A nossa terra vive um clima de medo
terrível. O maior empregador da Madeira é o Governo Regional. Nesse meandro há
dois candidatos à liderança do PSD. Obviamente, como não estamos habituados a que
exista vários candidatos para um lugar de liderança neste partido político, a
luta toma contornos esquisitos. A luta extravasa o sentido da democracia, que exige
o respeito em relação às regras mais elementares. Não temos ou naquele partido
não têm este hábito. Por isso, a luta toma contornos ferozes que nada têm a ver
com a normal apresentação de ideias e propostas sem atropelar ninguém.
Havendo dois candidatos vindos do
interior do Governo Regional e que se mantêm nos respectivos cargos sabe Deus
até quando, as coisas complicaram-se
bastante, porque não houve a lucidez de se demarcarem desde o início das
funções governativas para que pudessem preparar com a devida equidistância as
candidaturas. A mistura das coisas é inevitável. Não sendo assim, a luta para
ver quem é quem entre os trabalhadores de ambas as tutelas está em clima de
guerra, imperam as ameaças, a perseguição e o medo faz o caminho. Há pessoas contratadas
pelos respectivos políticos para controlar e ouvir quem apoia quem nesta guerra
dos Delfins.
Tendo em conta que as pessoas precisam
do seu trabalho e do consequente salário ao fim do mês para alimentar as suas
famílias, vão-se sujeitando a tudo. Porém, a natureza humana não é de ferro, os
nervos estão à beira de um ataque e o clima é de cortar à faca. É impossível
estar num ambiente onde se desconfia de tudo e de todos.
O Papa Francisco no dia 3 de setembro de
2014, na Audiência Geral na Praça de São Pedro no Vaticano, disse sem meias
palavras: «com o trabalho não se brinca». Segundo o Pontífice, tirar o trabalho
de uma pessoa significa tirar a sua dignidade. Mais ainda, envolvê-la num clima
de perseguição e medo ameaçando a segurança do seu trabalho, é violar os
direitos humanos e reles chantagem que nada tem a ver com a dignidade humana e
o direito à segurança no trabalho.
A luta pelo poder não pode estar sujeita
a isto, não pode ser o poder pelo poder. Mas tem que haver regras e respeito
pelas opções das pessoas. Se não sabem o que é a democracia aprendam, por
favor. Mais ainda se me lembro que tudo isto é praticado por gente que num dia
destes me sussurrava ao ouvido que se eu queria o bem do povo também eles
queriam. Mas afinal, qual bem do povo se dentro da sua própria casa e no lugar
onde exercem os seus cargos para o bem do povo, são os primeiros a perseguir
aquele povo que está a ali ao seu lado? - Não embarco nesta hipocrisia de meia
tigela. Cresçam e apareçam.


