos, donos disto tudo, que impõem aos governos nacionais impostos desmesurados sobre os combustíveis e outros bens essenciais para vida quotidiana. Daí a reivindicação da subida dos salários, redução de impostos e o fim dos privilégios para a classe política, com uma forte exigência de que se leve a efeito a modalidade das consultas populares relativamente a assuntos que impliquem mudanças cruciais nos hábitos e comportamentos da sociedade em geral. Quem não concorda com isto?

4. Estes desejos são legítimos e estão perfeitamente de acordo com a vontade popular em geral. Caso estas reivindicações não encontrem resposta dos governos ou estes se manifestem totalmente insensíveis à vontade popular, vamos cimentar ainda mais o caminho dos extremismos. Os eleitores nutrem simpatias pelos grupos e políticos com discursos extremistas e fascistas. Em França muitos preveem uma votação ainda maior nas eleições de 2019 na extrema direita de Marine Le Pen, para o Parlamento Europeu. Entre nós não estaremos longe da mesma vontade e dos mesmos anseios…

5. Outra ideia que anda pelo ar e que faz palpitar a revolta prende-se com a confusão do Bréxit. Dizem que fazem bem fizeram os ingleses, que adivinharam vir a caminho uma intervenção da burocracia europeia ainda mais direta sobre os estados soberanos. Eles sabem que a União Europeia pretende «massacrar» ainda mais os Estados, por isso anteciparam-se e fugiram antes. Esta ideia sobre a União Europeia é grave e manifesta uma clara repulsa dos povos europeus em relação às políticas massacrantes, levadas a cabo sem escrúpulos contra vida das sociedades europeias, privilegiando os grandes grupos económicos e financeiros que dominam o mundo. Nós já sabemos bem o que isto significa e como dói!

6. Outro aspeto está relacionado com as alterações climáticas. Os governos parece quererem passar a fatura aos mais pobres, esquecendo as grandes fortunas e os que têm mais recursos. É mais que certo que as alterações climáticas, deverão ser uma tragédia de consequências incalculáveis para a humanidade, mas não podem ser um álibi, para explorar e fazer sofrer ainda mais os indefesos, as populações em geram.

7. A revolta dos povos e as consequentes manifestações nas ruas são a expressão da raiva que neste momento alimenta os povos em geral. As pessoas estão cheias de raiva contra a irresponsabilidade dos seus representantes, que não se olham, encheram-se de vaidades, vivem para o dinheiro, perderam a noção do bem comum e da justiça. As pessoas estão enraivecidas contra a incompetência que as rodeia, estão cheias da fuga aos impostos dos privilegiados e das artimanhas que inventam para ganhar dinheiro fácil, que depois deverá ser reposto com impostos sobre a sociedade em geral. Quem não sabe disto?

8. Este Natal vai ser amarelo outra vez, porque estamos todos amarelos de raiva e a revolta comanda os nossos dias que se seguem, porque a dignidade continua esquecida. Alguns - os mesmos privilegiados - acham que podem tudo e que os povos que os sustentam tudo suportam, como se fossem todos incautos, cegos, surdos e mudos. É verdade, que o povo esquece e até perdoa, mas sabe o que quer e como quer.
Também foi publicado no blogue GNOSE

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Uma Mãe que é nossa


Mãe nossa, que estás no céu!
Santificada sejas mulher mãe em todos os nomes deste mundo.
Venha para nós seres exemplo da força da vocação;
seja feita a nossa satisfação maternal,
nesta terra e nas águas revoltas do pensamento até ao céu.

O pão nosso do amor de mãe para hoje.
Um coração mole és mãe esquece os nossos doestos,
assim como devíamos relevar a quem nos ofendeu.
E não nos deixeis sucumbir à sedução,
mas como mãe abraça-nos perante o mal. Amén.
JLR

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

11 padres 11 exemplares de padres

Não deu para chegar a 12 como é a soma dos excelsos Apóstolos do Senhor Jesus, porque se fossem doze um «desgraçado» seria o pobre Judas. Por isso, para que as almas não invistam na maledicência e andem para aí a imaginar coisas, ficaram 11 padres a falar do seu sacerdócio, todos de famílias decentes, gente do bem, católicas até ao tutano, de corpo e a alma sempre virada para o reino dos céus.
Por isso, foram escolhidos a dedo. Para mim seria impossível escolher apenas 11, mas para quem teve essa nobre tarefa, parece que não foi nada difícil, olhou para os 99% dos padres de Portugal e deduziu logo, sob inspiração divina, nenhum presta, só sobram 11 padres para que a dona Zita Seabra, a convertida mais importante do século XX português, possa editar esta escritura magnífica sobre o sacerdócio, a vocação, o bom exemplo, a obediência à Santa Madre Igreja Católica Apostólica e Romana, entre outras particularidades divinamente inspiradas para que se reproduzisse tão mui nobre documento. Um mimo de literatura que tive a sorte de saborear nalgumas horas. Por isso, já estou safo…
Pudera, com 11 exemplares extraordinários que até faz pena fazerem parte da enxurrada de uma percentagem de 99% de padres energúmenos, cheios de imperfeições que preenchem os presbitérios das Dioceses de Portugal. Toma para aprenderes…
Mas, por favor, dona Zita Seabra, poupe-nos a estas investidas corriqueiras com testemunhos tipo alguma literatura de Paulo Coelho, Susana Tamaro e Alexandra Solnado… Tudo tão igual e mais do mesmo já cansa. Agora veja se coloca a sua editora Aletheia a publicar coisas que se vejam, pois que espelhem o saber e arte da elevada teologia, querendo enveredar pelo caminho das coisas sacras. 
Se alguém quiser ler o livro, não sei onde possam comprar... Mandem mensagem para a dona Zita Seabra.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Duas entrevistas, dois médicos e dois Pedros

Um Pedro é o Dr. Pedro Ramos, Secretário Regional da Saúde. O outro Pedro é o Dr. António Pedro Freitas, Presidente da seção regional da Ordem dos Médicos.
Sobre as conversas de ambos na comunicação social (as entrevistas para mandar picardias a um e a outro) tenho pena um deles não se chamar Paulo, porque podíamos utilizar o aforismo popular, «se Pedro me fala de Paulo fico mais, a saber, de Pedro do que de Paulo». Não sendo Pedro e Paulo, mas Pedro e Pedro, podemos na mesma considerar que quando qualquer Pedro fala do Pedro e do trabalho do outro Pedro, cada um na sua vez, fico sempre, a saber, muito sobre a realidade e sobre ela adensa-se em mim maior preocupação e perplexidade.
Se falar o Pedro, Secretário, a realidade na saúde na Madeira é um sonho, uma maravilha... Sim, certo, ninguém conhece este sonho dourado, mas ele diz que existe. Quando o outro Pedro, o da Ordem dos Médicos fala, ficamos super estragados e reforço o medo de um dia ter que ir bater ao hospital.
Passada a brincadeira sobre o nome dos Pedros, vamos ao que interessa que é o nosso sistema de saúde. Afinal, funciona ou não funciona? É a maravilha de um Pedro ou é aquela desgraça do outro Pedro?
Enfim, vamos ao que vejo e sinto. Há muito boa gente no nosso sistema de saúde. Gente com alma, competente e que faz das tripas coração para salvar os outros, os doentes. Gente que com pouco faz muito. Gente que se compadece dos pobres doentes, que chora com eles, que os ajuda e que os toma como razão de ser do seu trabalho e da sua entrega. Há gente nos nossos hospitais que não merece o que dizem os Pedros. Há gente que deve ser respeitada porque se entrega à causa da saúde com todas as suas forças, sabe o que é o peso da responsabilidade. Não foge aos desafios e dificuldades. Gente admirável e boa…
No meio disto tudo, no mar imenso do positivo e do negativo, a nossa saúde converteu-se num jogo partidário inqualificável e no meio desta desgraça toda, a saúde é um grande negócio cobiçado por muita gente que não se importa de ganhar dinheiro com o sofrimento e com a morte dos outros.
As recentes entrevistas vindas a lume nestes últimos dias de ambos os Pedros, a do Secretário e o da Ordem dos Médicos, recolhem adeptos a gosto e outros a desgosto. Uma recolhe adeptos se são afetos ao partido do poder político vigente e a entrevista do outro Pedro, o da Ordem dos Médicos, recolhe simpatizantes naqueles que se comprazem com a perspectiva de que as eleições estão ganhas e que já têm todos os trunfos na manga para dar solução a esta questão e a tudo o que mexe na Madeira. Tudo enganos, tudo «propaganda» para utilizar uma expressão de um dos Pedros.
A saúde é um problema difícil e cada vez será mais difícil ainda, porque a população envelhece e por isso requer maiores cuidados de saúde. Ninguém faz milagres, mas todos podiam contribuir para resolver os problemas na medida do possível, sem alaridos e muito menos com este ruído terrível que lança ainda mais preocupação e medo na população em geral em relação ao nosso serviço de saúde.
A meu ver, quanto a este assunto da saúde devia dominar a responsabilidade e a ponderação. Total ausência de propaganda. Nenhuma força deve servir-se desta realidade para fazer política partidária, mas todos em convergência e com sentido de responsabilidade, para que sintamos todos que a saúde estará, o melhor possível, garantida quando nos falte. Atenção senhores, vamos ao que interessa mesmo, tenham a humildade de se reconhecerem, encontrem-se e dialoguem. É o mínimo que vos pedimos e exigimos.
Também publicado no Gnose

sábado, 1 de dezembro de 2018

Aquele que vem pela luz das mãos


I Domingo do Advento Ano C – A vinda
Vinde bater à porta de um coração de água
uma fonte que brota entre as mãos do ser mãe
daquelas mães que amassam a vida e o sonho
sobre as pedras soltas da solidão dos dias
quando a sede e a fome são passos em volta
no caminho aberto pelo choro de uma criança.

Amo todas as sombras se são anúncios desencantados
sobre este chão do mundo que caiu em desuso
até se fundir completamente para sempre
naquele inesquecível pôr do sol na linha fervilhante do mar
era a hora de esperar o clarão da tua vinda Senhor
as pontas soltas de uma estrela, o teu anjo
os sons celestes que nenhum grito humano advinha
e os olhos das criaturas por muito amadas que sejam
fazem esquecer esta notícia da luz que vem pelas mãos.

Amo fortemente a ideia de um rosto que imagino ver
sorrindo inclinado para mim em todas as horas
como uma criança que se desprende do colo
desejando andar no chão pelo seu próprio pé.
JLR