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terça-feira, 8 de abril de 2014

Maldita obscessão pelo pecado

Para comentar a manchete do Dnotícias de hoje (8 abril de 2014), recorro a esta mensagem do Papa Francisco, bem fresquinha. Ontem (7 de abril de 2014) o Papa Francisco na homilia da missa na casa Santa Marta afirmou a propósito do episódio da Mulher Adúltera: «A misericórdia – afirmou o Papa Francisco – vai para além das circunstâncias e atua na vida de uma pessoa colocando de parte o pecado. É como se fosse o Céu: Nós olhamos para o Céu, tantas estrelas, mas quando vem o sol da manhã as estrelas não se veem. E assim é a misericórdia de Deus: uma grande luz de amor e de ternura. Deus perdoa não com um decreto, mas com uma carícia, acariciando as nossas feridas do pecado. Porque Ele está envolvido no nosso perdão e na nossa salvação. E assim Jesus faz de confessor: não a humilha, não lhe diz: O que fizeste, e quando fizeste e como e com quem? Não! Vai, vai e não voltes a pecar. É grande a misericórdia de Deus, é grande a misericórdia de Jesus. Perdoar-nos acariciando-nos». 
Não são precisos mais comentários... 
Permitam-se apenas esta achega. Parece que nem com mil Papa Franciscos o bom senso chega às cabeças de muito católico que continua a preferir a lei ao tesouro que é cada pessoa apesar das suas circunstâncias. Livra-me Deus de uma Igreja de fariseus e de doutores da lei armados em «juízes» da vida das pessoas. Falta agora erguer uma estátua a quem salva as leis menosprezando as pessoas e humilhando as opções que escolheram para realizarem o amor. Estou fora de uma Igreja assim.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pequeno ponto sobre os tempos difíceis para todos

Os tempos correm tristes. A depressão toma conta de muita gente. A situação económica do país contagia os estados de alma de toda a gente. As medidas de austeridade que já vieram e pelo que se augura ainda virão, provocam sobressaltos em muitos sectores. Ninguém escapa a um certo desânimo e parece não ter lugar o sentido da vida e da esperança. Porém, cabe-nos recordar que em cada manhã a vida volta a ressuscitar e a dádiva de sabermos que os nossos olhos se reabrem para luz da manhã.
Mas, não pode esta constatação privar-nos de denunciar que os tempos estão tristes, não só porque continuamos a ouvir palavras sobre terrorismo, a violência de toda a ordem, a miséria, os refugiados, as doenças, a morte... Mas, também porque ouvimos em todo o lado, palavras ofensivas, insultos, palavrões de calhau, de pessoas que se esperaria elevação e dignidade. As ofensas roçam o calão e poucos se indignam com isso. Parece já não existirem pessoas que merecem todo o respeito. E se não for isso, o que nos resta? - Uma linguagem que estala o verniz, que manifesta má educação, falta de respeito pelos adversários, nenhuma abertura às críticas e uma pobreza sem precedentes na história da maior aventura do mundo (a condição de ser gente).  
A linguagem estalou com verniz dos tempos que correm porque a mentira vale muito mais, mas mesmo muito mais do que toda a verdade. São poucos os que são «escravos» da palavra dada e muitos os que se limitam a dizer palavras ocas que depois não induzem à felicidade e semeiam o sofrimento.
Por isso, sofre um povo, que sangra a desgraça que lhe impuseram. Continua a cair nas armadilhas que lhe são impostas e a crise dos bolsos vazios é tremenda. Nisso radica a multidão de escravos que teimam em querer arrebanhar dentro da cerca dos tentáculos do poder obscuro que emerge sabe Deus como das profundezas da maldade humana. Os tempos estão escaldantes e a vida está cada vez mais difícil de se recompor.
Mas, ainda assim, imploro que um anjo faça ressoam a trombeta da paz que tanto desejamos nos corações da existência que se esforçam entre vales e montes construir um mundo novo. Pois, será isso que me faz comer poesia em vez de ficar apenas pela sua leitura.