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sábado, 3 de outubro de 2015

Se os olhos

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
Se os olhos são vista
Faz-nos sonhar o futuro.
Se os olhos são luzes
Faz-nos cintilar na alegria.
Se os olhos são flores
Faz-nos sorrir todas as cores.
Se olhos são frutos
Faz-nos saborear a vida.
Se os olhos são eco
Faz-nos ecoar a esperança.
Se os olhos são partilha
Faz-nos pão amassado de amor.
Se os olhos são dom
Faz-nos um sentido que é Deus.
Se os olhos são compaixão
Faz-nos sentir o perdão.
Se os olhos são reflexo
Faz-nos livres para a conquista.
Se olhos são um engenho
Faz-nos a felicidade uma arte.
Se olhos são brilho quotidiano
Faz-nos curados do pessimismo.
Se os olhos são aparência
Faz-nos liturgia da sinceridade.
Se os olhos são paisagem
Faz-nos comunicação do mistério.
Se olhos são um quadro
Faz-nos o centro da miragem.
Se os olhos são horizonte
Faz-nos ser possível na terra o céu.
Se olhos são visão solene
Faz-nos esta perspectiva ser perene.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A ditadura das sondagens

O debate político nesta campanha como seria de esperar não existiu, porque os partidos políticos não quiseram e a lógica da luta pelo poder também não alinha por aí. É algo que os cidadãos responsáveis consideram ser muito importante, os partidos políticos ávidos de tachos e loucos pelo poder não lhes interessa nada o debate das ideias e muito menos o escrutínio das propostas e das suas opções no exercício do poder se forem eleitos.
Por isso, tivemos o domínio diário das sondagens, que serviam para os líderes partidários alinhavarem as inutilidades que debitavam nos seus inúteis discursos nos comícios e arruadas. Também foram o prato principal dos comentadores dos diversos órgãos de informação.
As sacrossantas sondagens foram impondo, cada uma mais certa que a outra, que estivámos aí no empate técnico entre duas forças partidárias ou que havia uma subida ou descida de um ponto, dois ou mais deste partido ou daquele. O que tivemos foi antes um festim que redundou numa pobreza generalizada. Porque todos foram tomados pela loucura das sondagens. Elas foram o centro da campanha eleitoral. Tomaram conta de tudo.  
Por isso, podemos dizer que temos a nova ditadura das sondagens, que na noite eleitoral, espero, que todas tenham uma clara derrota para bem da saúde democrática e para o nosso equilíbrio mental. Não há outra forma de combater este estado de coisas senão por aí, pela lucidez e responsabilidade dos cidadãos eleitores. Espero por essa maturidade democrática no dia das eleições. Pode ser esperar muito, mas prefiro estar assim.  
A comunicação social, obviamente, que fez o seu trabalho, mas também dominada por esta loucura das sondagens diárias, fez um frete aos partidos políticos e permitiu que não fossem escrutinadas como deviam as propostas e as promessas de cada um. Quem se lembra do pé para a mão de uma promessa, mesmo que estapafúrdia, feita por qualquer partido político? – Estou assim, não me lembro de nenhuma.
Portanto, vamos muito mal para estas eleições. Até à hora de segurar o extenso boletim de voto vamos com a maior das incertezas e ofuscados por tantos números e por tantas seguranças que as sondagens foram ditando ao longo destes dias e que os comentadores foram desbravando como se fossem uma escritura dominadora do futuro que eles viram cristalinamente.
Perante este contexto, vamos por algumas horas abstrairmo-nos desta poluição, centrarmos a nossa análise naquilo que temos vivido e decidir com verdadeira consciência. Precisamos de derrotar todas as sondagens para que nos centremos na verdade democrática contra todas as tentativas que nos querem impor, que sujam a sanidade metal e condicionam as nossas vidas com ruídos que não servem para nada. Acordemos e não permitamos que nos comandem os dias com miséria em cima de miséria.