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sábado, 29 de novembro de 2014

Soneto do vento

Ensaio de poema para o fim de semana. Sejam felizes sempre... Sem prejudicar ninguém.
Sopra o vento na solidão da verde encosta
quando todos anseiam a fraterna reunião
e o calor do abraço implora a mesa posta
porque estão todos com fome de união.

Mais fala estilhaçado o vértice do momento
que se esmaga sob olhar feroz do agoiro
apenas sei que diante do acontecimento
vejo a alquimia vil metal transmutado em oiro.

Nada é mais solene que o ruído do vento
que as árvores testemunham no embalo
sobre a beleza de ser gente fiz o meu intento.

Aqui e agora vejo o bom do passado já vivido
só para ouvir este grito vale a pena ter nascido.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A vigilância atenta às coisas da vida

Comentário à missa deste domingo, 1º advento, 30 novembro de 2014
Estar vigilante é o apelo que nos toma de assombro logo no início do tempo do Advento, palavra que significa vinda, chegada e que nos prepara para o grande acontecimento do Natal de Jesus no presépio de Belém.
Há uma pequena história que nos ajuda a pensar quanto precisamos de reconstruir o mundo e que essa reconstrução entraria desde logo em acção se a pessoa humana fosse reconstruída em cada dia da sua vida. O Advento alerta-nos para a necessidade da renovação da existência.
Escutemos. Um filho estava continuamente a incomodar o seu pai. Este, para distrair e se libertar dele, pegou numa folha de um velho atlas onde se encontrava todo o mundo; à escala muito reduzida, continha todos os continentes, países, cidades... Cortou-o em pequenos pedaços e entregou-o ao filho para que as compusesse. Pensou o pai: "levará muito tempo e assim deixar-me-á em paz". Passados alguns minutos, a criança regressou com o mundo perfeitamente ordenado. O pai, assombrado, perguntou-lhe: - Como é que conseguiste compô-lo tão depressa?
- Muito simples, pai. No reverso do papel estava desenhado um ser humano. Reconstruí primeiro aquela pessoa e o mundo foi-se articulando por si mesmo.
O Tempo do Advento, aquele tempo que nos prepara para o encontro com o homem empoeirado, de barbas raladas e grandes, passando ao lado de um rio, que está ali diante de mim. E Ele da outra margem faz-me um aceno afectuoso, certo que em mim existe abertura suficiente para acolher uma graça, um dom ou uma possibilidade de redenção.
Eis, o tempo que nos prepara para o novo, o sempre novo da vida. Por isso, chegou a hora para este mundo que parece andar perdido, nas entranhas tenebrosas do medo, da insegurança, da corrupção, da tristeza e toda a miséria que corrói a vida. Portanto, «vigiemos» para que possamos acolher o verdadeiro presente, Jesus Cristo, o Salvador do mundo.