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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Questionário do Papa Francisco para o Sínodo sobre a Família (IV)

Grupo 4 do questionário do Lineamenta para o Sínodo extraordinário sobre a família. Aqui fica o meu contributo para este grupo de perguntas.

QUESTIONÁRIO (IV)
Grupo 4. Sobre a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis

a) A convivência ad experimentum é uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-la numericamente?
- Esta pergunta, penso, que terá que ver com o facto de muitos casais coabitarem antes da celebração de qualquer vínculo matrimonial. Este elemento hoje está profundamente banalizado. A convivência sexual começa cada vez mais cedo e as várias etapas da relação entre casais, tem esse aspecto como prioritário a partir do momento em que começam o namoro. Não tenho dados concretos para aferir qualquer percentagem, mas suponho que será muito elevada a convivência ad experimentum, porque aquilo que a percepção nos vai ditando confirma que os casos são elevados. O número de Baptismos de filhos de casais sem estarem comprometidos com o vínculo matrimonial já é em maioria.

b) Existem uniões livres de facto, sem o reconhecimento religioso nem civil? Dispõem-se de dados estatísticos confiáveis?
- Penso que não há estatísticas fiáveis. A facilidade com que se juntam e se separam é cada vez maior. Mais ainda se considerarmos que existem muitos casais de jovens que de forma às vezes camuflada já coabitam. Não temos estatísticas credíveis.

c) Os separados e os divorciados recasados constituem uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-los numericamente? Como se enfrenta esta realidade, através de programas pastorais adequados?
- Também não tenho dados concretos que me possam aferir um número para esta situação dos separados e divorciados recasados. Serão muitos, também calculo e mais ainda o número está cada vez mais imparável.
Este grupo deve ser integrado na Igreja. Deve ser vista cada situação concreta, as circunstâncias em que se viram forçados à separação ou ao divórcio, não existindo razões que não sejam sobremaneira graves contra a vida, a dignidade e o respeito por Deus e pelos outros, devem, ser chamados à comunhão e à participação na vida da Igreja. Hoje, cada vez mais cresce o número de pessoas que não aceitam nem muito menos compreendem que uma pessoa pelo facto de ter falhado uma vez seja eternamente banida da vida litúrgica da Igreja ou seja considerado um anátema. É preciso dar a possibilidade a todos de comungarem na Eucaristia, ainda mais se considerarmos o que Jesus diz: «Eu quero misericórdia, e não sacrifício. Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento» (Mt 9, 9-13). Mais ainda: «o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido» (Lc 1, 10).
Não faz sentido nenhum, que cada pessoa independentemente da sua condição e da sua situação humana esteja privada da comunhão eucarística e até que lhe seja vedada a possibilidade de se abeirar dos sacramentos e de participar neles de alguma forma se a consciência o assistir com a dignidade e o respeito. O restante fica reservado ao amor e à misericórdia de Deus.

d) Em todos estes casos: como vivem os batizados a sua irregularidade? Estão conscientes da mesma? Simplesmente manifestam indiferença? Sentem-se marginalizados e vivem com sofrimento a impossibilidade de receber os sacramentos?
- Uma grande parte dos baptizados pouco se importa com a sua irregularidade, o que por si só já é grave. Alguns não estarão nada conscientes, são indiferentes. Porém, o maior problema coloca-se aos casais que sempre foram crentes e participaram na vida da Igreja. Quando estão na situação de separados, divorciados e recasados assumem um sofrimento muito grande e sentem-se diferentes dos outros fiéis.
Um dia destes fui ao encontro de uma senhora com mais de trinta anos a viver uma união de facto, participou sempre na Eucaristia sem comungar. Lamentava-se e chorava compulsivamente, porque sentia uma mágoa interior enorme por não poder comungar. Diante da sua vontade entreguei ao amor de Deus e realizei o sacramento da penitência e obviamente que lhe concedi a Sagrada Comunhão. Ao receber o Santíssimo Sacramento louvando a Deus, as lágrimas de tristeza converteram-se em lágrimas grossas de alegria. Um momento grande de reconciliação, de libertação. A presença de Deus foi muito forte para esta senhora e para mim.

e) Quais são os pedidos que as pessoas separadas e divorciadas dirigem à Igreja, a propósito dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação? Entre as pessoas que se encontram em tais situações, quantas pedem estes sacramentos?
- Algumas pessoas que abeiram-se da Eucaristia, outros comungam, porque não estão cientes do impedimento e outros estão, mas fazem-no independentemente disso. Com a Reconciliação também se passa o mesmo, embora muitos procurem outras formas de reconciliação que não a tradicional. Também não tenho elementos concretos em número que possa aferir uma percentagem para esta situação.

f) A simplificação da práxis canónica em ordem ao reconhecimento da declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas? Se sim, de que forma?
- Claro que sim. A práxis canónica para a nulidade do vínculo matrimonial não devia implicar somas tão elevadas monetariamente, a anulação devia ser mais simples menos burocrática e mais célere. A meu ver este caminho seria uma manifestação enorme de caridade por parte da Igreja, porque afinal correspondia ao desejo que se sente quanto à libertação do imenso sofrimento que tantas pessoas experimentam quanto ao insucesso do projecto matrimonial que abraçaram com tanto interesse e dedicação em um determinado momento das suas vidas, mas que não deu certo, falhou. Outros tantos que se sentem excomungados podiam voltar à participação na vida da Igreja e encontrariam a reconciliação que tanto procuram.

g) Existe uma pastoral para ir ao encontro destes casos? Como se realiza esta atividade pastoral? Existem programas a este propósito, nos planos nacional e diocesano? Como a misericórdia de Deus é anunciada a separados e divorciados recasados e como se põe em prática a ajuda da Igreja para o seu caminho de fé?
- A pastoral especifica para estes casos, é nula. Simplesmente não se realiza, porque não temos formas nem muito menos pessoas predisposta a se exporem, porque há atitudes, censuras, o apontar o dedo que já fizeram o trabalho da marginalização. Não há programas, não se estuda nem muito menos se fala a este propósito, os planos não existem nem a nível nacional nem ao nível das dioceses. Já se ouviu falar dos casais de Santa Isabel, mas não passa de um pequeno grupo, porque simplesmente não há adesão e não sei até que ponto a metodologia é atrativa. As pessoas estigmatizadas não se expõem porque estão profundamente marcadas pelo sofrimento que tal condição provoca.
A misericórdia de Deus pode ser anunciada aos casais separados e divorciados recasados pelo acolhimento e pela compreensão sem que se lhes apresente logo à partida o moralismo e as leis que excomungam ou colocam cruelmente à margem. Este deve ser o principal papel do ser Igreja, acolher sem desprezar e fazer todo o possível para integrar sempre. A preocupação deve ser não permitir que as pessoas se afastem ainda mais da Igreja ou então vão para as suas casas ainda com mais revolta e animosidade contra os sacerdotes e contra os que participam assiduamente na vida da Igreja. A este nível considero que meio trabalho ficará realizado se o acolhimento sem rotular for a principal preocupação em relação a quem é recebido. 

sábado, 9 de novembro de 2013

Estado de alma

Para o fim de semana... Segunda-feira daremos continuidade às respostas ao questionário para o Sínodo dos Bispos sobre a Família. Publicaremos o Grupo 4 de perguntas. Sejam felizes sempre! 
Os passos deslizavam no cais do momento
Na busca suave de um rosto escondido
Na noite da vida em tristeza miserável
Quando o fundo viu sem ver o desejo
Uma fome ardente que se faz lamento
E dor na ausência que guardei
Quando caminhava no vazio solitário do sofrimento.

Agora anima uma certeza segura:
Não têm sorte os que procuram
Um amor autêntico na baía da solidão.

Nessa espera do sinal o som da porta
Ditou para sempre que as palavras escondem
A presença e a decisão firme do desejo da luz.

Ah como morri mais um pouco na alma
Que este estado triste empurra para o fim.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Questionário do Papa Francisco para o Sínodo sobre a Família (III)

Nota: Aqui vai o terceiro grupo de perguntas do questionário do Sínodo sobre a Família... 
QUESTIONÁRIO (III)


Grupo 3. A pastoral da família no contexto da evangelização

a) Quais foram as experiências que surgiram nas últimas décadas em ordem à preparação para o matrimónio? Como se procurou estimular a tarefa de evangelização dos esposos e da família? De que modo promover a consciência da família como “Igreja doméstica”?
- As experiências que surgiram nas últimas décadas como preparação para o matrimónio estão relacionadas com os vários cursos de preparação para o matrimónio (CPM’s); a constituição de várias equipas de casais do movimento das Equipas de Casais de Nossa Senhora; algumas conferências/debates diocesanos e paroquiais sobre o matrimónio e a família. Penso que a este nível até têm surgido muitas actividades, resta saber se foram eficazes, porém, temos que se justos ao ponto de considerar que devem ter serviço para que muitos homens e mulheres se empenhassem verdadeiramente na edificação de uma família feliz. Tem sido um esforço muito grande para chamar e apelar as pessoas a tomarem conta do que implica a constituição de uma família.
Será necessário insistir e valorizar ainda mais a família como «Igreja doméstica». As reticências do pulsar da vida actual é muito grande a tudo o que seja informação e prática religiosa relacionadas com este tema. Obviamente, que não podemos desistir face a este desafio, mais ainda, temos que insistir com elevação diante de cada casal que «ainda» procura celebrar o seu matrimónio na Igreja e pela Igreja. Com eles cabe-nos esclarecer e alertar para a sua função na Igreja e no mundo. Também a esse nível não bastará anunciar e alertar, era bom que a Igreja propusesse formas de levar à prática esta bonita expressa «a família é a Igreja doméstica», para que vá muito mais além do que é bonito, senão não passa de um singelo cliché.

b) Conseguiu-se propor estilos de oração em família, capazes de resistir à complexidade da vida e da cultural contemporânea?
- A oração em família nos últimos anos passou por uma crise muito grande. Não terá sido por falta de apelos dos pastores da Igreja. Mas a vida e a cultura dos tempos de hoje fizeram com que as famílias perdessem o momento da oração como valor essencial, que contribuía para estarem juntos e interiorizarem a vida em comum união. A televisão e a internet provavelmente serão as principais causas desta perda. Tudo o que a sociedade foi criando foi proporcionando o individualmente exacerbado e cruel. As pessoas deixaram de estar juntas, para fazerem tudo individualmente. Quem sabe se até não rezam mais, mas fazem-no cada um por si pela televisão, pela internet, sem ser em família ou em comunidade. Os crentes são imensos, mas cada um por si individualmente sem a dimensão da comum união. Daí a desgraça de tudo o que implique ser-com-os-outros.   

c) Na actual situação de crise entre as gerações, como as famílias cristãs souberam realizar a própria vocação de transmissão da fé?
- Uma pergunta interessante. Penso que o fazem ainda procurando a celebração de alguns sacramentos, nomeadamente o Baptismo e a Primeira Comunhão. Tendo em conta que estes sacramentos são feitos na fase da infância, os corações ainda estão puros ou seja não estão contaminados com as coisas deste mundo e da vida, assim sendo, tal momento da fase do crescimento permite que acolham as sementes da fé e assim elas cresçam imbuídas com alguns valores e princípios cristãos que mais tarde darão os seus frutos em momentos cruciais da existência. 

d) De que modo as Igrejas locais e os movimentos de espiritualidade familiar souberam criar percursos exemplares?
- Felizmente, ainda vai havendo oásis interessantes no âmbito da família. Ainda podemos ver famílias que tendo os filhos ainda na fase da infância participam na vida das comunidades. A catequese estruturada em função das celebrações eucarísticas ainda permite que algumas famílias participem de forma exemplar. Por isso, considero que a catequese escolarizada ou como mais um momento tipo aula no horário escolar está a formar pessoas cristãs, mas desenraizada das suas comunidades paroquiais.
A este nível do testemunho, também me parece que muitas equipais de casais de Nossa Senhora estão a dar um grande contributo para viverem a espiritualidade cristã-católica de forma exemplar. O seu testemunho é imprescindível.

e) Qual é a contribuição específica que casais e famílias conseguiram oferecer, em ordem à difusão de uma visão integral do casal e da família cristã, hoje credível?
- Penso que esta contribuição terá sido dada pelos imensos casais que somam alguns anos de vida matrimonial. Foram persistentes, pacientes, perdoaram-se e compreenderam-se. Estes valores foram eficazes para que pudessem hoje muitos deles estarem a celebrar as suas bodas de prata e de ouro. Quando lhes perguntamos pelo segredo de tanta longevidade ou como foi possível estarem tantos anos juntos, apontam precisamente estes valores.
Neste sentido, seria interessante inventar formas e dinâmicas catequéticas que naquela fase da infância, quando ainda têm entusiasmo pela catequese e pelo Sacramento da Primeira Comunhão, as crianças aprendessem o que significam estes três verbos: compreender, perdoar, aceitar…  

f) Que atenção pastoral a Igreja mostrou para sustentar o caminho dos casais em formação e dos casais em crise?
- A inquietação da Igreja em relação aos casais em formação parece-me ter sido grande. Nunca foi difícil apontar as razões da recusa dos casais em fazerem formação e mais ainda não tem sido difícil fazer o diagnóstico da crise que afecta tantos casais e famílias. Pior tem sido apontar soluções ou propostas para que os casais se sintam ajudados a superar as suas dificuldades e problemas.
Ao nível da formação a Igreja pode a meu ver mudar um pouco a linguagem, tornar-se mais de acordo com o pensar da mentalidade dos nossos dias. Deve também perder a obsessão da sexualidade, porque muitas vezes se fala do que não se sabe e até do que não está de acordo com os estudos científicos que a toda a hora vão marcando o passo das pessoas na actualidade. Muitas vezes a este nível algumas pessoas da Igreja continuam com a mesma linguagem, o mesmo pensar de há muitos anos, quando todas as pessoas há muito que deram o passo. As crianças por causa do que as rodeia ao nível da facilidade da circulação da informação às vezes sabem mais da vida a este nível que toma de vergonha alguns adultos.
O outro aspecto, prende-se com a contracepção. O diálogo e o debate muitas vezes emperram precisamente aqui. A Igreja terá de apresentar-se aos casais com uma linguagem positiva longe do moralismo impraticável e aberta à compreensão da vontade de cada pessoa individualmente e de acordo com o querer e a opção de cada casal. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Questionário do Papa Francisco para o Sínodo sobre a Família (II)

Segue-se o grupo dois do questionário da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos - Documento preparatório... Não levem muito a sério as minhas respostas, são o meu contributo baseado no pouco que sei sobre esta temática e sobre alguma experiência que já vou tendo nas lides pastorais. 

QUESTIONÁRIO (II)

Grupo 2. Sobre o matrimónio segundo a lei natural
a) Que lugar ocupa o conceito de lei natural na cultura civil, quer nos planos institucional, educativo e académico, quer a nível popular? Que visões da antropologia estão subjacentes a este debate sobre o fundamento natural da família?
- A lei natural, também conhecida por Lei Divina é a lei que trata de todas as coisas que amparam o crescimento humano e espiritual do Homem conduzindo-o ao bem e à felicidade. Ela regula todos os acontecimentos no universo. São leis eternas, imutáveis, não estão sujeitas ao tempo, nem à circunstância, embora tenham em si o elemento do progresso.
Penso que a lei natural está bem presente no coração das pessoas em geral. Ninguém duvidará que o melhor caminho para gerar, cuidar e educar pessoas será no seio familiar. Porém, as circunstâncias temporais e históricas foram ditando alguma desconsideração em relação à lei natural o que proporcionou uma também uma desvalorização muito grande do fundamento natural da família. Algumas políticas facilitadores do divórcio e outras ainda contra a família, nomeadamente, a sobrecarga de impostos e os cortes financeiros em relação à geração e educação dos filhos. A conjuntura actual ao nível institucional, educativo, académico e popular está marcada por uma desvalorização do ambiente familiar. Não se educa para o ser mais e melhor família. Poucos pensam nisso. Porque nunca se viu muitos a se estudarem para verem se servem ou não para constituir família.
Não há pois hoje uma antropologia subjacente no debate sobre o fundamento natural da família como veio a ser referido por Thomas Hobbes (1588-1679) quando afirma «que a aplicação da lei natural, conhecida como lei áurea consiste em, ‘Não fazermos aos outros o que não gostaríamos que fosse feito a nós’». A forte concorrência do nosso mundo, o relativismo radical e a luta frenética do mundo da economia e da finança desumanizou as pessoas e daí adveio um conjunto de contra valores que destruíram o fundamento natural da família e quiçá o equilíbrio psicológico e espiritual dos homens e das mulheres do nosso tempo.

b) O conceito de lei natural em relação à união entre o homem e a mulher é geralmente aceite, enquanto tal, por parte dos baptizados?
- Podemos considerar que no geral os baptizados aceitam o conceito de lei natural na união entre o homem e a mulher. Porém, as contingências da vida concreta, as seduções da vida do mundo de hoje, o deslumbre perante a diversidade e a pluralidade dos tempos modernos, sempre ocupam e tomam conta dos corações dos homens e das mulheres, desviam-nos da radicalidade do amor e das promessas que realizaram um ao outro no momento da consagração da sua união. No entanto, queremos crer que a multidão que acredita no conceito de lei natural em relação à união entre o homem e a mulher ainda está muito vivo e é forte no coração de alguma humanidade cristã dos nossos tempos.    

c) Como é contestada, na prática e na teoria, a lei natural sobre a união entre o homem e a mulher, em vista da formação de uma família? Como é proposta e aprofundada nos organismos civis e eclesiais?
- A contestação em relação à lei natural sobre a união entre o homem e a mulher, sempre aparece, de forma prática, quando os casamentos falham. Pois, quando a falta de diálogo, a incompreensão a todos os níveis, as traições e a perda de confiança se sentaram à mesa das famílias a contestação e o desencanto crescem. Na teoria, não faltam pensamentos mais ou menos estruturados para fundamentar a contestação contra a família dita tradicional ou normal. A inconsistência de dinâmicas educativas quer no interior das nossas famílias quer nas escolas, que não prepararam devidamente pessoas para a assunção de compromissos duradoiros, o que conduz a uma descontração e a uma falta de interesse em salvar o matrimónio e a família.
Nos organismos civis, não consta que existam lugares e formas de educação, formação e preparação das pessoas para formarem família. Faz falta a este nível escolas que ensinem os jovens a aprenderem a formar e manter a família. Ao nível eclesial, algo ainda vai sendo feito, nas várias reuniões de preparação para o matrimónio, nos cursos de preparação para o matrimónio (CPM’s) e dentro das várias celebrações litúrgicas sempre são feitos alertas e apresentadas propostas para que as pessoas reflitam e estejam cientes do que devem fazer para serem verdadeira família.    

d) Quando a celebração do matrimónio é pedida por baptizados não praticantes, ou que se declaram não-crentes, como enfrentar os desafios pastorais que daí derivam?
- A celebração do matrimónio pedida por baptizados não praticantes ou não-crentes, acontece com alguma frequência. Em primeiro lugar, parece-me que o caminho a seguir deve ser o do respeito e do acolhimento com simpatia e misericórdia, para que o diálogo não fique desde o primeiro momento inquinado. Logo depois, à medida que a franqueza do diálogo se vai fazendo, criando-se espírito de amizade, podemos e devemos apontar caminhos para que os nossos interlocutores despertem para a necessidade da vida espiritual e para a consequente necessidade de procurarem alimento na vida da Igreja. Obviamente, que para tal não deve existir qualquer sombra de coação, mas sempre com o maior respeito amigo e dentro dos parâmetros da liberdade.     

O sentido da vida

Mesa da Palavra
Comentário à Missa do próximo domingo
Domingo XXXII Tempo Comum, 10 Novembro de 2013

Nos textos da missa deste domingo descobrimos outra vez que o nosso Deus é um Deus de vivos e não de mortos. Esta fé que dá forma e conteúdo a cada um de nós e a toda a comunidade reunida, é o centro da vida cristã. Somos chamados a proclamar que Deus é o Senhor da vida, que em Jesus fez com que a morte fosse vencida e apontou o caminho para a certeza da ressurreição, não apenas para Cristo, mas também para todos os que acreditarem Nele.
Este é o Deus dos vivos, porque detesta tudo o que seja causa de morte. Por isso, chama-nos à vida ressuscitada constantemente. Apenas requer de cada um a fé segura nessa certeza revelada pela sua palavra. Digamos como dizia um escritor famoso (Dostoievski): "Comecei a amá-lo e me alegrei com o seu amor. Será possível que Ele me apague e a minha alegria se transforme em nada? Se Deus existe, também eu sou imortal". Ora bem, esta fé em Deus, como dimensão de vida para todos os momentos, dá-nos o sentido da nossa existência. E com isso divinizamo-nos, somos a glória viva de Deus. É sempre necessário acender a luz da fé nessa possibilidade de plenitude.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Questionário do Papa Francisco para o Sínodo sobre a Família (I)

O questionário que consta no Lineamenta, ou seja, o texto que faz a auscultação para o Sínodo extraordinário sobre a Família - desta fez surpreendentemente enviado a todos os católicos dando-lhes a possibilidade de reflectirem e darem o seu contributo – já está a circular por aí. O texto consta de oito conjuntos de perguntas, somando um total de trinta e oito perguntas. A partir de hoje nos dias úteis procurarei responder como sei às perguntas e partilharei neste espaço essas respostas com as respectivas perguntas. Em cada dia vou tentar publicar um conjunto de perguntas e respostas. No final, enviarei para onde me indicarem o meu contributo. 
QUESTIONÁRIO (I)
As seguintes perguntas permitem às Igrejas particulares participar activamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem a finalidade de anunciar o Evangelho nos actuais desafios pastorais a respeito da família.

Grupo 1. Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família

a) Qual é o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia, da “Gaudium et spes”, da “Familiaris consortio” e de outros documentos do Magistério pósconciliar sobre o valor da família segundo a Igreja católica? Como os nossos fiéis são formados para a vida familiar, em conformidade com o ensinamento da Igreja?
- Penso que o conhecimento real sobre a Bíblia, progressivamente vai acontecendo, porque felizmente as pessoas estão a despertar para o valor da mensagem bíblica, participam em grupos de reflexão, fazem cursos bíblicos e alguns diariamente não dispensam a leitura e a oração a partir da Bíblia. Quanto ao conhecimento dos textos da Igreja sobre a família, já me assiste a percepção que será pouco ou nulo para ser mais exacto. Levar as pessoas a pensar, a ler e a estudar os textos da Igreja sobre a família torna-se uma tarefa inglória, dado que na última metade do século XX e nos anos que já soma o século XXI, as pessoas no geral foram sendo influenciadas pelas ideias negativas sobre a família, nomeadamente no que diz respeito à contracepção e tudo o que se relacionada com a sexualidade. Por isso, tristemente, a mentalidade geral considerou e ainda considera que a Igreja não tem que se meter nessa questão, porque tudo o que ensina relacionado com a família, é retrógrado e não está conjugado com a vida dos tempos modernos. O trabalho para purificar e esclarecer as pessoas neste aspecto é duro, mas a meu ver necessário, porque os ensinamentos da Igreja sobre a família são ricos e estou certo que contribuiriam para termos melhores famílias, consequentemente termos uma sociedade mais feliz e o mundo com mais paz.

b) Onde é conhecido, o ensinamento da Igreja é aceite integralmente. Verificam-se dificuldades na hora de o pôr em prática? Se sim, quais?
- Obviamente, que onde é conhecido o ensinamento da Igreja não é aceite integralmente. Quando o ensinamento desemboca na contracepção e nalguns aspectos sobre a sexualidade, a recusa é muito grande e até serve mesmo para centrar todo o debate, o que não permite depois abertura para fazer passar a restante mensagem.  

c) Como o ensinamento da Igreja é difundido no contexto dos programas pastorais nos planos nacional, diocesano e paroquial? Que tipo de catequese sobre a família é promovido?
- Neste âmbito considero que tem sido feito bastante trabalho. As várias propostas pastorais sempre vão trazendo planos e doutrina reflexiva em abundância. Embora às vezes pecando por ser muito teórica e muito pouco prática. Mas, havendo alguma coisa sobre a família, o receio é que tal mensagem chega sempre aos mesmos, isto é, aos fiéis que habitualmente participam na vida litúrgica da Igreja, o meio privilegiado para fazer passar a mensagem sobre a família e outra. Os encontros diocesanos sobre a família também vão acontecendo e o trabalho nas equipas de casais de nossa Senhora, também me parece ser importante e um contributo significativo para que a doutrina sobre a família encontro terreno fértil onde possa ser semeada. Para os que estão, podemos considerar que não tem faltado trabalho neste âmbito da família, porém, o problema mantém-se para os que estão mais afastados e que não se importam nada em pensar e reflectir sobre a família. Como chegar a estas franjas da sociedade? – Esta é que é a questão principal que se deve tomar como desafio.   

d) Em que medida – e em particular sob que aspetos – este ensinamento é realmente conhecido, aceite, rejeitado e/ou criticado nos ambientes extraeclesiais? Quais são os fatores culturais que impedem a plena aceitação do ensinamento da Igreja sobre a família?
- Nos meios extraeclesiais o ensinamento da Igreja simplesmente não entra ou se entra é para ser motivo de chacota. Porque a adversidade do mundo é muito grande. A influência dos meios de comunicação, com a abundância de telenovelas recheadas com casais movidos pelas intrigas, pelas traições e com todos os elementos necessários para a facilidade das separações, o divórcio, o casar e recasar assim de forma tão simples e fácil vão fazendo o caminho na vida real e até criando a mentalidade de que se na televisão é assim, comigo porque não há-de ser… A conjuntura histórica banalizou as relações e a convivência irresponsável nos locais de trabalho, nas escolas e em todos os lugares da vida foram empurrando a família para segundo plano. A banalização do sexo contribuiu sobremaneira para a destruição da família, porque o valor da fidelidade, o respeito por si e pelo outro, mais a facilidade com que as pessoas se entregam umas às outras foram minando a importância do ser família e do dar o máximo, pelo sacrifício, pela dedicação e pelo trabalho em função do projecto familiar que abraçou em um determinado momento da vida. É profundamente triste que cada vez mais se vá ouvindo que os casais que celebram bodas de prata e de ouros estão a rarear cada vez mais e alguns ainda vão mais longe ao dizerem, isso acabou… Horrivelmente parece, que temos que concordar.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Na Dinamarca os idosos

Para quem acha que 1º mundo é muito diferente dos países em desenvolvimento...veja e reveja os seus conceitos!
   Vale apenas ver o tempo passar?
   Tudo muito limpo, organizado, produtivo, ...para quem?  Quem usufrui?
   Pensar seriamente é preciso, sem egoísmo e sem paixões subalternas.
   No vídeo abaixo, uma entrevista IMPERDÍVEL!!!. 

Nota do Banquete da Palavra: O entrevistado deste vídeo defende algo que também considero e penso há muito tempo que seria uma grande mais valia. O lares de idosos deviam estar todos nos centros populacionais, nos centros das cidades, porque os idosos ainda válidos podiam estar envolvidos na vida da cidade. A solidão seria bem menor... Não quero morrer sem ver um lar de idosos no centro da nossa cidade.