Convite a quem nos visita

terça-feira, 6 de outubro de 2015

«Os medíocres da comunicação social mandam no jornalismo»

Bravo amigo Calisto pela denúncia... Texto brilhante sobre a morte prematura e súbita do jornalista Luís Miguel França, pode ser lido AQUI na íntegra.
Destaco o seguinte: «Podem dizer que esta hora dolorosa, em que todos estamos em choque, não deve ser profanada com a invocação de comportamentos reles da realidade terrena. Pois eu entendo que há criaturas sem direito a passar impunes quando os seus expedientes malvados provocam efeitos dramáticos como aquele que estamos a viver. Luís Miguel acaba de morrer. Já sem cartão de jornalista de televisão. Mas nós sabemos onde reside a origem desta tragédia que nos mata também a todos, um pouco.
Miguel teve tempo de se afirmar, em nossa opinião, como o melhor pivot da televisão madeirense de sempre, incluindo os bons do antigamente e os bons da actualidade. E conhecemos todos os pivots da RTP-M desde o dia inaugural. Conhecemos os primeiros a aparecer, os continuadores, as esperanças e os mitos. O que dizemos está nos arquivos da verdade. Para quem não conheça, é só consultar»
Paz à sua alma. Que sirva a sua prematura partida desta vida para fazer pensar este mundo de ideias pequenas que nos rodeia. Daqui expresso os meus sentidos cumprimentos à Basília Pita e à sua filha Sofia.  

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Já chegamos à Madeira

Ganhou quem estava previsto ganhar, a coligação Pàf. Foi pena não terem sido vencidas as sondagens, exatamente como desejei e procurei contribuir.
Não venham agora dizer que o povo é masoquista, não serve nesta hora inventar eufemismos para justificar derrotas ou ganhos. A democracia é assim mesmo, ganham uns perdem outros. Os eleitores são soberanos. Mais ainda de nada contribui inventar análises que justifiquem esta ou aquela opção do eleitorado, só porque não está de acordo com a nossa opção ou a que desejamos mais que tivesse acontecido. A maturidade democrática mede-se pela capacidade de acolher a decisão da maioria. Desta vez, como tem sido nas outras, comigo, será novamente assim.
Porém, não me livro de olhar o que aconteceu ontem a partir desta análise que a minha atenção me provoca. Agora podemos também a partir da Madeira saborear com um certo gozo o que aconteceu lá para os lados do Continente. Não foram as poucas vezes que durante 40 anos do lado de lá do Atlântico fomos considerado um povo imbecil, só porque foi votando consecutivamente no PSD do Alberto João. Bastava entrar nalgum táxi em Lisboa para ouvir impropérios contra a Madeira, porque votava sempre no mesmo.
Tudo isto para perguntar-se o seguinte: e agora Portugal Continental? Em quem votaram? – Nos mesmos, aqueles que prensaram durante 4 anos o povo português com uma austeridade desumana, que deixava boquiaberta a Troica, que considerava não ser necessário espezinhar tanto.
A questão a meu ver é esta, a maioria votou sob um engano, colocassem coligação PSD/CDS e logo veríamos este partidos seriam cilindrados. O engano estratégico resultou. Porém, obviamente, que tudo isto deixa perplexos os cidadãos mais conscientes e informados sobre todas as questões da governação e mais ainda deixa estupefacta a opinião pública europeia, especialmente, aqueles países que foram intervencionados como nós, mas que na hora da verdade manifestaram o seu desgosto nas urnas imprimindo outras opções de governação, alguns deles até bem radicais e surpreendentes. Pois então, estúpida e imbecil era a Madeira. Não consideram irritante e insultuosa a expressão: «Já chegamos à Madeira»? Agora sim, podem aplicá-la por aí, porque face a este contexto só nos faz sorrir de gozo.
Nisto tudo a maior derrota vai para o nosso país e o seu povo, que faz isto mergulhar na instabilidade. Aliás, nada que nos venha a surpreender, o país fica como está a maioria dos portugueses, que há muito experimenta a instabilidade derivada dos pesados sacrifícios a que foi votada.
Quanto à derrota do PS, deriva da divisão interna que o norteia desde sempre e que foi intensificada desde a saída do Seguro. António Costa enredou-se na estratégia da coligação, que soube manter a chama de que quem ia ser julgado nestas eleições era o PS e o seu líder. A restante oposição ajudou à festa.
Os corvos que vivem dos tachos políticos e que não sabem fazer mais nada na vida senão andar instalados em cargos à conta dos partidos, é melhor que tenham em conta que face a este domínio conjuntural onde o vosso PS foi a vítima, com o António José Seguro, a PàF teria a maioria absoluta. Com isso então é que veríamos o quanto seria desastroso para o nosso país e para o seu povo uma governação absoluta destes Pàf’s.
Na Madeira. Nada de especial. Apenas o BE surpreende positivamente. O PSD perde pouco e o CDS muito, era mais que previsível depois de ter sido notório o terem passado a perna ao Rui Barreto. Sai José Manuel Rodrigues entra Rui Barreto. É assim a vida. O PS não descola e continua a fazer festa com pouco. 

sábado, 3 de outubro de 2015

Se os olhos

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
Se os olhos são vista
Faz-nos sonhar o futuro.
Se os olhos são luzes
Faz-nos cintilar na alegria.
Se os olhos são flores
Faz-nos sorrir todas as cores.
Se olhos são frutos
Faz-nos saborear a vida.
Se os olhos são eco
Faz-nos ecoar a esperança.
Se os olhos são partilha
Faz-nos pão amassado de amor.
Se os olhos são dom
Faz-nos um sentido que é Deus.
Se os olhos são compaixão
Faz-nos sentir o perdão.
Se os olhos são reflexo
Faz-nos livres para a conquista.
Se olhos são um engenho
Faz-nos a felicidade uma arte.
Se olhos são brilho quotidiano
Faz-nos curados do pessimismo.
Se os olhos são aparência
Faz-nos liturgia da sinceridade.
Se os olhos são paisagem
Faz-nos comunicação do mistério.
Se olhos são um quadro
Faz-nos o centro da miragem.
Se os olhos são horizonte
Faz-nos ser possível na terra o céu.
Se olhos são visão solene
Faz-nos esta perspectiva ser perene.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A ditadura das sondagens

O debate político nesta campanha como seria de esperar não existiu, porque os partidos políticos não quiseram e a lógica da luta pelo poder também não alinha por aí. É algo que os cidadãos responsáveis consideram ser muito importante, os partidos políticos ávidos de tachos e loucos pelo poder não lhes interessa nada o debate das ideias e muito menos o escrutínio das propostas e das suas opções no exercício do poder se forem eleitos.
Por isso, tivemos o domínio diário das sondagens, que serviam para os líderes partidários alinhavarem as inutilidades que debitavam nos seus inúteis discursos nos comícios e arruadas. Também foram o prato principal dos comentadores dos diversos órgãos de informação.
As sacrossantas sondagens foram impondo, cada uma mais certa que a outra, que estivámos aí no empate técnico entre duas forças partidárias ou que havia uma subida ou descida de um ponto, dois ou mais deste partido ou daquele. O que tivemos foi antes um festim que redundou numa pobreza generalizada. Porque todos foram tomados pela loucura das sondagens. Elas foram o centro da campanha eleitoral. Tomaram conta de tudo.  
Por isso, podemos dizer que temos a nova ditadura das sondagens, que na noite eleitoral, espero, que todas tenham uma clara derrota para bem da saúde democrática e para o nosso equilíbrio mental. Não há outra forma de combater este estado de coisas senão por aí, pela lucidez e responsabilidade dos cidadãos eleitores. Espero por essa maturidade democrática no dia das eleições. Pode ser esperar muito, mas prefiro estar assim.  
A comunicação social, obviamente, que fez o seu trabalho, mas também dominada por esta loucura das sondagens diárias, fez um frete aos partidos políticos e permitiu que não fossem escrutinadas como deviam as propostas e as promessas de cada um. Quem se lembra do pé para a mão de uma promessa, mesmo que estapafúrdia, feita por qualquer partido político? – Estou assim, não me lembro de nenhuma.
Portanto, vamos muito mal para estas eleições. Até à hora de segurar o extenso boletim de voto vamos com a maior das incertezas e ofuscados por tantos números e por tantas seguranças que as sondagens foram ditando ao longo destes dias e que os comentadores foram desbravando como se fossem uma escritura dominadora do futuro que eles viram cristalinamente.
Perante este contexto, vamos por algumas horas abstrairmo-nos desta poluição, centrarmos a nossa análise naquilo que temos vivido e decidir com verdadeira consciência. Precisamos de derrotar todas as sondagens para que nos centremos na verdade democrática contra todas as tentativas que nos querem impor, que sujam a sanidade metal e condicionam as nossas vidas com ruídos que não servem para nada. Acordemos e não permitamos que nos comandem os dias com miséria em cima de miséria.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Legenda para as sondagens diárias

Obrigado, caro Miguel Torga por me ajudar a compreender as coisas do mundo nesta hora...
«A cegueira e a obstinação dos homens lembra-me às vezes a cegueira e a obstinação das varejeiras infernizadas contra as vidraças. Bastava um momento de serenidade, dez-réis de bom senso, e em qualquer fresta estava a liberdade. Mas o demónio da mosca, quanto mais a impossibilidade se lhe põe diante, mais teima. O resultado é cair morta no peitoril».
Miguel Torga, in "Diário (1943)"

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Gestos mínimos que fazem a diferença

A todas as famílias... Melhor é impossível. 
Obviamente, que para o mundo de hoje tudo aquilo que a Igreja sugere para a família muitas vezes parece do mais bizarro, mas não há outro caminho, para que tenhamos famílias felizes e sociedades mais equilibradas em humanidade, na paz e na justiça.
«A fé abre a «janela» à presença operante do Espírito e demonstra-nos que a santidade, tal como a felicidade, está sempre ligada aos pequenos gestos. «Seja quem for que vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo, (...) não perderá a sua recompensa», diz Jesus (Mc 9, 41). São gestos mínimos, que uma pessoa aprende em casa; gestos de família que se perdem no anonimato da vida diária, mas que fazem cada dia diferente do outro. São gestos de mãe, de avó, de pai, de avô, de filho. São gestos de ternura, de afecto, de compaixão. Gestos como o prato quente de quem espera para jantar, como o café da manhã de quem sabe acompanhar o levantar na alvorada. São gestos familiares. É a bênção antes de dormir, e o abraço ao regressar duma jornada de trabalho. O amor exprime-se em pequenas coisas, na atenção aos detalhes de cada dia que fazem com que a vida tenha sempre sabor de casa. A fé cresce, quando é vivida e plasmada pelo amor. Por isso, as nossas famílias, as nossas casas são autênticas igrejas domésticas: são o lugar ideal onde a fé se torna vida e a vida se torna fé.
Jesus convida-nos a não obstaculizar estes pequenos gestos miraculosos; antes, quer que os provoquemos, que os façamos crescer, que acompanhemos a vida como ela se nos apresenta, ajudando a suscitar todos os pequenos gestos de amor, sinais da sua presença viva e operante no nosso mundo».
Papa Francisco, da homilia em Filadélfia no Encontro Mundial das Famílias...

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Quatro sonhos quatro lutas - inspiradores para o mundo

Estamos perante um discurso histórico. Não podem estas palavras não serem inscritas nos nossos corações. O Papa estruturou a sua mensagem no Congresso dos Estados Unidos entre «quatro sonhos e quatro lutas» com base em quatro filhos da América que continuam a ser inspiradores para a América e para o mundo.   
“Quatro indivíduos e quatro sonhos”: o histórico discurso de Francisco no Congresso dos EUA se estruturou no exemplo de “quatro filhos da América”
Abraham Lincoln, Martin Luther King, Dorothy Day e Thomas Merton: seus “sonhos e lutas” podem continuar inspirando hoje o povo norte-americano.
Abraham Lincoln: o sonho e a luta por um novo nascimento da liberdade.
Martin Luther King: o sonho e a luta pelos direitos civis e políticos plenos para todos.
Dorothy Day: o sonho e a luta pela justiça e pela causa dos oprimidos.
Thomas Merton: o sonho e a luta pela paz entre os povos e religiões. 
Destaco as palavras finais do discurso do Papa: chave de ouro do discurso do papa Francisco no Congresso dos EUA foi a família, “essencial na construção deste país e merecedora do nosso apoio e incentivo! Mas eu não posso esconder a minha preocupação com a família, ameaçada hoje, talvez mais do que nunca antes, de dentro e de fora. Relações fundamentais estão sendo questionadas, assim como a própria base do matrimónio e da família. Eu só posso voltar a propor a importância e, principalmente, a riqueza e a beleza da vida familiar”.
Que esses “quatro indivíduos e quatro sonhos” continuem encorajando os Estados Unidos, exortou Francisco, para que “o maior número possível de jovens possa herdar e habitar uma terra que inspirou tantas pessoas a sonharem. Deus abençoe a América!”. Para ler e guardar para ser vivido...